Atestado de óbito

(foto Paulo Raposo)

O dia de hoje constituiu a constatação de que Pedro Passos Coelho (tal como o seu governo e políticas) estão politicamente mortos.

Após uma acelerada sucessão de violentas críticas à última medida “de austeridade” que anunciou, vindas desde a esquerda à direita (incluindo barões do seu próprio partido) e desde ambas as centrais sindicais às confederações patronais, as muitas centenas de milhares de pessoas que hoje se manifestaram contra as políticas do governo e o memorando da troika deixaram clara uma coisa insofismável:

Pedro Passos Coelho conseguiu finalmente alcançar um consenso e uma concertação social e política. Contra o seu governo e contra as políticas que prossegue.

Repito: politicamente, está morto e (mal) enterrado, por muito que possa vir a ser mantido em coma assistido durante mais uns bons meses.

 A gota de água foi, claro está, a abstrusa, injusta, obscena e inaceitável decisão de aumentar o desconto para a segurança social dos trabalhadores por conta de outrém de 11 para 18% (em 63,6%), descendo a contribuição das empresas de 23,5% para 18. Mas quer essa decisão, quer as reacções a ela, devem fazer-nos pensar desde já na lógica da irracionalidade política e naquilo que temos que fazer, também desde já, para não virmos a ter mais do mesmo.

 Acontece que a irracionalidade de uma decisão e dos seus resultados, por muito evidente que seja para praticamente todas as outras pessoas, não o é necessariamente para quem toma essa decisão.

A lógica dessa medida (para Passos Coelho, Gaspar e capangas menores) até é fácil de descortinar. Com um chico-espertismo de quem vê o mundo do tamanho dos corredores governamentais e das instituições financeiras e académicas, faz-se fica-pé numa interpretação obviamente canhestra do acordão do tribunal constitucional, garante-se a descida da TSU (velho projecto, em cujas vantagens só os próprios parecem acreditar) e, bola de bónus, dá-se um passo acelerado na ideologicamente desejada transferência de riqueza do trabalho para o capital.

Mas claro que tudo isto (tal como a crença no êxito de tudo isto) só faz sentido para cabeças funcionando em circuito fechado, no quadro de um assustador mas nem por isso improvável encontro.

Um encontro entre, por um lado, um conjunto de figurinhas que desenvolveram toda a sua vida “autónoma” (mesmo quando passaram por conselhos de administração de empresas, ou por licenciaturas-relâmpago) no quadro das pequenas intrigas partidárias, reduzindo o sentido de Política e o exercício do poder aos chico-espertismos, arranjos de ocasião, facadas nas costas e tráficos de influências que, por lá, aprenderams ser eficientes.

Um encontro deles com, por outro lado, pseudo-tecnocratas com alma de contabilistas (incompetentes) e com muito jeito para fazerem complexos modelos matemáticos sobre economia (baseados nos seus modelos ideológicos), combinado com uma grosseira ignorância acerca de qualquer economia real, ou pelo menos da portuguesa.

Um encontro em que ambos os tipos de espécimens partilham algo em comum, para além da cruzada pseudo-liberal em que imbecilmente continuam a acreditar: o completo desprezo pelas pessoas reais para lá dos números, pela sua situação, necessidades e sofrimento.

Enterrada de vez esta gente (e isso exige a continuidade do esforço conjunto de todos nós, pois mais chico-espertismos e balões de oxigénio não faltarão), o problema é que, conforme disse, este encontro é assustador, mas nada improvável nos tempos que correm.

Havendo espécimens semelhantes bem posicionados mais à esquerda, nada nos livra de governos do centrão (É a emergência nacional, meus senhores e minhas senhoras!…)  ou de uma versão PS “mais do mesmo”, socialmente mais cuidadosa e com filtro.

 O que me leva a pensar que, mais do que nunca, é imprescindível e urgente apurar e consensualizar os máximos denominadores comuns entre os partidos, movimentos e cidadãos que repudiam o memorando da troika, e estruturá-los sob a forma de uma plataforma mínima irrecusável por parte de cada um deles.

