Os estivadores são aqueles que hoje mais lutam contra a Troika

A estratégia da troika consiste na transferência de recursos para sectores exportadores. Esta  – ideia que roubo ao Renato Guedes do cadpp – é uma estratégia semelhante à de um campo de concentração: expulsão da mão-de-obra em “excesso” do ponto de vista da produção de lucro (os judeus mandados para os fornos aqui são os desempregados e pensionistas) e a força de trabalho que fica deve trabalhar até ao limite, consumindo o menos possível. Para aumentar as exportações, neste sistema, há que aumentar a produtividade. Isso em Portugal é feito compensando a queda do PIB, resultante da queda do consumo interno, com um queda ainda maior do emprego. Quem objectivamente está a fazer gorar os planos do PS/PSD/CDS/ Troika, mais do que qualquer outra acção de protesto até aqui, são os estivadores. Daí Pires de Lima vir em pânico exigir a requisição civil. Porque sem portos não há exportações. Tenho dúvidas que haja algo neste momento tão consequente em Portugal a lutar contra a troika como a greve dos estivadores, tenham eles plena consciência ou não de que estão de facto a lutar por todos nós. Estamos a devolver-lhe em solidariedade? Porque dia 31 não vamos também ao Porto de Lisboa agradecer-lhes?
 
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10 Responses to Os estivadores são aqueles que hoje mais lutam contra a Troika

  1. António Mariano diz:

    Os estivadores têm plena consciência da importância do seu protesto para o futuro dos Portugueses. Isso explica o gueto informativo em que nos querem colocar enquanto silenciosamente se preparam para ligar as “câmaras de gás” da miséria com que nos pretendem consumir a todos. Ler os posts de http://estivadeportugal.blogspot.pt

  2. JgMenos diz:

    Nunca vi coisa mais desproporcionada e ridícula!
    Nada como lixar a economia do país para lixar a troika.
    Uma qualquer besta não diria melhor!

    • Francisco d'Oliveira Raposo diz:

      Por muito que lhe custe, a verdade é que a luta dos estivadores é a luta pela economia, mas para a maioria não para os especuladores e capitalistas. E isso dói, mas não aos estivadores , a mim e à maioria. Podem é ser caluniados, claro… com falácias como a sua.

  3. Pedro Pinto diz:

    Viva a greve dos estivadores!

  4. Zuruspa diz:

    Muitíssimo bem visto.

    Só falta mesmo referir que os estivadores só fazem greve às horas extra, aos fins de semana e feriados. Ou seja, no fim de contas trabalham 40 horas por semana. Mas só 40 horas, em vez das 60+ que os patröes querem.
    Porque há que referi-lo, dá ideia que os portos portugueses estäo parados sempre.

  5. RS diz:

    A Raquel engana-se porque não conhece as lutas sectoriais em curso. É que também as há pouco mediáticas. Mas a sua agenda é outra e chama-se anti-CGTP.

    • Francisco d'Oliveira Raposo diz:

      Não sei se a Raquel se engana – não acredito. Mas pode custar exactamente a muitos dos que estão nas milhentas lutas sectoriais da CGTP a falta de mediatismo que não temos conseguido imprimri às nossas lutas. Talvez seja a altura de conhecermos melhor os métodos de acção na luta dos estivadores e usá-los atmbém. Todos necessitamos de uma CGTP em crewscente de combatividade e determinação. estamos a dar passos nesse sentido, é evidente. Mas o caminha faz-se andando, não é?

  6. estivador diz:

    A Importância da Nossa Greve

    Todos os dias os Portugueses são bombardeados com notícias sobre a greve nos portos cuja verdade fica perdida nos critérios editoriais da comunicação social.

    Desde há largas semanas, os Estivadores estão em greve e durante este percurso têm desenvolvido variadas formas de luta. Actualmente, a “greve” dos Estivadores cinge-se aos sábados, domingos e feriados e dias úteis entre as 17 e as 08 do dia seguinte. Cada estivador em “greve” trabalha, afinal, o que trabalha cada português que ainda não está no desemprego: 8 horas por dia, 40 horas por semana.

    • Sabia que o ritmo de trabalho de um estivador atinge 16 ou 24h por dia?

    • Sabia que nos portos se trabalha 24 horas por dia, 362 dias por ano?

    • Sabia que somos dos poucos países da Europa onde os estivadores não têm direito a reforma antecipada por profissão de desgaste rápido?

    • Sabia que o trabalho na estiva é hoje extremamente especializado requerendo uma formação profissional exigente e sofisticada?

    • Sabia que os equipamentos pesados envolvidos nas operações proíbem amadorismos causadores de muitos acidentes mortais ou incapacitantes?

    As empresas em vez de exigirem uma requisição civil dos Estivadores deveriam exigir o cumprimento da Lei aprovada em 1993 por um governo Cavaco Silva.

    Se os Estivadores “merecem” uma requisição civil, porque não exigir que essa requisição se estenda a todos os Portugueses que ainda conseguem trabalhar um turno de trabalho e transformamos este País num campo de trabalhos forçados?

