«A culpa é de todos, a culpa não é de ninguém, não é verdade?»

Num comentário a um post aqui no 5Dias, diz um tal José:

«Este poço sem fundo onde o nosso estado e nós, contribuintes, estamos agora é da inteira responsabilidade de todo e qualquer partido político que teve representado no parlamento nestas quase 4 décadas. Como foi dito na manifestação, bloco de esquerda, cds… É tudo a mesma coisa. Gatunos, todos eles.»

Devagar aí com o andor, ò José. De onde saiu você para dizer que todos os partidos são iguais, tanto faz BE como CDS? Quem tem governado o país desde o I Governo Constitucional (1976-78), não sei se o José já era nascido, foram três partidos: PSD, PS e CDS (por esta ordem de tempo de permanência no Governo). São eles que devem ser responsabilizados pelas políticas que têm sido seguidas e pelo estado a que conduziram o País, porque são eles os responsáveis. O BE e o PCP podem, naturalmente, ser criticados, mas não por isso.

Essa conversa de que são todos gatunos faz-me lembrar o «FMI», do Zé Mário Branco, onde a certa altura ele ironizava: «Não há português nenhum que não se sinta culpado de qualquer coisa, não é filho? Todos temos culpas no cartório, foi isso que te ensinaram, não é verdade? ‘Esta merda não anda porque a malta, pá, a malta não quer que esta merda ande, tenho dito.’ A culpa é de todos, a culpa não é de ninguém, não é verdade? Quer dizer, há culpa de todos em geral e não há culpa de ninguém em particular! Somos todos muita bons no fundo, né? Somos todos uma nação de pecadores e de vendidos, né? Somos todos, ou anticomunistas ou antifascistas, estas coisas até já nem querem dizer nada, ismos para aqui, ismos para acolá, as palavras é só bolinhas de sabão, parole, parole, parole, e o Zé é que se lixa…»

Faz-me lembrar também outra coisa: a conversa do apartidarismo, como o brandy Constantino, já vem de longe. No tempo do Salazar, não podia haver partidos. Quer dizer: havia a União Nacional, mas essa não era um partido, claro… Era … a União Nacional. A política era uma palavra feia. «A minha política é o trabalho», diziam aqueles que viveram toda a vida agachados, governados pelo medo.

Não sei se o José tem ido às manifestações. Se tem ido, é bem vindo. Mas olhe que outros já o fazem há mais tempo. Há muito mais tempo que aqueles dois palhaços histéricos que apareceram na televisão durante a concentração em frente ao Palácio de Belém a tentar calar a deputada do BE, a chamar-lhe «gatuna» e a dizer-lhe «vai-te embora». Se eu estivesse lá ao lado teria defendido, digamos, energicamente o direito da deputada do BE continuar a falar, percebe José?

Há quem tenha votado nesta gente do PSD e do CDS e que agora está arrependida e sai à rua a manifestar-se. Ainda bem. Mas se andamos a gramar estes governos há tanto tempo é também graças a eles. Por isso, quando se juntam às manifestações, vamos lá a mostrar mais respeitinho pelos que já lá estavam. Se ainda se usassem chapéus, não fazia mal que fossem de chapeuzinho na mão, em sinal de respeito.

Como lhe digo, José, fico muito satisfeito de manifestar-me consigo contra os capatazes da troika. Mas não lhe passe pela cabeça chamar-me «gatuno», certo?

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39 respostas a «A culpa é de todos, a culpa não é de ninguém, não é verdade?»

  1. Dezperado diz:

    Depois de ler atentamente o post gostava que me explicasse o seguinte….o porquê do BE ter cada vez menos votos….será que as pessoas ja nao acreditam em demagogia? será apenas isso????

    Ou será que os apoiantes do BE esquecem-se sempre de ir votar?

    • António Paço diz:

      Tenho opinião sobre a perda de votos do BE, mas o post não é sobre isso. Se leu atentamente o post, como diz, deve ter reparado nisso. Se a deputada interrompida aos gritos fosse do PCP, diria exactamente a mesma coisa.

