Louvor de MARIA TERESA HORTA

(Camille Claudel)

Pacheco Pereira (nome que é uma contradição nos termos com “arte”) pareceu-me há pouco incomodado com o facto de Maria Teresa Horta não aceitar receber das mãos de Pedro Passos Coelho (e aqui, logo no nome escrito, de imediato me sobrevém o asco de que falava Kant) o prémio literário D. Dinis.

Note-se que Teresa Horta aceita o prémio (parece-me lógico, o prémio é-lhe atribuído pelos pares, poetas, escritores e a autora tem orgulho no prémio – para ela não faz sentido recusá-lo). Dizia P. Pereira, pareceu-me (eu tinha ruído junto à televisão, um gato descontente com a imagem…), que Passos era o “primeiro-ministro” eleito com legitimidade, goste-se ou não. Agora vai ser interessante acompanhar este caso. Julgo que a autora não receberá o merecido prémio daquelas mãos (quem o receberia???). As mãos de certa personagem não devem nem podem sujar um prémio que custou a ganhar, ou seja, Passos, que não é piegas (pois não?), vai ter de sair de cena. Aqui, como em todos os lugares, o homem que nos ofendeu e convidou a emigrar vai ter de desaparecer. Já.

Ou será que além de transferir milhões do trabalho para o capital também vai querer para ele o Prémio D. Dinis???

Não contes do meu
vestido
que tiro pela cabeça

nem que corro os
cortinados
para uma sombra mais espessa

Deixa que feche o
anel
em redor do teu pescoço
com as minhas longas
pernas
e a sombra do meu poço

Não contes do meu
novelo
nem da roca de fiar

nem o que faço
com eles
a fim de te ouvir gritar

(TERESA HORTA, “Segredo”, de Minha Senhora de Mim, 1971)

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