«A classe trabalhadora vai à rua e encontra os mesmos do costume»

Com que linhas se cosem as lutas dos trabalhadores em Portugal? Uma reflexão polémica e pertinente publicada no site Passa Palavra sobre as organizações, grupos e actores políticos que se alinham nas lutas actuais contra as políticas do governo e da troika. Deixo dois excertos que me parecem importantes e que me captaram mais a atenção aquando da sua leitura. Um que se relaciona com questões mais gerais do modo como se desenvolvem as lutas dos trabalhadores. E um segundo sobre alguns dos horizontes para essas mesmas lutas no nosso país.

1) «A dinâmica da classe trabalhadora ao longo do capitalismo tem actuado em torno do eixo auto-organização / hetero-organização, ou seja, a classe trabalhadora organiza-se a si própria ou é organizada por outros? Apesar destes dois princípios implicarem um antagonismo na sua substância política, na realidade concreta ambos se interpenetram e se condicionam mutuamente. Isto significa que as possibilidades de auto-organização abertas pelas lutas sociais da classe trabalhadora concorrem com (e contra) dinâmicas de burocratização que estão sempre à espreita. No caso dos movimentos sociais de indignados em Portugal as possibilidades de recuperação das lutas sociais não são estruturalmente distintas das sofridas por partidos, sindicatos e outras organizações ao longo do século XX. Com efeito, quando a luta de base recua, a cristalização de novas lideranças e o esbracejar de apelos vanguardistas inflaccionam a hetero-organização da classe trabalhadora».

2) «Face ao actual panorama de recuo de uma esquerda anticapitalista e antinacionalista em Portugal, a breve prazo só a manutenção de uma disponibilidade para lutar e para sair à rua poderá funcionar como uma escola mínima de aprendizagem para os trabalhadores que têm aderido a estes protestos. Se a crítica que fazem à prepotência do governo e da troika tiver alguma ressonância nos locais de trabalho e se o movimento mantiver uma certa autonomia relativamente às tentativas de enquadramento dos vários partidos, sindicatos e grupos de esquerda, já não será coisa pouca».

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36 respostas a «A classe trabalhadora vai à rua e encontra os mesmos do costume»

  1. Tiago Mota Saraiva diz:

    Um texto que procura esconder um sectarismo fanático, feito de propósito para as vésperas da manifestação organizada pela CGTP. Para além de atacar um teu colega de blogue sem o referir expressamente, esconde a sua autoria atrás de um “nós” que será, certamente, pouco colectivo. Tudo muito bate e foge a revelar pouca coragem.
    Não há qualquer tom polémico ou novidade. Banalidades, com ressentimentos velhos e gastos nas entrelinhas.

    • João Valente Aguiar diz:

      Tiago, só vou responder à única coisa que me diz respeito: à divulgação do texto. Concordando no fundamental com o texto, não quer dizer que o subscreva integralmente. Apesar de algumas diferenças de opinião, prefiro partilhar textos com os quais possa não concordar com tudo mas que obriguem a refletir sobre determinados aspectos do que com textos mais redondos e que já dizem o que sei e o que quero ouvir. Sobre tudo o resto não respondo porque não tenho nada a ver com isso.

    • miguel serras pereira diz:

      Tiago,
      o texto do Passa Palavra defende explicitamente a necessidade de articulação entre sindicalizados e precários (“Sejamos claros. A articulação entre trabalhadores sindicalizados e entre trabalhadores precários não sindicalizados é absolutamente necessária”). Não vejo como possa ser “expressão de um sectarismo fanático” aos olhos de quem declarava ontem ou anteontem ter consciência “de que a manifestação (…) deixou de ser ‘da CGTP’ para ser de todos”. É verdade que o texto não defende que a articulação necessária entre sindicalizados e precários se deve fazer sob a direcção política dos órgãos de topo da CGTP, insistindo antes na necessidade de transformarmos o regime das lutas se quisermos combater com alguma verosimilhança o regime capitalista, ou, mais do que simplesmente reclamar outro governo, antecipar o governo comum dos trabalhadores e cidadãos comuns. Mas gostaria de saber que não é esta tese a razão de ser da acusação de “fanatismo”.

      msp

      • Tiago Mota Saraiva diz:

        Miguel,
        + “uma aspirante a intelectual orgânica dos movimentos de indignados”

        + “Por outro lado, candidatos a timoneiros das lutas sociais não têm faltado. Desde os elementos mais ligados à convocação da manifestação de 12 de Março de 2011, e que ocuparam o centro das atenções nos meios de comunicação social durante cerca de um ano, até às mais recentes personalidades de esquerda que convocaram a manifestação do dia 15 de Setembro de 2012,”

        + “Todavia, a dinâmica das lutas sociais não se compadece com as intenções dos seus agentes individuais; e sem uma crítica persistente à possibilidade de surgirem e de se desenvolverem os mecanismos de hetero-organização das lutas, o perigo da sua burocratização está sempre à espreita.”

