Ainda bem que, para memória futura, a luta social durou mais que o jornalismo.

Começou na José Fontana e numa mão cheia de outras praças em Portugal, Espanha e por esse mundo fora. Parou em frente ao FMI e a outros símbolos do regime. Chegou à Praça de Espanha com números apenas comparáveis aos das vitórias de Abril. Ouviu-se um bom comício. Marcaram-se novas acções de luta. Seguiu-se para São Bento. Sistematicamente gritou-se pela queda do governo, pelo não pagamento da dívida, pelos direitos e pelo estado social. Em todo o lado a ideia de que é preciso continuar e intensificar o sobressalto.

Um parágrafo e sete minutos de vídeo bastavam para fazer uma boa reportagem sobre a manifestação “Que se lixe a troika, queremos as nossas vidas de volta!”, realizada no passado dia 15 de Setembro.

É fácil fazer jornalismo e nem são precisas muitas palavras. Basta não dividir somas ou multiplicar acto singulares. Onde está um ponto é um ponto. E uma vírgula, uma vírgula. É ligar as objectivas um pouco por todo o lado e ouvir e ver o que se ouve e vê. É escrever apenas aquilo que se passou, em todos os lados onde se passou. Basta fazer o relato, não é preciso contar.

A comunicação social, com destaque para as televisões, balbuciam lugares comuns e quem não esteve na rua só sabe o que se passou pela boca dos que lá estiveram. Felizmente, quando a dimensão de um protesto é aquela que se conseguiu, o povo saberá da história contada por quem a viveu.

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13 respostas a Ainda bem que, para memória futura, a luta social durou mais que o jornalismo.

    • Renato Teixeira diz:

      Também vi e é lamentável. Ainda assim, é dos tais actos singulares que não podem ser, desta vez, multiplicados.

      • notrivia diz:

        De qualquer forma já está espalhado. Alem disso não acho que seja de minimizar visto que este tipo de atitude em determinado contexto mental colectivo podia ter dado bife a sério e depois na tv dizem que os manifestantes não sabem se comportar.
        Não quer fazer horas extras que comunique a chefia.

      • notrivia diz:

        Bonito.
        Isso é o comportamento de um ser humano, bom profissional de segurança pública. Não desculpa nem compensa a atitude do colega.
        Acho que tu e o Renato andam a tentar minimizar atitudes que não são assim tão minimas como isso.
        Até por que a intenção do post não era imputar aquela atitude a todos os policias mas sim expor aquele individuo como mau profissional.

      • notrivia diz:

        Bonito.
        Isso é o comportamento de um ser humano, bom profissional de segurança pública. Não desculpa nem compensa a atitude do colega.
        Até por que a intenção do post não era imputar aquela atitude a todos os policias mas sim expor aquele individuo como mau profissional.

  1. trill diz:

    espero que da tal história contada não seja omitido que não foi o FMI quem fez as PPP criminosas, as concessões indecentes, uma Parque Escolar criada para dar de mamar ás “empresas amigas” fechando escolas por um lado enquanto usava materiais de luxo noutras (que já estão a necessitar de nova remodelação), e auto-estradas que custaram 5 ou 6 vezes mais do que aquilo inicialmente proposto. Ha! E que andam vazias com o Estado a pagar rendas indecentes (criminosas!), acordadas num momento em que seria previsível que fossem andar vazias! O FMI contra o qual clamaram não tem qq responsabilidade nestas criminosas aberrações.

    (ainda que a história possa ser contada sempre ou à maneira do Loff ou do Rui Ramos – que não li nem vou ler porque já me interessa para nada as interpretações feitas sobre a história do lugar – estou em crer que a (triste) história deste lugar não vai contar para nada no final da… história)

  2. tina diz:

    Bem, então deviam ter estado na manif da Geração à Rasca. Isso sim foi um mar de gente, com 200 a 300 000 pessoas. Sem quaisquer slogans ou palavras de ordem, sem qualquer violência partidária, apenas o descontentamento espontâneo de cidadãos comuns que sairam à rua. Muito bonito de se ver.

    • Caxineiro diz:

      Eu estive lá Tina!.. …Aquilo sim, aquilo é que foi, parecia quase o Woodstock, carago!.. E eu mais a minha viola, no meio do mulherio…. levado em ombros por aquelas gajas todas!….Ei tanta gaja apartidária!….Praí umas 200.000 a gritarem-me “faz amor não faças guerra”. Ali não havia partidos nem palavras de ordem só descontentamento… e eu para dar consolo àquele meio milhão de alminhas INESQUECÍVEL!!!
      Nada parecido com esta manipulação do partido comunista que eu vi na televisão

    • A.Silva diz:

      O que é bonito pra ti tina, devem ser as “manifestações silenciosas”? São tão bonitas… atina tina.

    • De diz:

      A aldrabice a tentar ocupar lugar.
      Sorry.A mentira tem a perna curta.
      Os números e as imagens estão disponíveis.Só não vê quem não quer.Ou a helena matos ou qualquer sucedâneo seu

  3. Jorge diz:

    No Porto.

  4. Pingback: @s chickenshit(s) da meia manifestação | cinco dias

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