Já não (embora tal também seja muito importante) apenas para demonstrar aos nossos concidadãos que há outros caminhos e alternativas. Ou tão pouco esperando que qualquer partido, movimento ou cidadão não tenha divergências de todos os outros, fora daquilo que (por ser consensual e comum) constitua essa plataforma.

Mas – agora mais do que nunca – para que, chegado a bom porto esse esforço colectivo e plural, escarrapachemos o resultado na cara dos partidos de esquerda (incluindo o nosso, se o tivermos) e lhes exijamos:

Digam lá o que é que, para vocês, é aqui inaceitável!

Digam lá se têm a lata de, como isto está,  recusarem entender-se em torno de uma plataforma mínima comum – seja esta, com grande parte da papinha já feita, ou outra muito mais alargada, pelo vosso próprio diálogo!

Outras pessoas estarão empenhadas no Congresso Democrático da Alternativas (em plena fase de discussão e marcado para 5 de Outubro) por outras motivações e com outros objectivos.

Estes são os meus.

E, pela importância e urgência que lhes reconheço, apelo a todos vós a que os partilhem e a que participem e se empenhem na discussão e construção que está em curso.

Com o empenho de todos os que a isso dêem importância, talvez este cartoon possa vir a ser redesenhado, com figuras bem mais simpáticas e por bem melhores razões.

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25 respostas a Atestado de óbito

  1. tina diz:

    Não é nenhum atestado de óbito, pelo contrário. Não foi tanta gente à manifestação como se estava à espera. Prova que há descontentamento, sim, mas que não é assim tanto que deva travar o governo. Especialmente depois de terem atirado tomates ao FMI e terem gritado que o memorandum da Troika devia ser rasgado, provaram que são radicais a quem não se deve dar ouvidos. Uma diferença abismal da manif da geração à rasca que teve quase 3 vezes mais pessoas e não tinha movimentos sindicalistas. Aí sim, a desaprovação pelo governo era real.

    • paulogranjo diz:

      Depreendo que os seus olhos vêem coisas diferentes das de todas as outras pessoas, quanto a números e dimensões. Talvez por ter visto a partir de casa.
      Entretanto, uns tomates ao FMI, com com centenas de milhares de pessoas a passarem-lhe à frente em protesto, devem até ter surpreendido favoravelmente essa ínclita instituição.
      E a denúncia do memorando com a troika (“rasgá-lo”, se prefere) é um dos pontos de partida da convocação do Congresso Democrático das Alternativas, assinada desde início por vários deputados do PS, que o negociou a meias com o Catroga. Mesmo gente do PSD e dp CDS fala agora de um tema tabu, embora já muito soft para os tempos e situação actuais: renegociar e reescalonar. Aliás, o que é, se não renegociação, o alargamento de prazos e de níveis de deficit pedidos pelo governo (que há semanas dizia que “nunca”) na última opiparamente paga avaliação da troika?
      Só que não chega e a questão há muito que já não está aí. Com todas as diversificadas declarações públicas nos últimos tempos e as maiores e socialmente mais diversificadas manifestações de sempre em Portugal, não querer ver isso é que se arrisca a ser, muito em breve, coisa de “radical a quem não se deve dar ouvidos”.

      • tina diz:

        “Aliás, o que é, se não renegociação, o alargamento de prazos e de níveis de deficit pedidos pelo governo (que há semanas dizia que “nunca”) ”

        Exatamente. Apesar de todos os esforços, mesmo assim não se conseguiu alcançar as metas. Agora imagine-se se já antes tivéssemos pedido mais tempo e não tivéssemos feito tanto sacrifícios, em quanto não estaria o défice!

        Portanto vocês não têm nenhuma causa de luta, a atitude anti-Troika é só show off, ninguém vos leva a sério, nem vocês próprios.

        • paulogranjo diz:

          Portanto, como a receita demonstrou ser desastrosa não só nos seus resultados sociais e económicos como em termos de finanças públicas, e como apesar de todos os aumentos de impostos sobre o trabalho e o consumo e todos os cortes nos salários públicos (que, juntando cortes mensais, nos dois subsídios e a inflação, os fazem perder 3,5 a 4,2 salários comparativamente a 2010) o ministro das finanças é tão incompetente que vai alcançar um déficit semelhante ao pior do governo Sócrates, deve-se continuar tudo na mesma, enquanto as pessoas perdem os empregos, as casas e condições de vida dignas…

          Há alternativas e estão a ser discutidas.

