Objectivo: descaracterizar o 15 de Setembro

É fantástico ver como a manifestação de 15 de Setembro tem vindo a ser polida passando para um protesto contra a medida da TSU (versão PS e CDS) ou por uma melhor comunicação do governo (versão PSD). Na sequência disto há quem se dê ao trabalho de contar quem, no Conselho de Estado, está contra ou a favor da TSU como se fosse haver uma votação. Poupem-nos a esses exercícios. Não somos burros. A manifestação de 15 de Setembro foi contra a troika e os troikistas. E, ao que julgo saber, TODOS os conselheiros de Estado foram favoráveis ao “entendimento”. Por isso a conta é fácil. Lá dentro 100% a favor, cá fora 100% contra.

A convocatória está aqui. Estamos quase nas 10.000 adesões.

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13 respostas a Objectivo: descaracterizar o 15 de Setembro

  1. De diz:

    E é comovente como tudo agora parece rodar em torno da TSU e do recuo mais ligeiro ou mais apressado que Coelho deve fazer no que a essa questão diz respeito. Os media falam quase que a uma só voz.

    O falhanço completo das políticas implementadas pelas troikas é completamente silenciado.

    É bom não esquecer:
    Analisando dados do INE ” não há memória de no período de um ano, alguma vez se ter registado queda tão grande do emprego e subida tão acentuada do desemprego em termos absolutos. A destruição de empregos foi tal neste período que só na indústria transformadora perderam-se 50 800 empregos, no sector da construção 80 800 e no sector dos serviços 70 600.
    Neste período foram destruídos 204 800 empregos e como resultado disso pelo menos mais 151 900 trabalhadores foram para o desemprego. Se acrescentarmos a estes desempregados os inactivos que pretendem trabalhar, então a subida no último ano foi de 227 700 desempregados.
    Neste mesmo período o nº de desempregados em sentido restrito atingiu os 826 900 (15% de taxa de desemprego), enquanto o desemprego real ultrapassa já um milhão e 252 mil desempregados (21,8% de taxa de desemprego real), incluindo os inactivos disponíveis e o subemprego visível.
    Os dados agora divulgados permitem avaliar melhor o impacto económico e social de um ano de Pacto de Agressão: profunda recessão económica, destruição de empregos, subida do desemprego, queda da Procura Interna no último ano (-7,0% em termos reais), queda do rendimento das famílias resultante dos cortes nos salários, nas reformas e nas pensões dos trabalhadores, ao aumento da carga fiscal sobre os trabalhadores, redução dos apoios sociais aos trabalhadores e às suas famílias e cortes na Saúde e na Educação.”

    O pacto de agressão em todo o seu esplendor.Falharam e querem ainda mais

  2. Caxineiro diz:

    A manipulação começou logo no dia da manif e em directo. Não pude participar mas segui pelas TVs e reparei que de todas as vezes que entravam em reportagem havia sempre um “manifestante ” parado ao lado da jornalista pronto a ser “entrevistado” como “apolítico,” “apartidário” etc…houve até um desses “pastores de serviço” que disse que não era contra as medidas de austeridade, Não se dão conta do ridículo
    Claro que quando falavam com as pessoas que passavam a conversa mudava por completo e o repúdio ao governo e à sua política era generalizado

    Penso que a tentativa de impor essa versão não colará. A única coisa que conseguem é cair mais ainda no ridículo

  3. imbondeiro diz:

    Uma pedra é uma pedra, uma pedra é uma pedra, é uma pedra, é uma pedra, é uma pedra… Podem pintá-la: é uma pedra. Podem esculpi-la: é uma pedra. Podem chamar-lhe pássaro, peixe ou cascata: permanece uma pedra. Uma pedra não sofre metamorfoses: uma pedra foi uma pedra, é uma pedra, será uma pedra. Uma pedra é uma incontornável evidência mineral. Uma pedra é um maciço aviso. Uma pedra foi colocada aos pés destes senhores. Da boca destes senhores, pedra aos pés jazente, só uma palavra poderia sair: “-Entendemos”. A palavra não foi dita. Uma pedra é uma pedra: pousada como um grito mudo no chão, ou a gritar a sua certeira trajectória pelo ar, uma pedra é uma pedra. Que a estupidez destes senhores seja parada a tempo de as pedras não voarem. Ao contrário de uma pedra, uma cabeça sofre metamorfoses. Já vi algumas. Não é bonito.

