O Bem-Amado

 

O post que Passos Coelho colocou ontem (9 de Setembro) no Facebook, em que se dirigia aos Portugueses em tom paternalista («como pai», não como primeiro-ministro), os tratava como «Amigos» e assinava «Pedro» desencadeou uma verdadeira tempestade nas redes sociais. Um dia depois, tinha recolhido cerca de 8 mil «gostos» e 40 mil comentários, estes quase todos fortemente críticos. Nas primeiras horas, expressões como «Não me trates por ‘amigo’ porque eu não sou teu amigo» e epítetos como «Hipócrita», «mentiroso», «insensível», «ladrão», «palhaço», «gatuno», «bandido», «corrupto», «vigarista», «aldrabão», «desonesto» e afins eram dominantes. Passadas algumas horas, a sucessão vertiginosa de epítetos de gente furiosa amainou ligeiramente, mas o seu conteúdo manteve-se.

Tirei uma pequena amostra: em mil comentários, expressões como «vergonha (és uma vergonha, tenha vergonha)» surgiram 108 vezes; «mentiroso», 56; «aldrabão, aldrabões, aldrabice», 12; «corrupto, corruptos», 12; «desonesto», 14; «hipócrita», 5; «bandido, bandidos», 4; «vigarista», 4; «incompetente, incompetentes», 17; «burro, burrice», 20; «desgoverno», 8. E parei por aqui a busca de adjectivos.

Uma boa quantidade de gente que votou PSD e se sente «traída», «desiludida», queixa-se amargamente: «Demos-lhe um voto de confiança, eu votei em si não acreditando na nossa classe política, depois é isto que se vê … (…) Vá embora, é o que faz melhor porque nenhum português deixará vocês acabarem o mandato. Vocês puseram o meu país mais pobre», afirma Pedro V. F. (os nomes completos estão lá, mas aqui omito os apelidos). «Tenho vergonha de ter votado nesta personagem. Mas não perco a esperança de o pôr a andar», diz Carla C. «(…) enquanto o senhor se ri, muitos portugueses choram porque não têm que dar de comer aos filhos; apenas lhe desejo que o mesmo lhe aconteça. E digo-lhe mais: eu tenho esse direito de lho dizer porque acreditei em si e votei em si, o senhor não passa de um vendedor da banha da cobra, um charlatão e aldrabão, tão ou mais quanto o outro que de lá saiu», diz João R.

Quanto às soluções propostas, também são eloquentes (e contundentes): «mandar enforcar em praça pública todos estes cabrões que andam a viver às nossas custas»; «alguém que se passe da cabeça e enfie um balázio entre os olhos destes gajos todos»; ou «não desejo mal a ninguém, mas se visse um desses governantes a atravessar a estrada tirava-lhe a tosse…» Também aqui tirei uma amostra. Nos mesmos mil comentários, surgia «Demite-te, demita-se», 41 vezes; «emigre, emigra», 17 (com variantes como: «Pega nos teus amiguinhos e naquele velho caquéctico que já só gagueja e põe-te a andar…»; ou «Palhaço, faz as malas com os teus comparsas». E «Rua!», simplesmente, 19 vezes. Ou, dito de outra forma: «Exportem estes tipos, já que não há guilhotina! Pobre da Maria Antonieta, por muito menos, ficou sem cabeça. Exportem-nos a todos, ou paremos o país.»

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2 respostas a O Bem-Amado

  1. um gajo qualquer diz:

    Gosto particularmente da sugestão de enforcamento público e massivo dessa canalha.
    eheheheh! ainda se vendiam uns bilhetes e arranjavam-se uns cobres pra pagar a dívida

  2. Diogo diz:

    «(…) enquanto o senhor (Passos Coelho) se ri, muitos portugueses choram porque não têm que dar de comer aos filhos; apenas lhe desejo que o mesmo lhe aconteça. E digo-lhe mais: eu tenho esse direito de lho dizer porque acreditei em si e votei em si, o senhor não passa de um vendedor da banha da cobra, um charlatão e aldrabão, tão ou mais quanto o outro que de lá saiu», diz João R.»

    Eu não votei PSD e não concordo completamente com João R. Não desejo que os inocentes filhos de Passos Coelho (se os tem) passem fome.

    Já concordo mais com estas soluções propostas: «mandar enforcar em praça pública todos estes cabrões que andam a viver às nossas custas» e «alguém que se passe da cabeça e enfie um balázio entre os olhos destes gajos todos»

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