Onde se vai buscar o dinheiro?

Só no 1º semestre de 2012, os lucros apenas das empresas do PSI 20 atingiram mais de 1950 Milhões de euros. Mesmo considerando que no 2º semestre, os lucros destas empresas “apenas” conseguem atingir os 70% do valor do 1º semestre, o lucro destas empresas (e apenas destas) atingiria os 3315 Milhões de euros.

Um imposto extraordinário e solidário (não é esse o termo da sobretaxa no IRS dos trabalhadores depedentes?) de 50% sobre estes lucros solucionaria grande parte dos nossos “problemas de tesouraria”.

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16 respostas a Onde se vai buscar o dinheiro?

  1. JgMenos diz:

    Entre a ignorância e a má-fé que dispensa a análise objectiva…
    1 – Supondo que não quer afectar em 50% dos rendimentos quem tem depósitos à ordem, haveria de determinar qual o capital a remunerar com esses lucros.
    2 – Depois, sabendo que os impostos se pagam em dinheiro, haveria que reflectir em quanto de dinheiro vivo se traduziu esse lucro (cash-flow).
    3 – Depois, sabendo que o emprego e o crescimento depende do investimento, qual o impacto dessa medida na capacidade de investimento das empresas.

    E tudo isto para fundar o negacionismo – entre o festivo e o cínico – da esquerda : andando anos a consumir mais do que o possível, ainda assim nada nos impede de prosseguir sem empobrecimento!

    • Rafael Fortes diz:

      os valores são relativos aos lucros liquidos e apenas das empresas cotadas no psi 20. sem perceber muito de economia, acho que:
      1- esses 50% seriam sobre este montante. ou seja, empresas que apresentem resultados negativos não estariam sujeitas. depósitos à ordem não percebo onde encaixam aqui…
      2- o efeito sobre o emprego seria praticamente nulo visto que a estas empresas corresponde uma % do emprego da economia nacional muito baixo.
      3- as empresas continuariam a ter lucro por isso não poderiam alegar a criação deste imposto como motivo para despedimentos ou dificuldades de crescimento
      4-o que haveria seria menos dividendos para distribuir
      não percebo a injustiça de tal media…

  2. l'outre diz:

    Boa parte dessas empresas não têm sede fiscal em Portugal, pelo que se levantam algumas questões jurídicas. É também importante não esquecer que parte desses lucros foram gerados nos investimentos que essas empresas têm no estrangeiro, o que coloca mais um entrave na colecta fiscal. É uma ideia bonita, mas carece de um “estudo de viabilidade”.

    • Rafael Fortes diz:

      a viabilidade encontra-se sempre, a vontade politica não. o que tem faltado é vontade politica com desculpas técnicas…

      • notrivia diz:

        É bem Rafael! Grande posta. Grandes respostas.

      • Rafael Ortega diz:

        Não sabe responder disfarça…

        O que l’outre disse deixa-o sem argumento melhor que esse?

        Como é que cobra dinheiro a empresas sediadas noutros países (ainda há pouco tempo a comunicação social noticiava que 19 em 20 do PSI 20 estavam com a sede fora de Portugal)? A empresas que muitas delas têm a maior parte do seu rendimento em operações fora de Portugal?

        Como é que cobra 50% a uma empresa sediada na Holanda que tenha a maior parte do seu lucro a provir do Brasil?

        • Rafael Fortes diz:

          estão cotadas no PSI 20, não estão? Muito sinceramente, até podiam ter a sede fiscal em Marte. Como, como, como? Quando não há vontade, todas as desculpas são boas. Por ex, um trabalhador não residente dependente em Espanha leva sempre com um imposto de 25% SOBRE O SEU rendimento. Se quer saber como, podia esta, entre milhentas possiveis a serem feitas. Empresas do PSI 20, com residencia fiscal fora de Portugal levavam uma sobretaxa adicional…vê como não é dificil quando se quer?

          • Rafael Ortega diz:

            O trabalhador não residente em Espanha paga isso, tal como a empresa estrangeira com negócio em Portugal paga sobre o lucro do negócio, não sobre o lucro que tem no mundo todo.

            Na altura em que há desemprego alto a solução da esquerda é aumentar ainda mais os impostos. Vocês no fundo não são muito diferentes do Governo.

          • Rafael Fortes diz:

            a soluçao da direita qual é?

