As hipóteses de Cavaco e a importância do Conselho de Estado

Até à próxima 6ª Feira, haverá certamente inúmeros contactos entre Belém, S. Bento, PSD, CDS e PS. Na sequência do Conselho de Estado poderá ser adoptado um de quatro caminhos:

1. Ainda que os cavaquistas tenham vindo a terreiro puxar o tapete ao governo de Passos Coelho, Cavaco Silva poderá tentar dar-lhe um balão de oxigénio. Nesta hipótese será provável que Cavaco force, até 6ªfeira, uma remodelação ministerial e ele ou Passos a apresentem ao país. Esta solução tem a grande desvantagem de colar definitivamente Cavaco à governação de Passos, e sabe-se que Cavaco é pouco dado a solidariedades a quem não seja do grupo do BPN, sendo provável que o próprio Presidente da República passe a ser um dos focos da contestação popular – coisa com que Cavaco lida mal. De qualquer forma será sempre uma solução a prazo, enquanto a rua ou o CDS deixarem.

2. Outra das opções será a do governo de unidade nacional ou de tecnocratas. Já se sabe que o CDS e parte do PSD estarão de acordo, resta saber se Seguro o verá como a única oportunidade para sobreviver na liderança do PS (não assumindo funções de governo mas aprovando as políticas gerais de um governo com umas quantas figuras próximas do PS). Esta opção, provavelmente a que mais agradará a Cavaco, poderá ser dramatizada a partir dos sinais hoje dados por Bruxelas e Merkel (que deverão crescer nos próximos dias) e sob o argumento que “o poder não pode cair na rua”. Por outro lado poderia amedrontar muita gente que contesta as medidas deste governo e diminuir a generalização da luta, por uns tempos. Ao invés teria a desvantagem de clarificar definitivamente as águas, entre quem está contra e a favor da troika o que pasokizaria o PS deixando de haver uma solução eleitoral alternativa no quadro do bipartidarismo. A médio prazo seria inevitável o crescimento eleitoral da oposição de esquerda, nas ruas e nas sondagens.

3. Convocação de eleições antecipadas. Este poderá ser o coelho da cartola. Independentemente do desgaste, PS/PSD/CDS ainda conseguiriam assegurar uma maioria pró-troika no parlamento. Não sendo de crer que o anti-troikismo, conseguisse que a esquerda fizesse das eleições algo de extraordinário.

4. Atrasar a decisão. Cavaco pode não conseguir alcançar o consenso para um governo de unidade nacional, pode não conseguir que Passos aceite a remodelação, pode não conseguir convencer Seguro, pode ter receio de ir para eleições e pode não querer ficar conotado com as políticas de Gaspar.

Até 6ª feira está tudo em cima da mesa. É preciso continuar a luta.

No dia 15 de Setembro o país tomou as ruas para dizer BASTA!, naquelas que foram as maiores manifestações populares desde o 1º de Maio de 1974. Exigimos o rasgar do memorando da Troika e a demissão deste governo troikista.
Se o governo não escuta, que escute o Presidente da República e o seu Conselho de Estado.
Não é não!
Não queremos apenas mudanças de nomes, queremos mudanças de facto. A 21 de Setembro iremos concentrarmo-nos junto ao Palácio de Belém para demonstrar que 15 de Setembro não foi uma mera catarse colectiva, mas um desejo extraordinário de MUDANÇA DE RUMO!
A Luta Continua!
Que se Lixe a Troika! Que se Lixem os Troikistas! Queremos as Nossas Vidas!

A convocatória do facebook foi criada há vinte e quatro horas e já conta com mais de 5000 adesões.

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