A ler

O Partido Comunista Português (PCP) e o Bloco de Esquerda (BE) vão unir esforços na luta contra as medidas de austeridade, podendo mesmo acordar acções conjuntas de protesto. É a primeira vez que isto acontece, em Portugal, sobre assuntos de política nacional.

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16 Responses to A ler

  1. Nuno Cardoso da Silva diz:

    Espantoso! Oxalá isto venha a evoluir para a criação de uma plataforma eleitoral conjunta, à qual se poderiam juntar o MAS e o MRPP, que possa proporcionar aos portugueses uma opção eleitoral, nas próximas eleições – que podem ser mais próximas do que se pensa -, que possa ser uma séria candidata à formação de governo.

    • Rocha diz:

      Sabe Nuno a sua tese de unidade de esquerda até nem é má. O terreno que você propõe é que não é o terreno certo.

      A unidade na acção (conceito muito importante no pensamento de Marx, Lenine e muitos outros revolucionários) é a unidade mais importante, é a unidade na luta social, luta de rua e luta sindical. É a unidade no verdadeiro terreno da luta de classes. Essa é sempre oportuna.

      A unidade eleitoral, por seu lado, não é a solução que o povo trabalhador necessita neste momento. O poder do povo conquista-se na rua e não no parlamento. É que há lutas e tarefas que necessariamente tem de estar primeiro que as eleições (sem perder de vista que um dos grandes objectivos é derrubar o governo, mas há mais).

      • Nuno Cardoso da Silva diz:

        Mas porque é que uma coligação eleitoral dos movimentos de esquerda não seria conveniente ou eficaz? O voto numa tal coligação seria superior ao voto nas suas componentes separadas, porque atrairia não só eleitores habituais do PS como independentes. O poder não se conquista por via de eleições? Porque não, se uma maioria votasse nessa alternativa? O poder também se pode conquistar por dentro das instituições. Que depois seriam mudadas segundo a vontade da maioria. Esta ideia de que a via eleitoral não é adequada parece-se muito com uma desculpa para manter a divisão da esquerda, em nome de purismos ideológicos. Foi com esse purismo que o PC grego conseguiu impedir a vitória da esquerda nas últimas eleições na Grécia, como se um governo em que estivesse o Syriza fosse pior do que um goveno dos reacionários da ND e do PASOK. Se cada partido/movimento de esquerda só quiser uma unidade em que seja ele a mandar, nunca mais nos livramos da oligarquia. Nenhum partido/movimento de esquerda pode conquistar o poder sozinho, porque todos são minoritários.

        E já agora, porquê essa constante referência ao “pensamento de Marx, Lenine e muitos outros revolucionários”? Não sabem pensar pela vossa própria cabeça? Teremos de estar condicionados pelo que essas figuras pensaram, disseram ou fizeram em épocas e em circunstâncias muito diferentes das nossas? Respeitar as suas reflexões e ideias é uma coisa, deixarmo-nos castrar intelectualmente é outra muito diferente.

  2. Rocha diz:

    A unidade na acção é boa, muito marxista e leninista. Não posso deixar de louvar e espero que a notícia se confirme.

    Por outro lado é fundamental não esquecer que por estes dias também se vê o Bloco de Esquerda a colocar todo o seu aparato político em um tão falado “Congresso Democrático das Alternativas” que é na prática um mal disfarçado projecto político de unidade com o PS.

    E quando digo isto não é para poupar críticas ao Carvalho da Silva e outros que tais, comunistas só de boca, que embarcam entusiasticamente neste albergue espanhol de oportunistas colados ao PS.

    Por falar nisso, apetece me perguntar: Alegrismo reciclado não seria um nome mais característico para este congresso?

    • Tiago Mota Saraiva diz:

      Rocha, acho que erras na análise exactamente pelos mesmos motivos que erraste na análise ao 15 de Setembro – ou ainda achas que a manifestação “que se lixe a troika” branqueou algum “troikista”?
      Confundes coisas que diferentes.

      • Rocha diz:

        Acho que foi um erro muito perigoso estender a mão a um dirigente da JS na fase de promoção da manifestação. Disse e mantenho.

        Não branqueou porque os troikistas (do PS neste caso) não souberam aproveitar. Tivemos sorte enquanto povo, que ainda há muita inabilidade política do PS. Mas sempre que baixamos a guarda ao PS damos lhe a oportunidade de ele se empoleirar em cima nós.

