DAS PALAVRAS AOS ACTOS – A unidade não se declama, forja-se na rua.

A Rubra, que não é da pessoa a ou b – não temos grandes líderes! – vai estar na manifestação no Terreiro do Paço, o que não a impede de estar solidária com quem queira protestar nesse dia, noutras cidades e recorrendo a outras formas de luta. Este colectivo esteve em todas as manifestações contra o Governo e a Troika, chamadas por sindicatos, partidos de esquerda ou movimento sociais, das que tinham 200 pessoas à porta do Ministério das Finanças, às que tiverem 300 e 500 mil como na “Geração à Rasca” e na “Que se Lixe a Troika”. Nunca afastámos ninguém de nenhuma manifestação  – como fez a CGTP contra a PAGAN ou contra os Precários Infléxiveis – nem abandonamos nenhuma plataforma unitária – como fizeram os movimentos satélite do BE entre o 15 de Outubro de 2011 e o 15 de Setembro passado. Se todos pudessem dizer o mesmo, a esquerda contra a Troika estaria no mesmo lado da trincheira.

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13 respostas a DAS PALAVRAS AOS ACTOS – A unidade não se declama, forja-se na rua.

  1. Rocha diz:

    Então aquele cartaz é assumido por quem pela Rubra ou pela Raquel?

    Gostaria de saber quem quer lançar a confusão e o divisionismo sobre a manif de 29 de Setembro, sendo que não existe qualquer convocatória de manifs pelo facebook ou por outro meio qualquer para nenhuma daquelas cidades excepto a de Lisboa no Terreiro do Paço para a qual a CGTP andou a trabalhar e outros parece que andam trabalhar contra.

    Se não existem convocatórias locais, qual é a ideia da quem publica o cartaz? Lançar apelos desde Lisboa para que haja manifestações descentralizadas? Bom até aqui tinha se em conta ao menos a iniciativa que as pessoas têm em convocar manifestações nas suas cidades, agora passa-se a lançar apelos directos de Lisboa…

    Se assim é eu pergunto-me como é possível tão excêntrica ideia (para não lhe chamar parvoíce) ter calhado sair à luz do dia justo para convocar uma coisa no mesmo dia que a CGTP move tudo o que pode para mobilizar o máximo de protesto em Lisboa?

  2. Pingback: Ter ou ser, eis a questão – “29 de Set” |

  3. xatoo diz:

    não há desculpas para que não se conheçam as falsas razões das dissidências entre trotskistas, reformistas e ortodoxos (a teoria é só uma e não pode ser distorcida por nenhum destes falsos intérpretes:

    “Como Funciona o Marxismo”
    Existe um mito muito difundido de que “o Marxismo é complicado”. Porém na realidade as ideias básicas do Marxismo são particularmente simples e explicam, como nenhum outro conjunto de ideias consegue fazê-lo, a sociedade em que vivemos.
    O mito tem sido propagado pelos inimigos do Socialismo – Harold Wilson, um importante líder trabalhista inglês, gabava-se de nunca ter sido capaz de ir além da primeira página de “O Capital”. E é também um mito que vem sendo respaldado por um tipo particular de académicos, que se dizem “marxistas”, mas deliberadamente utilizam frases obscuras e expressões místicas, com a finalidade de dar a impressão que possuem um conhecimento especial, negado a outros.
    Portanto, nada há de surpreendente que para muitos socialistas que trabalham 48 horas semanais em fábricas, minas e escritórios, eles acabem concebendo o Marxismo como algo que nunca terão tempo ou oportunidade de entender”

    O livro de Chris Harman, publicado originalmente em inglês com o titulo “How Marxism Works” no ano de 1997, está integralemente disponível online em língua castelhana aqui
    http://www.kaosenlared.net/component/k2/item/31760-c%C3%B3mo-funciona-el-marxismo.html

  4. notrivia diz:

    Bem, era só para dizer que, caso não tenham percebido, a CGTP registou patente para qualquer manif. que ocorra dia 29 de setembro… Se não registou, alguns dos seus porta-vozes certamente o terão feito…
    Pelo menos é o que deduzo dos espasmos:
    – ‘…mas já estava uma manif. marcada para lisboa com autocarros pra levar a malta e tudo…’
    – ‘…estes cabrões estão nos a foder a manif. (aka festa)…’
    – ‘…assim vamos ser poucos bem comportadinhos a abanar bandeirinhas pra fotografia…’ (porque já sabemos bem que nas manif. da CGTP não há absolutamente combatividade nenhuma. nos piquetes é outra conversa.)
    – etc

  5. Ulhó diz:

    a equerda contra a troika incluí o BE que aprovou a troika na Grécia?

