Imposto ou impostor?

“Se o PSD votasse a nossa proposta evitava uma ilegalidade, mas opta por lavar as mãos como Pilatos. Então, não são de fiar em matéria de impostos”, afirmou Paulo Portas aos jornalistas antes de participar numa palestra sobre “a situação económica do país”. 2010-06-09 (aqui)

O CDS-PP diz que a transferência directa de 5,75% dos rendimentos do trabalho para as empresas e 1,25% para o Estado, não é um aumento de impostos e até é capaz de ter razão. Talvez seja mais justo considerá-lo um roubo, uma quebra unilateral do contrato social, um ajustamento de contas do capitalismo.
Ainda assim não deve passar despercebido que o “Diário Económico”, no mesmo dia do anúncio, lançava uma petição “contra o aumento dos impostos” – sobre a qual o António Paço também aqui  escreve.
Há um mês atrás, António Costa – o director do “Diário Económico”, teve a amabilidade de vir a esta tasca explicar o que era o seu jornal. A petição é absolutamente coerente com o escreveu então.
Defender o não aumento de impostos é lutar por manter a injustiça fiscal. Eu quero menos impostos sobre o trabalho, eu quero menos impostos sobre o consumo dos bem essenciais, mas quero mais impostos sobre as grandes fortunas, sobre as grandes transacções financeiras, quero que se acabe com o offshore da Madeira.
É preciso que se perceba que esta iniciativa do “Diário Económico” apenas defende as classes mais favorecidas e as suas regalias. Não é com o aumento dos impostos da maioria dos trabalhadores que se preocupam.

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