À Porrada

O texto abaixo foi escrito por Jorge Fontes e colocado na sua página do facebook, porque creio que alguns pontos são relevantes e precisam de ser sublinhados, pedi se podia publicar neste espaço. Ele concordou, portanto cá vai… 

1-Cumprido o sonho do fascista liberal Sá Carneiro “uma maioria, um governo, um presidente”, a direita neoliberal prepara-se para o assalto final ao que ainda sobra das conquistas revolucionárias de 74/75: degradação do SNS, destruição da Segurança Social, fim da escola pública e democrática, empobrecimento brutal da classe trabalhadora, alastramento do desemprego, emigração compulsiva, privatização da ANA, TAP, RTP, água, etc.

2-A história desta direita astutamente reciclada em “democrática” e ”europeísta” no governo do sistema democrático burguês que herdámos no pós-PREC é uma história de violência. Na AD do FMI, com o inefável Ângelo Correia no ministério do interior (o tal que é o “pai” político e arranjou um emprego ao jovem turco Passos Coelho) foi o assassinato de dois trabalhadores no 1º Maio de 1982 no Porto e o assassinato pela GNR de um operário de Valongo, numa manifestação contra os salários em atraso que a direita propositadamente recusava pagar. Com Cavaco, as brutais intervenções na Ponte, na TAP, na Marinha Grande, contra os estudantes. Com Durão Barroso e Paulo Portas o genocídio da guerra imperialista no Iraque. Com Passos/Portas, a brutalidade do Chiado.

3-Contudo, após a derrota da TSU, a direita no poder parece ter mudado de táctica e os aparelhos repressivos terão ordens para só intervir em último recurso. As manifestações regurgitam o seu ódio a esta corja atirando pedras e garrafas à polícia, fazendo explodir petardos, derrubando grades, mandando abaixo semáforos, incendiando caixotes do lixo, plásticos, madeiras e criando fogueiras em frente ao Parlamento! Isto tudo, espante-se, perante o olhar contemplativo da polícia…que para reagir minimamente é preciso que se atirem pedras da calçada a 30 metros!!! Alguém está a ver isto ser possível em Madrid, Paris, Roma ou Atenas? Teríamos, com certeza, um banho de sangue.

4- A atitude da polícia tem desconcertado as manifestações entre um “juntem-se a nós”, “a polícia está cá fora, os ladrões estão lá dentro”, e actos de insubordinação e alguma violência (embora extremamente tímida para os padrões europeus); contudo, empiricamente, desde que este campo não se extreme, é essa a confluência necessária, a aplicação da táctica do “pau e cenoura” é a melhor receita para um melhor aproveitamento das contradições destes corpos profissionais (simultaneamente trabalhadores assalariados explorados e repressores dos demais) e provocar uma eventual fractura, base essencial de qualquer processo revolucionário. Quanto aos elementos provocadores e infiltrados, já é tempo de os identificar, cercar, e aplicar um justo correctivo exemplar. A varredela dos elementos mais abertamente nazi-fascistas no PREC, abre perspectivas mais favoráveis neste campo em geral.

5- Entretanto, os estivadores desenvolvem uma luta a todos os títulos heróica, e são pelo seu exemplo, a vanguarda actual da classe operária. Não sujeitos ao governismo da UGT, e sem estarem amarrados ao pacifismo da CGTP (o chefe do comércio do Porto, o ideólogo liberal burguês Pacheco Pereira e o reformista socialdemocrata Daniel Oliveira foram coincidentes em intervenções televisivas em aconselharem Coelho a agradecer ao PCP o seu papel na no “enquadramento” e “contenção” das massas, impedindo-as de passarem a patamares de contestação mais violentos) tem animado as manifestações com a sua combatividade, e recusando voltar à semi-escravatura tem conseguido impedir, por ora, o monstruoso plano patronal para os portos. Por ser um sector da classe operária, trata-se mais fácil isolar este segmento decisivo da luta de classes, nomeadamente através das mentiras da comunicação social, que só passando as intervenções dos dirigentes do PSD/PP tentam apresentar estes trabalhadores como uma qualquer aristocracia operária, ou de sabotadores das exportações. A direita prepara uma violenta e ilegal intervenção nos portos para atestar um exemplo a toda a classe no seu conjunto. Salvo todas as devidas distâncias, faz lembrar as campanhas do nazi Spínola contra a TAP e a Lisnave – cujas lutas, recorde-se, foram decisivas para a vitória do 28 de Setembro.

6-Numa provocação sem desfaçatez, a líder do IV Reich vem à província, cobrar o seu tributo agiota e tentar reforçar a “pax europeia”. O imperialismo teutónico, que já custou 100 milhões de mortos no século XX (sem contar com os feridos, os famélicos, e todas as destruições e horrores) e a quem foram perdoadas dívidas colossais, pretende de novo unificar sob a sua batuta numa espécie de neo-Zollverein, a Europa. A solução burguesa para a crise é uma maior unificação europeia, com um comando central alicerçado no Bundesbank, umas instituições “democráticas” de fachada, a transformação das periferias em protectorados (desarticulando o seu tecido produtivo através da destruição da industria e da agricultura e impondo uma “divida” permanente) e um aumento brutal da exploração classe trabalhadora, tentando forçar aos povos europeus condições de vida “competitivas” face aos degradantes exemplos da China ou da Índia.

7- Perante este cenário, em que consiste a magnitude da resposta “violenta” das vítimas? Uma resposta à Catroga: “um pintelho”.

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