PUNK, PUSSY RIOT – nova vanguarda? (arte, activismo, que interacções?)

(Bartô/Chapitô, hoje, 22h)

 « Pussy Riot, Voina: Making punk a threat again?

Passagem de vídeos/performances seguido de conversa com Carlos Vidal, artista plástico; Verónica Metello, doutoranda em Estudos Artísticos; João Lisboa, crítico do Expresso; Party Program, blogue Spectrum, às 22h »

«A par da complexificação da repressão, entre autoridades e austeridades, também a resistência se tem transformado  e radicalizado.  No passado mês de fevereiro, o colectivo Pussy Riot, usando uma igreja ortodoxa como palco, vomitou uma oração punk anti-Putin. Já antes, várias acções do grupo de street art Voina, também russo, seguem pela mesma bitola da denúncia e ironia, tentando sobretudo criar momentos de superação de toda a autoridade.

Nestas performances, que bebem do punk a sua disrupção de produtor da “melhor arte de todos os movimentos de vanguarda que o precederam”, como afirmou Greil Marcus, e podem arriscar anos de prisão, os autores recusam o catalogação de activistas, preferindo identificar-se como artistas, defendendo que, nos tempos que correm e procurando a verdadeira modernidade, esta é a única forma possível de arte. Será?»

(Do press-release de Zona Franca zonalibertada)

Veremos, veremos: impossibilitado de comparecer, João Lisboa dará lugar a Susana Mendes Silva, artista e performer. (E aproveito para mandar uma nota solidária ao RDA69 e a todos os que estão sujeitos a previsível perseguição nesta estranha etapa desta estranha democracia.)

 

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11 respostas a PUNK, PUSSY RIOT – nova vanguarda? (arte, activismo, que interacções?)

  1. Tiago Mota Saraiva diz:

    Quando é Carlos? É hoje?

  2. xatoo diz:

    Sou completamente a favor deste tipo de “performances” que metam padres, artistas, putas e simbologias religiosas. É da nossa tradição, mormente da Braga de Marinho de Dume, dito santo, um virus que alastrou rapidamente
    Por isso, nós performers comunistas, na mesma linha, propomos que levemos a cabo a ocupação da Basilica da Estrela entoando “A Internacional” – só para ver se o regime abana, ou se faz disso um caso de policia

    • Carlos Vidal diz:

      O regime abana, vai abanar, mas de outra maneira.
      Por enquanto, nada está provado acerca da força da estética.

  3. almajecta diz:

    nova vanguarda da obsessão sectária, do delírio histérico pseudo-activista, do delírio de interpretação. Folclore da transgressão político-social trendy e vitimista.
    Nostalgia de formas liturgicas mui reaccionárias.
    Robespierras púdicas nas próprias virtudes não constituem ameaça. Acontecimento indizível de que não nos deixam ignorar que é inteira e simultaneamente erótico e assustador, preocupadas em tomar com toda a consciência o sentido oposto da Criação, inteiramente ocupadas a procurar o sublime no infame, o grande no subversivo, voltadas para o passado e mui precisamente determinadas por Sade.

    • Carlos Vidal diz:

      Aprecio o Mao quando este é antifolclorista. Estratégia e acção são as suas características, grande Jecta.
      Quanto ao punk – a sua relação com a indústria cultural e a hipermediatização é ambígua e complexa, mas soube (sem procurar legitimação erudita) reactualizar o dionisíaco e as linhas libertárias de dada.
      O Sade aqui é um elogio. O sublime no infame é uma via estimulante, o pior é quando a mediatização toma conta do processo.

  4. LmR diz:

    «o sr. Lisboa comete gaffes obtusas e abstrusas e não (me) consta que tenha escrito alguma vez sobre o que quer que seja que me interesse. Pelo menos por algo que me interesse por demais. Daí ter concluído, e bem, que se equivocou na sua “visita”»

    É o mesmo? A coisa promete, se houver por aí alguma coerência…

    • Carlos Vidal diz:

      – Nem sim nem não.
      – Não fiz a mesa.
      – Pode-se ler até ao fim o inócuo post.
      – Logo, a coisa não promete nada.

      (LmR já teve os seus 15 minutos de fama; não sei o que quer mais.)

      • almajecta diz:

        Pussy Riot, The Unfortunate Dupes of Amerikan Hegemony
        by Dr. Paul Craig Roberts
        This article originally posted on: Institute for Political Economy

        My heart goes out to the three Russian women who comprise the Russian rock band, Pussy Riot. They were brutally deceived and used by the Washington-financed NGOs that have infiltrated Russia. Pussy Riot was sent on a mission that was clearly illegal under statutory law.
        You have to admire and to appreciate the spunk of the women. But you have to bemoan their gullibility. Washington needed a popular issue with which to demonize the Russian government for standing up to Washington’s intention to destroy Syria, just as Washington destroyed Iraq, Afghanistan, and Libya, and as Washington intends to destroy Lebanon and Iran.
        By intentionally offending religious worshipers–which would be a hate crime in the US and its European, Canadian, and British puppet states–the women violated a statutory Russian law.

        • Carlos Vidal diz:

          Grande Jecta, em primeiro lugar ninguém ontem se perdeu em turtuosos caminhos como os do “conteúdo a valorar”, ou seja, do juízo de gosto, arrumação estética, categorização, etc.
          Para um inimigo do “conteúdo” como tu, descansa.
          O tema do punk, que alguns autores célebres ligaram à Internacional Situacionista é sempre actual.
          Em segundo lugar, a teoria da conspiração norte-americana foi ontem comentada, é muito interessante, mas para mim não tem credibilidade. Estes grupos “neo-punk” (??) são em grande quantidade um pouco por todo o lado (serão “artistas”, Koltura ??): violam a propriedade, vandalizam de forma performativa….
          Ninguém saberia explicar por que é que a sorte de instabilizar a Rússia iria caber às Pussy Riot, a mando da CIA. Ficavam de fora dezenas de outros grupos, e a táctica americana não teria efeito.
          Depois a história destas blasfémias, de Sade a Dada é algo que temos obrigação de pensar, contextualizar, sei lá que mais. Vá lá Jecta, vai logo a Belém.

      • Carlos Vidal diz:

        Tenho que deixar de colocar aqui comentários deste LmR (se é quem eu penso), depois de treslidos os posts têm apenas a finalidade da chatice.

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