  6. Vasco diz:

    Sejamos honestos. Está marcada para o próximo sábado uma manifestação da CGTP em Lisboa, no Terreiro do Paço, para onde deverão confluir todos os manifestantes. Ninguém aqui pretende fixar patente de coisa nenhuma ou de impedir quem quer que seja se de manifestar onde raio quiser. Agora não venham é dizer que com isso «unem», «somam» ou o que mais quiserem. Com esse acto dividem. Ponto final!

    • Renato Teixeira diz:

      Não tenho dúvidas sobre o que desmobiliza, se mil cartazes que proliferam sobre a manifestação de 29 (como de outras), mais ou menos dúbios, ou eventuais acções que decorram em paralelo, se o ataque, baixo e soez, por uma ninharia.

  7. Tiago diz:

    Nada de novo por aqui. Há uma grande diferença entre quem quer mandar abaixo este governo e quem acima de tudo está preocupado em bater na CGTP para atingir os seus fins políticos.

    E quais são os seus fins políticos? Acabar com a luta organizada. Acabando-se com a luta organizada, fazemos belas manifestações onde até a extrema-direita se sente confortável em participar, dormimos de cabeça tranquila, e quando for preciso virar a casaca, temos à nossa espera um belo tacho.

    Quando converso com amigos sobre o facto de haver pessoas que se auto-intitulam revolucionários e a sua mensagem sobre a CGTP é cópia integral do veneno do grande capital, a minha opinião vai sendo a mesma: daqui a uns anos olha para trás, vê os nomes e olha para onde foram.

    A história não começou hoje e estes pseudo-qualquer coisa vão parar onde os outros também foram. Porque é uma consequência natural. Sem luta organizada (com as dificuldades que isso implica, com a necessidade de não fazer aquilo que nos vem à cabeça, ou seja deixando o individualismo puro de lado e tendo de trabalhar em conjunto com outras pessoas), as coisas não crescem de forma progressiva, há picos, desde o 13 de março de 2010… só deu resultado visível agora no dia 15 de outubro de 2012! E se tivesse à espera que a comunicação social faça a papinha novamente… só quando convier ao capital alguma mudança nas moscas.

    Esta gente não está ao serviço do povo, é um fantoche que o capital utiliza quando lhes dá jeito. Eles adoram cumprir esse papel.

    Mas não se confunda quem se manifestou, com esta gente que procura sempre dividir. Não se confunda a enorme manifestação que houve, com a necessidade imperiosa de promover manifestações com uma unidade ideológica de esquerda.

    E é curioso ver que estes grandes revolucionários adoram manifestações onde cabe tudo e fazem tudo para desvalorizar manifestações com um caracter de classe. Sintomático do que esta gente é.

    E não existe um monopólio da verdade, a CGTP-IN não está ausente de erros, como qualquer pessoa que pense, sabe. O facto é que a partir do momento em que tudo vale para bater, não há uma intenção de construir nada, mas apenas de destruir, de tentar humilhar a cada momento quem trabalha segundo as suas convicções para a luta dos trabalhadores.

    E tem todo o direito de criticar. Claro que tem. Assim como eu tenho o direito de dizer alto e bom, que de revolucionários tem zero, porque estão sempre mais preocupados com o que a CGTP faz do que em realmente sairem do seu mundinho muito pequeno do facebook e dos blogs (paradoxo) e saberem o que é levar com a chuva nas trombas à porta de uma fábrica para entregar 50 papeis.