        + “A esquerda parlamentar que se reivindica de uma raiz marxista, mesmo que do marxismo só guarde algumas palavras de ordem, tem sempre a tendência a desconfiar de tudo o que seja espontâneo e que possa desencadear relações e práticas horizontais. Por exemplo, o Partido Comunista (PCP) representa em Portugal o pior das tendências de tentativa de enquadramento da classe trabalhadora, e este contexto de irrupção de lutas espontâneas desde o processo revolucionário de 1974-75 coloca um desafio novo aos mais intransigentes defensores de um capitalismo de Estado.”

        + “Todavia, é possível que essa aproximação não se fique pelo plano das ideias mas eventualmente se efective no plano orgânico. A este propósito, os organizadores / convocadores da manifestação do dia 15 apelam publicamente à participação na manifestação da CGTP deste sábado em Lisboa: «Apelamos por tudo isto à participação massiva no protesto entretanto convocado pela CGTP-Intersindical para o próximo sábado, dia 29 de Setembro. Juntos reclamaremos esse novo rumo, que inverta totalmente a sujeição do governo aos joguetes políticos de entidades não sufragadas, que cinicamente nos impõem “ajudas” com juros fatais e sacrifícios que jamais ousariam sequer imaginar para si próprios. Um rumo onde não cabem a troika nem os troikistas» (idem). Entretanto, surgiu um texto de um dos organizadores daquela plataforma a defender essa aproximação em termos que nos parecem não ser muito claros sobre o que deveria ser uma distinção entre a aproximação pela base de uma aproximação pelo topo. «Não vejo qualquer concorrência entre as manifestações de 15 de Setembro e a concentração da CGTP a 29 de Setembro. Todas são importantes para derrubar o governo e recusar a política da troika. Elas não se opõem, elas somam-se. Acho que a maior parte das pessoas que tem como objectivo derrotar as políticas neoliberais e criar uma alternativa popular e de esquerda têm este ponto-de-vista».”

        (…)

        E continua Miguel… Tudo velho, com ataques de carácter sem nomear as pessoas a que se refere, cheio de ressentimentos e com laivos de pidesco.
        Um dia que isto aperte, espero que o autor do texto não tenha a minha morada.

        • João Valente Aguiar diz:

          como em três linhas fazes um comentário puramente provocatório e cheio de insinuações… além da treta da autoria vais muito mais longe e ainda insinuas coisas gravíssimas e vergonhosas… o triste disto tudo é a incapacidade das pessoas discutirem politicamente o que quer que seja e apenas somarem insultos, insinuações e ataques pessoais… que categoria…

          • Tiago Mota Saraiva diz:

            João Valente Aguiar, nas tuas sete linhas consegues acusar-me de muito mais.
            Já o texto que tanto aprecias é um manancial de acusações, até para alguns colegas deste blogue, feitos por quem não dá a cara. Mas isso não te chateia. Honestidades.

          • João Valente Aguiar diz:

            Tiago, eu não sei para que é que continuas a escrever-me sobre este assunto. primeiro, eu não te acusei de nada em especial mas apenas disse que transformaste questões políticas em investidas pessoais e provocatórias. ao contrário, tu deste a entender que eu estaria a ser pidesco, um belo qualificativo sem dúvida… como se fosse possível comparar uma afirmação gratuita da tua parte com o meu comentário político. segundo, o que eu mais apreciei do texto está explícito no que coloquei aqui: por um lado, a vigilância de todos os que se situam à esquerda em perceberem que a evolução das lutas tanto dá para a libertação dos trabalhadores e do povo, como na criação de novas desigualdes de um movimento inicialmente espontâneo; por outro lado, a importância de o movimento político manter a sua pujança espontânea nas ruas e, se possível, chegar a locais de trabalho. sobre o resto do texto tens uma boa possibilidade: comenta no seu próprio espaço junto dos autores. terceiro, graças a ti já li aquele texto uma meia dúzia de vezes e não encontro mais do que uma referência a um autor deste blog que legitimamente apelou à participação de todos na manif da cgtp… eu não tenho nada que responder por outrém mas se tu achas que uma citação é um ataque ou uma acusação então não sei que te diga… se calhar o melhor é mesmo nao dizer mais nada…

