ESTES ANIMAIS NEM PARA ELES SERVEM…

Como não tenho o mínimo de respeito pela merda desta casa e por aquilo que representa (apesar de harmonicamente desenhada por Ventura Terra, um artista que muito aprecio), foi com muito bons olhos que recebi há pouco a notícia de que a ministra da Justiça, de que nem sei o nome nem quero saber, vai trabalhar com um corte de 500 milhões de Euros nas áreas da justiça e da defesa (o que também afecta o Macedo). Por isso, quando me lembrei dos hieráticos e medievais bófias que defendiam na última manif esta “casa” e as suas escadarias, lembrei-me que esses milhões talvez enfraqueçam estas máquinas caninas obedientes de escudo e viseira, e a próxima manifestação possa ter um desfecho diferente (quem sabe?). Gosto portanto muito da tal Paula não sei quê e mais ainda do “aspérgico” (como alguém se lembrou de referir) Vitor Gaspar, ao qual eu gostaria de perguntar que equação econométrica corresponde à definição kantiana de belo como o que apraz universal e desinteressadamente sem conceito. A propósito, da casa na foto, quando o povo a derrubar de facto e àquilo que representa, até gostaria que se preservasse o desenhado e pintado por mestre Veloso Salgado, e pouco mais.

(Esta malta não precisa de defesa, eles são a defesa, o direito e a justiça, daí os cortes – até vão deixar de andar com segurança reforçada!)

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20 respostas a ESTES ANIMAIS NEM PARA ELES SERVEM…

  1. natália silva diz:

    Nós sabemos bem a que se referem os cortes no orçamento. Por certo não será na segurança deles, de resto cada vez mais necessária. Cortes na justiça será no apoio judiciário (se já era a merda que era) o que quererá dizer mais justiça para ricos e menos para pobres. Cheira-me a Privatizaçao em massa. Justiça, segurança saúde e outras áreas. Veremos.

    • Carlos Vidal diz:

      Até a chamada Assembleia da República estes biltres (como diz o Renato) “coelhistas” privatizarão, se ainda cá estiverem por mais alguns meses.
      Por isso já escrevi: guerra é guerra, um motim é um motim (como diz Mao Tse Tung, não é um convite para uma jantarada), uma ocupação popular da “casa do povo” é uma ocupação de um espaço público. Chocam-se mentes por eu destratar o “hemiciclo” tão mal. E quando for privatizado? Tornado pela cáfila que nos “governa” como coisa irrelevante? Quando passar por aqui uma lei eleitoral que anule a esquerda, o que nos resta? Guerra é guerra, foi um título de um meu post de Outubro, onde citava Clausewitz.

  2. Nuno Cardoso da Silva diz:

    Fico com a dúvida de saber se este tipo de discurso nos trará muitos apoiantes:

    “A propósito, da casa na foto, quando o povo a derrubar de facto e àquilo que representa, até gostaria que se preservasse o desenhado e pintado por mestre Veloso Salgado, e pouco mais…”

    É o “derrubar de facto” que me incomoda. A casa não tem culpa do uso que lhe tem sido dado. Nem me parece que seja possível preservar (implantar) a liberdade e a democracia sem um corpo representativo da comunidade, que respeite e faça ouvir a nossa vontade no processo legislativo. Um corpo que poderá (deverá) ter assento nesse velho Palácio das Cortes, o qual portanto não precisa minimamente de ser derrubado. Mas a frase que salientei facilmente poderá ser entendida como uma vontade de destruir os mecanismos de representação, e não apenas a casa que alberga essa representação. Não serão poucos aqueles que acharão, ao ler tal enormidade, que somos todos loucos e ansiamos não por mais liberdade e democracia, mas por menos. Não contem comigo para isso.

    • Carlos Vidal diz:

      Choca-se o meu caro amigo por eu preferir a pintura do mestre Salgado (e a luneta reproduzida no post até nem é do melhor Salgado) à representação?
      Se a representação for somente número, coisa denunciada por Rousseau e muito admirada por Marx, então eu prefiro o Salgado!
      Pois, repare, o número pode ser anulado a qualquer momento (uma nova lei eleitoral pode reduzir as representações do PCP e do BE a metade). Os movimentos de massas não. E estes não são representação??

      • Nuno Cardoso da Silva diz:

        Os movimentos de massas, por muito legítimos que sejam, não permitem agir, apenas reagir. São essenciais para manter o poder político honesto, mas não servem para fazer leis. Uma democracia precisa tanto de uma representação eficaz como de uma cidadania vigilante. E isso não se consegue com a destruição do princípio da representação, e muito menos com a destruição da casa que a alberga. Há que ter algum cuidado com o que se escreve, até porque por vezes deixam-se escapar noções e sentimentos que mais valia manter bem controlados. Deixar as feras à solta nunca foi uma boa ideia…

        • Carlos Vidal diz:

          Consegue conceber um princípio de representação supranumerário?
          Explique, sff.
          Se sim, calo-me já sobre a representação.

          • Nuno Cardoso da Silva diz:

            Não percebo o sentido da expressão “representação supranumerária”. Mas formas de representação há muitas, umas melhores e legítimas, outras piores. Tenho até simpatia pela solução da antiga Grécia, que era a selecção por sorteio e com mandato único.

