FELICIDADE POLITICA E UNIDADE


“Os debates inevitáveis,necessários, indispensáveis,entre as várias correntes representativas das classes e camadas antimonopolistas devem servir para aferir das razões e argumentos válidos, para rectificar posições, para aproximar pontos de vista, para delimitar em plena consciência o âmbito e os objectivos do movimento unitário,para acertar em bases concretas e claras quaisquer plataformas politicas e tácticas de acção comum presente e futura. Debater problemas deve ser um caminho para unir e não para separar.Àlvaro Cunhal

Tenho que começar este post por dizer que estou, se assim se pode dizer apesar de não ser expressão corriqueira, politicamente muito feliz.

Estou politicamente feliz com duas coisas. Em primeiro lugar, estou feliz com o resultado da Manif de dia 15, não apenas pela expressão numérica que esta teve, mas mais que nada, porque ao contrário de manifs “inorgânicas” [não gosto mesmo nada desta classificação, mas é a que há] anteriores esta revelou, na minha opinião, já não só uma pura contestação desalgarviada, um grito para aliviar, uma ida à casa de banho de forma colectiva, mas pautou-se, no essencial, por uma elevação do grau de consciência dos portugueses. Já não são os politicos, mas o governo ou aqueles politicos; já não são os sindicatos, mas os sindicatos amarelados; já não é a Troika tem de ser, mas Troika vai-te embora. Mas acima de tudo, é a consciencialização da esmagadora maioria das massas populares da essência do capitalismo e a sua contestação, não com estas palavras exactas, mas o que uma esmagadora maioria quiz fazer ver é que era inadmissivel a transferência do rendimento dos trabalhadores para os patrões. E na sua essência, este grito é todo um programa.

Em segundo lugar, estou muito feliz politicamente porque este é um verdadeiro momento de unidade. Quem tenha estado na rua no dia 15, quem tenha tido oportunidade de se juntar a outras concentrações que foram, maiores ou menores, sendo feitas por este país vêm apenas uma coisa: o apelo à luta,  o apelo à unidade na luta, o apelo à participação na manifestação organizada pela CGTP no dia 29. De forma quase caricata, assisti na passada 6ª feira, numa espécie de tribuna aberta, a anarquistas e libertários, esquerdistas radicais  e espécies semelhantes, mas também activistas, curiosos e pessoas sem um perfilamento ideológico definido, todos sem excepção, a salientarem a importância de participarem, de mobilizarem na grande Manif da CGTP.

apontamento gráfico funcionalmente adaptado a este texto

A minha alegria com o meu Povo nem sequer é minimamente beliscada pelas patetas tentativas de travar o processo de luta que parecem emergir da própria esquerda. Fiéis à pior tradição sectária e ultra-ortodoxa, o colectivo Rubra, como foi aqui visto, de forma dissimulada tentou fazer um apelo a umas micro-manifs locais, um apelo sem convocante, sem destinatário concreto, sem dinamização, como se fosse uma espécie de apontamento gráfico destinado apenas a descansar a vista da mancha de texto, um pouco à semelhança da imagem que insiro neste texto.

Mas também por isso estou feliz politicamente, porque o acto falhado da Raquel que projecta nos receios do Bruno o seu desejo (a contagem de cabeças)  é unica e exclusivamente uma preocupação dela e de um ou outro jornalista tonto. Com grande agrado participei na ultima semana numa reunião partidária do meu sector e digo aqui o que lá disse: “Visceralmente um gajo até pode ficar um bocado fodido porque a malta anda meses a contactar gente, a dinamizar acções, a mobilizar, a informar, a preparar documentos e estes caramelos põem umas postas no facebook e conseguem uma mobilização do caraças. Mas não, esta caricatura não é séria, devemo-nos alegrar e rejubilar porque tanta gente foi para a rua, elevou o seu grau de consciência, muitos só lá foram grita, mas muitos, mesmo muitos foram ganhos para a luta no dia 15 e isso é o que importa.”

Deixo para terminar uma outra citação de Àlvaro Cunhal, que como a que inicia este texto, são portadoras de um grau de contemporaneidade e pertinência impar:

“Unidade antifascista não é nem pode ser fusão, nem submissão. Pela variedade dos sectores antifascistas, o próprio estabelecimento da unidade exige diálogo, discussão, debate, por vezes polémica. Há coincidência de interesses fundamentais imediatos. Há diferenças de objectivos, de apreciação dos factos, de métodos de acção, de táctica, que levam ao choque de opiniões em qualquer movimento ou organização de unidade.