          • João Valente Aguiar diz:

            Rafael, é quase impossível cobrares impostos nacionalmente a uma empresa que está com o seu capital a circular por quase todo o lado… E esse exemplo do trabalhador é muito mal esgalhado porque os trabalhadores não colocam o capital a circular como lhes apetece. Ao contrário, as grandes empresas organizam-se transnacionalmente e conseguem colocar o seu capital-dinheiro onde lhes aprouver em minutos… Ao mesmo tempo, eu não sei em que mundo as pessoas vivem, mas será que os militantes de esquerda acham que a burguesia e os gestores têm o dinheiro em depósitos bancários comuns? A generalidade da riqueza apropriada pelas empresas está em títulos, obrigações, acções, portefólios financeiros de todo o tipo, etc. o que lhes permite fluir muito rapidamente esse dinheiro por qualquer lado…
            Claro que a medida que colocas é correcta em termos da sua substância mas ela é impraticável no plano nacional. O triste disto tudo é que à medida que o capital se foi internacionalizando e transnacionalizando, a esquerda continua a suspirar pelo espaço nacional como se conseguisse resolver alguma coisa dentro de uma estrutura absolutamente secundária nas economias capitalistas actuais… Ainda por cima em países absolutamente insignificantes como Portugal ou a Grécia… Esse suspiro pela “soberania nacional” leva a que muitos militantes e dirigentes do PCP achem que conseguiriam controlar a fuga de capitais no caso de uma saída de Portugal do euro… Ora, quem ia ficar com o dinheiro aqui retido seriam os trabalhadores. A burguesia já colocou e, nessa situação, iria colocar ainda mais e muito mais rapidamente o seu capital no estrangeiro. Nesse cenário de uma saída do euro, depois de se nacionalizar os bancos falidos só irias encontrar as poupanças de trabalhadores e de pequenos proprietários.
            Por isso é que o nacionalismo vai muito para além de ser uma “bandeira” partidária e da mera aclamação da “nação”: é toda uma estrutura de pensamento que tolhe a própria clarividência de organizações inteiras e as impede de vislumbrar outras dimensões para além das do seu Estado nacional. No caso, a necessidade de as lutas sociais se internacionalizarem sob pena de a classe trabalhadora continuar fragmentada. Claro que eu não tenho fórmulas salvadoras (como individualmente ninguém tem), apenas me limito a constatar algo que devia ser óbvio.

          • Rafael Ortega diz:

            Não sei, pergunte-lhes no dia em que forem Governo.

            Aumento de impostos e não tocar na despesa não me parece de direita. Estes tipos que nos governam são tão socialistas como os anteriores.

          • Rafael Fortes diz:

            pois….eu bem me parecia que o Passos Coelho tinha um busto do Lenine escondido na casa de banho…

  3. Luis diz:

    estão cotadas no PSI 20, não estão? Muito sinceramente, até podiam ter a sede fiscal em Marte. Como, como, como? Quando não há vontade, todas as desculpas são boas. Por ex, um trabalhador não residente dependente em Espanha leva sempre com um imposto de 25% SOBRE O SEU rendimento. Se quer saber como, podia esta, entre milhentas possiveis a serem feitas. Empresas do PSI 20, com residencia fiscal fora de Portugal levavam uma sobretaxa adicional…vê como não é dificil quando se quer?
    O psi20 é só um índice. As empresas desenvolvem actividade em vários países e pagam os seus impostos localmente. Cobrar impostos em cima de impostos resultaria apenas na reorganização das empresas, levando as estruturas de topo para fora de Portugal.

    • De diz:

      Quando se quer ser sério não basta parecê-lo.
      “O psi20 é só um índice.”
      Sim?E quem disse que não era?
      “Este índice é composto pelas maiores empresas portuguesas no mercado de capitais”.
      O texto é claro:”Empresas do PSI 20…”Fala-se das empresas,não somente de um “índice” sobrenatural,filho de pai incógnito e de mãe solteira.

      Adiante. Não vale a pena sequer falar sobre “os tipos que nos governam que são tão socialistas como os anteriores”
      Os disparates têm que ter alguma credibilidade para poderem merecer a dignidade de um comentário. Nem uma gargalhada merecem tais dislates neoliberais esparvoados.Está-lhes na massa do sangue como a hasta pública dos familiares próximos

      Entretanto:
      http://static.publico.pt/docs/economia/propostacgtp.pdf

    • Rafael Fortes diz:

      hummmm…a REN e a EDP saíriam de Portugal, então?

    • Rafael Fortes diz:

      e a sonae, acha que tambem abandonaria o país? e a zon? e a jeronimo martins fecharia todos os pingo doces?

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