    • O problema não esteve em as pessoas já não acreditarem em demagogia, mas precisamente em as pessoas terem acreditado em demagogia! A demagogia mediática que incutiu o medo relativamente a uma solução não troikiana para os nossos problemas e, principalmente, a demagogia contida nas palavras mansas e lindas do aldrabão que temos como primeiro-ministro: http://www.youtube.com/watch?v=gNu5BBAdQec
      O vídeo que devemos rever periodicamente para não deixarmos esmorecer o grito de revolta neste nosso lento acordar!

    • CausasPerdidas diz:

      Por que perdeu votos o BE?
      Por várias razões, por culpas próprias das quais poderemos não estar de acordo, mas também e em medida nada desprezável porque o BE chamou a atenção do que ia acontecer com a intervenção da “troika” muito antes daqueles que se manifestaram no 15 de Setembro sentirem as consequências do seu voto ou não-voto.
      Apelar ao caminho da Auditoria à Dívida, da separação das suas componentes Privada e Pública (se acredita que a dívida é sobretudo Pública fique por aqui), da sua renegociação (lá chegaremos, amigo, lá chegaremos, mas talvez demasiado tarde) não era estar afinado no meio do “Allegro” da orquestra mediática a tocar ao som da batuta dos banqueiros.
      O BE ter sido “o grande derrotado das últimas eleições” não significou mal de maior, apesar de eu pressentir que não tenha sido só o BE o derrotado. O BE levantar-se-á… Ou não. Se não, não virá daí mal decisivo ao mundo, outra coisa virá: “A Luta Continua” é mote de quem nunca se rende. No BE e em todo o lado.
      É como quem diz: que num país atolado que foge da realidade escolhendo o caminho onde a lama é mais profunda e irremediável os resilientes não consigam fazer perceber isso aos demais, é dramático; que alguns se regozijem com isso sem ganharem nada, é patético.

    • Zuruspa diz:

      Näo anda atento às últimas sondagens, pois näo?
      Pois näo…

      Preocupe-se mais com a perda de votos dos seus queridos PSD & CDS!

  2. Hugo diz:

    Por termos em Portugal tantos milhões de “josés” iguais a este, é que isto não vai prá frente… e os partidos do “arco da governação” – PS, PSD e CDS, assim os chama a comunicação social de referência, que de social tem pouco e de referência não tem nada, esfregam as mãos de contentes. E assim se vão alternando no “acto de governar” sem que isso corresponda a uma alternativa.
    Portugal vive num ciclo de corrupção e interesses desde Novembro de 1976. Para o liquidar de raíz, os portugueses fora desse ciclo, que são a grande maioria, teriam que fazer essa chatice que é votar e votar bem seria fora dos partidos do “arco governativo”, ou seja, PSD/CDS e PS

  3. diz:

    O José continua a ter toda a razão.

    • António Paço diz:

      Importa-se de explicar porquê?

      • Rafael Ortega diz:

        Porque não houve medida despesista que PCP e BE não assinassem de cruz.

        • Victor Nogueira diz:

          As regalias aos deputados decididas pela Assembleia da República são votadas no Plenário. Votadas pelos deputados dos partidos com assento parlamentar. Votadas e aprovadas por unanimidade ou maioria. Mesmo votando contra, os votos do PCP, dos Verdes e do BE não são suficientes para impedir que PS-PSD-CDS as aprovem. Em última instância a responsabilidade é da maioria do eleitorado que com o seu voto ou abstenção permite a formação de maiorias ps-psd-cds, sendo que o PS para formar governo nunca se aliou e “ajustou” ao PCP mas sim ao CDS, “opondo-se” ao PSD com “abstenções” seguramente violentas mas ineficazes, inócuas. Quando em nome do “interesse nacional” vota a favor de PEC’s ou Troikas.