  2. Oh João, na verdade, não vejo com o que é possível estar de acordo neste texto. Fora o facto de levantar questões, não vejo sequer a sua utilidade. No entanto, levanta-as e responde-lhes mal.

  3. Rocha diz:

    Esquerda antinacionalista não é?

    Olha João eu acho que levas esse teu “antinacionalismo” ao extremo do absurdo.

    Eu pergunto se a classe trabalhadora palestiniana estivesse em condições pela luta armada de conquistar pelas armas o seu direito à autodeterminação (um Estado nas fronteiras de 1967) ou se um golpe militar dentro do Estado de Israel de súbito desse esse direito ao povo palestiniano deveriam os marxistas abdicar desse direito ou até criticar essa mudança histórica? Devia-se ignorar essa evidente vontade do classe trabalhadora e do povo palestiniano?

    Eu pergunto se o MFA e o PCP fizeram mal a seguir ao 25 de Abril em exigir a descolonização incodicional e passar o poder aos movimentos de libertação nacional?

    E por falar em movimentos de libertação nacional, não estavam eles a cumprir uma tarefa marxista em 1974? Não eram eles marxistas de pleno direito?

    Olha João não sei se te consideras marxista-leninista – imagino que não – mas não há marxismo-leninismo sem autodeterminação.

    Não sei que espécie de marxismo defendes (concelhismo?), mas ser insensível à vontade colectiva de um povo de autodeterminaçãoe ignorar ou secundarizar o vital combate anti-colonialista parece-me totalmente incompatível o marxismo.

    Ser anticolonialista, ser anti-imperialista para mim é a verdadeira defesa da solidariedade entre os povos, o verdadeiro internacionalismo.

    É por anticolonialismo que defendo a saída imediata de Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha da União Europeia.
    É por anticolonialismo que defendo a autodeterminação do País Basco, Países Catalães, Galiza e Andaluzia. Que sejam os povos que decidam se são independentes.
    É por anticolonialismo que defendo a independência da Palestina.
    É por anticolonialismo que defendo a autodeterminação dos povos.

    Porque a única pátria internacional ou federação de povos livres que é possível construir só pode existir no pressuposto de total liberdade de entrar ou sair dessa união (unir pela liberdade e não pela força). Porque no socialismo ou no comunismo é absurdo colonizar ou unir pela força. O internacionalismo constrói-se com liberdade e autodeterminação e não com dogmas ou autoritarismos centralizadores.

  4. Rocha diz:

    Quanto ao texto em si, faz lembrar os teóricos bolorentos da Política Operária. Teorias, teromeas, teses, recensões, livros, livretes, livra tanta poeira a ganhar livros por baixo….

    Será que esta gente algum vez sai da poltrona e constrói alguma organização ou luta de trabalhadores?

    Não me parece.

  5. Rocha diz:

    Anarquismo sem anarquismo, marxismo sem marxismo, creio que é esta a visão política a que chamam de “autonomismo”. Uma espécie de água com açúcar para alimentar greves de fome.

    Esta gente é tão individualista que vai acabar por odiar as massas como os anarco-individualistas (essa espécie de loucos que põem bombas odiando as elites e as massas ao mesmo tempo). Anti-partidos e anti-sindicatos sem se furtar a simpatias pela nova vaga de fascistas mentecaptos do discurso “os partidos são todos iguais”.

    Um grande dispêndio de palavras para alimentar uma enorme pobreza de espírito. Só numa coisa eu sinto empatia por este texto, eu também sei, a título pessoal, o que é a solidão.