Discussão, critica, confronto de ideias, luta ideológica é porém uma coisa. Acção divisionista é outra. A luta ideológica do Partido não prejudica, antes é uma base essencial para a unidade. Para outros, a luta de ideias é argumento ou pretexto para a divisão. O Partido associa a luta ideológica à politica da unidade. Outros querem silenciar a luta ideológica e defendem a divisão. O Partido fundamenta em principios a defesa da unidade. Outros fundamentam a acção divisionista na falta de principios.[…] Damos grande valor aos acordos e à unidade com os grupos e sectores democráticos apesar das suas debilidades orgânicas e das suas hesitações politicas. Embora não estruturados é indubitável que influenciam directa ou indirectamente sectores que o PCP não toca. Trata-se sem duvida de uma tarefa complexa que exige grande persistência e formas de enlace, organização e acção que tenham em conta a natureza e as caracteristicas desses grupos e sectores democráticos.

Por isso e porque o que é mesmo importante é que este governo caia e a Troika se ponha a andar, dia 29 vamos encher todos juntos o Terreiro do Paço. Vamos fazer a luta!

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19 respostas a FELICIDADE POLITICA E UNIDADE

  1. Argala diz:

    Sem querer entrar nessa discussão patética sobre quem é o Presidente da Junta – porque me parece óbvio que se está marcada uma manifestação pela maior central sindical, devemo-nos juntar aí -, mas todo esse cunhalismo e a respectiva exegese metem medo. Os “sectores anti-monopolistas”, os “sectores democráticos” e a unidade “antifascista” de classes.. medo!!
    Quanto à questão da unidade e do divisionismo:

    1. É óbvio que depende do tamanho do guarda-chuva. Isso é apenas uma opção táctica. Se eu quisesse levar esse raciocínio mais longe, poderia estar aqui a defender a unidade com os sectores da burguesia e pequena-burguesia que dependem do consumo interno, contra quem age o actual governo alicerçado noutras esferas de poder. Ganhava uma pujança enorme no curto-prazo, mas acabaria por comprometer toda a estratégia no longo-prazo. Depois, aqueles que não aceitassem a unidade nestes termos, seriam chamados de divisionistas. Só isso.

    2. Dizer assim, tout court, que todo o debate serve para unir é apenas um chavão pateta. Várias organizações, em nome da unidade, já deitaram o marxismo-leninismo e a revolução para o caixote do lixo.

    Mas sublinho. Nada disto tem a ver com a manifestação. Foi só uma achega. É óbvio que devem estar lá todos os trabalhadores.. embora seja só uma manifestação, sempre é melhor que nada.

    • Bruno Carvalho diz:

      Usar o nome do Argala, um dos grandes marxistas-leninistas bascos, para vir atacar o marxismo-leninismo é simplesmente ridículo.

      • Argala diz:

        Bruno Carvalho,

        Convém é que expliques porquê. É que para mim é precisamente o oposto. Onde é que o marxismo-leninismo está a ser atacado?
        Parece-me que Argala, marxista-leninista de primeiríssima água, nunca defenderia abominações como o “levantamento nacional”, nem a unidade com sectores da burguesia liberal para uma “revolução democrática” (burguesa, claro). Não a defendeu nem com a tarefa acrescida da libertação nacional, quanto mais sem ela.
        E o cunhalismo que é aqui regurgitado para todo o tipo de analogias – e não apenas pelo Rafael Fortes, já li citações em forma de palmatória para os camaradas gregos (curiosamente também sobre sectarismo) -, é apenas a repetição parola de ideias que a experiência já mostrou que só levam a ruas sem saída. A achega era só sobre isso, mais nada.

        • Pedro Pinto diz:

          Diga-me lá quantas revoluções se fizeram com o proletariado isolado das restantes forças sociais que, para uma determinada fase ou etapa do processo revolucionário – seriam aliados lógicos? Essa do purismo operário não leva a lado nenhum, só fica bem nos livros.
          É certo que há sectores que serão sempre aliados instáveis e de curto prazo. Seja: aliemo-nos a eles para uma fase e deixemo-los da mão na outra. Qual a dúvida?

          • Argala diz:

            Pedro Pinto,

            Eu não rejeito que em determinadas situações se possa derrotar um inimigo de cada vez através das alianças. Nem rejeito as etapas, como já expliquei. Não sou nenhum anarquista, não me passem esse atestado.