          No que ao PCP se refere, os seus Estatutos dizem que nenhum militante pode ser beneficiado ou prejudicado pelo exercício de cargos electivos. Significa que se se a remuneração profissional for inferior à remuneração electiva, deverá entregar o diferencial à Associação dos Democratas Portugueses. Se for inferior, será compensado do diferencial. Até onde sei, as verbas remanescentes são aplicadas em obras de benefício local.

          Será este “compromisso” o fundamento de algumas sonoras “dissidências” ? Não sei a resposta, que será seguramente dada pelo percurso político e profissional com incidência remuneratória de cada um dos legítimos “dissidentes”.

        • De diz:

          Uma tentativa (vã ) de tentar esconder a responsabilidade da governação.
          Uma tentativa vã e cobarde.

          Ler os comentários de Victor Nogueira e de imbondeiro.
          Notáveis

        • Antónimo diz:

          quais medidas despesistas? um dos apontados grandes cancros, as PPP, e a entrega aos privados das rendas pagas pelos contribuintes, sempre tiveram os votos contra e bem ruidosos da CDU e do BE.

          Refaça a cassete, que há coisas que não batem com a realidade. Uma delas é a ideia de que a esquerda é despesista. Nas câmaras da CDU, há cobertura total de saneamento básico, água e esgotos, na de Marco de Canaveses não há, mas em compensação há um pavilhão gimnodesportivo por freguesia.

      • antónimo diz:

        Sabe lá o Zé. Se fosse capaz de saber não dizia o que diz.

    • imbondeiro diz:

      O josé não tem ponta de razão. O José, tal como muita gente que sempre rezou pelo santo breviário do “Centrão”, está em modo nihilista, tão nihilista pelo menos quanto aqueles amantíssimos maridos atraiçoados pela consorte que, num ápice, passam a odiar não a sua mulher, mas todas as mulheres por igual e com a mesma veemência. Há que explicar aos homens e às mulheres atraiçoados que não é lúcido nem razoável odiar aqueles que em nada contribuiram para a sua desgraça. Esse é, tão só, um escape fácil para cegueiras próprias. Um escape perigoso, muito, mas mesmo muito perigoso.

  4. andrade dias diz:

    sim o José tem toda a razão.

    qualquer pessoa que se junte a um partido político é já um ambicioso por ter o poder na mão e decidir pelos outros.

    não queremos ser representados, queremos nós próprio representar-nos!

    pura democracia, nada destas demagogias fascistas a que chamam democracia, onde vamos votar a cada 4 anos em gatunos.

    • Zuruspa diz:

      Faça como eu, näo vote em gatunos. Ou entäo näo queixe, imbecil populista!
      É simples.

    • A.Silva diz:

      Andrade vá ler o comentário acima do imbondeiro que se aplica, sem tirar nem pôr, ao seu caso.
      E não se esqueça do seu acertado aviso: “Um escape perigoso, muito, mas mesmo muito perigoso”

    • Victor Nogueira diz:

      Pois … Há quem queira reduzir a democracia ao ritual do “boto o voto mas sem bota”. De tantos em tantos anos.E há quem aceite que a democracia se reduza a isto. E pergunto – quantos dos que gritam “gatunos”, bandidos”, “todos iguais”, e agora aí acima “todos fascisatas” sabem bem o que querem – que só haja lugar para os corruptos, para os vendedores de banha da cobra, para as negociatas – quanto mais encobertas, melhor, que “o $€gredo é a alma do negócio”. E se há políticos corruptos e justa rejeição da corrupção, não haverá banqueiros e “dono$ de graddes empresas ou grupos económicos corruptores e largamente beneficiados ? Quem fala neles ? Ou a “corrupção” é apenas a dos “sucateiros” – mal vestidos e com perfume a ferrugem e óleo do desperdício ?