    Com os Estivadores a trabalhar um turno normal de trabalho interessa responder a outra pergunta. Como é que havendo, neste momento, portos mais ou menos amigos a trabalhar, esta nossa “greve” provoca o bloqueio económico do País e entope as exportações redentoras?

    Pura e simplesmente porque as empresas do sector não querem admitir para os seus quadros as largas dezenas de jovens profissionais de que o mundo da estiva necessita e o País jovem e desempregado anseia.

    Mas então é “só” por isto que os Estivadores estão em “greve” tão prolongada? Claro que não. Ao longo dos anos as greves nos nossos portos têm-se sucedido por esta mesma razão. As empresas do sector apenas têm admitido novos Estivadores profissionais na sequência de greves de Estivadores.

    A novidade com que nos defrontamos hoje é que as empresas monopolistas do sector portuário aproveitaram a passagem, esperamos que fugaz, de um governo com cartilha ultraliberal assumida, para lhe encomendar uma lei que acabe com a nossa segurança no emprego, as condições dignas de trabalho e a nossa forte organização sindical que teve origem no distante ano de 1896.

    Os Estivadores, porque têm essa memória bem presente, não se esquecem que já foram todos precários até 1979 e recusam voltar a esses tempos de escravatura, de indignidade e de miséria.

    Em linha com a destruição do País, em curso, o governo fez um acordo perverso com pseudo-organizações sindicais que representam, quando muito, 15% dos Estivadores – simulando um acordo nacional – e incendiou deliberadamente os portos onde trabalham os restantes 85% dos Estivadores portugueses. Com total menosprezo pelos prejuízos para a economia nacional que sabia ir provocar.

    Este governo assinou um acordo com os “amigos” de Leixões onde, nas últimas duas décadas, o sindicato local negociou uma diminuição salarial de cerca de um terço para os seus sócios e o retalhamento do respectivo âmbito de actividade, em clara violação da lei em vigor. Ilegalidade consentida pela tutela.

    Assim, desde 1993, as empresas portuárias do porto de Lisboa admitiram cerca de 200 novos Estivadores efectivos enquanto, em Leixões, e no mesmo período, as empresas locais que pertencem aos mesmos grupos económicos das de Lisboa, admitiram o total de ZERO novos Estivadores efectivos.

    Como se não bastasse a estes “sindicalistas” terem alienado o futuro dos seus sócios e respectivos filhos, bem como da restante juventude local, pretendiam agora, através deste acordo indigno, alienar as hipóteses de muitos jovens Portugueses, pelo País fora, encontrarem no sector portuário uma alternativa para o desemprego, a precariedade, a miséria, a dependência e a emigração forçada.

    Se aceitássemos o que esta parceria governo/patrões/”sindicatos” nos quer impor, dois terços dos actuais Estivadores profissionais iriam engrossar as filas do desemprego. A que propósito, quando hoje nos querem forçar a trabalhar 16 e mais horas por dia? É pela dignidade da nossa profissão que estamos em luta e pela criação de imensos postos de trabalho dignos nos portos portugueses.

    Os Estivadores de Lisboa, Setúbal, Figueira da Foz, Aveiro, Sines, Viana do Castelo, Caniçal – Estivadores de todo o Portugal – lutam por um futuro com dignidade para os Portugueses. Por isso gritamos bem alto. E não nos calam!

    Blog: http://estivadeportugal.blogspot.pt
    Facebook: Estivadores de Portugal

  7. estivador diz:

    as palavras da mulher de um estivador quando, há uns dias atrás, tomou conhecimento das palavras do sr. Bobone a respeito dos chorudos vencimentos dos estivadores: Sónia Costa – 18.10.2012/18:34
    Como esposa de um estivador e em resposta às palavras proferidas pelo Sr. Bruno Bobone gostava só de lhe dizer o seguinte: O meu marido para trazer (quando traz) 2.000,00€ de ordenado ao fim do mês, trabalha 7 dias por semana, 16 horas por dia, praticamente só vê as filhas ao Domingo, as marcas no corpo, a ausência em casa e tudo o que isso implica, podia explicar-lhe com mais detalhe o que significa ser esposa ou filha de um estivador mas acho que o Sr. não ia perceber. Tanto ele como os seus colegas arriscam a vida todos os dias e por vezes trabalham em condições que muitos se recusariam a trabalhar. Estamos a falar de postos de trabalho e direitos conquistados ao longo dos anos e que neste momento estão em perigo. Força e lutem sempre.

    Quando a vossa mulher souber o que é isso entao depois venham comentar, ate la deixem-se estar calados que fazem melhor..

  8. lucia diz:

    Mas que pena os estivadores trabalharem 16 horas, para trazerem para casa 2000,00 euros mês.E com trabalho de risco.Então e os pescadores, quanto trazem?? e não têm trabalho de risco???E quem trabalha os campos, quanto leva para casa no fim do mês??E quam tem explorações agriculas quantas horas trabalha?? e quanto ganha?? e AINDA, quantas hotas se ocupa por dia, quando se sai de casa de madrugada e chega noite, porque se mora longe??Só ver os filhos ao fim de semana?!?!!!!!!SE O FIZEREM COM O DEVIDO AMOR, SERÁ MELHOR QUE TODOS OS DIAS, SEM ELE.

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