Aqui está a Grécia. Só ficam mesmo a faltar as eleições.

Os jornalistas não viram as 10 mil pessoas que afluíram ao cerco, como não viram que a ira dos manifestantes foi sobretudo dirigida ao orçamento, à troika e o governo, como não viram que a violência teve como destino a residência oficial do primeiro-ministro antes mesmo do que a qualquer agente da autoridade. Não ouviram os gritos à unidade, o Grândola, o Acordai, as salvas ao 25 de Abril, como não ouviram as palavras de ordem contra a dívida, o desemprego, a austeridade e o retorno do fascismo, como não ouviram, alto e repetidas vezes, a exigência de que o governo se demita, que a polícia de choque vire as costas e que o governo leve a sufrágio a legitimidade que perdeu nas ruas.

Ao menos viram a fogueira, uma gigantesca pen-drive consumida pela pirotecnia. Que ninguém tenha o arrojo de pensar que, como o saque orçamental, os jornalistas se juntaram ao governo no convite à insurreição.

O Cerco cercou e a luta continua!

A cantar o Grândola e a gritar “25 de Abril Sempre, Fascismo Nunca Mais!”, via MSE. Reportagem da TVI, do Público, no i, no DN, no Correio da Manhã (2),  no Destak, no JN, no Diário Digital, na RTP, na SIC, no Expresso, no IOL, no Económico, no Dinheiro Vivo, na Yahoo Brasil, na BBC, na Euro News e em directos avulsos.
Fotografia via Art Protesters.

Este artigo foi publicado em cinco dias. Bookmark o permalink.

23 respostas a Aqui está a Grécia. Só ficam mesmo a faltar as eleições.

  1. Rafael Ortega diz:

    A comunicação social passa o que é notícia. Uns milhares em manifestação, não são notícia.

    Ontem houve uma manifestação desse saco de gatos que são os indignados, hoje há uma dos empresários da restauração, amanhã haverá outra…

    Manifestações destas têm tanto de notícia como dizer que a seguir à noite vem o dia…

    • Luis Amaro diz:

      À inocência faltam valores. À ingenuidade falta conhecimento. Na ignorância faltam-lhe ambos. Há perigo em todas elas, por serem irresponsáveis.

  2. António Carlos diz:

    “… 10 mil pessoas que afluíram ao cerco …”

    Fonte: CNE (http://eleicoes.cne.pt/raster/index.cfm?dia=05&mes=06&ano=2011&eleicao=ar)

    Legislativas de 2011:
    PSD – 2.159.181 votantes
    CDS/PP – 653.888 votantes
    PS – 1.566.347 votantes

    Governo: 2.813.069
    Subscritores do memorando: 4.379.416

    • Tiago diz:

      Vale zero o argumento que utilizas. Zero. Por uma única razão:

      Quantas dessas pessoas votariam no PSD/CDS-PP/PS se em vez de (mais uma vez) esses criminosos terem mentido, terem colocado preto no branco o que sabiam que iam fazer?

      Das forças políticas na AR, só o PCP e os Verdes votaram contra o “pacote de ajuda” à Grécia, que foi um prenuncio do que viria para Portugal. Se houvesse informação de classe, ao serviço de quem trabalha, quantos não teriam mudado o seu sentido de voto?

      Mas a questão nem sequer é o voto, ou as eleições. A questão fundamental é a tomada de consciência de classe dos trabalhadores de que o capitalismo não serve. Alargando essa consciência, as eleições são um pormenor, na transformação do país.

      Outra coisa completamente diferente é o objectivo dos MAS, Rubras e por aí fora (ou os mil documentos que se recebem nas manif de mil brigadas solidárias e por aí fora), darem a mão ao Passos Coelho e ajudar de forma objectiva o grande capital.

      O Passos Coelho diz : “PCP incita à violência”. E porque é que o capital diz isto? Porque a miséria das pessoas é tão grande, que a melhor forma de as desmobilizar é passar a ideia de que não é possível mudar a situação sem violência.

      E o disparate surge na manif’s dos “cercos”, como era completamente esperado. E na consciência das pessoas fica inevitavelmente ligada ao PCP (o patrão assim o tinha dito, os serventes executam). É tão óbvio e tão expectável, que é brincadeira de crianças a força manipuladora que o capital tem, mas também demonstração da sua cada vez maior fraqueza.

