AR mais pequena

Ainda há dias aqui discutia uma ideia do Congresso das Alternativas sobre a candidatura de deputados independentes à AR, e passado pouco tempo José Seguro vem puxar para primeiro plano a redução do número de deputados na AR. Independentemente do claro ataque à diversidade na representação parlamentar que isso implicaria, da crescente bipolarização que daria aso, há que perguntar «porquê voltar à carga com isto agora»? Peço que me ajudem a entender isto. Poucos dias passados da apresentação de duas Moções de Censura ao Governo, numa fase em que já se discutem elementos do Orçamento do Estado – peça fundamental para definição da política e economia do próximo ano fiscal – a direcção do PS acha que este é o momento para reformar o sistema eleitoral? E lança o desafio ao PSD, dizendo até para “não se esconder detrás do parceiro da coligação”. Há alguma instrução da Troika estrangeira que aponte para reformas eleitorais? (Não seria caso pioneiro.)
Esta posição, de redução do número de deputados, encontra eco em diferentes cantos. Tanto entre os dois maiores partidos, que vêem estas alterações como forma de cimentar o seu poder e deitar alcatrão quente sobre não só os outros partidos com representação parlamentar, mas todos os outros partidos e movimentos que constem no boletim de voto. Como entre aqueles que achando que os dinheiros públicos são esbanjados com os deputados, que os seus salários (inflacionados) e suas regalias têm um enorme peso no Orçamento do Estado, e que portanto uma solução seria reduzir o número de deputados. Esta última facção terá em conta o que essa redução implicará sobre o pluralismo na AR? De tanto criticar os políticos e partidos entenderá que a redução do número de deputados vem precisamente favorecer os partidos que criam a ilusão que “todos os partidos são iguais” e “todos os políticos corruptos”? Será a proposta do Seguro uma tentativa de agradar esta corrente populista?

Sobre André Levy

Sou bolseiro de pós-doutoramento em Biologia Evolutiva na Unidade de Investigação em Eco-Etologia do Instituto Superior de Psicologia Aplicada, em Lisboa
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8 respostas a AR mais pequena

  1. Antónimo diz:

    Lerá o que dizem pelos comentários do Arrastão sobre este tema e verá que uns quantos apoiantes do BE tb acham que há deputados a mais. O populismo cava mais fundo que os sentimentos democráticos.

    • Augusto diz:

      Tenha tento, na caixa de comentários do Arrastão a esmagadora maioria dos comentadores , nada tem a ver com o BE , ou com as suas opções.

      O Bloco de Esquerda está totalmente contra a uma diminuição de deputados na Assembleia da Republica.

      A verborreia anti-partidos e anti-Parlamento, pode ser muito popular em sectores, mesmo de esquerda, que são permeáveis ao populismo mais básico, mas esse não é o caso do Bloco de Esquerda.

      • Antónimo diz:

        Não fora um dos referidos comentadores ser uma azémola afectada de iliteracia, um oligofrénico incapaz de perceber o que lê, e apostado em construir um discurso alternativo não sobre os argumentos dos outros mas daquilo que ele decide serem os argumentos dos outros, um tipo absolutamente mal-formado que rejeita qualquer tentativa de diálogo, insistindo em constantes insinuações sobre o outro, eu apontava-lho. E daí, talvez não que talvez desatasse a escoucear que é a única resposta com sentido de que ele é capaz.

        Quanto ao seu tento na língua, vamos ficar por aqui, não é grande sugestão para quem diz recusar o populismo básico. Pessoalmente, não conheço nenhum partido isento da militância ou simpatia de imbecis. Terá mais sorte que eu se nunca topou com essa casta dentro do Bloco. Mas o que lhe posso dizer é que se trata de distracção sua. Nas caixas de comentários do Arrastão anda por lá bicho desse. Possivelmente por aqui também, mas o 5 dias anda tão lento nas actualizações que este fim-de-semana corri bem mais o Arrastão.

        Quanto a si, Augusto, sua militância ao estilo clubístico leva-o demasiadas vezes a sentir como dores do BE, coisas pelas quais o BE não tem responsabilidade nenhuma – como neste caso.

  2. José Carlos Sequeira diz:

    Parece-me evidente que se trata de uma proposta para meter (mais) um pauzinho na engrenagem da coligação. No que toca ao número de deputados CDS, PCP e BE estão no mesmo barco. Só os grandes Partidos querem redução. O problema do BE e do PCP é que também ficam na fotografia como mais uns que querem redução das gorduras do Estado… excepto no que não lhes convém, ao fim e ao cabo como querem todos os Portugueses. Um amigo meu contou-me a seguinte anedota: Diz alguém – As mordomias são um escândalo, cortem nos carrões dos ministros, mas só em BMW’s e AUDI’s porque o meu filho trabalha na Mercedes.

    • Antónimo diz:

      O problema do seu amigo será que confunde o número de deputados com gorduras do Estado. E isso nem com oftalmologista se resolve. A prática e o entendimento da democracia e da cidadania só se resolvem com reflexão.

      Quando o pessoal se queixa dos partidos, por os partidos em que votaram terem governado como se esperava que governassem, temos um problema de gente que é enganada e gosta, mas com quem não se pode contar quando se torna necessário defender valores e princípios mais altos.

      Têm uma compreensão de Dory, aquela peixa do Nemo que só tinha memória durante dois segundos e que por isso se via impossibilitada de perceber o mundo em seu redor: http://www.youtube.com/watch?v=2RwJemF_9tY

    • De diz:

      “Gorduras do estado” foram algumas das palavra-passe usadas pela extrema-direita neoliberal que nos governa, no seu salto eleitoral para derrotar o outro partido de direita que nos governou.
      É com estas palavras gordurosas que Sequeira nos quer fazer crer que o PS tem algum propósito contra este governo e/ ou a troika? Ou será uma forma de tentar camuflar a vergonhosa tentativa de lançar já as escadas ao PSD, para quando chegar a hora?
      Sabe-se que “Portugal já tem hoje o menor número de deputados por habitante de todos os países da Europa Ocidental com apenas uma câmara legislativa e de vários países com duas câmaras, como sucede com a Irlanda.”
      Sabe-se que as marionetas ao serviço da troika têm várias vozes afinadas.Só não se sabia que viajavam, não de BMW ou de Audi,mas que preferiam os Mercedes. Os “amigos” deviam ter ensinado ao Sequeira que a engenharia eleitoral mesclada de cantos de sereia já não enganam ninguém.Mesmo que os neófitos neoliberais o tentem, mascarados de pauzinhos de engrenagem tingidos de gordura odorífica.
      E que odores saem de lá

  3. Miguel Botelho diz:

    Estas declarações de Seguro só revelam a sua falta de preparação e experiência para a política e para o momento que estamos a atravessar no país.

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