          Talvez sejam um bocadinho complicadas para si, pois parece não ter percebido que esse tipo de argumentação só colhe, já, lá nas reuniões da jótinha.

          Mas, como esse discurso já tem quem tenha ganho a vida a fazê-lo e, agora, está esgotado mesmo para os cidadãos que antes o engorgitaram, permita-me um conselho:
          Estude. Tenha uma vida e comece a pensar por si. Aprenda a criar argumentos que não sejam de cassete.
          Que o tempo dos Relvas está a acabar e já não vai dar para si.

  2. Antónimo diz:

    PAulo Granjo diz que «Havendo espécimens semelhantes bem posicionados mais à esquerda, nada nos livra de governos do centrão (É a emergência nacional, meus senhores e minhas senhoras!…) ou de uma versão PS “mais do mesmo”, socialmente mais cuidadosa e com filtro.» e logo a seguir pespega com o símbolo do Congresso Democrático das Alternativas.

    Embora o defenda, pela posição da imagem parece atacá-lo.

    Uma questão com a ideia dos mínimos denominadores comuns é que para os pessoais do PS, que fixarão assim os m.d.c. dos próximos de outros partidos, esse pode bem ser o Código do Trabalho agravado de Vieira da Silva, ou este último em que se abstiveram. Ora, no mínimo dos mínimos, ninguém entre a CDU, o BE e outros aceitará menos que o reposicionar a situação pré-Bagão Félix.

    • paulogranjo diz:

      Não é isso que está a acontecer na discussão em curso, nem me parece que os tempos e aquilo que se aprendeu no último ano permitam a reciclagem de velhas receitas mínimas.
      Aliás, parece-me que, pese embora os partidos de esquerda não terem feito internamente os seus trabalhos de casa (continuando a saber o que não querem mas não tendo claro o que querem como alternativa imediata a isto), empolam muitíssimo o que os separa e tentam escamotear o muito em que poderiam estar de acordo – um “muito” suficiente para terem um programa mínimo de governação e uma alternativa à política do memorando (já não falo dos extras de radicalismo pseudo-liberal do governo), para a superação da crise.

      Mas que melhor forma há, para evitar que esses “máximos denominadores comuns” sejam muito mínimos e recuados, do que participar, propor e argumentar?

    • paulogranjo diz:

      Quanto ao logotipo do Congresso Democrático das Alternativas (de que sou subscritor e membro da comissão organizadora) é no texto, claro está, um “subtítulo” para separar a parte da situação presente e do possível futuro “mais do mesmo”, da parte seguinte acerca do que me parece necessário para o evitar.

  3. pilantra diz:

    Acredita: desde o Primeiro de Maio de 74 que eu não via Lisboa na rua. Voltei ontem a ver.
    E de novo as pessoas falaram com quem calhava: ninguém estava sozinho.
    Com menos barbas e saias mais curtas, mas era o mesmo jeito franco, o mesmo modo de sorrir, os mesmos olhos disponíveis. Podemos ter esperança.

    É importante que esta gente pacífica encha o jerdim Afonso de Albuquerque (Belém) na sexta feira – é mesmo muito importante mostrar que aquilo nos diz respeito e que estamos ali para que nos vejam e não esqueçam que nos diz respeito.
    Como é igualmente importante que a manifestação da Inter seja avassaladora. Essa é a espinha dorsal da organização – e será aquilo de que formos capazes.
    Abraço!

    • paulogranjo diz:

      Plenamente de acordo.

      • tina diz:

        Pois, mais de 200 000 pessoas, alguns jornais dizem 300 000, apareceram na manif da geração à rasca. Enquanto a de ontem não passaram de 100 000. E ainda por cima cheia de sindicalistas e movimentos organizados.

