Para quê?

Olhe à sua volta. Quantos locais que se habituou a visitar fecharam portas? Quantos amigos entraram para as listas do desemprego? Quanto dinheiro tem a menos no fim do mês?
Para quê?
A dívida pública aumentou para valores acima dos 120%. A meta do défice orçamental era de 4,5%. Segundo Vítor Gaspar, encontra-se nos 6%, mas segundo a Unidade Técnica de Apoio Orçamental está nos 6,9%, e segundo o INE nos 6,8%. No Orçamento do Estado, com o aumento do IVA, o governo estimava aumentar a receita em 11,6%. Caiu 2,2%. Previa um aumento de despesa com o subsídio de desemprego de 3,8%. Está a crescer 23%.
Na Idade Média, acreditava-se que o sangramento tratava doenças. Só poderá continuar a defender o sangramento da economia portuguesa quem dele beneficia (é bom não esquecer que os há) ou quem nutre uma fé medieval sobre o futuro.
Com a inesperada onda gigante das manifestações anti-troika, começa a pairar o mesmo argumento que precedeu a entrada da troika. Daqui a uns dias não haverá dinheiro para pagar salários, disse Teixeira dos Santos. É preciso garantir a estabilidade política, disse Cavaco, à época e agora. Mas de que nos serve esta estabilidade política que nos quer silenciar com uma mão para nos roubar o rendimento com a outra?
Consta que o governo tem três meses para cortar quase 2% do défice orçamental deste ano, numa operação de empobrecimento rápido nunca tentada em Portugal. Passos Coelho e Gaspar só ainda não sabem como o encapuzar. Se aumentando o IVA, cortando o 13.º mês ou adiando para os escalões de IRS.
Deixar que a operação de sangramento avance apenas fará com que a recuperação seja mais difícil. É por isso que hoje, em Lisboa, se juntarão milhares de pessoas contra o roubo dos salários, das pensões e das reformas, contra o governo, a troika e os troikistas.
Inverter o sentido é o único caminho possível para nos afastarmos do abismo.

Hoje no i

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0 respostas a Para quê?

  1. Dezperado diz:

    Só uma pergunta, para quem tem memória. Quanto é que era o deficit antes deste liberais tomarem conta do governo, quando não havia medidas de austeridade e eramos governados pelo fugitivo de Paris????? 9%???? era isso não era???? Sem medidas de austeridade…..