      Se soubessem ou quisessem ler a Constituição da República aprovada em 1976, verificariam que ela fala também na democracia económica, na democracia cultural, na democracia social. E determina as obrigações dos governos escolhidos com o voto dos eleitores (m/f). Para além do que referem os artºs 9º, 21º, 80º e 81º, no título II consagra Direitos, liberdades e garantias: pessoais, de participação política e dos trabalhadores e no título III enuncia os direitos e deveres económicos, sociais e culturais

      Assim a Constituição consigna direitos da 1ª, 2ª e 3ª gerações (quem não souber o que são, pesquise na internet)

      Dando um papel de relevo aos partidos políticos – os membros do Governo e o Presidente da República juram cumprir e fazer cumprir a Constituição. Mário Soares e Cavaco borrifaram-se para o juramento que haviam feito. Assim como todos os governos ps ou psd ou ps-cds ou psd-cds.

      Mas se eventualmente há governantes e presidentes da república gatunos ou aldrabões, a verdade é que estão lá com o voto ou abstenção da maioria do eleitorado.

      É verdade que sucessivas revisões constitucionais aprovadas pelo ps-psd-cds e a sua prática política limitaram outras formas de participação cívica e política que a Constituição ainda “protege” – as comissões de moradores, os sindicatos, as comissões de moradores, e muitas outras formas de organização e luta com as comissões de reformados, as comissões de bairro, as comissões de utentes, as comissões de reformados, os piquetes de greve …

      E a Constituição não obriga que haja apenas aqueles partidos com representação parlamentar. Outros podem ser criados com uma única excepção – os que perfilhem e defendam ideias xenóbas, racistas ou fascistas.

      Mas esta sanha contra a democracia, os partidos e todos os políticos – expressa por alguns comentaristas e nas redes sociais ou on-line por leitores de órgãos de informação, qd defendem a redução do nº de deputados à Assembleia da República, vão ao encontro da classe dominante e dos senhores do dinheiro – de que se fala em “Os Donos de Portugal” – a instauração de facto do bipardarismo ps-psd em alterne, que com menos votos conseguiriam formar governo, mesmo que outros do actual quadro parlamentar – pcp-be-cds – tivessem mais votos, condenados assim a serem residuais ou expulsos”. E a impedir o aparecimento de outros partidos.

      É que políticos são todos os cidadãos (m/f) mesmo que digam o contrário – inocentemente ou com má fé. E cada um de nós, com as suas acções, opiniões ou “opiniães”, omissões, participações ou abstenções tem a sua quota parte no estado e no governo da cidade.

  5. Joao Passos Dias Aguiar Mota diz:

    Caro António, ora viva,

    A culpa é sempre dos outros, não é assim? E como os outros são eles e não nós (e vice-versa), vai-se se a ver e a culpa é de todos mas não é de ninguém. É a história do “estou mal mas ao menos sei porque – a culpa é TUA explorador capitalista pah”; ou tambem a do famoso bode respiratório.

    Mas permita que lhe sugira : não será afinal tudo isto fruto da falencia do nosso querido welfare state, esse belo sistema piramidal iniciado nos anos sessenta que desde ha uma decada se mostra num rumo insustentável?

    Estando a piramide demografica invertida, não ha como que as receitas que o suportam sejam maiores que os custos que o esgotam?

    Meu caro, louvo o espírito voluntarista dos protestos, mas a presente realidade do mundo ocidental transcende as PPP’s, as fundações e os relvas deste país.

    Saudações cordiais,

    PS: soluções? a medio prazo, mais criancinhas que velhotes (make love not war…)

    • António Paço diz:

      Em outubro vai sair um livro chamado «Quem paga o Estado social em Portugal?» que demonstra, de calculadora na mão, que o que os trabalhadores pagam para o Estado social chega e sobra. Esteja atento.

    • antónimo diz:

      há dez anos?

      há quase 30 que ouço essa conversa. não foi por isso que cavaco fez as transferências a que estava obrigado, ou que manuela ferreira leite foi lá buscar dinheiro para tapar o défice ou que o ps jogou massas da segurança social na bolsa ou pedro mota soares resolveu que se subisse a taxa social única mas pondo o dinheiro nas mãos dos patrões.