  6. Um gajo qualquer diz:

    Eu acho que as organizações da classe trabalhadora reflectem, tal como os seus “intelectuais orgânicos”… o estado de consciência da própria classe! Temos andado bem recuados, não é? Mas isto muda, camarada, isto muda…

  7. Um gajo qualquer diz:

    é que já não há pachorra pra tanta teorização “nova”

  8. PR diz:

    Caro João,

    O ziguezaguear ideológico com que nos tens brindado desde que apareceste por aqui é absolutamente estonteante, mas os momentos que escolhes para intervir publicamente são, no entanto, bastante certeiros e propositados. Só não percebo porque não citaste o ponto VII dessa merda de texto que tanto te entusiasmou, faltou-te a coragem ou é só uma questão de tempo?

  9. ISKRA diz:

    Eu confesso,… gosto muito de “relações e práticas horizontais”

  10. João. diz:

    A meu ver o que é menos recomendável neste texto não é que existam organizações de trabalhadores que não se queiram filiar explicitamente em organizações políticas de esquerda mas a sugestão de que estas organizações políticas de esquerda andam aí só a tentar enquadrar, leia-se, manipular. Não há razão para que estas organizações ditas independentes não dialoguem com as forças de esquerda, não tentem encontrar campos de entendimento e de acção comum, até porque, não se tenha dúvidas, a passagem da luta à alteração do regime político passa por política organizada; sem isso é esperar o quê da luta? que o Passos ofereça umas batatinhas de vez enquando?

  11. Manuel Z diz:

    O texto do Passa Palavra não passa da velhissíma conversa do “os politicos são todos iguais”. E este paleio vazio serve, como sempre serviu, os interesses da baixa política, da demagogia e do populismo, que são sempre pasto fértil para o fascismo.

    É tão falso como dizer que os negros, ou os ciganos, ou os brancos ou os chineses ou os carpinteiros ou os mecânicos de automoveis são todos iguais. Efectivamente não são. Uns são honestos outros são desonestos. Uns promovem o progresso humano, outros, o seu retrocesso.

    A ideia de que os partidos são intrinsecamente maus e que no fundo a única boa organização é organização nenhuma, é absolutamente suicidária, para a classe mais indefesa. Por isso mesmo é promovida, pelo menos desde a revolução francesa, pelas classes dominantes, com o eterno apoio de demagogos, fascistas e extremo-“esquerdistas”.

    As organizações de trabalhadores não só podem como, absolutamente, devem estar ligadas aos partidos politicos e á politica parlamentar. Obviamente àqueles que os defendem.
    Não se deve caír jamais no erro infantil de esperar um partido perfeito e puro para ser o cavalo branco dos trabalhadores. Isso é pura estupidez. Nada é ou será alguma vez perfeito. É necessário trabalhar com as ferramentas de que se dispõe.

    • Nuno Cardoso da Silva diz:

      Talvez uma leitura de Robert Michels sobre a sociologia dos partidos políticos o ajudasse a perceber umas coisas. É verdade que Michels, tendo passado pelo partido social democrata alemão, acabou nos braços de Mussolini, mas isso não invalida o interesse da sua análise sobre a oligarquização das estruturas partidárias. De facto os partidos são todos iguais na sua transição de movimentos de massas ou de defesa do bem comum, para estruturas de defesa do bem próprio. De defensores do “povo” passam a defensores das suas sinecuras, dos interesses dos seus dirigentes. Não conheço excepções. Por isso prefiro os movimentos sociais, com a sua organização fluida e desestruturada, às organizações partidárias, sempre à procura do cheque em branco para oprimirem aqueles a quem tinham jurado defender.

      • João Valente Aguiar diz:

        Não se preocupe com o Michels. na mesma época histórica os bolcheviques estabeleceram acordos económicos com a Itália de Mussolini, entregaram a comuna de Xangai às mãos e aos fuzilamentos do Kuomintang, ajudaram a rearmar a Reichswehr a partir do início dos anos 20 e, por inerência, os corpos francos alemães, o Gramsci “namorou” o D’Annunzio, etc, etc pelo que uma verdade sociológica (a hierarquização dos partidos operários) coexiste com uma verdade prática: factos que muitos meninos e meninas que visitam e comentam este espaço desconhecem ou preferem não conhecer. do ponto de vista histórico e da discussão das ideias, não há nada pior na esquerda do que discutir política a partir só do que se quer que conte e que, consciente ou inconscientemente, se omitam outras dinâmicas… claro que nem tudo foi mau mas se a própria esquerda não conhece as linhas com que se foi cosendo ao longo da história, os erros repetir-se-ão…

        • Nuno Cardoso da Silva diz:

          Fui ver, e encontrei isto:

          “Quanto Mussolini c’era in Gramsci. E quanto Sorel, quanto Gentile, maestri del fascismo. Quanta ammirazione c’era in Gramsci per il d’Annunzio di Fiume e per il futurismo, che furono i precursori artistici del fascismo.

