Falta de nível, falta de respeito, falta de educação – uma forma inclassificável de querer vexar (e não o conseguirá, claro!) quem nada lhe pediu…

… quem nada pediu ao Sr. D. Fernando de Sousa Botelho de Albuquerque, presidente da Fundação Casa de Mateus, a primeira do ranking do PSD, a melhor e maior fundação de Trás-os-Montes, de Portugal (acima, muito acima da Gulbenkian!!), da Ibéria, da Europa, a maior fundação do planeta Terra, sistema solar e Via Láctea e mais que houvesse.

É isto, pasme-se:

«O presidente da Fundação Casa de Mateus, [D.] Fernando [de Sousa Botelho de] Albuquerque, decidiu cancelar definitivamente a sessão de entrega do Prémio D. Dinis: “Não haverá cerimónia solene.”

Fernando Albuquerque adiantou que Maria Teresa Horta, a autora premiada pelo romance ‘As Luzes de Leonor’, receberá o cheque em casa e fica encerrado o caso tão polémico. Para o responsável, adiar a cerimónia era impensável: “Não tinha sentido fazê-lo. Isso era como ficar à espera que este Governo caísse e o primeiro-ministro foi eleito por quatro anos. Não nos compete formular esse tipo de cenários!” Quanto à reação de Passos à atitude de Teresa Horta, o responsável da Casa de Mateus disse que o gabinete de Passos Coelho respondeu laconicamente: “Se a senhora não vai, o primeiro-ministro também não irá.”

A recusa em receber das mãos do primeiro-ministro o prestigiado prémio que lhe foi atribuído pela Fundação Casa de Mateus tornou-se no primeiro ato público de rebelião por parte de um escritor contra o Governo.»

Isto continua isto. Que já comentei.

Não sei quem é nem quem não é um crápula ou coisa pior, muito pior, mas sei do direito de não apertar a mão a quem não se quer, não se imagina nem se deve nem se pode. Aliás, um direito inalienável em todas as ocasiões, momentos, cerimónias, quer se tenha escrito um mau livro, quer se tenha escrito um bom livro ou uma obra-prima! Por isso não deixa de ser comovente ver a direita profunda mais obtusa rejubilar com o facto de D. Fernando de Sousa Botelho de Albuquerque, presidente da Fundação Casa de Mateus, não adiar nem convocar outra personalidade (o SEC, por exemplo) para ofertar a Maria Teresa Horta o Prémio literário D. Dinis referente a 2011 e consubstanciado, creio, num cheque nem sei de que valor. A direita profunda e obtusa rejubila com a escritora a receber um cheque pelo correio……

Acontece que Maria Teresa Horta, atacada pela direita profunda e obtusa de modo ignóbil, não pediu nada a ninguém, não pediu à Fundação Casa de Mateus (a primeira do ranking do PSD, a melhor e maior fundação de Trás-os-Montes, de Portugal – acima, muito acima da Gulbenkian!! -, da Ibéria, da Europa, a maior fundação do planeta Terra, sistema solar e Via Láctea e mais que houvesse) nenhum cheque, nenhum Prémio, nenhuma valorização do seu romance, nenhuma forma de legitimação crítica ou reconhecimento à direita obtusa nem à Fundação Casa de Mateus. E acontece que foi esta que foi ter com a escritora que, sabe-se lá, estava à hora do contacto na sua casa, na praia, numa bela esplanada, na secretária lendo ou escrevendo… Em paz.

Por isso é evidente que o Sr. D. Fernando de Sousa Botelho de Albuquerque não tem o direito de mandar nada pelo correia para Maria Teresa Horta fitando nisso e com isso uma espécie de vexame, porque nada lhe foi solicitado, e como nada lhe foi solicitado só tem de respeitar a escritora que a sua Fundação decidiu premiar livremente, sendo facto que a escritora nada pediu à Fundação de Mateus nem ao seu presidente. Logo, cabe à Fundação de Mateus respeitar, repito, quem premiou sem que a isso fosse obrigada, cabe à Fundação de Mateus respeitar a forma e o conteúdo da cerimónia de acordo com o (seu) possível e o desejado pelo premiado. Tudo o resto é do mais baixo nível e inimaginável.

É isto, resumindo: uma pessoa está em casa a estudar ou a descansar, em paz, e, subitamente, é acusada de ter recebido um Prémio (pela entidade premiadora), é obrigada a recebê-lo (!!) como a entidade premiadora o entende e nada mais, tem de se sujeitar, tem de vergar-se e cumprimentar quem acha impensável, tem de o fazer caladinha, ajoelhar e por fim agradecer em lágrimas – em Portugal é-se penalizado por se ganhar um prémio literário. A direita obtusa rejubila, a falta de educação sai glorificada. Em Portugal, no reinado de Passos Coelho, naturalmente.

Mas ainda não batemos no fundo.

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