A Inocência do Ocidente*

Christopher Stevens, embaixador dos EUA assassinado em Bengazi, capital da “nova” Líbia.

A ingerência sempre foi uma faca de dois gumes. Na Líbia, como no Egipto, na Tunísia e daqui a umas semanas na Síria, a aposta do imperialismo vai virar-se contra o imperialismo. O mesmo acontecerá em todos os países vizinhos. As lideranças actuais não são as marionetas a que o Ocidente se habituou, e a sua agenda não parece ser negociável. Como é bom de ver resta uma única solução, que uma parte da esquerda grita pelo menos desde o 11 de Setembro de 1973 – A retirada unilateral, até ao último soldado, de toda a nomenclatura ocidental nos territórios onde não são bem-vindos e onde até agora a sua intervenção só causou sangue, suor e lágrimas. De Telavive a Nouakchott, de Cabul ao vale do Níger.

Foto da AFP, via Público.
*Título adaptado do filme “A Inocência dos Muçulmanos”
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28 respostas a A Inocência do Ocidente*

  1. Carlos Vidal diz:

    Nao te esqueças que a aposta do imperialismo se vira contra o imperialismo desde sempre, pelo menos desde o Afeganistão, logo quando da invasão dos “vermelhos” império do Mal URSS. Aí o imperialismo fundou a Al Qaeda. Até hoje.

  2. Costuma-se dizer;
    … quem semeia ventos colhe tempestades! – elas avolumam-se diariamente, na economia, na sociedade e na ecologia; outra sociedade é possível, dia 15 para a rua!

  3. Marco diz:

    Embora não sendo grande adepto das teorias da conspiração rebuscadas, vamos lá a ver se isto não fazia parte do argumento original. Assim à laia de justificação para desembarcar as canhoeiras e “prontos”…

  4. Anónimo diz:

    Que nojo. Usar o vandalismo de uns fanáticos que matam porque o seu profeta terá sido ofendido por mostrar a cara num filme para substanciar seja o que for é abjecto. Vocês são abjectos.

    É ver a excitação na vossa cara de cães enraivecidos. Que nojo.

    • Renato Teixeira diz:

      Deve por isso o Ocidente ponderar melhor o fanatismo que anda a promover. É de cão, sem sombra de dúvida. E mete nojo. Muito nojo.

    • imbondeiro diz:

      Tão abjecto quanto o foi o linchamento/sodomização/assassinato de Kadaffi? Tão abjecto quanto o foi a abjecta limpeza étnica levada a cabo na Líbia pelos “libertadores” de Benghazi? Ou será que os “libertadores”, ao lincharem alguém de nome Christopher Stevens, miraculosamente se metamorfosearam em assassinos? Tem toda a razão: é um nojo! Mas é um nojo cujo fedor alguns de nós já vinham cheirando há muito tempo. A outros, infelizmente, deu-lhes uma desgraçada maleita: o daltonismo olfactivo.

  5. A.Silva diz:

    É sempre bom ter noticis de que os EUA também colhem os frutos das “democracias” que eles simpáticamente e à bomba impuseram.

  6. A.Silva diz:

    É sempre bom ter noticis de que os EUA também colhem os frutos das “democracias” que eles simpáticamente e à bomba impuseram.

  7. Anónimo diz:

    Estou perplexo com este post, é preciso ser um tipo muito baixo de ser humano, ou animal, para defender estes actos de terrorismo.

  8. Portela Menos 1 diz:

    pensei que tivessem assassinado Carlucci; afinal foi um tipo que ajudou a correr com Kadafi…

    • Renato Teixeira diz:

      Ufa.

    • Rocha diz:

      “Correr com” o Kadafi? O discurso colonialista faz maravilhas com as palavras. A guerra parece um safari.

      Correr com o Kadafi, correr com o Saddam, correr com o Noriega… correr… correr… correr…

      Matar é por desporto e os milhares de cadáveres a cada guerra, a cada invasão ficam lá escondidos atrás da cabeça embalsamada do último vilão de turno.

      • Portela Menos 1 diz:

        porreiro pá, o actual vilão de turno – apesar de filho da puta – passou a ser o nosso filho da puta…

        • De diz:

          Portela – 1?
          que o seu vilão de turno seja o seu filho da puta é um privilégio seu.
          Mas não tente deitar os seus dejectos pessoais para outrém.Fique-se com o seu esgoto pessoal

  9. imbondeiro diz:

    Palavra de honra que não tenho prazer nenhum em perguntar isto, mas tem de ser: eu ( e outros, bastante mais cultos e inteligentes do que eu), humildemente, não avisei?!!!

  10. imbondeiro diz:

    E, já agora, deixem-me verbalizar uma dúvida que assalta esta minha pobre e cansada cabecita: será que o extraordinário dueto Obama/Madame Clinton vai agora despejar uns mísseis sobre a cidade daqueles que, há um nadinha de tempo, jurava serem uns bravos e seculares “combatentes da liberdade”? Acodem-me à memória umas quantas fábulas de grande proveito moral e magnamente propiciadoras de avisadas atitudes. Só para citar uma, lembro-me daquela do boi e do escorpião que, o segundo às cavalitas do primeiro, atravessavam um perigosamente largo e fundo rio. O azar dos amigos estado-unidenses é que eles pensam que a vida é um filme e poucas ou nenhumas fábulas lêem.

    • De diz:

      Pensam que as botifarradas tudo resolvem.E não hesitam perante as mais sórdidas alianças.Sabem escolher bem os parceiros tanto ideológicos como de crime.

  11. José diz:

    Querer confundir questões religiosas com desígnios políticos é confundir a realidade com os nossos desejos.

  12. Pingback: Verso e Reverso | cinco dias

  13. Cr diz:

    Para quem estudar ao detalhe e pormenor as informações oficiais islâmicas iniciais, descobre que há fundamentos para se afirmar que no filme nada insulta maomé.
    Ele próprio confessou que era ignorante, que não sabia o que andava a fazer e que o seu allah era pior que os maus todos juntos e zangados.

    • trill diz:

      Há um livro interessante que demonstra que o “profeta” não existiu e que o “livro sagrado” é uma compilação feita por mais que uma pessoa, que se inspira tanto no judaismo como em alguns aspectos do cristianismo.

      • imbondeiro diz:

        Pois… Já agora, explique-me o meu caro amigo, uma vez que falamos em evidências históricas, em que prova irrefutável fundamentam os cristãos a sua profunda crença na existência do Jesus de Nazaré do Século I? Ó meu caro senhor, não vá por aí que isso é terreno movediço.
        Dos profetas dos três grandes monoteísmos Maomé é aquele que, precisamente ao contrário daquilo que esse livro que o senhor leu afirma, mais sólidas provas da sua existência histórica tem. Repare no título por si referido: as origens do Estado Árabe como unidade política minimamente coesa têm origem na unidade religiosa trazida por Maomé.
        Mas tanta prosa para quê? Há coisas que se explicam, de forma muito simples e clara, por uma simples verificação onomástica dos autores em questão: “Yehuda”?!!! Pois…

        • José diz:

          Uma coisa é não acreditar em Jesus como Cristo, como Filho de Deus, outra é não querer acreditar na existência histórica de um tipo que se chamava Jesus e andou pelo território que hoje é mais conhecido como Médio-Oriente pelo idos do Séc. I.
          Os evangelhos, oficiais ou apócrifos, mas também as narrativas romanas permitem satisfatoriamente concluir pela existência desse indivíduo, acredite-se ou não, na sua divindade.

  14. trill diz:

    The origins of the Arab Religion and the Arab State
    Yehuda D. Nevo / Judih Koren

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