      E a violência sendo necessária para transformar, só faz sentido num momento em que existem condições para vencer. O resto é carne para canhão, para alimentar o medo nas massas, desmobilizando-as, em vez de unir primeiro, ganhar forçar, e partir para o ataque.

      Conta-se pelos dedos das duas mãos, momentos em que forças revolucionárias usaram a violência, sem que a curto prazo se tenham dado uma transformação qualitativa na sociedade. São quase incontáveis as vezes que a extrema-“esquerda” utilizou a violência, em que o resultado prático foi a diminuição da intensidade da luta.

      O Passos Coelho lançou a bisca, o MAS obviamente agarrou-a, porque é esse o seu papel, como foi há muitos anos foi o do MRPP (que a Raquel Valera elogia nos seus escritos de opinião sobre o PCP onde faz eco da propaganda anti-comunista, das teoria mais reaccionárias sobre o 25 de Abril… é só ler o que anda por aí nos blogs deles).

      Aliás o MRPP tira novamente a cabeça para fora, porque o capital diz que está na hora. Não tem é qualquer tipo de credibilidade junto dos trabalhadores e a juventude ignora totalmente a sua existência.

      O MAS parece percorrer o mesmo caminho, de servente do capital. É triste, mas natural, sendo constituído pela pequena burguesia desesperada pela miséria que a sacode.

      Uns juntam-se à luta, com a paciência de revolucionários, de que a transformação não se faz num dia, que é dura a luta ideológica JUNTO de quem trabalha, outros mais desesperados, sem consciência de classe, vão arder com coisas para a porta da AR, instaurando o medo nas pessoas que em casa balançam entre vir à luta ou esperar que não morram de fome.

      Para a Greve Geral (que o MAS no folheto que distribuia ontem, dizia que não poderia ser como as outras, porque tinha de haver plenários nas empresas… caso para dizer que ninguem do MAS trabalha numa unidade industrial do distrito, porque só assim se pode compreender uma nulidade como esta), é preciso TRABALHAR junto dos trabalhadores e não aproveitar as manif’s para junto daqueles que tem mais consciência aproveitar para a cada boca mandar abaixo o PCP e o BE).

      Aliás a conversa sobre a unidade que o MAS faz é conversa da treta. Porque quem quer unidade não lança mil pedras aos seus potenciais “amigos” (embora registe com satisfação que neste último documento tirando uma outra parolada sobre a construção de uma Greve Geral se tenham abstido pela primeira vez de ataques ao PCP e ao BE.

      Não basta cantar a Vila Morena, o Acordai, é preciso sentir o que significa a mensagem que os seus autores, comunistas, transmitiram. E a unidade não se constrói seguindo o que o capital diz, mas o que os trabalhadores dizem.

      E neste momento não é a violência que gera a transformação. É o trabalho de consciencialização, de revelar as contradições do sistema capitalista.

      A violência fica para o momento oportuno, quando for necessária. Não é demais relembrar que o 25 de Abril foi um acto de violência de classe contra a burguesia, mas não foi preciso incendiar coisas na rua, reforçando o medo. Quando foi preciso dar-se marteladas deu-se, não se gastam balas quando elas são poucas.

      É ler o guia para contra-revolucionários da Raquel Varela que está lá tudo, só com um detalhe, somos trabalhadores, operário e empregados, e não gentalha do MRPP, paga para descredibilizar a luta de classes.

      Tudo no seu lugar na luta de classes, como sempre. Isto do marxismo, pode ser alvo de mil ataques, mas o velho das barbas brancas continua a ter razão, a vida prova-o.

      • António Carlos diz:

        “Quantas dessas pessoas votariam no PSD/CDS-PP/PS se em vez de (mais uma vez) esses criminosos terem mentido, terem colocado preto no branco o que sabiam que iam fazer?”

        Basta ver o resultado das eleições do último fim de semana nos Açores: PS a subir, PSD a subir em número de votos e a descer em mandatos, CDS a descer. PS ganha amaioria absoluta. E a CDU e BE? A descer em número de votos e mandatos. Quem conclusão retirar então?
        Os partidos pró-memorando e pró-troika a aumentar o nº de votos e mandatos, os partidos anti-memorando e anti-troika a diminuir o nº de votos e mandatos. Não se fie em manfestações.