    Depois aparecem um, dois, três comentários a tentar passar uma ideia de que a CGTP isto e aquilo, que quer ter o monopólio das manifestações. Então é simples e para parolos resume-se a isto:

    Se querem unir e se querem promover a luta dos trabalhadores, se a central sindical mais representativa do país marca uma acção centralizada na capital do país, porra, não querem ir não vão, mas ao menos não marquem outras merdas para o mesmo dia.

    E não venham com tretas das deslocações para Lisboa porque há autocarros em todo o país. Se não gostam de ir em autocarros com sindicalistas, trabalhadores,comunistas, se não gostam de andar de autocarro e só andam no vosso popó, problema o vosso, não venham, mas não atrapalhem pelo menos.

    É dificil de compreender? O resto é palermice de quem não está preocupado com a miséria a que chegámos e que prefere dar um beijinho a um nazi numa manifestação “social” do que ajudar a construir uma manifestação promovida por uma central sindical que não se lembrou há um ano de que é preciso vencer o capitalismo, já vem da noite fascista.

    Tenham juízo e deixem-se de apregoar unidade, se não a querem. Ao menos não sejam hipócritas.

    • Tima diz:

      Ena fantástico. Fica-se então a saber que pelo ponto de vista acima descrito o milhão de pessoas que saiu à rua eram todos de extrema-esquerda e de extrema-direita, que andam todos à espera do melhor momento para mudar de casaca e que a verdadeira luta é da CGTP e dos comunistas os tais que “não são donos da rua”…
      Tanto texto para no final se declarar um verdadeiro sectário.
      Dizem-se revolucionários e já chamam os outros de “ultra-revolucionários”!
      Eu diria esquerda autoritária e conservadora que se fossiliza e isola a cada dia que passa tentando secar toda a esquerda que como eles não pensem.
      A soberba fica-vos bem…

  8. Nuno Cardoso da Silva diz:

    “E é curioso ver que estes grandes revolucionários adoram manifestações onde cabe tudo e fazem tudo para desvalorizar manifestações com um caracter de classe. Sintomático do que esta gente é.”

    Quem é divisionista, quem é?… Ou seja, divisionista é quem prejudica as ambições do PCP, esquerdalho é quem quer unir um povo sob a bandeira dos princípios e valores da esquerda… Uns sonham com “gulags”, outros sonham com justiça, liberdade e democracia…

  9. Diana diz:

    Antes de mais não posso deixar de dizer que ao ler parte destes comentários (e também ao ler outros artigos deste blog) se me esboçou um pequeno sorriso… Um pequeno sorriso composto por um misto de espanto e incredulidade mas também composto pela expressão “ha ha, agora apanhei-te!”. Passo a explicar, a minha humilde opinião:

    A CGTP-IN convocou uma manifestação para o dia 29 de Setembro, no Terreiro do Paço. Como está bem espelhado na convocatória e no cartaz o objectivo é levar toda a gente que queira participar ao Terreiro do Paço. Acho que o mote “Todos a Lisboa!” não podia ser mais claro. Acrescenta-se que estão organizados autocarros, a sairem de todos os pontos do país, de forma a possibilitar e facilitar a deslocação de todos os interessados. Portanto, não vejo, de forma alguma, como é que criar cartazes a convocar manifestações, no mesmo dia, à mesma hora, em vários pontos do país, possa ser encarado como uma atitude de quem pretende a união e coesão dos trabalhadores. Além disso, aproveitando o manto do Movimento que convocou a manifestação de 15 de Setembro e a concentração de 21 de Setembro, utilizando a expressão “Que se lixe a Troika! Queremos as nossas vidas!”, penso estarem a cometer uma grave desonestidade a vários niveis, não só ao nivel intelectual, visto que, a própria organização destes protestos apelou à participação massiva na Manifestação convocada pela CGTP-IN para o dia 29 de Setembro, que volto a repetir, terá lugar no Terreiro do Paço.

