A repetição deste processo é conhecida: “Los que le cierran el camino a la revolución pacífica, le abren al mismo tiempo el camino a la revolución violenta”. Depois ponham-se a gritar, espantados, numa qualquer varanda, que “o povo é sereno”.

Depois do milhão de pessoas que saíram à rua em várias cidades do país e do mundo no passado fim-de-semana, cerca de vinte mil pessoas concentraram-se esta sexta-feira, noite dentro, em frente ao Palácio de Belém e ao Conselho de Estado. Os seus ministros e secretários de estado não têm onde ir sem serem confrontados. A coligação perdeu a confiança e mesmo no PSD ouvem-se cada vez mais as vozes contra do que as que outrora se levantavam, efusivamente, em defesa da sua direcção. A Europa reúne sem aquele que pode vir a ser o seu maior embaraço, uma vez que a receita da troika foi seguida à linha e os seus resultados estão à vista de todos, em carne viva. Não há desculpas. O povo comeu e calou. Resmungou. Acordou. De um dia para o outro encheram-se, de novo, as avenidas. Uma nova greve geral está a caminho e não é provável que os deputados se consigam ouvir se cometerem a insensatez de chegar ao Orçamento de Estado.

Passos Coelho diz que não é cego nem surdo, numa alusão ao facto de estar a ouvir os protestos. Apesar disso, o seu governo não dá um passo atrás, nem mostra sinais de que esteja disposto a sair de cena ou a mudar de rumo. O descrédito instalou-se, irreversivelmente.

A TSU já caiu mas a austeridade vai apenas mudar de nome.

Até quando vão continuar a farsa?

Comunicado do Conselho de Estado:

 “1) O Presidente da República reuniu hoje o Conselho de Estado, para efeitos do artº 145º, alínea e), segunda parte, da Constituição, tendo como ordem de trabalhos o tema “Resposta europeia à crise da Zona Euro e a situação portuguesa”

2) Na fase inicial da reunião do Conselho de Estado, que contou com a presença de todos os seus membros, participou nos trabalhos, a solicitação do Presidente da República, o Ministro de Estado e das Finanças, que fez uma exposição sobre o tema da agenda e prestou os esclarecimentos solicitados.

3) O Conselho debruçou-se sobre as medidas já tomadas pelas instituições europeias visando combater a crise da Zona Euro e a suas implicações para Portugal e manifestou o desejo de que a criação da União Bancária Europeia, a disponibilidade do BCE para intervir no mercado secundário da dívida soberana de países sujeitos a estrita condicionalidade e as políticas europeias para o crescimento e o emprego sejam concretizadas tão rapidamente quanto possível.

4) No quadro da situação do País, os conselheiros sublinharam a importância crucial do diálogo político e social e da procura de consensos de modo a encontrar soluções que, tendo em conta a necessidade de cumprir os compromissos assumidos perante as instâncias internacionais que asseguraram – e continuam a assegurar – os meios de financiamento essenciais à nossa economia, garantam a equidade e a justiça na distribuição dos sacrifícios bem como a protecção das famílias de mais baixos rendimentos e permitam perspectivar o crescimento económico sustentável.

5) Embora reconhecendo que Portugal depende muito do exterior para o financiamento do Estado e da sua economia, sendo por isso importante preservar a credibilidade externa do País e garantir avaliações positivas do esforço de ajustamento visando a correcção dos desequilíbrios económicos e financeiros, o Conselho de Estado considera que deverão ser envidados todos os esforços para que o saneamento das finanças públicas e a transformação estrutural da economia melhorem as condições para a criação de emprego e preservem a coesão nacional.

6) O Conselho de Estado foi informado da disponibilidade do Governo para, no quadro da concertação social, estudar alternativas à alteração da Taxa Social Única.

7) O Conselho de Estado foi igualmente informado de que foram ultrapassadas as dificuldades que poderiam afectar a solidez da coligação partidária que apoia o Governo.

Lisboa, 21 de Setembro de 2012″

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  1. Edgar diz:

    Passos Coelho não sendo “cego nem surdo” vai certamente tirar ilações desta frase: “participou nos trabalhos, a solicitação do Presidente da República, o Ministro de Estado e das Finanças, que fez uma exposição sobre o tema da agenda e prestou os esclarecimentos solicitados.
    Se, como é de esperar, Ministro das Finanças expôs e explicou as posições do Governo, o que esteve Passos Coelho a fazer no Conselho de Estado?

  2. Diogo diz:

    A cada manifestação que acontece, o Poder sorri desdenhosamente e volta a tomar medidas ainda mais gravosas contra a população.

    A passividade já demonstrou toda a sua ineficácia. Até quando?