Contar militantes ou Derrotar o Governo?

O Bruno Carvalho está com muito medo que dia 29 aconteça o óbvio, a manifestação ser mais pequena que a dos movimentos sociais, partidos e população que veio à rua dia 15. Tudo se justifica por uma armadilha de pequenos grupos de esquerda e não pelo facto de 45% da mão de obra ser precária (a maioria jovem), apenas 10% ser sindicalizada e os sindicatos deste país serem uma burocracia, envelhecida, de gestão do Pacto Social, moribundo.

Bruno Carvalho atribui o facto aos grupos que pretenderiam dividir o que ele, com tanto custo, tem vindo a unir.

Ora, todos os grupos estão a chamar a manifestação para dia 29 no Terreiro do Paço e  isso não é incompatível com a possibilidade de em todas as cidades do país o povo vir para a rua exigir a queda do Governo. Afinal, trata-se de encher o Terreiro do Paço e medir forças para ver quem organiza a maior manifestação ou trata-se de organizar uma situação disruptiva, tipo Argentina, todos na rua, até que o Governo e a Troika caiam? (situação que obviamente, tal como PREC, fugiria ao controle do PCP).

O Bruno Carvalho vai-nos ver por lá, lamentamos. E vamos levar as nossas faixas, os nossos panfletos, e não vai haver nada a fazer a não ser, como na última, chamarem o serviço de ordem…na desordem política que vai na cabeça dos funcionários dos partidos da gestão regulada do capitalismo.

Dia 29, no Terreiro do Paço e em qualquer praça, carreiro ou rua deste país.

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9 respostas a Contar militantes ou Derrotar o Governo?

  1. JMJ diz:

    Está visto que há Raquel, o que conta numa luta é só o numero de presenças.

    Eu prefiro manifestações com carácter de classe. Se a coisa é só números, nenhuma manifestação será comparável aos festejos do titulo do Benfica.

    Prefiro pensar que a luta organizada, consequente politicamente tem outro valor.

    Para a Raquel, o que é bom é números, muitos números, mesmo que depois uns puxem para o fascismo, outros para a monarquia e outros ainda para lado nenhum.

    Por mim, dia 29 de Setembro não é um concurso para ver que mija mais longe ou quem tem mais “amigos no Facebook”.

    É mesmo mais um dia de Luta. Uma luta que continua e vai continuar. E vai continuar nas Empresas e na Rua e não na TV e nas redes sociais.

  2. Jorge Feliciano diz:

    “O Bruno Carvalho está com muito medo que dia 29 aconteça o óbvio, a manifestação ser mais pequena que a dos movimentos sociais, partidos e população que veio à rua dia 15.”

    Isto é que parece fita de puto mimado a dizer “a minha manifestação é maior que a tua, toma toma”.

    Aqui deixo o que já deixei noutro lado:

    1- Foi a CGTP que convocou a manifestação 2- Optou por uma acção centralizada em Lisboa, no Terreiro do Paço 3- Podia ter optado por acções descentralizadas, como tantas vezes já o fez, mas não 4- Convocar outras manifestações noutros locais do país não ajuda ao cumprimento dos objectivos traçados para dia 29 pela CGTP 5- É assim tão difícil compreender? 6- a Unidade forja-se na luta e dentro de um compromisso de respeito mútuo.

  3. António Paço diz:

    Raquel:
    Fiz este comentário ao post com cartaz do Bruno (que, à hora em que escrevo isto, ele ainda não aprovou):
    «Bruno, será que não consegues entender que usar o cartaz de convocatória da manif convocada pela CGTP para o Terreiro do Paço no próximo sábado dia 29 como pretexto para atacar aqueles que estão no mesmo combate (ainda por cima acusando-os de ‘divisionistas’ e de ‘servirem a direita’) é PREJUDICIAL à manifestação convocada pela CGTP? Que é necessário promover a unidade entre os sectores mais jovens, precários e não organizados sindicalmente e os trabalhadores mais velhos, com empregos em geral mais estáveis e sindicalizados? E que isso não se consegue com esta prosa contra os supostos ‘divisionistas’, que no passado era nociva e agora, além de nociva é bacoca? Tem dó, pá!»
    Mas também acho que é prejudicial para a manifestação esta discussão pública sobre se o PC ou a CGTP querem contar manifestantes ou derrubar o governo. É importante que no sábado (já no fim desta semana) muitos milhares de pessoas, a acrescentar às de 15 de Setembro, estejam na rua contra o governo. E esta discussão, nesta altura, não ajuda a isso. Neste momento, a única contagem que interessa é o countdown para ver quantos dias de vida sobram ao governo do Gaspar/Passos/Portas/Macedo/Relvas e outros cavalheiros de triste figura.

