O Governo atingiu o seu ponto Gorbatchov

Na culinária, na elaboração de doces, usam-se vários pontos, consoante o grau de redução a que tenha sido levado o xarope de açúcar: ponto de pasta, ponto de pérola, ponto de rebuçado, etc.

Na política, que frequentemente é uma grande xaropada, também podemos definir vários pontos, consoante o grau de redução a que tenha sido levada. O Governo PSD/CDS deverá, por esta altura, ter atingido o seu «ponto Gorbatchov». Explico-me: no auge da sua perestroika, que levaria à destruição da União Soviética e à total abertura das nações que a constituíam ao capitalismo privado, Gorbatchov, ao mesmo tempo que gozava de grande «prestígio» no estrangeiro – leia-se, entre os grandes banqueiros e capitalistas da Europa, dos EUA ou do Japão –, atingia internamente uma «popularidade» de 6%.

O mesmo se passa hoje com Passos Coelho, Portas e o inefável ministro Gaspar: entre os banqueiros, vendedores de submarinos e plutocratas em geral da União Europeia e seus agentes políticos, estão imensamente «prestigiados»: ele é só palmadinhas nas costas, sorrisos de satisfação, elogios públicos… Por cá, é o que se vê: não se atrevem a sair à rua, e quando vão a algum sítio (em local fechado), saem pela porta do cavalo. Atingiram o «ponto Gorbatchov».

A este ofereceram uma fundação para se retirar «com dignidade». A Passos Coelho, por que não lhe arranjam um lugarzito de assessor do Barroso? Ou que vá estudar filosofia para Paris!

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