Esqueceram-se de lhe dizer que o Adriano Moreira já não é ministro…

Hoje, à entrada de uma homenagem a Adriano Moreira, um homem pertencente à segurança do primeiro-ministro Pedro Passos Coelho e que declara ser polícia obrigou a sair das instalações do ISCSP, para identificação, um aluno que vaiou o seu patrão, enquanto ameaçava os cameramen, dizendo “Tu não me filmas a cara!”. (imagens aqui)

Já que ninguém explicou ao tal homem (nem aparentemente a Pedro Passos Coelho, ou teria intervido) que ele era um acompanhante (tolerado) de um convidado numa instituição e espaço protegido pela autonomia universitária, e já que o tal guarda-costas não foi expulso das instalações pelo director do Instituto nem por nenhum dos professores, torna-se necessário dizer o seguinte:

Enquanto professor universitário e membro da academia com que a UTL se irá fundir, apelo e reclamo ao Magnífico Reitor da Universidade Técnica de Lisboa, Prof. Doutor António Cruz Serra, que honre o título que ostenta, exigindo de Pedro Passos Coelho um pedido de desculpas público pelo inaceitável comportamento do seu staff e a adequada punição do prevericador.

Afinal, embora se tratasse de uma homenagem a um homem que, para além de académico, foi um ministro fulcral de Salazar, já não é nesse regime que nos encontramos.
E, mesmo nele, o futuro presidente do conselho Marcelo Caetano se sentiu na necessidade de se demitir de reitor da Universidade de Lisboa,  após cargas policiais dentro das suas instalações.

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23 respostas a Esqueceram-se de lhe dizer que o Adriano Moreira já não é ministro…

  1. Mário Machaqueiro diz:

    Falta acrescentar que a TVI, obedientemente, ocultou a face do energúmeno, mas não a do estudante. É nestas assimetrias das relações de poder, e na correlativa subserviência da comunicação social (mesmo quando parece que está a denunciar um abuso), que podemos apreender o “estado da coisa”.

    • paulogranjo diz:

      Tem toda a razão.
      Tanto mais que não existe base legal que os obrigue a isso.
      Só mesmo o medo e subserviência.

      • Pedro diz:

        Claro que existe base legal. Qualquer cidadão que expressamente manifesta a sua vontade a não ser identificado tem o direito de o fazer.
        Apesar do segurança em causa o ter feito de forma animalesca, o direito a não ser identificado numa filmagem é óbvio.

    • Pedro Pizarro diz:

      Publiquem as fotos do “valentão”….
      Inundem as redes sociais com as fotos do dito para que ele veja a figurinha que fez.
      Estão à espera de quê? Criticam a sua actuação mas não o expõem de cara destapada à opinião pública…
      Haja coragem !!!

  2. joão dias diz:

    não é para admirar a atitude este gorila, porque tal como o patrão lhe faltam as boas maneiras e a educação.

  3. Antónimo diz:

    espero que o faça por mail, tb. dizê-lo só aqui é pouco.

  4. kur diz:

    E,não se pode processar o dito cujo mais a sua corporação?Ah!é q eu julgava q isto fosse um estado de direito!

    • paulogranjo diz:

      Pode.
      As próprias vitimas e (no caso do aluno) a reitoria ou a direcção da faculdade e (no caso do cameraman agredido) a sua entidade empregadra e o Sindicato dos Jornalistas.

  5. Dezperado diz:

    Um segurança privado do PM (seja ele do PSD, do PS, do BE ou PCP) tem todo o direito em proibir que o filmem, identificando-o desta forma.

    E já agora…se eu amanha me lembrar de ir a uma universidade e começar a chamar filho da p*** a um ex professor só porque na altura não gostava dele, segundo este post, estou no meu direito de cidadão certo? Estou dentro da democracia e liberdade de expressão certo?

    • paulogranjo diz:

      O direito à imagem, de que gozam todos os cidadãos, não se aplica a situações públicas como esta.
      Um membro da equipe de segurança de um PM não tem nenhuma prerrogativa legal que lhe permita exigir não ser filmado, no desempenho público das suas funções. Fazê-lo é um crime de abuso de poder e atentatório da liberdade de informação e das leis que a regulam.

      Também não pode agredir um jornalista, ou destruir o equipamento de outro, porque estão a filmar a sua actuação. São crimes de agressão e de vandalismo.
      Tão pouco pode ameaçar alunos, dentro de uma universidade. Tudo o que pode fazer é intervir contra ameaças à integridade física da pessoa que protege.

