A esquerda e a comunicação social

Um dia um amigo com mais experiência destas coisas comentava que, em Portugal, seria impossível aparecer um jornal de esquerda sem ser ligado a um partido. Dizia que, a partir do momento em que uma matéria beliscasse um ou outro dos sectores à esquerda, imediatamente se desencadearia um processo de rejeição e denúncia queimando o seu público alvo. Foi por isso que todas as experiências tentadas foram caindo por terra.
Escrevo-o no momento em que cada um dos profissionais do Público aguarda que o seu nome não seja chamado – no que já sucedeu ontem no El País e vai sucedendo na Lusa.
A denúncia dos interesses por trás de cada um dos jornais do capital, não nos deve fazer esquecer que, muitas vezes, conseguimos colocar um pauzinho na engrenagem. Uma reportagem aqui, um texto importante ali, uma denúncia acolá. Quem o faz são, quase sempre, os primeiros a ouvir o seu nome em dias como os que hoje se vivem na redacção do Público. A eles, não aos seus patrões, devemos muitas notícias que não nos chegariam de outra forma. Hoje é o dia para enaltecer o seu trabalho e elogiar a sua coragem.

P.S. – Já agora, sobre a “sustentabilidade” financeira da Sonaecom, é favor ler:
A Sonaecom teve um lucro recorde de 62,5 milhões de euros em 2011, mais 51,8% face ao exercício anterior, mas abaixo do esperado.

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