          • Carlos Vidal diz:

            A representação supranumerária é a única forma de democracia emancipadora. Significa que os gestos de amor, de revolução (de Outubro ao 25 de Abril), de invenção científica ou de criação estética rupturante não são nem podem ser sufragáveis. Isto é, eles estão no seio da vontade geral, que é diferente da vontade da maioria e da vontade de todos (que não é mais do que a soma total da vontade de “todos” os particulares).

          • Nuno Cardoso da Silva diz:

            Carlos,

            Isso é poesia, não é política. Na espécie humana só os instintos são de geração espontânea, e raras vezes gostamos dos seus resultados.

          • Carlos Vidal diz:

            Poesia?, como?
            Falei em factos, de revoluções que admiro: Outubro, Revolução Cultural chinesa, 25 de Abril/PREC…………. (não, não sou adepto do dia “inicial, inteiro e limpo”, sou adepto de sequências: Mao, 1949; Mao, Revolução Cultural, etc.; logo, não me deixo contagiar por esse “poético” de que fala.)

  3. donzilia conceiçao fernandes diz:

    ESTES FILHOS DE UMA NAÇÃO DOENTE, O QUE QUEREM É A DESTRUIÇÃO TOTAL DO PAÍS, NÓS SABEMOS BEM O QUE NOS CUSTOU A LIBERDADE, MUITOS HOMENS E MULHERES PRESAS ESPANCADAS ATÉ À MORTE, ELES QUEREM PRIVATIZAR TUDO, PODEM PRIVATIZAR TAMBÉM A MÃE DELES, COMO QUEREM REVER A CONSTITUIÇÃO PARA QUE O FASCISMO CHEGUE MAIS RÁPIDO, SÓ QUE ANTES DISSO ELES HÃO DE CAIR COMO TORDOS EM DIA DE CAÇA.
    COMO SE NÃO FIZESSEM TUDO COMO ELA ESTÁ ESCRITA, ATÉ A SUSPENDEM, COMO SE UM PAÍS PODE-SE ESTAR COM UMA CONSTITUIÇÃO SUSPENSA, TANTO TEMPO E ESTE PRESIDENTE DA REPUBLICA NÃO TOMA PROVIDENCIAS CAUTELARES. ESTES CORRUPTOS TÊM DE SAIR DO PAÍS SE NÃO FOR POR DEMISSÃO TÊM DE SE POR NA RUA COM A FORÇA QUE O POVO TEM AGORA.
    VIVA PORTUGAL, VIVAM OS TRABALHADORES DE PORTUGAL E DOS PAÍSES QUE ESTÃO COMO NÓS, TEMOS DE SER SOLIDÁRIOS COM TODOS OS POVOS QUE VÃO PERDENDO A SUA SOBERANIA COMO NÓS.

    • Carlos Vidal diz:

      Creio que Vasco Lourenço tem razão: estes tipos fazem isto com intenção.
      São como diz a minha cara comentadora: filhos doentes de uma nação doente, mas nem por isso inimputáveis!

  4. clara diz:

    Quando já se canta “Grândola Vila Morena” nas ruas de Madrid, nada está perdido.
    http://www.tvi.iol.pt/videos/13728796 Penso que é por aí que é necessário ir. Internacionalizar a luta.
    Ça irá! http://www.youtube.com/watch?v=UvIZ-WloypA&feature=share

  5. marta diz:

    dar-me-ia vontade de rir todos estes comentários se não fosse o pormenorzito de não haver na sociedade portuguesa uma vaga de fundo que me faça acreditar que o Povo está realmente interessado em lutar pelos seus direitos: o que se sente é acomodação ao que parece inevitável. os nossos representantes “de esquerda” mantêm discursos de cassete iguais aos de sempre. e o sempre mudou, mudou radicalmente. não vejo como se pode transformar a suposta reacção em acção sem uma força catalizadora do que resta de contestação. somos abismo olhando o abismo.

  6. art diz:

    POR AMOR DE DEUS …
    ou seja por amor de seja la quem for (pois não acredito que tenhais família)…
    é assim que vamos resolver os problemas ????????
    merda

  7. Manuel Z diz:

    Caro Manuel, não deixe o seu ódio turvar-lhe a visão. Tamanho desdém, como o senhor demonstra pela Assembleia da República, só é visivel nos fascistas. Esses sim, querem queimar aquele edificio e os que lá se sentam (os do lado esquerdo, claro).

    Aquela instituição representa “apenas” a ideia de democracia. Essa democracia é completamente mutilada e travestida pelo capital, não pela assembleia.

    O Sr. deveria antes defender uma assembleia ao serviço do povo e dos trabalhadores.
    Quanto às suas tiradas sobre “supranumericidades”, acho apenas que o sr. precisa de perder mais algum tempo a esclarecer as suas ideias.

  8. Justiniano diz:

    Mas, caríssimo Vidal, não creio que os cortes afectem o Ministério do Interior!? Há, sempre, que zelar pela segurança da casa!! E realçar a imagem ordeira e impressiva do trabalho, ao longe a compor a paisagem…assim de repente, um Constable!!

    • Carlos Vidal diz:

      Constable, o inimitável e irrepetível…. O único paisagista que pinta céus de tal forma que todos nós sentimos que o mundo (de chuva) a qualquer momento pode desabar!!
      (E desabará!!)

      • Carlos Vidal diz:

        Fala o meu caro, noutro post, em exílio alpino…
        Então, a propósito do nosso Constable, dir-se-ia estar mais próximo de Caspar Friedrich que de Constable.
        Mas não sei (devo saber) creio preferir o inglês.
        Aquele céus sempre prontos a desabarem.
        E desabarão por certo.

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