    • A.Silva diz:

      E já agora o rebentar da “bolha especulativa” não tem nada a ver com isto?
      Ai que estes liberaizinhos de meia-tijela tem memória tão curta.

  6. ignatz diz:

    se o pcp e be não influênciam a governação, para que é que servem? humm… se calhar é só para representar a irresponsabilidade nacional.

    • antónimo diz:

      por essa brilhante ideia tb o ignatz e culpado.

    • João. diz:

      O pessoal do PS do PSD e do taxi CDS quando julgam que a coisa corre bem vêm a correr chamar a responsabilidade aos seus governos, quando corre mal a culpa já é colectiva. Propriedade privada para o sucesso e colectivização da culpa, basicamente é esta a linha de rumo dos borregada do PS, do PSD e do taxi. É a própria imagem do capitalismo. Se o capitalista vai de vento em poupa em um herói, um indivíduo, é homenageado, vale centenas de milhões de euros; se vai à falência aí a culpa já é colectiva, já é dos sindicatos, dos comunistas e mais o car@lho.

      O PS então é uma miséria. A solução de falsa-esquerda deles é mais e mais federalismo e depois vêm gozar com o PSD por ser lacaio da Merkel quando o que o PS quer é estar no beija-mão-da-Merkel no lugar deles – só isso nada mais. A disputa entre PS e PSD é apenas uma disputa pelas comissões de liquidação do país da qual o CDS tenta apanhar umas migalhas para o Leite Capelo Rego.

      Basta rever o estúpido do Soares no famoso debate com Álvaro Cunhal a dizer que Cunhal queria uma ditadura do PCP em Portugal quando o próprio Cunhal ao vivo o convidava para uma aliança de esquerda entre o PCP e o PS. Mais tarde vimos com a AD que a direita não teve problema em unir-se e começar o longo caminho para o estado a que chegámos com a cumplicidade permanente do PS.

    • Victor Nogueira diz:

      Apetece dizer “Porra”. Se a ignorância ou má fé pagassem imposto, não havia necessidade de troikas?

      Se o Campeonato Nacional de Futebol – agora tem outro nome, parece-me – é sempre ganho entre o FCPorto, o SLBenfica ou o SportingCP, para que servem os restantes clubes de futebóis?

      Foi por isso que de 1933 a 25 de Abril de 1974 só era permtida a União Nacional/Acção Nacional Popular, tolerando-se a “oposição” aos breves periodos de farsa eleitoral, “oposição” sem acesso aos meios de comunicação e sujeita à censura, viglância e peseguição da PVDE/PIDE/DGS ou LP e aos espancamentos e prisões pelas PSP/GNR.

      A “democracia burguesa” baseia-se nos partidos que representam classes e camadas sociais com interesses que podem ou não ser radicalmente antagónicos. O PCP e o BE e os Verdes defende interesses de camadas ou classes sociais com tanto direito a defenderem-se e a expressarem-se como aquelas que aberta ou encobertamente apoiam e votam no ps-psd-cds. Por alguma razão ps-psd-cds se ajustam entre si alternadamente. Até que o eleitorado consiga com outra consciência social romper a pescadinha de rabo na boca em circulo vicioso ps-ppd/psd-cds/pp. Todos muitos “socialistas” “democratas” e “populares” A favor de quem ? Do eleitorado ou dos “Donos de Portugal” ? Em livro ou documentário, a seguir

  7. julio ferreira diz:

    Era só o que faltava. Agora somos todos culpados.
    Em bom português…o caralh…….(que eu sou bem educado)
    Nunca votei nestes fulnos que estão no poder à 30 e tal anos. Com o meu single voto, atirei-me a eles sendo do contra. Sofri na pele esta minha teimosia de pensar por mim próprio e agora somos todos culpados?? O cara…..( o resto não escrevo…)
    Fui a muitas manifestações, quando ir não era cool, fiz muitas greves e fiquei a arder com o ordenado para defender muita gente que nunca foi e vão agora mostrar a sua indignação e ainda somos todos culpados?? O cara…..
    Agora, vou, porque vou, porque me apetece ir, e vou porque sou assim, agora culpado! o ……………….

