15 de Setembro : Governo para a rua!

Manifesto do M12M de apoio à manifestação “Que se Lixe a Troika! Queremos as Nossas Vidas!”
Chegou a hora de parar quem desgoverna o país. Chegou a hora de mostrar que não queremos ir por aqui. É tempo de mandar o Governo para a rua – sábado é isso que exigimos!

Os tempos duros que vivemos servirão para encontrar uma solução, um futuro melhor. O sonho de uma verdadeira justiça social e de uma sociedade mais equitativa, em que a riqueza é redistribuída por quem menos tem, começou a 25 de Abril de 1974, mas não acabou!

As políticas do governo PSD/CDS estrangulam o país, oprimem as pessoas que aqui vivem, destroem a democracia e as nossas vidas. Nós dizemos basta!

É hoje claro que o Governo executa um programa político para o qual não foi eleito: o caminho que segue é o do genocídio social. Usando um discurso de técnicos e especialistas, tenta enganar as pessoas dizendo que tudo é inevitável, todas as medidas são necessárias, quaisquer meios são legítimos. Na verdade, percebemos, todos os dias, que as opções tomadas são ideológicas e de um extremismo pensado e propositado. Vendem-se ao desbarato empresas fundamentais para o desenvolvimento do país, limita-se a mobilidade, criminaliza-se a contestação, penaliza-se quem ganha menos, roubam-se os mais pobres, transferindo os rendimentos do trabalho para os especuladores financeiros. Retira-se o acesso à educação, à saúde, à cultura e, através de impostos criminosos, dificulta-se o acesso à alimentação.

Estas políticas tiram da boca de quem trabalha, de quem passa fome, para dar aos muito ricos, que têm as barrigas balofas de tanto comer.

Este governo quebrou o pacto social justificando-se com a mentira de que “os portugueses viveram acima das suas possibilidades”, e tudo o que tem feito é violar a Constituição, destruir os direitos fundamentais, aumentar o desemprego, a recessão e a dívida pública. O saque contínuo a que chamam “medidas de austeridade” não pode continuar.

Porque nunca um governo democraticamente eleito tinha mostrado tamanho desrespeito e desprezo pelo povo português. É hoje evidente que este Governo não é parte da solução – é o problema. A história ensina-nos que uma crise democrática só se resolve com mais democracia. E que as soluções se constroem com base na dignidade humana, na justiça social, no desenvolvimento sustentado, na soberania. É fundamental reconstruir o Estado Social.

É tempo de assumirmos a nossa responsabilidade política. No dia 15 de Setembro vamos sair à rua para exigir a demissão deste governo, porque é urgente mudar de rumo.

O Movimento 12 de Março assume um compromisso: construir alternativas!

É hoje claro para todas e todos que o Governo executa um programa político criminoso de forma impune:
Paulo Portas, actual Ministro dos Negócios Estrangeiros, não defende o interesse português na maior crise que atingiu a Europa desde a última Grande Guerra. Um verdadeiro político-submarino, que vem à tona sempre de cara lavada, como se alheio fosse a qualquer responsabilidade.

Vítor Gaspar e Álvaro Santos Pereira, Ministro das Finanças e Ministro da Economia e do Emprego, são os tecnocratas que, imbuídos duma fé ultra-liberal, de forma consciente e tirânica, suicidam a economia do país. Continua este Governo a aposta descarada na precarização de quem vive do seu trabalho e não de rendimentos. E insistem na injustiça social e aberração laboral que são os falsos recibos verdes.

Pedro Mota Soares, Ministro da Solidariedade e da Segurança Social, que lidera uma “caça às bruxas” aos beneficiários do Rendimento Social de Inserção e destrói a vida de centenas de milhares de trabalhadores a falsos recibos verdes que vêm as suas contas bancárias congeladas e bens penhorados por dívidas que legalmente não são deles.

Miguel Macedo, Ministro da Administração Interna, o único cujo orçamento foi reforçado, que recuperou sem vergonha tácticas antigas de manipulação de forças policiais para objectivos políticos de criminalização das pessoas que usam a rua como forma de protesto.

Nuno Crato, Ministro da Educação, que leva a cabo um dos maiores despedimentos colectivos que este país já assistiu, com um desprezo total não apenas pelo papel que os professores representam, como também pela dignidade que qualquer pessoa merece no seu trabalho. Um governante que assume a desigualdade como programa até nas crianças, usando a desigualdade educativa como forma de garantir, desde a infância, a desigualdade social.

Alexandre Miguel Mestre, Secretário de Estado da Juventude, cuja única intervenção relevante foi recomendar à juventude que emigrasse.

Miguel Relvas, Ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, que é a antítese do que a democracia deveria ser em termos de transparência, de responsabilização e de ética. Um Governo que se deixa representar por um Relvas é um Governo que nunca o foi.

E a chefiar esta quadrilha sanguinária, Passos Coelho que tem “a coluna vertebral de um caracol”, nas palavras de um político português que nos deixou recentemente. Além de caracol, também é coxo: não é necessário relembrar o ror de mentiras, falsas promessas e inúmeras faltas de respeito que tem dirigido a quem pretende construir um futuro trabalhando e vivendo neste país.

Usa como desculpa o Governo que quer ser um “bom aluno”. Poderíamos recomendar que começasse por estudar a História Contemporânea e a Política Económica entre 1918 e 1939. Mas o que quer dizer ser um “bom aluno” se ser um “bom aluno” é assassinar um país e um povo para ter boas notas com “professores” obscuros que conduzem a Europa para o precipício? Só numa escola de criminosos um Governo acha que é um “bom aluno” instaurando uma ditadura financeira que serve uma elite corrupta, fazendo prevalecer acima da democracia os interesses e privilégios privados. O “bom aluno” Passos Coelho não é nada mais que um fantoche da banca e do grande capital. A gota de água foi a subida da contribuição para a Segurança Social por parte dos trabalhadores: o Governo penaliza quem ganha menos, rouba aos pobres, para dar aos muito ricos.

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