      Se você não for membro de uma Universidade, em rigor só lá pode entrar por convite. Se lá dentro tiver um comportamento que seja considerado inaceitável pelos seus membros, deve ser convidado a sair. Se for considerado necessário chamar a polícia (que só pode entrar chamada), a entrada tem que ser autorizada pelo reitor, ou por alguém em quem essa autoridade tenha sido delegada por ele.
      Se você for membro da universidade (como o são os seus alunos), a sua liberdade de expressão (e respectivos limites) deve ser salvaguardada e auto-regulada pela comunidade académica. Em caso de necessidade de intervenção externa, aplicam-se as regras do parágrafo anterior.

      Nada disto são opiniões. São regras legais da república em que vivemos.

    • notrivia diz:

      E o PM paga ao segurança com que dinheiro?
      Proveniente do erário publico, ou mesmo da troika que só é emprestado com garantias de pagamento público.
      No desempenho das suas funções, não tem direito a esconder a cara, muito menos quando faz merda.

  6. João Carlos Trindade diz:

    Pensava que isso só acontecia no “incivilizado” Terceiro Mundo, ó Paulo Granjo… Não há dúvida, os nossos tiveram bons professores…

  7. Дзержинский da Reboleira diz:

    Esperem aí, é impressão minha ou acabei de ouvir a Daniela Santiago na RTP a queixar-se que a segurança do PM a fechou num sítio qualquer e só a deixou sair depois da dita criatura passar? Isto se não estivesse a roçar o dramático seria ridiculamente cómico!

  8. Manuel Isaac Correia diz:

    Tem toda a razão o Paulo Granjo.
    Como antigo aluno do ISCSP (da velha Junqueira) acho lamentável que o “gorila” não tenha sido expulso.
    São questões de princípio, e são estas anormalidades que provocam as revoluções.
    Para que conste, apoio porque inevitáveis, as políticas do actual Governo, pois não se trata de concordar ou de discordar, trata-se de não existir alternativa viável. Não entro na discussão de pormenor aqui, porque obviamente concordo no particular com uns aspectos e discordo de outros. É que a despesa não diminui e tudo quer manter as prerrogativas que detém, de modo que o caminho tem de ser a drática redução da despesa, não o aumento de imposto.
    40% de funcionários públicos a sair da administração (indemnizados, evidentemente, através de um grande empréstimo do Banco Mundial a amortizar em 10 a 15 anos por afectação de 50% da poupança com essa despesa), e assim teríamos uma injecção de capital na economia, craição de emprego e de empresas, aumento de receitas e redução de despesa.
    O caminho é esse e só pode ser esse, mas o povo não quer, não aceita nem percebe.

    Num Universidade, um gorila fazer o que fez, é um atententado ao Estado de direito, à autonomia universitária, e uma selvajaria inominável.
    As polícias são em regra muito mal formadas, mas compete aos políticos (cada vez menos credíveis) mandá-las.
    Neste caso em concreto, Passos Coelho tem de pedir desculpa`ao ISCSP.
    E o presidente do ISCSP (que não sei quem hoje, mas que no meu tempo é o Senhor Professor Doutor Óscar Soares Barata) já lha devia ter exigido.

    Manuel Isaac Correia

    • Дзержинский da Reboleira diz:

      Ignorando o resto do seu comentario sobre a inevitabilidade da coisa só lhe digo que “é da luta de classes que nascem as revoluções” e não “destas anormalidades”…

      Quanto à saida “per se” de 40 % da FP, bem, já vi o porquê de no ISCSP poucos terem sido os que se dignaram a pensar e a indignar-se com a visita do caudilho… se calhar o pensamento não será muito incentivado por esss bandas…

  9. xico diz:

    Fez muito bem em lembrar o gesto de Marcelo Caetano. Agora era bom que o reitor repetisse o gesto caso Coelho não se desculpasse, e mais, não demitisse o segurança e o seu chefe.
    Fiquei incomodado com a passividade estudantil.

  10. a.martins diz:

    É penoso reconhecer, mas, pelo menos, no Estado Novo conhecia-se o inimigo.
    Nesta democracia de opereta, que definha entre o aridez petulante dos mandantes e a boçalidade cobarde dos seus jagunços, resta-nos pugnar pelo cair do pano, que restitua Portugal aos portugueses.

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