A violência dos violentos

As medidas do OE2013 que vão começando a ser anunciadas representam uma radicalização da violência sobre a maioria dos portugueses. Analisando apenas a operação que se faz com a TSU, percebemos que o governo entra nas empresas e rasga os vínculos laborais dos trabalhadores. O Estado rouba 7% do salário de cada trabalhador para entregar 5,75% ao patrão, numa operação que nem os representantes do patronato subscrevem. O raide dentro das empresas não poupa o salário mínimo, reduzindo-o para 397,70€ (líquidos).
Soma-se miséria à miséria.
Entretanto, os mais ricos vão passando entre os pingos da chuva. Enquanto nos EUA o desejo de paz social faz com que aceitem um imposto especial sobre as suas fortunas, em Portugal vão publicamente ameaçando deixar o país. Como se o seu contributo fiscal não fosse largamente inferior aos salários, benesses e incentivos que nos sugam. Por sua vez, a classe média – a mais brilhante invenção do capitalismo para mascarar a divisão entre exploradores e explorados – vai sendo empurrada para a miséria, na qual já se encontram os que sempre foram pobres, agrilhoados a um Estado que, cada vez mais, lhes tutela os comportamentos, distribuindo apenas os restos dos seus banquetes. Chegada a hora da mobilização, reaparecem os fantasmas da violência nas ruas. Como se uma pedra da calçada pudesse ser mais violenta que o corte numa pensão de miséria ou a perda do RSI.
Ao contrário do que pretendem Passos, Portas, Seguro ou Cavaco, é preciso perder o medo. É preciso perder o medo de radicalizar o discurso, como fez Siza Vieira ao falar em ditadura. É preciso perder o medo de sair à rua em todas as manifestações que juntem os que dão a cara à luta, como iremos fazer hoje à tarde por todo o país e no próximo dia 29 em Lisboa. É preciso perder o medo de radicalizar as acções de luta e o protesto.
É preciso perder o medo de responder aos violentos. Não temos nada a perder.

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