Os reclusos do Estabelecimento Prisional do Montijo estão em luta

Reproduzo uma carta que me chegou via correio electrónico (já publicada, dia 10/10/2012, no Indymedia:

Carta dos Reclusos do Estabelecimento Prisional do Montijo

Os reclusos do Estabelecimento Prisional Regional do Montijo iniciarão uma MANIFESTAÇÃO na sexta-feira pelos seguintes motivos e direitos:

Os reclusos estão a sofrer de violência da parte dos guardas do Estabelecimento Prisional (EP) Regional do Montijo com conhecimento da parte da sb. Directora e dos serviços de educação os reclusos tão a passar fome dão restos dos dias anteriores misturado com comida feita no dia as celas não têm condições nenhumas nem higiene para ter o numero de reclusos que la dormem não tem ocupação nenhuma no EP são amiaçados e agredidos pelos guardas se comentarem o que se passa no EP não são atendidos pelas educadoras a mais de meses não tem uma Directora que saiba dirigir o EP não tem um chefe dos guardas que coordene a cadeia mas sim uma subdiretora e subchefes que permite violência nos reclusos somos humanos apenas a pagar pelos nossos erros somos pais de filhos apenas lutamos pelos nossos direitos mas nem isso deixam nos fazer porque se souberem neste momento que estou a fazer uma denuncia desta vão-me levar para baixo e agredir violentamente temos apenas 2 visitas ao fim de semana para podermos estar com os nossos filhos, mulheres, pais, irmãos, avós, amigos, e nem nos deixam levar uns bolinhos para os nossos filhos nem sumos nem aguas a maquina da sala de visita esta sempre avariada o tecto da sala de visita esta prestes a cair, que assim a vida de muitas famílias reclusos principalmente crianças corre sérios riscos de cair algo sobre a cabeça de alguma pessoa, cortam nos alimentos trazidos pelos familiares em nome de 200 reclusos a cumprir penas de prisão pelos seus erros a maioria já em direitos de precárias condicional que não os dão e outros com penas grandes que já esperam pelas transferências para estabelecimentos com melhores condições de trabalho estudos msm melhores condições para lutar pelas suas liberdades não são transferidas por maldade que esta sobre esta cadeia já alguns anos eles esquecem que tem filhos e mulheres em casa que por azar podem passar por tudo isto que nos passamos mas aqui querem nos agredir humilhar ver nos sofrer, passar fome, cumprir as nossas penas sem oportunidades de sair mais cedo.

Peço a todos voz que são pais, irmãos, amigos, conhecidos que nos ajudem a denunciar esse EP (Estabelecimento Prisional).

Esta denuncia feita pelos 200 reclusos que sofrem todos os dias de violência, de fome, de falta de condições, de falta de uma Directora competente, de um chefe, de educadoras, e de uns cozinheiros etc..

APELAMOS PELO VOSSO APOIO porque sofremos aqui calados e com medo de represálias da parte da chefia há aqui reclusos com doenças de pele e muitas outras doenças contagiantes e perigosos que são obrigados a partilhar a msm máquina de barbear e cortar o cabelo algo que deve ser individual por motivos de higiene.

Não temos condições de instalação de electricidade e falta de água na maioria das celas há direitos para todos nos EP, mas aqui não temos uma ocupação distracção.

É lamentável desumano o que a direcção deste EP faz com estes reclusos são tratados que nem bichos ate ratazanas em algumas celas, cozinhas e casa de banhos.

Bem pedimos que façam esta msg chegar aos jornais aonde haja alguém que faça os nossos direitos virem ao de cima agradecemos o apoio de todos vós.

Ass. Reclusos do Estabelecimento Prisional do Montijo.

Chamo a vossa atenção para o que era relatado, em Novembro de 2011, noBlog dos Guardas Prisionais:

Os reclusos do Estabelecimento Prisional do Montijo estão há um mês sem água quente nos balneários. Além dos problemas de higiene e salubridade, os guardas prisionais temem que a situação dê origem a movimentos de contestação interna.

Segundo a Direcção-Geral dos Serviços Prisionais (DGSP), a falta de água quente deve-se a “uma avaria na central térmica”. Os técnicos aguardam uma peça “que teve de ser encomendada à fábrica de origem” e esperam ter o problema solucionado “durante a próxima semana”.

Para Jorge Alves, presidente do Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional (SNCGP), este é apenas mais um exemplo dos problemas que se vivem no sistema prisional, que podem levar à alteração da ordem.

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