        A realidade é sempre tão dolorosa para a esquerda, é por isso que eles mentem muito.

        • paulogranjo diz:

          Para além de bem maior, a olho nu, do que qualquer manifestação antes realizada, os meios de comunicação social são unânimes a esse respeito.
          Diria que ou a senhora atravessa uma fase de dissonância cognitiva, ou a explicação para a sua insistência, profusão e qualidade de comentários é outra.
          Uma explicação que também tornaria compreensível o surgimento desse seu número de 100.000, que tudo leva a crer venha de algum patrão governativo, ou do controleiro lá da JSD.
          Depreendo então que também a ideia de que a manifestação estava “cheia de sindicalistas e movimentos organizados” (eu muito poucos vi, gostaria de ter visto muitíssimos mais e não vislumbro nisso qualquer problema) seja outra das vertentes do discurso jota-ésse-dêsico ou rélvico para se auto-convencerem de que nada se passou.
          Mas deixe estar. Sempre poderá marcar uns pontos, internamente. Mas se se esforçar mais por dizer coisa com coisa.

          • tina diz:

            “Para além de bem maior, a olho nu, do que qualquer manifestação antes realizada, os meios de comunicação social são unânimes a esse respeito.”

            Exactamente, a olho nu via-se muitos espaços entre as pessoas e os números avançados pelos media foram 100 000 agora enquanto no passado era mais de 200 000, alguns 300 000.

            Só de falar com vocês percebe-se a vossa desonestidade toda, como se tentam enganar a vocês próprios e aos outros, não admitem os números, a verdade. Que pobreza, não admira por isso na sociedade apenas desempenhem um papel insignificante.

          • paulogranjo diz:

            Mas que media é que disse 100.000, santinha? Só 100.000 é a estimativa do Porto!

            Volto a sugerir que guarde a sua cassetezinha ridícula na mala, pare de insultar quem trabalha e vá entregar a sua contabilidade de comentários em blogs ao acessor ministerial ou ao controleiro da jótinha que lhe encomendou o sermão.

            E, já agora, volto também a sugerir qque vá estudar qualquer coisa e/ou trabalhar. Se você é tão mázinha a fazer este papel, o seu futuro partidário não parece muito promissor; e, para além disso, convém preparar-se para o deserto de tachos que se aproxima, para os boys e girls alaranjados.

  4. Nuno Cardoso da Silva diz:

    Unidade à volta de um projecto alternativo a este neo-liberalismo selvagem, é praticamente impossível. Há demasiadas ideologias, demasiados fundamentalismos à esquerda, demasiadas certezas de que “nós” é que sabemos como se faz. Mas pode haver consenso – se se quiser – em medidas imediatas que travem o descalabro e nos dêem tempo para procurar soluções de mais fundo.

    Por mim proponho apenas uma:

    Aproveitando um equilíbrio das contas externas – ainda que obtido à custa do empobrecimento da população – determinar que o governo português só pagará juros de dívida externa iguais aos que são pedidos à Alemanha. Os milhares de milhões de euros que se poupariam serviriam para prestar um serviço de saúde adequado, para manter a educação, e para proporcionar investimento a empresas dispostas a produzir mais e melhor para os mercados internos (substituição de importações) e externos.

    Equilibrado o barco, recuperado o poder de decisão soberano, teríamos mais tempo para pensar num projecto alternativo que fosse suficientemente consensual.

    • paulogranjo diz:

      Acho que se pode ir mais longe (em propostas consensualizáveis e no “apertar dos tomates” às lógicas de autismo partidário), mas parece-me uma útil sugestão de trabalho. Obrigado.

      Sugiro que não a faça a mim.
      Sugiro que vá ao site do Congresso, leia o texto da convocatória e o subscreva caso concorde, e apresente lá as suas propostas para discussão pública, e discuta as propostas que outros apresentaram.
      É aí que as nossas ideias e experiências diversificadas podem ser (urgentemente) úteis.

    • tina diz:

      “a este neo-liberalismo selvagem”

      ahahaha, o que era mesmo bom é a função pública continuasse a ganhar em média mais do que o privado, não era? Selvagens são aqueles que souberam usar posições de poder no estado para servirem-se a si e aos seus empregados e deixar o resto da população de fora.

