A CGTP, os Estivadores e a Polícia: num país imaginário

“A polícia não nos faz mal”, desabafo de Arménio Carlos para estivadores.

“Líder da maior central sindical, visivelmente irritado, grita aos polícias do corpo de intervenção, que saiam da frente do parlamento e se juntem aos estivadores porque o parlamento é do povo e os estivadores são o povo” .

Num país imaginário jamais o líder de uma organização sindical apela a homens desarmados, trabalhadores, para deixarem de incomodar a polícia, armada, que está a defender o Estado dos patrões. Num país imaginário a solidariedade com os estivadores, neste momento em greve, não teria nenhum limite, muito menos o limite da compaixão pela polícia.

Este artigo foi publicado em cinco dias. Bookmark o permalink.

22 Responses to A CGTP, os Estivadores e a Polícia: num país imaginário

  1. Antónimo diz:

    Arménio Carlos no seu dele discurso saudou os estivadores e a sua luta. Raquel Varela não deve ter ouvido o discurso ou de certeza que não teria ter deixado de assinalar o facto.

  2. Grevista diz:

    É notável o seu deslumbramento com os estivadores.
    É igualmente notável que não tenha uma linha escrita sobre outros trabalhadores em luta, de vários sectores igualmente afectados pela política deste governo e pelas práticas laborais selvagens das entidades patronais. Trabalhadores organizados em sindicatos verticais, que lutam por exemplo pela reposição nas respecticas convenções colectivas de normas entretanto pulverizadas pela revisão da legislação laboral. Comos os trabalhadores da Parmalat, no sector químico.
    Nunca faltou aos estivadores a solidariedade da CGTP. Nunca.

  3. Para que não haja dúvidas, aqui em vídeo…

    “Oh Camaradas desculpem lá…”

    http://youtu.be/KL2dkvJYxH8?t=1m40s

  4. Para que não haja dúvidas, aqui em vídeo… a diatribe de Arménio começa aos 1:40.

    “Oh Camaradas desculpem lá…”

    http://youtu.be/KL2dkvJYxH8?t=1m40s

    Que não haja equívocos, devo dizer que gosto muito mais de Arménio que de Carvalho da Silva, o seu discurso no 29 de Setembro foi muito bom, ainda mais o pré-anúncio de greve geral para 14 de Novembro. Foi a CGTP e foi em Portugal que se lançou a greve geral europeia!!! É preciso ter isto em conta.
    Mas verdade seja dita, neste episódio, o Arménio perdeu uma boa oportunidade para estar calado…

  5. António diz:

    Certamente que esse país é um país imaginário, porque as palavras de Arménio Carlos que eu ouvi no local, além do “a polícia não nos faz mal” foram também “a gente não faz mal à polícia”, e foram ditas quando a sua intervenção estava a ser consecutivamente interrompida por petardos – uma cena porreira da luta acesa, né?

  6. drcursor diz:

    Num pais a serio, em que o “lider” da maior central sindical nao é um esquerdista/esquerdalho, esse mesmo “lider” compreende que os policias, militares e demais forcas fazem tambem parte intrinseca do povo trabalhador.

  7. drcursor diz:

    Num pais a serio, em que o “lider” da maior central sindical nao é um esquerdista/esquerdalho, esse mesmo “lider” compreende que os policias, militares e demais forcas fazem tambem parte intrinseca do povo trabalhador….

  8. josé cerqueira diz:

    Um «post» vergonhoso !

    Sendo inquestionável a solidariedade que os estivadores tem recebido
    da CGTP (entretanto, ando a «averiguar» como tem sido
    a solidariedade dos estivadores nas anteriores lutas gerais) é um absurdo pretender que, em nome disso, a CGTP passasse a adoptar a orientação, que nunca foi sua, de incitar à iniciativa de confrontos directos com a polícia que tanto orgasmisam alguns.

    Francamente, não há pachorra para tão cansado verbalismo pseudo-revolucionário.

  9. Nuno Rodrigues diz:

    Nessa lógica, um trabalhador do pingo doce, confrontado com a venda a preços assassinos de produtos de pequenos produtores nacionais, é um colaboracionista da classe exploradora. Ou um operário de uma fábrica multinacional de circuitos, ao não deixar a pequena empresa de componentes eléctricos evoluir.

    Defender a assembleia é o papel dos polícias e eles também têm a sua forma de luta. Se é justa ou injusta, é outra discussão. Mas por os trabalhadores contra a polícia é completamente sanguinário e irresponsável.

    • Leo diz:

      “Mas por os trabalhadores contra a polícia é completamente sanguinário e irresponsável.” E uma estupidez sem limites!