    • Zuruspa diz:

      Essa é que é essa!
      Conheço bem os “Josés”… deve ter sido ele o fascista histérico aos berros aquando da entrevista à deputada do BE.
      Isto se por acaso o tal José mexeu o cu no 15 de Setembro…

  8. Augusto diz:

    Os Zés deste País, são filhos e netos, daqueles que há uns anos afirmavam , ” A minha politica é o trabalho, e estou muito satisfeito com isso”.

    Daqueles que depois do 25 de Abril , quando viam uma Manifestação, a sua reacção era sempre gritar ” Vai trabalhar malandro”

    Daqueles que ao longo dos anos , e não só agora, afirmavam que os politicos são todos iguais, mas vão sempre votar nos mesmos.

    Em suma são aqueles que estão á espera do Messias , ou de um qualquer demagogo, que os leve pela coleira , á Terra prometida.

    Os politicos como os partidos não são todos iguais, e aqueles que como o Padre Max defenderam , que o dever de um politico é ” Servir o povo, e nunca se servir do Povo” pagaram com a vida serem consequentes, assassinado pelos avós daqueles Zés , que aqui se atrevem a escrever , que os politicos são todos iguais.

    NÃO! NÃO SÃO

  9. Caxineiro diz:

    Não fossem os “Zés” este governo já tinha caído.
    Aliás, sem o “Zé” este governo nunca teria sido eleito.
    Se não houvessem “Zés”, não haveria a necessidade de se fazerem manifestações
    São os “Zés” que nos ajudam a perceber a enormidade da justeza da nossa luta
    É urgente a construção de um país onde os “Zés” sejam mais raros do que o lince da Malcata
    É preciso pois saber estimar o ” Zé”

    Volta sempre “Zé”

  10. imbondeiro diz:

    Palavra de honra que já não há, mas já não há mesmo, pachorra para a conversa da natural e inexorável falência do “welfare state”. Como, igualmente, a paciência se me esgotou para os raciocínios às avessas cujo alcance não ultrapassa a cerca do quintal.
    Alguns números da sacrossanta globalização: 90% dos bens consumíveis produzidos no Mundo são consumidos por 20% da sua população mais rica, enquanto 20% da sua população mais pobre consome uns estonteantes 1% desses mesmos bens; 1% da população mundial tem nas suas mãos 40% da riqueza deste Mundo, enquanto 3 biliões de almas sobrevivem com 1% dessa riqueza. É desta gigantesca transferência de recursos e de riqueza que também nós, aqui na civilizada europa, estamos a ser alvo. O dinheiro existe, só que mudou, de mansinho ou à bruta, de bolsos. Mais exactamente, transitou dos nossos bolsos para os deles. E quem são “eles”? “Eles” são as grandes corporações mafiosas do capitalismo predador transnacional. “Eles” são aqueles que há muito tempo alugaram os seus homens-de- mão na política, aqueles homens- de- mão que, alternando-se no poder, lhes arrendaram o país, o mesmo país que, agora, lhes vendem em preço de saldo amigo. Esses homens-de-mão, no que aqui ao rincão diz respeito, têm um nome: aquilo a que eles deram forma, tirando dessa forma basto proveito, chama-se “Centrão”. Que haja agora gente que queira alargar a denominação a quem com ela nada teve a ver, que neste momento exista quem metralhe acusações de culpa sobre quem apontou, há muito tempo, as manobras rapaces desta clique, não deixa de ser irónico. Irónico, contudo, explicável: a melhor maneira de não punir quem roubou é imputar o crime a toda a gente. Assim, todos partilhamos da culpa mesmo que alheia, mas, paradoxalmente, não a temos como coisa nossa mesmo que o seja
    No seguimento do 15 do 09, o que não faltaram foram analistas e comentadores a matraquear, “ad nauseam”, pelas nossas pantalhas, a verdade verdadinha de que, afinal, os protestos não foram contra o Governo, nem contra a Troika. Eles foram, isso sim, contra os “políticos”. E houve quem se deixou levar na cantiga, uma ladaínha cada vez mais recorrente nesta, como alguém já a crismou, tele-oligarquia pós-democrática. Esta gente que embarca neste jogo não se aperceberá que está a ser instrumentalizada? Não se aperceberá que o poder capitalista transnacional se prepara para dispensar, caso a coisa comece a descambar, os seus empregados do costume, assumindo ela própria, sob o espectro de um qualquer tecnocrata, o poder político?