            Mas essa lógica só é válida quando aquilo que acrescentas ao processo, é muito superior àquilo que vais alienar. Porquê? Porque obviamente não podes ter alianças com a pequena-burguesia com um programa revolucionário, socialista, de expropriação. Tens que baixar para um denominador mais simpático como a bela da economia-tosta-mista, no quadro da lei, que nacionaliza apenas os monopólios e etc.

            O problemas é que fazer isto deixa marcas. Marcas profundas no partido, nos militantes, nos trabalhadores e abre portas a todo o tipo de oportunismos e capitulações. Ou seja, há aqui dois pratos na balança. Há que experimentar ver quanto peso está neste segundo prato?

            A minha ideia é simples. No quadro actual de crise do capitalismo e polarização das classes sociais, o que é que nós ganhamos com essas alianças interclassistas e programas reformistas? Pouco ou quase nada, como aliás a realidade demonstra. A classe dos pequenos proprietários está-se a proletarizar, e a nossa função não é desmonopolizar o capitalismo e fazê-lo regressar a um estádio mais atrasado de desenvolvimento!! Também não é esperar que ele caia de maduro. A nossa função é derrotá-lo e expurgá-lo definitivamente da face da terra. E com essa táctica de actuação, não vamos lá. Só destruímos partidos atrás de partidos, alienamos os nossos militantes. Os nossos militantes hoje são uma sombra pequenina daquilo que foram os nossos pais e avós. Isto não pode continuar.

            Cumprimentos

        • Rafael Fortes diz:

          porra…a revolução é já, agora e sem etapas nem aliados segundo os objectivos. é melhor que relia o lenine, “argala”…

          • Argala diz:

            Rafael Fortes,

            O problema não são as etapas. O problema é quando um bando de gestores e apparatchiks se apodera dos partidos do proletariado e começa a inventar etapas e etapinhas dentro de etapas, para não terem que assumir as suas responsabilidades históricas, recusando as únicas formas de luta capazes de emancipar o mundo do trabalho e repousando as consciências no conforto institucional.
            Primeiro foi a “revolução democrática”, agora vem a “democracia avançada”, se calhar a seguir vem a “democracia avançadíssima”, beca beca, pardais ao ninho.
            Argala também podia ter optado pelo oportunismo e pelo conforto de uma aliança interclassista e institucional com os chauvinistas do PNV. Podia como muitos de vocês fazem, alegar a necessidade dessa unidade para a libertação nacional, e deixar o socialismo para quando as galinhas tiverem dentes. Enquanto teve influência, Argala não o fez, e pagou com a vida essa decisão. É por isso que uso o nome dele.

    • Vasco diz:

      Que tanto o assusta expressões – para mais rigorosas – como “sectores anti-monopolistas”, “sectores democráticos” ou unidade antifascista? Só quem não está a perceber nada do que se passa à sua volta é que pode negar que em Portugal estamos perante um processo brutal de transferência acelerada da riqueza criada pelo trabalho para os cofres do grande capital, nacional ou estrangeiro: quer pela TSU como pelas privatizações ou sobretudo pelas alterações às leis laborais. Daí ser evidente que a solução só pode ser a união das camadas antimonopolistas da sociedade – trabalhadores, camponeses, MPME – e camadas democráticas para romper com a política de direita (sustentada por esses mesmos monopólios) e empreender um novo rumo, que defenda precisamente esses sectores e construído pela sua luta.

      Quanto a ser «só» uma manifestação, é igualmente disparatado. As manifestações sindicais – que se integram na tal «luta organizada» de que falamos – servem para mostrar descontentamento, mas também para reforçar o movimento sindical, ficando assim mais capaz de continuar e intensificar a luta. Daí a vantagem que vejo na luta organizada: não só mostra o que vai na alma dos trabalhadores e do povo como, neste caso, resulta das lutas anteriormente travadas e dá consistência às lutas futuras!

