«A classe trabalhadora vai à rua e encontra os mesmos do costume»

Com que linhas se cosem as lutas dos trabalhadores em Portugal? Uma reflexão polémica e pertinente publicada no site Passa Palavra sobre as organizações, grupos e actores políticos que se alinham nas lutas actuais contra as políticas do governo e da troika. Deixo dois excertos que me parecem importantes e que me captaram mais a atenção aquando da sua leitura. Um que se relaciona com questões mais gerais do modo como se desenvolvem as lutas dos trabalhadores. E um segundo sobre alguns dos horizontes para essas mesmas lutas no nosso país.

1) «A dinâmica da classe trabalhadora ao longo do capitalismo tem actuado em torno do eixo auto-organização / hetero-organização, ou seja, a classe trabalhadora organiza-se a si própria ou é organizada por outros? Apesar destes dois princípios implicarem um antagonismo na sua substância política, na realidade concreta ambos se interpenetram e se condicionam mutuamente. Isto significa que as possibilidades de auto-organização abertas pelas lutas sociais da classe trabalhadora concorrem com (e contra) dinâmicas de burocratização que estão sempre à espreita. No caso dos movimentos sociais de indignados em Portugal as possibilidades de recuperação das lutas sociais não são estruturalmente distintas das sofridas por partidos, sindicatos e outras organizações ao longo do século XX. Com efeito, quando a luta de base recua, a cristalização de novas lideranças e o esbracejar de apelos vanguardistas inflaccionam a hetero-organização da classe trabalhadora».

2) «Face ao actual panorama de recuo de uma esquerda anticapitalista e antinacionalista em Portugal, a breve prazo só a manutenção de uma disponibilidade para lutar e para sair à rua poderá funcionar como uma escola mínima de aprendizagem para os trabalhadores que têm aderido a estes protestos. Se a crítica que fazem à prepotência do governo e da troika tiver alguma ressonância nos locais de trabalho e se o movimento mantiver uma certa autonomia relativamente às tentativas de enquadramento dos vários partidos, sindicatos e grupos de esquerda, já não será coisa pouca».

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