  4. André Rodrigues P. Silva diz:

    A Raquel Varela divulgou aqui um cartaz que apela a concentrações, no dia 29, pelos vistos, em várias cidades do país. Isto em si mesmo não teria provavelmente mal nenhum, e não provocaria confusão nenhuma, se a Manif. que ela tinha em mente ao divulgar o cartaz não fosse precisamente aquela que a CGTP organiza, no Terreiro do Paço, em Lisboa, e não apenas em Lisboa, indistintamente. O que ela escreveu / divulgou confunde? Certamente, qual é a dúvida? Que não confunda os autores e os leitores potenciais deste blogue, compreende-se, mas confundirá muita gente mal informada, como ela sabe.
    Raquel, a CGTP não pretende ser dona da rua. E ninguém, incluindo o Bruno, será mesquinho ao ponto de estar preocupado em saber qual é a manif. com mais adesão. É perfeitamente natural, parece-me, que seja a de dia 15, por várias razões que não vêm ao caso, deixo apenas uma: os média.
    Escreve a Raquel Varela:
    “O Bruno Carvalho está com muito medo que dia 29 aconteça o óbvio, a manifestação ser mais pequena que a dos movimentos sociais, partidos e população que veio à rua dia 15. Tudo se justifica por uma armadilha de pequenos grupos de esquerda e não pelo facto de 45% da mão de obra ser precária (a maioria jovem), apenas 10% ser sindicalizada e os sindicatos deste país serem uma burocracia, envelhecida, de gestão do Pacto Social, moribundo.”
    É profundamente triste que o escreva e é divisionismo puro, para começar; também a sua visão dos sindicatos em Portugal na actualidade lhe fica mal, creio eu, enquanto historiadora. Não o escrevo como argumento mas como desabafo: se é esta a visão que tem do sindicalismo em Portugal hoje, não pretendo perder muito tempo com qualquer ensaio, artigo ou monografia da sua autoria. Conheço esses óculos ideológicos e a verdade é que não têm trazido nada de substancialmente bom à historiografia recente.
    É a Raquel que parece estar preocupada com os números do dia 29. Em parte, pode ficar descansada: os números que chegarão ao conhecimento da generalidade das pessoas serão certamente inferiores aos do dia 15; a Manif. será um êxito, segundo creio, mas terá, como sempre acontece, escassa cobertura mediática ou será coberta sem referências explícitas à CGTP. Há muitas variantes possíveis, nenhuma delas abonará os sindicatos. Isso, pelo que percebo das suas palavras, parece alegrá-la. E parece-me triste que assim seja.

  5. João Oliveira diz:

    Algumas notas:
    1) Para Raquel Varela é óbvio que a manifestação do dia 29 terá menos afluência que a do dia 15. É a velha história de confundir desejos com realidades.
    2) Os sindicatos portugueses são “uma burocracia, envelhecida, de gestão do Pacto Social, moribundo”. A direita mais reaccionária não diria melhor. Pelos vistos todas as manifestações e negociações da Inter de nada valem. O que era melhor, segundo Raquel Varela, era não existir CGTP. O mesmo desejo da CIP, da CAP e restante cambada.
    3 ) A principal preocupação do PCP é as manifestações fugirem ao seu controlo. Aí está o velho preconceito anticomunista.
    4) Por último: como é que podemos levar a sério alguém que se diz de esquerda mas gasta mais tempo a criticar o PCP e a CGTP do que as políticas de direita? E que é capaz de criticar veementemente a Venezuela bolivariana sem gastar uma linha com os enormes avanços conseguidos nesse país? Posso adjectivar os textos de Raquel Varela de muitas maneiras, mas «de esquerda» não será uma delas.

