Somar lutas

Não vejo qualquer concorrência entre as manifestações de 15 de Setembro e a concentração da CGTP a 29 de Setembro. Todas são importantes para derrubar o governo e recusar a política da troika. Elas não se opõem, elas somam-se. Acho que a maior parte das pessoas que tem como objectivo derrotar as políticas neoliberais e criar uma alternativa popular e de esquerda têm este ponto-de-vista. Infelizmente, há gente que prefere que as forças anti-troika se degladiem. Normalmente, esses grupos ultra-minoritários têm como projecto derrotar os sindicatos e as forças de esquerda existentes. Os seus inimigos não são o grande capital, a troika e os partidos que assinaram o memorando, os seus verdadeiros adversários são o PCP, o BE e a CGTP. Eu não dou para este peditório. Por isso em vez de dividir vou juntar-me aos trabalhadores que se manifestam na concentração convocada para dia 29 de Setembro às 15 horas no Terreiro do Paço em Lisboa.

Sobre Nuno Ramos de Almeida

TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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15 respostas a Somar lutas

  1. Renato Teixeira diz:

    Eu, que me incluo entre aqueles que combatem as direcções do BE, do PCP e da CGTP, não iria ao ponto de dizer que estas organizações estão a favor da troika, apesar de serem muitas as vezes em que dividiram a luta e de canalizarem sistematicamente as expectativas populares exclusivamente para as eleições. Pasme-se, todas elas até querem negociar a dívida com a troika e nenhum excluiu ainda o PS como parceiro de um “governo de esquerda”. Vou continuar a resistir, pela unidade ora pois, a tal arrojo.

    O pavor do BE, do PCP e da CGTP aos grupos ultra-minoritários, como se eles fossem maioria do que quer que seja na sociedade portuguesa, é um triste reflexo do isolamento ao qual andam a ser votados, seja nas urnas, seja nas ruas.

    • V Cabral diz:

      Eu não sou comunista, no entanto, porque sou de esquerda, não ataco os Partidos de esquerda e ainda menos as suas Direcções, mas critíco … … … quanto aos ultra minoritários adoro-os, pois dão-me a esperança de eu próprio, vir a ser um Partido e aparecer na TV . Até lá, viva o P.C.P.!!!

  2. Alexandre Fernandes diz:

    Ser contra as organizações do PCP, BE, CGTP não implica NÃO ser contra o Governo, a troika e o grande capital. Eu sou, conscientemente, contra todas elas, mas há momentos para tudo. O PCP, principalmente, suscita-me dúvidas em relação a como actuariam se pudessem voltar a ser Governo (vide PREC), e a CGTP suscita-me outras, que só são exacerbadas por atitudes tomadas em manifestações recentes, que revelam uma cumplicidade gritante entre a Inter e o serviço da ordem, que não deveria pertencer numa verdadeira luta unitária. O BE não sai isento desta questão, visto que se junta frequentemente com o PCP para denunciar indivíduos e movimentos à sua esquerda cuja existência é nociva aos seus interesses “unitários”.

    Mas, como disse acima, há momentos para tudo. As divisões entre os vários movimentos que contestam a troika existem, e devem ser discutidas, e não trasformadas num final em si. Interessa-me mais a mim, neste momento, derrubar o Governo e esta política assassina, do que questionar a organização “piramidal” (como dizia o Carlos Vidal num outro post mais atrás) dos partidos de esquerda e sindicatos. Lá estarei para a luta.

    • Armando Cerqueira diz:

      Alexandre Fernandes,

      os governos sem o PCP, depois do PREC, foram melhores do que aqueles em que esteve representado o PCP? Foram mais ‘amigos’ das classes populares? Cumpriram realmente a Constituição de 1976 no que respeita à transição para uma sociedade socialista? Possibilitaram a maior e mais profunda participação da população no Poder político e o controlo real da acção dos governantes e da Alta Administração Pública?

      Esteja descansado – não sou nem membro nem votante no PCP! Umas últimas perguntas: esses governos sem o PCP não administraram o País de tal forma que viemos cair na actual crise económica, financeira, moral e funcional?

      Estou de acordo que há muito nas concepções e na prática do PCP que merece críticas acerbas. Que é um Partido ainda num certo estádio cavernícola. Mas em muita coisa estavam/estão certos, eram/são bem intencionados em muitas outras.

      E essa Esquerda à margem do PC e do BE é isenta de erros e cdde críticas?

      Saudações

      Armando Cerqueira

    • Dóris Graça-Dias diz:

      Alexandre: parece-me confuso o seu discurso. Mas percebi o essencial. Ainda assim, só uma pequena correcção: o PCP nunca foi governo. Apenas Álvaro Cunhal participou de um governo, como ministro sem pasta, uma espécie de secretário de Estado actual. O PREC é outra coisa. Convém conhecer bem a história para defender bem o presente.
      Dóris Graça Dias

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  5. Augusto diz:

    Será assim tão errado , haver no próximo sabado , noutros locais do país , concentrações a exigirem a queda deste governo e o repudio das medidas da Troika?

    Num país com um desemprego galopante, com numerosas familias a terem grandes dificuldades, muitos não virão a Lisboa , por não terem disponibilidades financeira para isso.