          E quanta considerazione per Oriani, Papini e Prezzolini. Di un Gramsci mussoliniano scrissi diversi anni fa, prima di me avevano scritto Augusto del Noce e pochi altri. Ma prima di tutti lo aveva detto lo stesso Mussolini che nel ’21 alla Camera aveva riconosciuto Gramsci e i comunisti italiani suoi «figli spirituali». E aggiunse: «io per primo ho infettato codesta gente».Ora a dirlo non siamo più solo io, Del Noce o il diretto interessato, ma anche una ricerca nata in seno alla Fondazione Istituto Gramsci di Leonardo Rapone (Cinque anni che paiono secoli. Antonio Gramsci dal socialismo al comunismo, ed. Carocci, pagg. 421, euro 28). Rapone è uno studioso venuto da Renzo De Felice e approdato a Beppe Vacca, è nel comitato dei garanti della Fondazione Gramsci e nel direttivo che cura le opere gramsciane. Per condensare in una battuta il titolo e il testo, nel viaggio di Gramsci dal socialismo al comunismo c’è nel mezzo il mussolinismo. Il Terzo Incomodo. Le radici della scissione di Livorno dei comunisti sono nell’interventismo rivoluzionario e nel massimalismo, agitati entrambi da Mussolini. E Gramsci fu dalla parte di Mussolini a sostenere l’intervento e a riconoscerlo come capo del socialismo rivoluzionario (fra gli interventisti intervenuti ci furono pure i futuri azionisti e i futuri comunisti come il giovane Peppino Di Vittorio). Per un pelo Gramsci non collaborò al Popolo d’Italia. Non fu il solo, tra i fondatori del partito comunista, a subire l’influenza di Mussolini. Nicola Bombacci finì a Salò con Mussolini…”

          http://www.ilgiornale.it/news/gramsci-mussolinianoil-leader-dei-comunistiera-vicino.html

        • João. diz:

          Ok, então, ‘bora lá laborar em cima do cenário em que Jerónimo de Sousa e o PCP andam a encontrar-se com Mussolini. Isto vai ajudar à brava a comprendeer o que fazer dada a crise que vivemos.

          E já agora que trabalhadores independentes dos comunistas é que não foram o suporte do surgimento do fascismo e do nazismo? Ou você pensa que eles chegaram onde chegaram sem que os trabalhadores os tivessem preferido a eles em vez dos comunistas?

          • João Valente Aguiar diz:

            o comentário não fala no pcp mas de episódios internacionais dos anos 20 e 30 explicitamente escolhidos por reportarem à época histórica do Robert Michels mencionado por um anterior comentário. e são episódios que, dada a sua frequência, deveriam fazer reflectir todos os que se filiam na área do comunismo. o resto é pura invenção sua.

  12. Américo Gonçalves diz:

    Deixem-me concentrar no ponto 2: Encontro-me nos antípodas desse ponto de vista, típico das Vanguardas , que hão-de nos levar ao Paraíso, nem que tenham de nos matar a todos. É precisamente o Povo que está a EDUCAR os Partidos, e não o contrário. Ver um milhão na rua, tantos deles pela primeiríssima vez, a gritar “Gatunos”, só pode ter uma resposta por parte das “élites pensantes”: Calar-se e tomar notas. Ouvir e Entender. Quem dentre o sistema partidário o souber fazer, e dizer em voz alta o que todos estão a pensar, não está a “enquadrar” coisa nenhuma, está sim a enquadrar-se na Realidade. O Povo está-se nas tintas para intelectualismos que mais não são que confusões entre “Conhecimento” e “Entendimento”. As Ideologias são respostas a problemas concrectos, e não Ideais Abstractos. E já agora, mesmo esta discussão toda lembra-me imenso os diletantes que Eça tanto causticava.

  13. Vulto diz:

    Nesta série de comentários vê-se bem a histórica incapacidade dos leninistas para entender as posições expressas neste texto. Não as entendem e por isso não as conseguem rebater.