  6. Miguel Botelho diz:

    Era bom que não discutissem sobre quem tem ou não razão nestas manifestações.
    Qual é na verdade o seu propósito? O derrube deste governo.
    Se as manifestações do próximo sábado, sejam elas organizadas pela CGTP ou não conseguirem esse objectivo que todos queremos – o demissão do primeiro-ministro – então acho que todos (desde a Raquel ao Bruno) estão de parabéns pelos seus esforços.
    Senão, devemos continuar a tentar, de semana a semana, em Lisboa e todo o país.
    Já não há pachorra para os membros deste governo e todas as suas incompetências e faltas de preparação.
    Todos os governos têm um tempo e o tempo deste já acabou. É tempo de irem embora e irmos novamente a eleições.
    Até lá, vamos dar força a todas as manifestações do dia 29, sejam elas no Terreiro do Paço, em São Bento ou em todas as cidades do país.

    • ANtónio diz:

      Essa história do propósito, ao contrário do que diz, é precisamente o que as divide. Derrubar este governo, ou derrubar a sua política (concretizada por este governo, ou por outro em que só mudam as caras, e vá, os logotipos nos cartões de militantes)?

      • Miguel Botelho diz:

        Tratemos primeiro de derrubar este governo. É essencial que acabe. Não o queremos. Façamos todas as forças para que acabe de vez.
        Quando o povo se revolta, as mesmas caras a que estamos habituados ou fogem ou acabam por ceder.

  7. imbondeiro diz:

    Cara Raquel Varela:
    Por norma, não entro nesta espécie de campeonato das esquerdas, espécie de guerrilha de máquina de calcular nas mãos a tentar descortinar quem trouxe mais gente para a rua. Aliás, como princípio, tenho o de que todas as pessoas têm um cerébro e, assim sendo, as pessoas não são trazidas por ninguém: elas vão, pelo seu próprio pé e guiados pelas suas cabeças, defender aquilo que só elas podem defender – o seu futuro e o futuro do seu país. Mas vamos ao que importa: a excelentíssima Raquel Varela ter-se -á apercebido do facto de o primeiro parágrafo do seu “post” poder ser erigido em hino triunfal das políticas neoliberais ( eu chamo-as de políticas de extrema-direita ) dos senhores que nos governam? Concretizando: depois de anos e anos de demonização dos sindicatos – deixemo-nos de eufemismos, da CGTP- , depois de uma selvagem precarização do vínculo laboral dos trabalhadores ( com que objectivo?), depois de uma redução brutalmente criminosa dos rendimentos de quem trabalha ( e tudo isto planeado e operacionalizado por quem?), a cara Raquel Varela escreve aquilo ( e, corrija-me se me engano ou sofro de má-fé), defende aquilo que não ficaria mal a um Macedo, a um Relvas ou a um Borges: os sindicatos são coisas do passado e a precarização laboral é pecado mortal que recai, única e exclusivamente, sobre as suas cabeças. Sendo de esquerda, a cara Raquel Varela ainda constata que CGTP e PCP estão a ser ultrapassados pela esquerda por esse bom povo precário e desenquadrado.
    Olhe, caríssima Raquel Varela, há um velho adágio, sábio adágio, que assim reza: “Cuidado com o que desejas…” É nesse caldo inorgânico, nessa multidão indistinta onde todos se acham irmãos pese embora o facto de serem filhos de pais muito diferentes, que nasce o sono da Razão. E esse sono, como é por demais verificável, sempre engendrou os monstros. A continuarmos neste plano inclinado, ainda (infelizmente) verei muitos profetas e profetisas da “acção directa” a clamarem encarecidamente à CGTP, ao PCP e ao BE para porem um travão na coisa. Depois, cara Raquel Varela, não diga que ninguém a avisou: é que uma coisa é a coragem numa luta que se quer esclarecida e com objectivos; outra coisa é o abrir da caixa de Pandora do aventureirismo populista desenquadrado e inconsequente. Os aventureiros costumam atingir dois objectivos, honra lhes seja feita: enchem cemitérios e destroem países. Quanto às caixas de Pandora, geralmente há quem as abra e quem se banqueteie com o seu conteúdo. Quando os últimos o fazem, já os primeiros deram a alma ao Criador. Existe, obrigatoriamente, um terceiro actor: aquele que terá de fechar a caixa, livrando-se, a penas de sangue e destruição, dos segundos que os primeiros, na sua voluntarista inconsciência, criaram. Quer adivinhar o nome deste terceiro?

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