Unir a esquerda ou ajustar contas?

Após ter recebido a 3.044ª petição para “unir a esquerda” dou por mim a pensar que está por nascer o apelo que não comece por desancar nos partidos e organizações de esquerda que existem. Já não há pachorra!

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9 Responses to Unir a esquerda ou ajustar contas?

  1. António Moreira diz:

    3.044ª?? Isso quer dizer que houve 2471 petições que não te foram enviadas?

  2. André Rodrigues P. Silva diz:

    Tens toda a razão, isto atinge proporções de demência. É uma espécie de “vamos unir a esquerda, mas quem une somos nós e vocês e os outros não participam”. Está bonito.

  3. i.tavares diz:

    Pachorra é pouco.

  4. Armando Cerqueira diz:

    Tiago,

    as questões devem ser postas claramente e com rigor, porque há muita confusão, utopia e manipulação na nossa sociedade:
    i) ‘unir a esquerda’ pressupõe que todas as componentes são de esquerda. Em primeiro lugar o que é a Esquerda, qual o seu conteúdo, quais os seus atributos, quais os seus objectivos, estratégia e tácticas? Não ignora que há um Partido que se faz passar por esquerda mas é essencialmente um partido ‘nim’, nem Direita liberal ou conservadora, nem esquerda mais ou menos radical, do género de querer mudar a estrutura económica e social. Social-democrata enfim, capitalista reformista e social… Enfim um ‘socialismo’ que consiste em manter e defender o Capitalismo. Um Partido que historicamente (vai para 40 anos…) sempre se aliou ou conciliou com as forças à sua direita, e lutou ou recusou aliar-se ou convergir com as forças à sua esquerda.

    Só se pode unir o que é semelhante, aparentado, o que se quer concliar. Por outro lado, as duas forças de esquerda (ou a Esquerda propriamente dita, na minha humilde opinião) guerreiam-se desde há muito, nutrem artificialmente desconfianças, diferenças inconciliáveis, queixas, etc.

    Como conciliar, unir, esta mistura de azedumes, tácticas, estratégias? Não foi uma delas apoiar a votação nesse símbolo de direita envergonhada, disfarçada de esquerda que é Manuel Alegre? Um Manuel Alegre que no início do Outono de 1965 em Paris, à saída do hotel onde habitava a Maria Lamas, me dizia que o PCP era pouco revolucionário, que era necessário recorrer à luta armada contra a Ditadura, e dez anos depois se aliou ao outro ‘monstro’ da Direita Disfarçada (Mário Soares) de esquerda, e finalmente apoiou os anti e contra-revolucionários do 25 de Novembro de 1975…

    Alianças de Esquerda creio que só são possíveis e perenes com gente de Esquerda, sem concessões.

    ii) O que acabo de escrever levanta outra questão, ou seja a sua frase ‘ajustar contas’. É que os Povos, como as classes sociais, como os Partidos têm ‘História’, têm memória, não são uma coisa conspurcada e inerte. Lembram-se de fidelidades e traições, de dignidade perante os grandes interesses e as poderosas potências estrangeiras, e de posturas rasteiras de coluna cervical mole. das protecções à burguesia no seu conjunto e das tentativas de resolver/diminuir a iniquidade social e económica. Sem crítica e autocrítica por parte de todos os componentes não creio que se consiga chegar a uma unidade perene, duradoira.

    Se quiser tomar a minha posição pela de um estalinista (sou anti-estalinista), de um dogmático (defendo a prática da crítica, da auto-crítica, recuso os tabus, os interditos enfim..) enfim tome-a. Mas, por favor, ajude a que se desça às coisas concretas, racionais, inteligíveis, sem recurso aos pretensos e provincianos aurgumentos de autoridade professoral de alguns dos seus colegas, a posturas importância imerecida, etc.

    Vivemos todos uma fase terrivelmente difícil e perigosa da vida da nossa sociedade e do mundo. É tempo de procurarmos compreender o momento que vivemos, de encontrar os meios de o resolver, e de nos lançarmos à sua solução.

    Saudações cordeais do

    Armando Cerqueira

    • Augusto diz:

      Armando Cerqueira, não quer escrever algo sobre o apoio a Mário Soares em 1986 DE (quase) TODAS AS ESQUERDA……

      Aliás quando se escreve UNIR A ESQUERDA, estão a cometer um erro de palmatória, o correcto será UNIR AS ESQUERDAS, aliás as esquerdas sempre foram plurais…

      1965….Paris….Maria Lamas….FAP…etc etc etc……

      • Armando Cerqueira diz:

        Em 1986 estive no Ruanda, a trabalhar num projecto das Nações Unidas até Outubro, regressei a Portugal por uma semana e segui logo para Genebra e, depois, para a Serra Leoa, para uma missão até meados de Dezembro. Tinha alguma informação sobre Portugal, e Mário Soares.

        Pessoalmente, eu nunca teria votado nele. Questão de coerência.

        Saudações,

        Armando Cerqueira

  5. Nuno Cardoso da Silva diz:

    Eu estou-me nas tintas para as querelas ideológicas. Quero uma coligação de esquerda para derrotar o capitalismo. Uma coligação do PCP, Verdes, BE, MAS, MRPP e independentes, que se venha eventualmente a chamar Frente Democrática Eleitoral. Para conquistar pelo menos 30% dos votos numas futuras (talvez próximas) eleições. Mas para isso não há vontade. E por isso a direita continua a governar e a explorar. Será que seremos todos estúpidos?…

  6. Não é verdade que “esteja por nascer o apelo que não comece por desancar nos partidos e organizações de esquerda que existem”.
    http://vermelhos.net/index.php/ponto-de-vista/66-ponto-de-vista/563-ponto-de-vista-ainda-ha-tempo-para-uma-alternativa-a-esquerda
    Esta petição foi enviada ao PCP e BE e não mereceu qualquer resposta, nem sequer um registo de recepção. Pouco tempo depois reuniram-se os dois partidos e prometeram convergências pós-eleitorais. Até hoje.

    • Jorge d'Almada diz:

      Jorge d’Almada

      A Esquerda atual só se unirá se o movimento popular a forçar a isso.O sectarismo de cada uma das forças existentes não permite outra coisa. Há que criar um movimento político mais abrangente, que obviamente comungue as principais ideias anti neoliberais, mas que possa englobar outras pessoas, que não apenas aqueles que se definem como esquerda. Por um Movimento dos Cidadãos pela Dignidade.

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