Até quando devemos ficar à espera?

Num momento em que devemos trabalhar para fazer convergir na diversidade todos aqueles que querem  ajudar a construir uma solução de esquerda para enfrentar a direita, parece-me importante assinalar a minha principal divergência com o Bloco de Esquerda: eu não penso que o PS seja reformável. Para já, e para que fique claro, eu entendo que a convergência de esquerda necessita (e muito!) de quem vota PS e até de muitos militantes deste partido que não colocaram o socialismo na gaveta. Ao invés, pensar que a direcção de um partido em que pululam Lello, Vitalino Canas ou Paulo Campos e tantas outras figuras sinistras, pode ter um rebate de consciência invertendo em 180º as políticas que defende tem algo de irrealista, tal como acreditar que uns quantos dirigentes e deputados colocarão em perigo o seu lugar dissidindo “violentamente” da sua direcção não pode resultar numa espera eterna.
Sinceramente, faz-me alguma confusão que haja dirigentes do PS que acataram mais uma decisão de abstenção (aprovada por unanimidade) contra as moções de censura do BE e PCP, que, no dia seguinte, estejam a filosofar sobre a esquerda no Congresso Democrático das Alternativas (CDA). Todas as pontes devem ser lançadas mas são as acções, e não as palavras, que definem a disponibilidade para que a convergência se faça.
Neste momento, mais do que nunca, importa perceber até quando é que o BE vai ficar à espera que o PS, ou uma parte dele, atravesse para o lado do combate à troika e suas políticas. Temo que o CDA não contribua para esta clarificação e até sirva para branquear a acção de gente que tem estado sempre ao lado da troika.

 

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