    Será que por esse motivo, estarão impedidos de apoiar a jornada de Lisboa , e manifestarem o seu protesto ?

    Os sindicatos, têm como a maioria dos portugueses , enormes dificuldades económicas, e certamente não podem suportar , o custo da viagem, a todos aqueles que desejariam associar-se ao protesto.

    Seria bom que certos militantes de esquerda , não vissem divisionismo, a quem vê o País Real de outra perspectiva.

    Afinal não se trata de saber se a CGTP, consegue mais gente na rua do que conseguiu a manifestação do passado dia 15 , trata-se isso sim , de continuar a luta para se atingirem objectivos, e se no Sabado para alem de Lisboa, um pouco por todo o País, o Povo sair á Rua para apoiar a concentração de Lisboa, qual o problema?

    Quantos mais melhor.

  6. De diz:

    Caríssimo Nuno:
    Antes de mais, os meus parabéns pelo vosso trabalho.Sabes ao que me refiro e isso é o que me interessa.
    Depois para sublinhar o meu acordo com o teu post.Sereno,curto,claro e conciso.

    Somar lutas.É isso mesmo.

  7. lm diz:

    ó Renato monta um partido só teu! Aproveita e convida a Raquel…acho que no final ainda acabam os dois a discutir qual de vós é que é a verdadeira esquerda

  8. CausasPerdidas diz:

    Pessoas de várias sensibilidades políticas que haviam estado na génese da manifestação do passado dia 15 de Setembro, em Setúbal, convocaram uma concentração na placa central da Avenida Luísa Todi para o último sábado.
    Se na manifestação da semana anterior tinham estado milhares de pessoas nas ruas (li na imprensa números que iam de 4 a 7 mil, mas ninguém de quem lá esteve deixou de a considerar uma das maiores já ocorridas na cidade), a concentração do passado fim-de-semana teve, segundo o Jornal de notícias, o único que falou do assunto, cerca de 100 pessoas (foram mais, não muito mais, mas mais do que a concentração realizada na última greve geral pela União dos Sindicatos – eu estive lá).
    A expectativa com o “retrocesso” do governo sobre a TSU, uma convocatória feita apenas nas redes sociais, e o boicote de todos os órgãos de comunicação social, locais e nacionais, que não publicaram uma linha sobre o assunto, e ainda o facto de os aparelhos partidários não a “alavancarem” também ajudou.
    Todavia, e pela primeira vez desde há mais de 30 anos, tratou-se de uma assembleia em que quem quis intervir pode fazê-lo, e que só acabou quando mais ninguém quis intervir.
    Calculem, inimigos dos movimentos informais, a primeira pessoa a falar até foi uma vereadora do PCP – apesar de, para que o som funcionasse se tivesse de pedir luz a uma esplanada próxima porque a câmara (do PCP) nem se dignou criar condições (abrir a porta) para se ligar uma tomada no coreto onde foi feita a iniciativa… Podemos não ser sectários mas não somos estúpidos.
    Já durante o sábado da manifestação histórica de 15 de Setembro o alheamento total a essa manifestação parte do PCP se fez sentir ao propor à última da hora que o local fosse alterado da praça central da cidade para um outro local, com um nome digno, Largo José Afonso, mas fora da tradição setubalense. O argumento: as cerimónias do Dia do Bocage, dia da cidade. Mas não importou, o povo abandonou a discrição do local para onde havia sido mandado e saiu em manifestação pela avenida principal da cidade, e tomou a sua Praça do Bocage perante o olhar pasmado dos vereadores – que acabaram por vir “solidarizar-se” com os manifestantes.
    Como não respondemos na mesma moeda à forma como a manifestação de 15 de Setembro foi sistematicamente menorizada pelo PCP – “a de dia 29 é que é importante” – na iniciativa do passado sábado foi feito um apelo à participação na manifestação da CGTP. Até porque, para desfazer as conversas de chacha sobre “a origem de classe”, e “esquerda caviar”, e o raio que os parta a todos, a maioria dos que organizámos a iniciativa somos sindicalizados. Desculpem lá, mas não perguntei qual era o seu partido deles. Eu, já o disse aqui, e a maioria deles sabe, votei no Bloco de Esquerda.
    Até dia 29.

    • De diz:

      Ou de como um comentário se transforma naquilo que diz não querer ser.
      Paradigmático. Tal como “o raio que os parta a todos”.
      Prefiro dirigir os raios para outros lados,mas cada qual sabe de si.

      Adiante que a clareza do texto do Nuno não pode nem deve ser manchada.
      A 29 de Setembro às 15 h no Terreiro do Paço.Em Lisboa.Com todos os que.E mais alguns

    • ANtónio diz:

      Claro que votaste, havia dúvidas?

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  10. Américo Gonçalves diz:

    Aqui é um equilíbrio delicado. Haver manifs em competição lembra-me “the life of Brian”, dos Monty Python. Mas ninguém é dono do protesto. Por isso, o mais sensato, será a malta que estiver nessas outras manifs, dizer que remam todos para o mesmo lado, valorizar o que nos une e não o que os separa. A Esquerda tem tendência para se esfrangalhar em discussões bizantinas. O que mais precisamos é de consensos, plataformas, que incluam o grosso do Povo, e as discussões de microscópio ficam para mais tarde.

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