  10. Leo diz:

    Infelizmente neste país real, Arménio Carlos teve que explicar a certos camaradas que a polícia não nos faz mal. Dou-lhe toda a razão e gabo-lhe a paciência pois já não há pachorra para hooligans que nem respeito têm pelos outros camaradas que queriam ouvir a intervenção do Arménio e que eles não deixaram.

  11. Orlando diz:

    Bem o que o Arménio Carlos disse, foi que se virassem para esle lado, e deixassem a policia, pois esta não nos fazia mal. Não vejo onde está mal nestas afirmações. Mais à frente no seu discurso, falou nos estivadores e na sua luta, justissima e disse mesmo que o sindicato afecto que a estava a promover não era afecto à CGTP. Falou dos muitos movimentos de cidadãos e organizações não partidárias que também ali estavam e no facto de ser necessário conjugar esforços na iunidade na acção.
    Bem, caso não saiba, eu também lá estive, na manif, e fiquei até às 9 horas da noite, assim como tenho ido a outras manifs convocadas pelas organizões não partidárias.
    Só para que saiba, os policias, que diz estarem a defender os patrões, também têm familia, por acaso, isso foi dito e gritado bem alto, a alguns dos parolos, dos meninos de bem, que lá lá estavam na quarta feira, por alguns dos manifestantes que estavam junto a mim. Se lá estava a Raquel, eu estava junto das senhoras, que cantaram a canção dos mineiros, a grandola e o acordai. è que levamos com uma garrafa na cabeça, vinda do lado dos manifestantes, foi nessa altura que saí dali, com gente desta não vamos a lado nenhum.

  12. leitor diz:

    …pá…

  13. Indocumentado diz:

    “Num país imaginário”… Certo, então, “num país real”, este em luta, por exemplo, Arménio fez o que devia ter feito.
    É este o sentido do post??
    Nesse caso, dir-se-ia que “num país real”, este em luta, por exemplo, a solidariedade com os estivadores não pode ter limites. Soaria melhor, não?

  14. Pascoal diz:

    O Bruno Carvalho no post a seguir a este (que parece ter os comentários desligados) cita o Cunhal que terá dito que “os objectivos fundamentais da revolução não se alcançam reclamando-os, mas conquistando-os”
    Mas o dito cujo não terá dito (pelo menos não acredito) coisas como “A polícia não faz mal à gente” e “Precisamos no dia 27 se ainda se mantiver este governo em funçãoes, voltar aqui e não é por uma questão política, é por uma questão de interesse nacional”
    Essa de que o problema que defrontamos não é uma questão política e que sendo uma questão de interesse nacional não é política só lembraria aos propagandistas do regime.

    • Pascoal diz:

      Começo a ter saudades do Carvalho da Silva.

    • Zuruspa diz:

      O que Arménio quis transmitir (disse isso tudo, sim) que “a bófia näo manda aqui” por outras palavras. E os petardos que os mandem no fim dos discursos, que há pessoas que os querem ouvir. Ou gostaram muito dos “petardos verbais” que a Catarina recebeu enquanto falava à TV no 15 de Setembro?

      Para bom entendedor, meia palavra basta. E estava à espera que a Raquel o entendesse, e virasse baterias contra o verdadeiro inimigo. E depois desse derrotado, entäo, logo discuta com a CGTP.

  15. Pedro Pinto diz:

    Gostava de saber porque o meu post não foi aprovado.

    Não vejo absolutamente nenhuma razão.

  16. Raquel Varela, não te esqueças que a bófia também faz parte do Povo, quer tu queiras ou não. Alem disso, um comício da CGTP não é um motim dos palhaços do Black Bloc. Nao tenho nada contra anarquistas, muito pelo contrário, mas o Black Bloc nao representa anarquistas nenhuns. Só mais um pormenor. Se queres atacar a bófia, não o deves fazer enquanto te escondes por trás daqueles que não tem intenção de a ti se juntarem, nem estando sequer ao corrente do teu plano.

  17. Pingback: “O amor é não haver polícia” | cinco dias

  18. vitormonteiro diz:

    cara raquel as insurreiçoes nao se anunciam ,isso foi oque fez trtsk e obrigou lenine a fugir para o exilio porque trotsk publicou no iscra a sua discordancia quanto a discussao da insurreiçao no posdr,devia saber tal como dizem lenine e marx ,que é quando os fluxos de greves se tornam quase diarias e o capital precisa de as proibir que podem haver condiçoes insurreisionais,nao é com a manif de 31 que fazia a revoluçao,mas tambem pode ganhar uma grande parte da força da repressao para o nosso lado e isso nao é indifernre

Os comentários estão fechados.