  4. Vitor Vieira diz:

    10.001 – o Vítor Gaspar também vai, fartou-se de elogiar os manifestantes

  5. JotaB diz:

    A manifestação de 15 de Setembro, na minha modesta opinião e eu participei na dita MANIFESTAÇÂO, foi contra as políticas de empobrecimento dos cidadãos deste país, contra aquilo que teimam em chamar de democracia e, sobretudo, contra os políticos e as políticas por eles perpetradas.

  6. Rui Costa diz:

    É verdade, e conheço pessoalmente, quem tenha ido à manifestação contra o governo e não contra a troika. Admito que muita gente tenha ido precisamente manifestar-se contra um governo que quer ir além da troika custe o que custar, mas não esteja contra a troika em si, que é vista como um mal necessário. Tanto descaracteriza a manifestação quem a quer reduzir à questão da TSU, como quem quer ver naquela manifestação uma unanimidade anti-troika que ainda não existe. É importante compreender isto mesmo, embora o governo esteja de facto derrotado, ainda se mantem o consenso da inevitabilidade. A luta ainda agora começou.

    • Tiago Mota Saraiva diz:

      Rui, admito que, em tanta gente, até terá havido quem tenha participado na manifestação como mirone e outros quem nem sabiam o que era aquilo e estavam apenas a passar por ali.
      A questão é que a convocatória e até a palavra de ordem que lhe deu o título é claríssima. Desvirtuá-la como sendo um dado adquirido que o sentido era outro, é desonesto.
      É um pouco como numa manifestação anti-touradas, haver alguém que declara que até é a favor da faena, mas que as bandarilhas devem ser mais fofinhas? É desonesto dizer que a manifestação defendeu que as bandarilhas fossem substituídas por palitos, certo?

  7. antonimo diz:

    digo o que disse ao Renato, a manif foi antitroica na convocatoria, nao na totalidade da gente que reuniu onde havia de tudo. esse discurso tem semelhanças com o da helena matos e do castelo branco. aquele pessoal ate pode estar contra a troica, mas apenas por esta lhes lixar a vida, mas dizer que se reveem todos no texto claro da convocatoria…

  8. Natália Santos diz:

    Acho que ser contra o governo é ser contra a troika. Só que as pessoas, e bem, estão contra quem as representa. Por isso e porque não se podem arranjar manifestações à medida, as pessoas aderiram independentemente de ter como lema ” contra a troika!”

  9. Rocha diz:

    Começam a abundar mentecaptos e reaccionários, habituais votantes na gatunagem PS-PSD-CDS, a dizer que o problema não é a Troika ou que pelo menos não é o problema principal. É evidente que tanto a JS como a JSD estão a tentar manipular a manifestação, exaltar o desabafo inconsequente e esvaziá-la de conteúdo.

    Por outro lado vi militares a relembrar o 25 de Abril, tanto associações como individuos, e a apelar ao envolvimento dos militares no protesto.

    O medo domina o desenrolar dos eventos. A Troika nacional PS-PSD-CDS e a Troika estrangeira UE-BCE-FMI são peritos na manipulação do medo.

    Esta última convocatória contra Troika e troikistas, rasgar o memorando e demitir o governo é uma evolução positiva, mas ainda há muita luta pela frente e uma ainda maior radicalização à esquerda vai ser necessária. De resto mantenho a crítica de oportunistas troikistas infiltrados. É para protestar mas de olhos bem abertos.

  10. V Cabral diz:

    Eu fui à manif, sobretudo porque estou revoltado contra a Troika portuguesa e os tótós que a apoiam, pois nem sei bem que porcaria é essa da TSU (Todos Somos Ursos ?!?!)

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