    Também de notar a necessidade absoluta de engavetar as ideias e a sua discussão. É a gaveta do populismo, é a do fascismo, é a do marxismo, é a do anarquismo, é a do antinacionalismo, enfim.

    E já agora, afinal a manifestação é da CGTP ou é “todos nós”?

    • João. diz:

      Você fala, e no que fala, mostra claramente que nunca leu o programa do PCP. Por isso é que o seu discurso contra os comunistas é vazio. Se não fosse vazio você poderia ser capaz de fazer aqui uma apresentação mínima sobre o que discorda em concreto em relação ao programa dos comunistas. Se ler o seu próprio comentário verá que nada consta senão um opinanço oco. Talvez para a próxima vez você já possa ser mais concreto, já possa realmente contribuir, ainda que com a crítica e o desacordo, para o avanço concreto de uma nova direcção para a nossa organização política e económica.

      • Vulto diz:

        Ó João, isso foi o que eu disse dos comentários dos leninistas aí acima.

        Portanto, temos um artigo com argumentação e documentado, a tal “apresentação mínima” que me exiges, que é respondido com “opinanço oco” e todo o tipo de distracções e não-argumentos. Não queiras agora virar o bico ao prego.

        Comenta o artigo João, reflete sobre ele, argumenta. Deixa lá o programa do PCP que não é o que está em discussão.

        A resposta “chapa cinco” a qualquer crítica que se vos faz é a de anti-comunismo. Mesmo quando a crítica vem de comunistas não leninistas. Isso não é debater.

        • João. diz:

          Você assemelha fascismo com marxismo, portanto, desde logo, está no mesmo ponto de partida do pensamento de direita – sendo que a direita, claro, o faz para deixar um campo livre para o fascismo.

    • Rocha diz:

      É bem verdade Vulto, é a famosa incapacidade dos leninistas. E depois andamos para aqui cheios de gavetas.

      Quando a única gaveta necessária é a gaveta com que o autor do texto procura a todo o custo convencer os trabalhadores a odiar e afastar-se do PCP e da CGTP.

      Esta gaveta que se me permites (engavetar mais um pouco) também vi na esquerda pseudo-radical a seguir ao 25 de Abril de 74.

      Esta é uma gaveta pródiga em originar grandes “Vultos” da intelectualidade e do proletariado como Durão Barroso, Pacheco Pereira, Jorge Coelho, os magníficos soaristas Vítor Ramalho e Ana Gomes, o José Lamego das Arábias, Heduíno Gomes esse antigo camarada do grande Xico Martins Rodrigues.

      • João Valente Aguiar diz:

        Vital Moreira, Zita Seabra ou Barros Moura eram de onde?? como citar só o que interessa leva a esquecimentos… se o teu raciocínio fosse levado ao extremo então das duas uma. ou todos os que saem do pcp e da extrema-esquerda e se alistam em partidos burgueses é resultado da sua exclusiva responsabilidade ou é da responsabilidade do pcp e da extrema-esquerda…

        • Rocha diz:

          Não queres comparar esses bajuladores de banalidades como Vital, Zita e Barros Moura com gente da craveira de Durão, Pacheco e Jorge Coelho pois não?

          Uns dão vivas à exploração capitalista. outros dirigem-na.

          Mas eu percebo o teu raciocínio. Normalmente eu descubro estas pessoas pelo cheiro. Podes lhe chamar intuitivo.

          • João Valente Aguiar diz:

            o Pacheco Pereira é um “intelectual orgânico” da burguesia… a Zita é ou foi directora de uma importante casa editorial com milhares de funcionários… mas o Pina Moura (escrevi Barros Moura mas queria referir-me a este) foi e é um importantíssimo gestor em diversas empresas e no estado… quanto à última frase, só me apraz dizer que o olfacto é revolucionário…

  14. miguel serras pereira diz:

    João,
    O que se passa é que o texto que citas – e que eu também destaquei e comentei no Vias de Facto – põe a questão de como organizar as lutas e a acção política em geral de maneira a evitar que os chefes e patrões contra os quais nos revoltamos reapareçam – ou sejam reproduzidos – nas nossas fileiras, reciclando a dominação classista sob novas formas. Neste momento, poucas questões deviam interessar mais os que se reclamam de “uma terra sem amos” e declaram agir em vista de criar as suas condições. Mas é natural que aqueles que vêem ameaçado por esta discussão o seu poder de governar sobre os outros – ou as suas ambições de pastores dos outros reduzidos a rebanho – fujam dela, recorrendo a insultos, processos de intenções ou outros subterfúgios, tentando evitar que “a funesta mania de pensar” abra caminho na cabeça dos governados ou dirigidos, e estes se ponham colectivamente a pensar por conta própria, superando essa “menoridade culpada” em que os mantém a subordinação aos legítimos superiores – e à ideia da “superioridade legítima” e da necessidade de uma direcção hierárquica.

