ORÇAMENTO 2013, CRIME, AGIR: GUERRA É GUERRA

grades s. bento

“As almas filantrópicas poderiam então facilmente julgar que existe uma maneira artificial de desarmar e derrotar o adversário sem verter demasiado sangue, e que é para isso que tende a verdadeira arte da guerra. Por mais desejável que isso pareça, é um erro que é preciso eliminar. Num assunto tão perigoso como é a guerra, os erros quanto à bondade da alma são precisamente a pior das coisas. Como o uso da força física na sua integralidade não exclui de modo nenhum a inteligência, aquele que se utiliza sem piedade desta força e não recua perante nenhuma efusão de sangue ganhará vantagem sobre o seu adversário (…).

“Repetimos pois a nossa afirmação: a guerra é um acto de violência e não há nenhum limite para a manifestação desta violência. Cada um dos adversários executa a lei do outro, donde resulta uma acção recíproca, que, enquanto conceito, deve ir aos extremos.”

                                                                    Carl Von Clausewitz, Vom Kriege (I, 3)

Para ler, reler. E pensarmos.

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12 respostas a ORÇAMENTO 2013, CRIME, AGIR: GUERRA É GUERRA

  1. António Pedro diz:

    Desconfio que Carlos Vidal seja um ironista.

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  3. Justiniano diz:

    A tenacidade e a determinação, caríssimo Vidal! A violencia desalmada, desconstrangida e inescrupulosa como teste último à perseverança da vontade e ao sentido de justiça e de verdade!! Esta é uma verdade que nunca se deve assumir como verdade!!

    • Carlos Vidal diz:

      Se bem o entendo, terá provavelmente razão.
      Estamos em guerra, é um facto.
      E aí não se deve abrir mão publicitando “estratégias”.
      É isso, meu caro?

      • Justiniano diz:

        E um pouco mais, caríssimo Vidal! É o teste à determinação! Até onde estarão dispostos a ir para salvaguardar as verdades que vos animam! Esta é, creio eu, a questão do texto e a questão maior pela qual é, ainda hoje, mui glosado o Clausewitz!!
        Um bem haja para si,

        • miguel dias diz:

          “no one starts a war-or rather, no one in his senses ought to do so-without first being clear in his mind what he intends to achieve by that war and how he intends to conduct it.”

          • Carlos Vidal diz:

            Então, estamos numa guerra e já sabemos o seu desfecho? Nesse caso, o que é e para que serve uma guerra?
            Não era bem isto que querias dizer, eu sei.
            Imaginemos uma revolução, uma sublevação. Também nada sabemos do seu desfecho: o processo abre uma sequência imprevisível (o 25 de Abril, para mim, é o PREC, que apoio, sempre apoiei e o vi como o verdadeiro 25 de Abril).
            No fundo, creio que devemos envolver-nos agora em eventos pouco claros. Até porque nenhuma transformação transporta consigo clareza e previsibilidade.

          • Justiniano diz:

            Ora meu caro miguel dias, essa, lá está, ao contrário da outra, é uma não verdade que se deve(devia) assumir como verdade!! Por toda a conveniencia da racionalidade!! Mas, como bem sabemos, os conflitos, pelejas, guerras começam antes de acontecerem e apenas nos resta, nesse momento, aferir da determinação em dobrá-los, aos outros e tudo o mais!!

          • Carlos Vidal diz:

            Exactamente, uma não verdade que deve ser simulada como verdadeira.
            Uma espécie de retrato da farsa das nossas vidas.
            Por isso – e se virássemos tudo ao contrário: assumindo a verdade verdadeira e dela fazer cavalo de batalha?
            Abraço, caríssimos.

          • miguel dias diz:

            não tem nada a ver…mas fica bem mais esta: “Architects and painters know precisely what they are about as long as they deal with material phenomena. … But when they come to the aesthetics of their work, when they aim at a particular effect on the mind or on the senses, the rules dissolve into nothing but vague ideas.”
            E claro, um grande abraço a ambos…

          • Carlos Vidal diz:

            Caríssimo arquitecto,
            Ando agora, por acaso, a escrever umas coisas sobre diferença entre “tema” e “conteúdo” que acho apropriadas ao teu comentário:
            É isto – os artistas que merecem esse nome (“artistas”) têm uma acesa e profunda consciência do conteúdo (que é indizível e indecidível), por isso eles não têm de falar, porque a obra tem uma realidade ela mesma, intrafilosófica se quiseres.
            Já o tema é diferente: é dizível, mas o artista ao pronunciá-lo enclausura a sua obra, esgota-a.
            Ou seja, quem conhece o conteúdo não conhece o tema.

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