  11. Victor Nogueira diz:

    Isto é assim, com o … “devido respeito”

    Entre 1926 e 1974 houve em Portugal vários Partidos – um que se manifestava à vontade – a União Nacional” depois crismada de “Acção Nacional Popular”

    Houve também um outro partido, que se auto-dissolveu – o Partido Socialista Português (1875-1933). E outros que foram extintos. Mas houve um que se manteve em actividade, durantes esse anos todos, apesar de ilegalizado e de os seus militantes e simpatizantes serem alvo de perseguição, repressão, prisões e mesmo assassinatos pelas forças do regime que certos historiadores e pensadores têm relutância em designar por “fascistas” . Refiro-me ao Partido Comunista Português, fundado em 1921, após a “traição” dos Partidos Socialistas e Sociais Democratas na II Internacional, que apoiaram a entrada na I Guerra Mundial, e a consequente formação da III Internacional (Comintern) em 1919.

    Outros partidos e movimentos houve, de menor dimensão alguns deles reclamando-se de origem marxista-leninista ou trotsquista.

    Claro que seria difícil explicar a manifestantes que sendo contra os partidos, têm hoje e desde 25 de Abril de 1974 o direito de se manifestarem, reunirem, associarem ou expressarem entre muitos outros direitos económicos, sociais, políticos e culturais consignados na Constituição de 1976, ainda em vigor, Inconscientemente ou não, tais “Movimentos Antipartidários”, defenderão uma “União Nacional” ou governos de “tecnocratas” ou de “Salvação Nacional”. Sem partidos mas com “valentes”cargas policiais e prisões. Contra quem se manifeste !
    .

  12. Américo Gonçalves diz:

    Tem graça, eu tambem me lembrei logo do “FMI” de José Mário Branco, quando li as palavras do José. Ele não tem é conhecimentos para expressar o entendimento que faz da II República. Temos nós que percebê-lo e expressá-lo. A Vox Populi do “eles são todos iguais” tem uma razão de ser: o abismo entre representantes e representados. A única maneira de , ao menos, atenuar esse mal-estar, é evoluir para formas de Democracia Directa. Se o mais humilde cidadão do País souber de cor que Portugal tem um Governo com dez milhões de patrões, dez milhões de consultores, que a voz de todos é valorizada, mesmo condição sine qua non, então temos uma Verdadeira Democracia. Em 1974, a Democracia Bissexta era um avanço. Agora, a Técnica já nos permite ter Democracia todos os dias! É essa a discussão que na Esquerda, precisamos fazer. A Classe Dirigente nasce, cresce, e move-se nas Trevas, no Opaco, no Secreto. Vamos fazer entrar Luz no Governo. Exemplo práctico: Em reuniões técnicas, vamos permitir que todos que o desejem possam, online, assistir, e àqueles que possuam conhecimentos técnicos para tal, participar em Tempo Real. Que todos os Cidadãos possuam uma senha online, análoga ao Número de Eleitor, e possam reportar, directamente ao agente governativo em causa, o seu ponto de vista , e serem correspondidos. É toda uma Ágora Virtual que precisamos erigir. Não podemos viver no Século XXI com o Governo do Século XIX!

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