    Abraço

    miguel

    • João Valente Aguiar diz:

      «A questão de como organizar as lutas e a acção política em geral de maneira a evitar que os chefes e patrões contra os quais nos revoltamos reapareçam – ou sejam reproduzidos – nas nossas fileiras, reciclando a dominação classista sob novas formas. Neste momento, poucas questões deviam interessar mais os que se reclamam de “uma terra sem amos” e declaram agir em vista de criar as suas condições».

      Precisamente! isso é que importa refletir e foi nesse sentido que divulguei aquele texto. ainda apareceram uns comentarios a criticar a oportunidade da divulgação do mesmo. mas o debate sobre as lutas deve ser feito exactamente quando elas ocorrem… ou se calhar há quem prefira que elas ocorram e só se venha a pensar e debater sobre elas daqui a 80 anos voltando tudo à estaca zero…

      abraço

      • João. diz:

        A questão é que o sistema político está organizado de modo a favorecer o arco da governação. Em último caso, se necessário, PS e PSD coligam-se. Portanto vocês têm um sistema que impede o acesso à decisão política de grupos de independentes – a não ser que criem um novo partido político mas aí, neste caso, como fica a vossa conversa que critica todos os partidos por igual, que são organizações que querem mandar nas pessoas, serem pastores, etc e tal?
        Vocês dizem que querem reflectir mas parece que sequer começaram a abordar os temas decisivos. O que é que vocês visam, o que querem? Seria a pergunta que vos deixaria. Ao que juntaria, que estratégia têm vocês para tentar concretizar os vossos objectivos – se os tiverem?

  15. Manuel Z diz:

    Caro João Valente Aguiar.
    Defende portanto que:
    «A questão de como organizar as lutas e a acção política em geral de maneira a evitar que os chefes e patrões contra os quais nos revoltamos reapareçam – ou sejam reproduzidos – nas nossas fileiras, reciclando a dominação classista sob novas formas. Neste momento, poucas questões deviam interessar mais os que se reclamam de “uma terra sem amos” e declaram agir em vista de criar as suas condições»

    Concordo que é uma questão relevante. Mas garanto-lhe que é extemporânea. Uma questão mais importante e urgente é como quebrar as actuais amarras que nos colocam os actuais patrões. A casa está a arder mas o João está preocupado com os futuros terremotos. Olhe que primeiro apaga-se o fogo. Sem isso não há casa para resistir aos terremotos que poderão vir mais tarde.

    A resposta à questão mais relevante é: luta politica e social organizada por estruturas sindicais (luta social) e partidárias (luta política) com uma clara opção de classe. Essas estruturas (imperfeitas), para que funcionem, têm inevitavelmente de ter uma hierarquia.
    Há riscos inerentes à hierarquização? Claro que sim, mas viver é um risco.

    Outros dizem preferir “movimentos sociais, com a sua organização fluida e desestruturada” e usam a história como suposta prova dos vícios dos partidos. Não acredito na sinceridade destes “outros”.
    Se de facto conhecem algo de história sabem que, apesar de todos os seus “vícios”, foram os partidos estruturados da classe trabalhadora que, liderando-a, fizeram o seu progresso. Muitos se abastardaram, é um facto, mas jamais voltamos “à estaca zero”. O saldo foi sempre positivo.
    Já os “movimentos sociais desestruturados” têm um saldo nulo (ou negativo). Primeiro, jamais são o que defendem ser. Têm sempre uma estrutura e hierarquia, muitas vezes férrea. Só que, como não é assumida, não pode ser discutida, corrigida ou aperfeiçoada. Por fim, toda a sua pureza organizacional condu-los, invariavelmente a “gloriosas catástrofes” ou aos braços da demagogia direitista.

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