Emma Goldman

A 27 de Setembro de 1895 o estado da Holanda emitiu um mandato de captura para Emma Goldman, a pedido dos EUA, acusada de ter participado no atentado ao industrial Henry Frick.

Paris, 1926

Paris, 1926

“Em setembro de 1901, aos 32 anos, Emma Goldman voltaria a ser presa, acusada de incitar o assassinato do presidente Mc Kinley, baleado por Leon Czolgosz, um anarquista desempregado. Em maio, meses antes do crime, o responsável confesso pelo disparo ouvira uma das preleções de Goldman em Cleveland. Apesar de Leon afirmar que agira sozinho, a polícia assumiu a tese de uma conspiração anarquista. Embora Leon fosse norte-americano de nascimento, disseminou-se novamente a perseguição a estrangeiros anarquistas. Reuniões foram proibidas, editoras de jornais anarquistas atacadas e membros do Congresso chegaram inclusive a cogitar a deportação de todos os anarquistas estrangeiros e mesmo o banimento dos norte-americanos. A perseguição aos estrangeiros e ao anarquismo recebeu moldura legal com a aprovação do Aliens Act,24 de 1903, que criminalizava toda doutrina que advogava a derrubada de um governo organizado pela força.

Goldman acabaria inocentada, mas o caso dividiu a esquerda americana. Os socialistas se afastaram dos anarquistas e, entre os próprios anarquistas, a proposição de Kropotkin por ação coletiva e não violenta como forma de resistir ao Estado passou a ser preferida em relação à violência revolucionaria pregada por Bakunin.25 Embora já tivesse revisto sua posição sobre o assunto, em parte em função do seu sofrimento e culpa pela inútil prisão de Berkman, Goldman discordava da posição de muitos da esquerda de abandonar Leon. Defendia não confundir a condenação do assassinato com a defesa do assassino, para ela, vítima da violência do próprio sistema, que teria provocado seu desequilíbrio mental.

Tentando coletar fundos para sua defesa, diria ela: É a violência organizada no topo que cria a violência individual na base. É a indignação acumulada contra o mal organizado, o crime organizado, a injustiça organizada que leva o individuo a cometer o crime político. Condená-lo simplesmente significa fechar os olhos para os fatores que o constituíram. Eu não posso fazer, eu não tenho direito de fazê-lo, tanto quanto um médico não pode condenar um paciente pela sua doença. Você e eu e todos nós que nos mantemos indiferentes aos crimes da pobreza, da guerra, da degradação humana, somos igualmente responsáveis pelo ato cometido pelo criminoso político”.

Artigo completo da auotia da historiadora Cecilia Azevedo aqui

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