  2. Rumor diz:

    Caro senhor Rafael Fortes,
    fico muito feliz por vê-lo feliz. Vai sendo raro hoje em dia andar uma pessoa pelo metro ou pela net e dar de caras com um sorriso de felicidade. E sendo a paisagem urbana feita de pessoas e não bananeiras, é essa ausência de sorrisos uma limitação muito inestética. Agradeço-lhe, portanto, a sua felicidade.
    Há, no entanto, uma coisa que já me está a incomodar um bocadinho na correnteza de artigos que vem sendo publicada neste blog (que aliás frequento raramente e apenas quando necessário, por gostar mais de frequentar a política do que as peixarias) – e é ela a afirmação reiterada de que certos grupos (aos quais estou ligado ou faço parte) comem criancinhas ao pequeno-almoço – perdão, são o diabo divisionista. Esta acusação é-me feita (por atacado) sob a forma de julgamento de intenções e consciências. Não se baseia em nenhum facto concreto, mas apenas na presunção de culpa de consciência.
    Não conheço o senhor de lado nenhum nem nunca o vi mais gordo e tenho a certeza de que o senhor não me conhece de lado algum – o que ainda mais vem agravar a incorrecção do seu comportamento. É este talvez o momento de dizer que tenho 60 anos – portanto já passei por bastantes situações e regimes policiais – e que ver-me sujeito a julgamentos de consciência e presunções de intenção é uma coisa que me traz de volta ao nariz o intolerável cheiro de um remoto passado pidesco que eu não imaginava pudesse renascer precisamente nas páginas deste blog.
    Às referidas presunções etéreas e bentas tenho a contrapor o facto concreto de publicar nos meus sites as convocatórias de todas as manifestações unitárias e movimentos de trabalhadores e em todas estar presente se não tiver impedimento – coisa de que eu tenho a certeza pouca gente aí nesse blog se pode gabar -, e naquelas em que tomei parte na iniciativa da convocatória não andar a dar com paus de bandeira na cabeça de quem não pertence ao meu clube nem os denunciar à polícia.
    Agradeço portanto que o senhor, que pelo andar da carruagem nem posso já tratar de camarada nem espero vir a ter o infeliz passo de conhecer, pare de pôr na minha boca e na minha consciência palavras que não foram ditas, intenções que não lhe dizem respeito nem foram jamais consumadas em actos – até porque eu também tenho boca e tinta para me pronunciar se for caso disso, não necessito que o faça o senhor por mim.

    • Rafael Fortes diz:

      Baseio-me em factos concretos para fazer a acusação que me tardou em sair. Veja os posts da Raquel Varela e as denuncias feitas nomeadamente pelo Bruno, pelo Tiago e pelo Nuno e julgue da sua razão. Apenas acuso o Rubra e o seu colectivo porque no 5 dias os seus membros o assumiram como sendo uma poisção colectiva. Se ler bem o post, todas as restantes forças e tendencias da esquerda são elogiadas. Cumprimentos.

  3. Renato Teixeira diz:

    “Por isso e porque o que é mesmo importante é que este governo caia e a Troika se ponha a andar, dia 29 vamos encher todos juntos o Terreiro do Paço. Vamos fazer a luta!”

    É curioso que o teu texto dedique tão pouco tempo a uma causa tão nobre.

    • RS diz:

      Achas Renato? A mim parece-me que o texto é todo ele sobre a necessidade de dar a 29/9 uma força imensa.

    • Rafael Fortes diz:

      Renato, o texto é um elogio à unidade que senti com excepção daquela coisa estranha da Rubra. Eu acho que tu próprio não te sentes confortável com isso…

  4. Nuno Cardoso da Silva diz:

    O problema é vocês quererem manifestações programáticas, manifestações para “fazer” coisas, quando as grandes manifestações são manifestações de indignação, para “desfazer” coisas. Não haverá nunca uma grande manifestação a apoiar o programa do PCP ou as reivindicações da CGTP. Mas há grandes manifestações para travar a subida da TSU para os trabalhadores, e a transferência de dinheiro dos mais pobres para os mais ricos. E poderá haver grandes manifestações para que se desmantelem as PPP, ou para que se recuse a sangria de meios que o pagamento de juros da dívida pública implica. Pode haver uma grande manifestação para derrubar o governo, não haverá nenhuma para o substituir por um qualquer governo específico. Os partidos políticos e as centrais sindicais não conseguem fazer grandes manifestações – a não ser que seja para “desfazer” coisas que toda a gente quer desfeitas – porque o povo bem sabe que o objectivo real dessas manifestações não é o bem comum, mas o bem próprio dessas organizações.