      • Tiago diz:

        “Quantas dessas pessoas votariam no PSD/CDS-PP/PS se em vez de (mais uma vez) esses criminosos terem mentido, terem colocado preto no branco o que sabiam que iam fazer?”

        Sabes tão bem como eu que nas próximas eleições pouca coisa vai mudar em relação aos números… (exceptuando uma maior abstenção). É cínico pensar que se está a fazer qualquer mudança nas manifestações de S.bento – faz falta, claro que sim, mas pouco ou nada vão mudar… basta esperar pelas próximas eleições e teremos a prova.

    • Luis Amaro diz:

      Mesmo que esses números fossem os actuais (sabemos que não é o caso), apresentá-los como argumento não faz sentido. Pode dizer-me que revolução ou conquista de direitos teve o apoio inequívoco da maioria da população? Não me lembro de um caso.

  3. Pingback: Cercos e circos « Declínio e Queda

  4. Nuno Cardoso da Silva diz:

    É preciso aumentar a pressão. Próxima etapa em 30/31 de Outubro, no mesmo local, com muito mais gente. O governo está por um fio, basta um forte empurrão para o derrubar.

  5. fofinho diz:

    António Carlos, esses números estão nitidamente a precisar de actualização.

    • António Carlos diz:

      Foram parcialmente actualizados, este fim de semana nos Açores: PS a subir, PSD a subir em votos e a descer em mandatos, CDS a descer. Quanto a PCP e a BE, a descer. Ou seja, “Governo” a descer (PSD, CDS), “Memorando” a subir (PS, PSD, CDS), “Anti-Memorando” a descer (PCP, BE).

  6. Ricardo diz:

    http://www.publico.pt/Sociedade/centenas-pedem-a-demissao-do-governo-em-frente-a-assembleia-da-republica–1567486?p=2#Comente
    “Onze pessoas ficaram feridas, das quais dez são agentes da PSP.” dia a notícia.
    Quem já viu a polícia de intervenção de perto e reparou no seu equipamento sabe, sem qualquer dúvida, que esta notícia só pode ter sido fabricada, provavelmente pela própria polícia (que deve ter feito um comunicado no qual se baseia esta notícia). O equipamento parece saído da idade média, autenticas armaduras protegem estes mercenários treinados e pagos para bater (que não devem ser confundidos com a PSP que também se anda a manifestar). Portanto, a utilização da palavra feridos é no mínimo um tremendo exagero. Talvez, um polícia tenha torcido o pé ou partido uma unha. Mas ferido, nenhum polícia foi. Para haver um polícia verdadeiramente ferido é preciso muito manifestante morto ou em estado muito grave…

    • proletário diz:

      acho que houve 1 ou 2 polícias feridos à pedrada na cabeça… paisanas em fuga para trás da linha policial…

  7. um anarco-ciclista diz:

    argumento de merda, esse dos açores.

    Toda a gente sabe que é a região do país com maior taxa de alcoolismo…

  8. adorei toda a estética d ontem: desde as mamas ao léu à fogueirinha de são joão

  9. MA diz:

    Dizer que estiveram 10 mil ontem em frente à AR é puro “wishful thinking”. Infelizmente.

  10. Pingback: Siege of Portuguese Parliament: “This is not our budget” :: Elites TV

  11. Pingback: Πολιορκία του Πορτογαλικού κοινοβουλίου: “Αυτός ο προϋπολογισμός δεν είναι δικός μας” · Global Voices στα Ελληνικά

  12. Pingback: A portugál Parlament ostroma: Ez nem a mi költségvetésünk! · Global Voices Magyarul

  13. jose diz:

    POLICIAS . PORQUÊ CRITICAR POLICIAS ?? ESSES COMENTADORES DE MEIA TIJELA QUE FARIAM SE ESTIVEM-SE A MANTER A ORDEM E SEREM AGREDIDOS ? DAVAM UM BEIJO AO AGRESSOR?? VÃO- SE CATAR. A POLICIA ESTÁ A MANTER A ORDEM E QUEM DESRESPEITAR A ORDEM DEVE PAGAR POR ISSO. OU NÃO SERÁ ASSIM ??

Os comentários estão fechados.