Alternativas a estas governações, para discutir e melhorar – 2

Continuo a divulgar uma selecção das contribuições temáticas para o Congresso Democrático das Alternativas, que estão a ser disponibilizadas para discussão, na sua totalidade, aqui.
Convido-vos a juntarem-se ao debate e a contribuírem, lá, com as vossas próprias propostas.

O texto que se segue é da autoria e responsabilidade de Alexandre Abreu.

Denunciar o memorando é uma condição necessária, mas não suficiente

O memorando da troika é profundamente nocivo para a sociedade portuguesa, impondo e dando cobertura a uma política económica e social que apenas conduz Portugal para o empobrecimento, para a desigualdade e para a destruição de direitos. É, além do mais, insustentável mesmo nos seus próprios termos, pois está associada a uma taxa de juro (5%) muito superior à taxa de crescimento da economia, num contexto em que o stock total da dívida (120%) implica já a impossibilidade desta ser paga ou sequer sustentada. O caminho terá inevitavelmente de ser invertido – e quanto mais cedo o for, menores serão a regressão e o empobrecimento desnecessários e inúteis.

Denunciar o memorando é uma condição necessária, mas não suficiente, para a adopção de uma política de relançamento do emprego e da coesão social. É certo que implica riscos e dificuldades – embora não tanto como a manutenção do actual rumo de devastação da economia e sociedade portuguesas. As consequências políticas de curto prazo são inquestionavelmente positivas: a libertação de um colete-de-forças que deprime a economia e devasta a sociedade. Já as consequências financeiras são bastante mais incertas: o fim do acesso à possibilidade de endividamento junto da troika não poria em causa a possibilidade do estado português assegurar as suas funções e pagar salários, pois o saldo orçamental primário é já positivo; porém, o problema estender-se-ia também ao financiamento da economia portuguesa como um todo, designadamente através do seu sistema bancário, implicando dois cenários principais: o primeiro, de não-cooperação por parte da troika, implicaria a nacionalização da banca e a consequente saída da zona Euro (a fim de assegurar o financiamento monetário do défice público resultante); o segundo passaria pela manutenção do acesso da banca ao financiamento externo apesar do incumprimento soberano e da inversão de política económica, mas exigiria cedências muito substanciais por parte da troika e em particular do BCE.

Alexandre Abreu

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4 respostas a Alternativas a estas governações, para discutir e melhorar – 2

  1. Jorge diz:

    Por um lado dava-mos um pontapé na troika e no bce, por fim iriamos pedir-lhe que nos dessem dinheiro mas eramos nós que impunhamos as nossas condições. Mais uma ideia idiota, com tantas que surgem por aí. Nisto só vejo ambição de se auto-promoverem. Que acabem é as mordomias de Soares e companhia, embaixadores, acessores, reformas chorudas de politicos, mordomias dos deputados, etc, não daqui a uns tempo mas já. Acabem com isso, as coisas certamente vão imediatamente melhorar.

  2. Luis Almeida diz:

    Paulo Granjo,
    Repito aqui o que deixei escrito na resposta à sua resposta ao meu comentário no seu post anterior:
    “Talvez tenha sido um pouco radical, Paulo Granjo, e tenha deixado a impressão de que acho possível saltarem-se etapas. Não penso tal. Acredito que podem e devem haver muitos caminhos para o socialismo, mas, nenhum é o propugnado pela actual direcção de direita do PS, a qual NÃO quer o socialismo. Podem encetar-se vias, não-capitalistas – melhor, vias que combatam o capitalismo monopolista e o grande capital – como, por exemplo, uma democracia avançada: económica, política, cultural e social.
    Essa via não constitui um desvio de mira porque vai na boa direcção. Creio firmemente que nenhuma transformação é possível sem a participação massiva, empenhada e organizada das massas. E, por conseguinte, acredito na unidade das massas na acção em torno de objectivos concretos. Essa participação não pode, é óbvio, excluir os apoiantes de base do PS, sem os quais a unidade seria amputada. Mas, o PS como aparelho, já deu sobejas provas de quem são os seus amos. Tudo o que for bom para eles é mau para o povo português! E vice-versa…”

    • paulogranjo diz:

      Nada tenho a acrescentar às respostas que, nos vários posts, dei a objeções com o conteúdo que aqui recoloca.

      Acrescento que me pareceria mais útil debater conteúdos, do que especular acerca da eventual reacção que, relativamente a eles, possa vir a ter a direção do PS, num ponto futuro da muito mutável situação que atravessamos.

      Apraz-me, no entanto, registar que tolera como admissível aquilo que constitui, desde meados da década de 1990, o fulcro estratégico do programa do partido a que aparenta pertencer.

  3. Luis Almeida diz:

    Aparento e pertenço! O PCP não é para mim. contudo, algo sacralizado e “religioso” . É “apenas” uma ferramenta que uso para servir a minha própria agenda pessoal. Era eu quem, modestamente e à escala infinitesimal da minha pessoa, queria “transformar o mundo” – e não apenas compreendê-lo.
    Quando concluí que não podia fazê-lo “a solo” e de forma não-organizada, juntei-me a ele… O PCP serve, pois, muito mais a minha agenda pessoal que eu a dele…
    Dele recebo muito mais do que lhe dou.

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