Imigrante, força de trabalho

Marx dizia que o capitalismo não queria escravos, pouco produtivos. O capitalismo queria «trabalhadores livres como passarinhos», uma mercadoria que se move, sem estar agarrada a nada, um grilhão ou uma casa, uma família ou um bairro, um contrato sem termo ou um projecto de vida. Numa altura em que se discute a criação de um mercado europeu de força de trabalho – «emigrem!» – este colóquio sobre imigração discute o que está em causa – a acumulação de capital, a perda de sentido da vida, retornar sem pertencer  mais a nada nem ninguém; a questão social, a ausência de direitos, as estratégias de cooperação, solidariedade, contenção social. Amanhã, no IHC, FCSH, entrada livre. A coordenação é da Maria Augusta Tavares, Professora que honrou o Grupo de Estudos do Trabalho e dos Conflitos Sociais no último ano e meio e que agora regressa ao Brasil, despedindo-se em grande!

Programa completo aqui

http://ihc.fcsh.unl.pt/pt/agenda

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2 Responses to Imigrante, força de trabalho

  1. Nuno Cardoso da Silva says:

    “Marx dizia que o capitalismo não queria escravos, pouco produtivos. O capitalismo queria «trabalhadores livres como passarinhos», uma mercadoria que se move, sem estar agarrada a nada, um grilhão ou uma casa, uma família ou um bairro, um contrato sem termo ou um projecto de vida.”

    Ainda bem que Marx disse isso. Se não tivesse dito nunca teríamos chegado lá…

    Veja-se que reconheço e aprecio – muito – o contributo de Marx para a crítica do capitalismo. Mas por que razão acharemos que só temos credibilidade se apoiarmos as nossas ideias nos oráculos de Marx? A afirmação acima, de Marx, não estava à altura do intelecto da Raquel Varela? Sem o Marx estaria ela convencida de que o capitalismo teria preferência pelo trabalho escravo? Esta subordinação intelectual é profundamente irritante e em vez de ajudar a divulgar certas reflexões sobre o capitalismo, acaba por prejudicá-la. Alguns de nós não precisam de tutores nem de avales ideológicos para pensar. Mas talvez outros não estejam à altura disso…

    • Fernando says:

      esse raciocínio poderia se aplicar à Fisica, sem Galileu também teriamos chegado às suas conclusões. Ou será que Einstein partiu do zero absoluto?

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