        Por outro o lado: o lema da manifestação, a sua gestão, as suas consequências, o seu seguimento e os seus discursos (no essencial) foram de louvar. E até admito que me surpreenderam pela positiva.

  3. Bolota diz:

    Tiago,

    Espero que tudo dê certo e que o BE não passe a perna ao velho Jeronimo como já o tentou fazer e de alguma forma fez noutras ocasiões

  4. RS diz:

    A notícia do Público padece de vários erros e meias-verdades. A maior: dizer que “É a primeira vez que isto acontece, em Portugal, sobre assuntos de política nacional.”. Naturalmente que não é.

    PCP e BE convergem em múltiplos e diversificados assuntos. Afirmar que esta será a primeira vez em assuntos de política nacional é desonesto e alimenta a ideia de que os dois partidos vivem de costas voltadas, quando na verdade isso não é verdade.

    Seja como for vamos aguardar. Sem esquecer que as duas estruturas não existem separadamente só porque sim, ou só porque os dirigentes das duas fazem birrinhas. As diferenças são muitas e em alguns assuntos profundíssimas.

    Convergência na acção sim, sempre que isso beneficie a luta. As lutas. Agora, não venha o Público afirmar que a novidade é a convergência, porque essa vai-se fazendo – umas vezes mais outras vezes menos – há algum tempo. A novidade estará, quanto muito, no conteúdo de eventuais propostas ou acção comuns, e não no carácter comum da acção.

    post-scriptum: MRPP? LOL

  5. Pedro Pinto diz:

    Penso que não houve qualquer erro na análise da manifestação de 15/Set. Foi boa, foi positiva, foi uma afirmação de força contra a troika, mas todos os que afirmaram que lhe falta objectivos e planos acertaram em cheio. E todos os que afirmaram que muitos foram movidos por objectivos anti-políticos e anti-sindicatos acertaram em cheio, basta olhar alguns cartazes. E esse retrocesso, o de atacar, mesmo que inocentemente, o movimento sindical e popular não deve ser alimentado.

    Este tipo de notícias deve ser comentado depois de esclarecidas pelos respectivos partidos e não mal a comunicação social resolve mandá-la cá para fora com o sensacionalismo habitual. Esperemos para ver os moldes em que isto se processo. A unidade é importante mas não se constrói de qualquer maneira e com lugares-comuns.

  6. De diz:

    A confirmar-se, uma excelente notícia!

  7. Tima diz:

    Então e agora o que vão fazer os sectários bloguistas e frequentadores deste blogue? Vão iniciar uma luta anti Bloco ou vão finalmente reconhecer que o inimigo verdadeiro está à vossa direita? O que vale é que ainda há gente no PC que consegue ver além do purismo idelógico e reconhecer no Bloco o parceiro necessário para lutar contra a troika PS/PSD/CDS. Juntos poderão ser a real esquerda que é necessária para mudar de vez o rumo do país.
    Agora espera-se que os divisionistas finalmente se calém e olhem para os verdadeiros inimigos da esquerda e de Portugal.

  8. Dezperado diz:

    Gostava que corresse bem….e gostava de vos ver no governo….sinceramente adorava. Gostava de ver as vossas ideias (fora com a troika) e outras a ser impostas, quando formarem governo. Afinal de contas, ser oposição é relativamente facil, mandam umas bocas e não passsa disso, por isso adorava vos ver no Governo, coisa que sempre fugiram como o diabo foge da cruz.

    • De diz:

      Sim dezperado,sim.
      Claro que sim e mais meio sim,porque o sim inteiro não cabe por aqui.
      Quanto ao diabo na cruz é que é o diabo.Diabo assim só existe mesmo na mente de alguém muito desesperado.
      Ei…ei…lá está o diabo na cruz a fugir dos devaneios de alguém desesperado.
      Ah,poderosa essa capacidade de dizer barbaridades como se realidades fossem.
      Afinal um bláblá histriônico para impedir a vacuidade argumentária
      🙂

  9. Rocha diz:

    Vá lá Tima acalme-se… eu sei que lhe incomoda a capacidade unitária do PCP. Mas esta unidade na acção dá-se no respeito pela diferença e sem tiques eleitoralistas.

    Necessário é uma Revolução Socialista, um levantamento anti-capitalista para derrubar o regime capitalista de vez em Portugal. Infelizmente o Bloco não tem isto em vista – prefere iludir com um capitalismo humanizável.