      • paulogranjo diz:

        Mais um argumento-cassete falacioso, para enganar uma população que se imagina estúpida, e no qual espero (para bem do seu futuro, que conforme sugeri não parece passar de forma bem sucedida pela política jótinha e partidária) você própria não acredite.

        Conforme sabe (ou deveria saber, antes de abrir a boca para papaguear a cassete governamental acerca do assunto), uma parte muito grande, provavelmente maioritária, da “função pública” corresponde a licenciados ou mais, pelo simples facto de ser ela a assegurar quase todos os professores, médicos, enfermeiros, juízes e grande parte dos técnicos superiores especializados em áreas que competem à sua actividade. O “privado” contrata, comparativamente, quantidades irrisórias de pessoas com formação superior e, cada vez mais, em grande parte para funções abaixo da sua qualificação. Os salários para funções equivalentes são, em quase todos os casos, pior pagos no público do que no privado. Só que o “público”, pelas funções que lhe cabe assegurar e pelas predominantes vistas curtas do empresariado privado, tem que contratar uma percentagem muitíssimo mais elevada de pessoas com qualificação superior, para exercerem funções e profissões que são melhor pagas em toda a sociedade (mesmo que, como disse, também elas menos bem pagas no “público” que no “privado”).

        Se nunca tinha pensado nessa evidência, não se envergonhe. Acontece. Conforme sugeri noutra resposta, estude e pense pela sua cabeça.

        Se está farta de saber isto e, mesmo assim, vai dizendo e escrevendo que “a função pública continua a ganhar em média mais do que o provado”, então ganhe vergonha na cara.

        • tina diz:

          “da “função pública” corresponde a licenciados ou mais, pelo simples facto de ser ela a assegurar quase todos os professores, médicos, enfermeiros, juízes e grande parte dos técnicos superiores especializados em áreas que competem à sua actividade”

          Exatamente, as elites do Estado, contratadas por cunha e pagas com os impostos dos empresários que ficam com menos recursos para pagar os seus empregados. Noutro dia contaram-me de antropólogos e arqueólogos a trabalharem na CML, que não se sabe bem o que andam a fazer e que não se conseguem livrar deles. E que há 10 advogados mas apenas uma administrativa, que se esfola a trabalhar até altas horas enquanto eles não mexem uma palha, vão almoçar por longas horas e saem cedo.

          Por isso os funcionários púbicos agora estão cheios de medo, não encontrarão emprego cá fora, têm CV inúteis e por outro lado, cá fora não têm cunhas.

          O Estado Gordo que mandou abaixo o país, so salários da função pública são o grosso da despesa pública e dos impostos e agora culpam o neoliberalismo Ainda por cima selvagem. Como são ridículos.

          • paulogranjo diz:

            Minha senhora:

            Os professores que a ensinaram (por menos bem que aparentemente o tenham feito), aqueles que lá lhe vão dando (ou já lhe deram) uns dez e uns onzes e acabarão (ou acabaram) por lhe dar um canudo para dizer que é dótóra e poder arranjar um tacho privado ou público por cunha política, o médico ou parteira que a ajudaram a nascer, os médicos e enfermeiros que trataram de si e dos seus familiares (com geralmente maior competência, empenho e meios do que em qualquer “hospital” privado), os funcionários da segurança social que lhe tratarão do subsídio de desemprego quando alguma coisa lhe correr mal e lhe falharem as solidariedades partidárias, constituem o grosso do tal “estado gordo” que o seu governo quer mandar abaixo – não a miríade de chafaricas e lugarzinhos de administração e acessoria, pejados de boys e girls presentes e passados, cujo único CV é a pertença a um partido e ao grupinho que de momento nele mande, ou o facto de terem perdido um lugar político e não terem qualificação para nada.