    Curioso ver a utilidade de certas expressões populares, tais como “Deixa-os poisar” e “Mais depressa se apanha um mentiroso do que um coxo”… Não estou aqui a chamar mentiroso a ninguém, atenção. Apenas gostava de partilhar esta minha constatação: após serem acusados de dividir, de atacar a todos os pretextos a CGTP-IN, o que fazem, em resposta é isso mesmo, atacar sobre todos os pretextos (na sua maioria falsos e ridiculos) a CGTP-IN (aproveitando logo para meter o PCP na conversa!).

    Bem, que eu saiba ninguém é dono da verdade, do futuro e das acções dos outros, portanto quando dizem que a “CGTP registou patente para qualquer manif. que ocorra dia 29 de setembro… Se não registou, alguns dos seus porta-vozes certamente o terão feito…”, mais não posso qualificar a afirmação do que intriguista e, lá está, divisionista, sem qualquer fundo de verdade!
    Também não nos estragam manif nenhum (a.k.a festa)… Isso não é possível nem está, de todo, ao “vosso” alcance, quem quer que sejam… Em relação à questão da “festa”, não percebi se era colocado em termos depreciativos ou não. A luta deve ser alegria, não sendo menos “luta”, menos combativa, menos de classe e menos revolucionária por isso, na minha opinião, bem pelo contrário!
    Não seremos POUCOS, bem comportadinhos a abanar bandeirinhas para a fotografia, seremos muitos, que gritam palavras de ordem bem alto, teremos faixas, bandeiras, pancartas e cartazes! Terão alguns aqui o monopólio do conceito de combatividade, mas certamente não posso concordar com o que se afirma. O que é a combatividade? Não está directamente relacionado com “combate físico ou verbal em termos menores”. Chamar filho da p*** a alguém não é mais combativo do que gritar uma palavra de ordem sem asneiras, mandar baias de segurança ao chão não é mais combativo do que centenas de milhares de pessoas a gritar em unissono… Eis a minha opinião.

    Estive em Lisboa na manifestação do dia 15 de Setembro e no dia 21 de Setembro. Fiquei feliz por ver tanta, tanta gente na rua. Lamento, mas discordo profundamente de se lançarem coisas contra a polícia (petardos, tomates, garrafas, etc…) , do que aconteceu em frente à AR no dia 15 de Setembro à noite… Não me parece sequer dignificante para quem lá vai, pessoas de todas as idades, com famílias… Acredito ser um factor de desmobilização de pessoas, como a minha avó de 85 anos ou a minha cunhada, grávida de 7 meses e com uma filha de 3 anos, que não voltam a ir porque não se sentem seguras e, sobretudo porque, tal como muitas outras pessoas, não se revêm naquilo em que alguns (poucos) tentam transformar as nossas (nossas porque são sempre de todos!) manifestações.

    Um último comentário para quem deturpa o que lê de forma descarada (digo isto porque assumo que tenham percebido bem o que leram e que portanto não o fazem de forma ingénua) – ninguém em momento algum, parece-me a mim, disse que todos os que sairam no dia 15 de Setembro eram de extrema-esquerda ou de extrema-direita.
    Quanto à “esquerda autoritária e conservadora que se fossiliza e isola a cada dia que passa tentando secar toda a esquerda que como eles não pensem”, tenho de admitir que a métrica e a intelectualidade subjacente, tem o seu quê de poético. Mas tem ainda mais de mentira, imensa e atroz, provando mais uma vez quem é de facto sectário. Diz-me só uma coisa: A cassete do capital que engoliste e debitas, custou muito a descer ou foi com a alegria de quem se coloca no “patamar superior da esquerda intelectual e burguesa”, ao serviço do capital, contra as verdadeiras organizações de classe? Ou apenas te irrita que essas organizações de classe, como a CGTP-IN que é maior central sindical do país, com centenas e centenas de milhares de sindicalizados e activistas, estejam ao lado dos trabalhadores e do povo, e os trabalhadores e o povo estejam a seu lado e com ela?
    Ou irrita-te ainda mais as últimas sondagens?

    • Renato Teixeira diz:

      As últimas sondagens só devem irritar quem a elas concorre. Parece que no campo da esquerda contra a troika as coisas poderiam estar a correr algo melhor. Mas descanse, o fel não será meu.

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