    Diferenças ideológicas à parte, a unidade na acção contra a Troika e troikistas é oportuna e necessária.

    • Tima diz:

      Você chama-lhe “capacidade unitária” eu chamo isolacionismo.
      “Sem tiques eleitoralistas?” Eu vejo um governo BE/PCP porque não sou divisionista nem sectário e dentro do espectro político actual é provavelmente a única saída viável.
      “Derrubar o regime capitalista de vez em Portugal?” É uma utopia mas eu já me contentava em ter o capital devida e efectivamente legislado, fiscalizado e controlado e um estado social humano e a funcionar com equidade.

      • Rocha diz:

        Pois é, temos diferentes programas e rumos ideológicos. Você quer apenas o capitalismo reformado e humanizado. Eu quero derrubar o capitalismo e construir um outro país socialista, de verdadeira soberania popular para quem trabalha – banindo a exploração, especulação e agiotagem.

        Quanto a governos de esquerda e alianças eleitorais, sobretudo da forma que você fala dessas coisas, não passam de idealizações de cúpulas que apenas procuram saborear os privilégios do poder e não transforma-lo radicalmente.

        As eleições parlamentares, neste regime são uma farsa, nunca transformarão nada, quando há injustiças gritantes que só podem ser enfrentadas radicalmente. Mas além disso quem vive obcecado pelas eleições neste regime olha para a participação popular em lutas sociais, de rua e sindicais de um forma leviana e mesquinha. A luta social não vem ao mundo para ser cavalgada por ambições eleitorais parlamentares, ao contrário do que se pensa as eleições não conquistam poder algum neste regime quando se quer mudar as regras do jogo, a luta social sim essa é a única que muda as regras do jogo.

        As eleições dentro deste regime capitalista não são livres nem democráticas, porque se o fossem não se decidiam tratados europeus que violam a soberania e a constituição de Portugal nas costas do povo. Se a democracia fosse real em Portugal, os conselhos de administração das empresas oligárquicas e dos bancos seriam eleitos porque quem é afectados pelas suas decisões, pelos trabalhadores e clientes.

        Se houvesse democracia verdadeira em Portugal o poder judicial não seria esta bandalheira de corrupção e impunidade. Este poder que nos dizem ser independente está completamente minado pelo grande capital e os seus tentáculos políticos. Todos os escândalos financeiros e de grandes empresas são abafados. E os abafadores como uma certa magistrada encobridora do Sócrates/Freeport ainda é candidata a procuradora-geral.

        Enfim, Tima, para não me alongar muito, porque eu podia estar aqui a escrever um livro inteiro sobre este regime oligárquico que nós temos, o capitalismo de fachada democrática, fico por aqui. Eu há muito que cheguei há conclusão que este regime não é possível reformar, vai ter que ser derrubado.

        • Nuno Cardoso da Silva diz:

          Só despreza as eleições quem sabe que nunca as conseguirá ganhar, não só pelos vícios próprios do sistema eleitoral adoptado, mas também porque os cidadãos se não reveem nos respectivos programas. E em vez de ajustarem os seus programas e doutrinas à realidade do povo que é, pretendem ou inventar um povo que não existe e lhes fosse favorável, ou conquistar o poder sem levar em conta a vontade popular. Assim não vão longe…

        • Tima diz:

          A discussão em torno do fim do capitalismo faz-me lembrar a discussão em torno da legalização do consumo de drogas. Se um só país implementar essa medida, por não haver coordenação com os países vizinhos ela torna-se infrutífera e estará condenada ao fracasso.
          O capitalismo infelizmente por cá andará nas próximas décadas. Se vale a pena lutar por um estado socialista? Claro que sim. Os estados democráticos estão reféns do capital. Chega-se lá pela ruptura ou pela reforma? A ruptura social está eminente mas não generalizada. As reformas são quase inexistentes mesmo em governos mais à esquerda. Infelizmente não vejo grande plataforma de mudanças efectivas.
          Mas uma coisa de facto é escandalosa: o capitalismo está a sair desta crise mundial ainda mais reforçado e menos fiscalizado. Mas a coisa só rebentará quando a roleta da morte dos cds (credit default swap) e das agências de cotação financeira começarem a morder os calcanhares dos grandes países capitalistas. Aí sim, com os povos desses países na mesma luta do que os PIIGS e quejandos terá uma maior base social para se tentar mudar de regime.

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