            Até porque (azar!) em todas essas áreas públicas fulcrais para os cidadãos (o “estado gordo” do seu governo) os CV de quem lá trabalha são sistematicamente muito melhores dos que os dos seus colegas de profissão que trabalham no privado.
            E isto diz-lhe um investigador e professor universitário com 8 livros e 51 artigos científicos publicados e no prelo, 11 anos de doutoramento, 14 de docência, 20 de pesquisa, galardoado com o mais importante prémio nacional de ciências sociais, anualmente avaliado com um nível de exigência que não existe em nenhuma profissão “privada” e… com um contrato precário.

            Sugiro, por isso, que guarde a sua cassetezinha ridícula na mala, pare de insultar quem trabalha e vá entregar a sua contabilidade de comentários em blogs ao acessor ministerial ou ao controleiro da jótinha que lhe encomendou o sermão.

          • De diz:

            Uma resposta à altura,se bem que a referida “tina” pareça que nem sequer tem altura para qualquer resposta.

            Faz lembrar tanto uma neoliberal “selvagem” que por aqui passou e que após tantas asneiras, disparates, mentiras,manipulações, aldrabices e baboseiras se retirou, desaparecendo em combate.Com o breviário debaixo do braço e a soluçar pelo deus mercado,enquanto tentava comercializar a própria mãe.
            Como era mesmo o nick utilizado pela dita?
            Talvez “tina” se lembre dele…

  5. Jorge diz:

    Bem, pelo que aqui está escrito o que me parece é que é mais daquilo do que vemos acrualmente. Todos querem tacho. Aproveitam a sinceridade do povo em geral, para as vossas próprias ânsias de poder.

    • paulogranjo diz:

      Não é a mim que me verá ter tachos.
      Mas procurar contribuir para alternativas e soluções, isso ver-me-á sempre que acredite que tal é útil e plausivelmente consequente.

  6. xatoo diz:

    Uma certa “esquerda” tem fé num sistema eleitoral manipulado desde os seus fundamentos, que permite que grupos políticos anunciem nos seus programas uma coisa e depois de eleitos façam outra coisa diametralmente oposta; sem que isso tenha consequências, excepto na troca, assente na memória curta, de um grupo por outro grupo (ambos pactuados com o neoliberalismo) que nos apresentam mentiras novas como alternativa.

  7. josé cerqueira diz:

    Talvez por culpa minha não encontro aqui os meus comentários anteriore e as respostas de Paulo Granjo.

    Mas sobre a sua última apenas duas observações:

    – a primeira é que espantoso que, tendo pertencido ao PCP tantos anos, Paulo Granjo
    não saiba que o Gabinete de Imprensa do PCP funciona (e assim é visto pelos militantes, cidadãos e comunicação social) como porta-voz dos organismos executivos do PCP;

    – a segunda é que eu falo-lhe do partido PS e P. Granjo invoca-me nomes ou personalidades do PS ou da sua área.

    Se o C.D.A tenciona passar ao lado das «questão PS» então passará ao lado do problema central da esquerda portuguesa.

    • paulogranjo diz:

      Os comentários de que fala, a julgar por aquilo que agora escreve, foram feitos ao um meu post posterior (http://5dias.net/2012/09/17/alternativas-a-esta-governacao-para-discutir-e-melhorar-1/#comments), e não a este.

      Quanto ao que agora refere, não tenho notícia de nenhuma decisão formalmente tomada por nenhum dos organismos executivos do PCP que tivesse sustentado a referida nota do Gabinete de Imprensa do PCP. Pelo contrário. Se você tem, esclareça-nos. Se não, a encomenda de (ou concordância com) uma nota de imprensa por parte de 2 ou 3 membros de organismos executivos não faz dela “porta-voz” dos organismos a que essas pessoas pertençam.
      Mas a questão não é particularmente relevante, excepto pelo maior espaço de manobra que deixa, ao CC e à CP do PCP (a quem essa decisão compete, em importância decrescente), para eventualmente adoptarem no futuro uma posição mais dialogante e construtiva.

      Quanto ao seu segundo comentário, se não percebeu as implicações da minha resposta anterior, não estou disponível para as explicitar publicamente.

  8. Fernando Oliveira diz:

    Não percam tempo com a “tina”, porque ela não atina.
    Está toda desa(tina)da com o espectro de perder algum girltacho.

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