Ainda bem que, para memória futura, a luta social durou mais que o jornalismo.

Começou na José Fontana e numa mão cheia de outras praças em Portugal, Espanha e por esse mundo fora. Parou em frente ao FMI e a outros símbolos do regime. Chegou à Praça de Espanha com números apenas comparáveis aos das vitórias de Abril. Ouviu-se um bom comício. Marcaram-se novas acções de luta. Seguiu-se para São Bento. Sistematicamente gritou-se pela queda do governo, pelo não pagamento da dívida, pelos direitos e pelo estado social. Em todo o lado a ideia de que é preciso continuar e intensificar o sobressalto.

Um parágrafo e sete minutos de vídeo bastavam para fazer uma boa reportagem sobre a manifestação “Que se lixe a troika, queremos as nossas vidas de volta!”, realizada no passado dia 15 de Setembro.

É fácil fazer jornalismo e nem são precisas muitas palavras. Basta não dividir somas ou multiplicar acto singulares. Onde está um ponto é um ponto. E uma vírgula, uma vírgula. É ligar as objectivas um pouco por todo o lado e ouvir e ver o que se ouve e vê. É escrever apenas aquilo que se passou, em todos os lados onde se passou. Basta fazer o relato, não é preciso contar.

A comunicação social, com destaque para as televisões, balbuciam lugares comuns e quem não esteve na rua só sabe o que se passou pela boca dos que lá estiveram. Felizmente, quando a dimensão de um protesto é aquela que se conseguiu, o povo saberá da história contada por quem a viveu.

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