    É a vida…

    • Rafael Fortes diz:

      “Os partidos políticos e as centrais sindicais não conseguem fazer grandes manifestações”…pois as que eu tenho visto organizadas pela CGTP devem ser realizadas com robots…

  5. A minha única ligação à Rubra é o facto de ser assinante, e com a Raquel Varela troquei duas frases em público e uns poucos mais de e-mails.
    Não partilho da forma como pessoas ligadas à Rubra fazem a sua crítica de esquerda ao PCP, ao BE è CGTP.
    Daí a insultá-los ou apelidá-los de divisionistas ou reaccionários encapotados vai um passo de gigante. Neste caso concreto, conviria que nem Álvaro Cunhal foi Maomé, nem os seus escritos são o Alcorão, nem a esquerda portuguesa é um conjunto de talibans fanáticos.
    No que me toca, sinto-me profundamente repugnado sempre que vejo insultos e acusações públicas infundadas entre pessoas e organizações que, como eu, são da esquerda anti-capitalista. Defendendo sempre o direito à crítica e ao desacordo, porque quando esse direito desaparece entramos nos stalinismos e revoluções culturais de triste memória.
    Para concluir, excelente texto do Rafael, se não incluísse aquele parágrafo ao lado da foto. Esta é a minha opinião e a minha razão, não é A opinião nem A razão óbvias. Porque essas ninguém as tem, embora muitos as julguem vestir. Como o tal rei, que afinal ia nu.

    PS – Sobre a substância do debate, não está escrito nas estrelas que as manifs devem ser centralizadas em Lisboa nem, pelo contrário, descentralizadas pelo país. Diz a minha experiência de provinciano que, quando há força, devem existir manifestações descentralizadas, porque o impacto sobre as pessoas é multiplicado ao verem na TV a manif de Lisboa, mas também terem oportunidade de verem que na sua terra há quem proteste. E as manifs descentralizadas não são necessariamente micro, isso é uma ideia um pouco sulista e elitista.

    • Rocha diz:

      Caro João,

      Então vale a pena convocar manifestações descentralizadas sem nenhuma organização, – nem do tipo da organização do 15 de Setembro muito espontânea – sem nenhuma dinamização e sem contacto nenhum com pessoas locais?

      Por muita boa vontade que tenha, não posso deixar de suspeitar de uma publicação de um cartaz destes nestas circunstâncias. Logo em simultâneo com a manif da CGTP. Centralizada com muito esforço da parte da CGTP – que nunca como hoje vi disponibilizar camionetas a toda a gente que quiser participar (muito além de sindicalizados e camaradas como era costume).

      Pergunto: como é possível fazer um cartaz no que parece ser um apelo a manifs descentralizadas e depois não fazer qualquer dinamização, qualquer contacto com assembleias locais ou simples cidadãos, sem assumir que se trata de uma manifestação de uma organização, seja essa organização um colectivo político como a Rubra ou um grupo de cidadãos como o 15 de Setembro? Afinal apela-se a manifs descentralizadas e nem se assume alguém como organização nem se trabalha para ela?

      E depois destas coisas tão estranhas, repito justo marcadas para o dia da manif da CGTP, ainda se vitimiza quem publicou este cartaz e que não responde por ele com um esclarecimento cabal do seu objectivo e intenções?

      Sinceramente parece-me mais vítima a CGTP neste caso. A CGTP que já cometeu erros, ou que os seus filiados já cometeram erros. Mas no caso sempre relembrado dos precários inflexíveis, teve a sensatez de pedir desculpa. Ficaria bem à Rubra aqui também ser capaz de rectificar.

      Não está em aqui em causa as vantagens de manifestações locais. Está em causa uma espécie de convocatória feita apenas de um cartaz que nem se assume como paralelo à da CGTP, nem se assume como manifestação propriamente visto não estar realmente ninguém a trabalhar para ela e a sequer assumi-la. Dito isto da suspeita de divisionismo (e não outras acusações que por vitimização se falou) não se livra a Rubra enquanto não esclarecer e rectificar.

      • Caro Rocha
        Não, é a resposta à sua primeira questão. Quanto ao resto não me parece que tenha sido mais do que uma infelicidade ilustrar o texto com uma imagem que poderia semear a confusão.
        Como não sou autor do post nem colaborador do blog nada mais posso acrescentar porque apenas conheço os textos publicados pela Rubra, sem deixarem margem para dúvidas de que a convocatória é para Lisboa.
        O que não me parece útil é – em particular neste momento de agudização das lutas – estar a deitar mais lenha na fogueira. Isso só nos enfraquece a todos.

  6. artur. diz:

    Bem… estas atitudes e postas de pescada dos esquerdelhos são intencionais ou são mesmo burrice? Muito provavelmenta as duas coisas, mas o que é certo é que sempre fizeram o jeito à direita e isso ninguem o pode negar porque é a história (verdadeira) que o diz!!!

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