Que mil manifestações floresçam

A questão subjacente aos ataques do Renato à manifestação de 15 de Setembro é que ela é contra a troika, mas não é pura. Logo, ela embora seja contra a troika, na prática é a favor da troika. Quando mais gente estiver na manif menos pura ela vai ser. Até porque quem dá a chancela de legitimidade e pureza é o Renato. Quando o Renato criou o MSE e convocou uma manifestação, não achou, e muito bem, que tinha de pedir autorização a terceiros. Agora, embora para ele e os seus ele acha legítimo convocar uma manifestação, em relação aos outros não é tanto assim. O Renato acha que qualquer pessoa neste país que faça uma acção contra a troika deve submeter-se ao direito dele de pernada. É ele que decide se as manifestações devem ou não fazer-se. Eu acho isso, para além de sectário é pouco prático. Participei na manif do 12 de Março, nas do 15 de Outubro, assim como participo nas da CGTP. Penso que o principal problema neste país, é que as pessoas são contra esta situação, mas não de uma forma activa. Quero a multiplicação das manifestações e protestos. Acho que é possível triunfar contra a troika. Mas isso só é possível atraindo mais gente à luta. Não vejo um movimento social pujante, mas falta de movimento. O problema das políticas dos grupúsculos é que todos querem dirigir o movimento, e esquecem-se que mesmo para dirigir, o que eu acho mal, é preciso que haja movimento. Ora, eles secam tudo à volta com as suas guerrinhas e sectarismos. Sobre a social-democracia, nem sequer vale a pena entrar na conversa. Nem eu nem a maioria dos episódicos subscritores da manif de 15 de Setembro comemos dessa fruta. Aliás, o Renato dá demasiada importância aos proponentes da manif. Ao contrário dele nós não representamos ninguém, nem temos a ambição de falar pelos outros. Que mil manifs floresçam e que as pessoas tomem as ruas.

Nota: O Renato num post acima esclarece-me que a manifestação do MSE era organizada por ele, mas aberta a toda à gente que lá quisesse aparecer. Exactamente como a do 15 de Setembro. Aliás, a maioria das manifestações não é preciso bilhete para entrar. Depois insiste que é dominada pelo PS (qualquer coisa assim) e que foi excluída a extrema-esquerda. Entendamo-nos, o facto do Renato não fazer parte dos subscritores, não faz que os outros não sejam muitos deles ligados à chamada extrema-esquerda. Finalmente, parece que o 15 de Outubro se associa: ainda bem. Agora convém que não confunda o Renato que participar não é dar ordens aos outros manifestantes, sobre quem pode ou não participar na luta contra a troika.

Sobre Nuno Ramos de Almeida

TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
Este artigo foi publicado em cinco dias. Bookmark o permalink.

6 respostas a Que mil manifestações floresçam

  1. Pingback: Somos Todos ExtraOrdinári@s? | cinco dias

  2. Nuno Teixeira Lopes diz:

    …é triste… …entre a estupidez mansa e domada do povo, e aquela a que assiste às esquerdas, cheia do burburinho de vizinhas mal-dizentes, fúteis, presunçosas e profundamente preconceituosas e dogmáticas (hipócritas!)… …desfaz-se silenciosamente o esforço de Salgueiro Maia e companheiros, desbota a cor do sangue e sacrifício dos que foram prisioneiros no Tarrafal, silencia-se lentamente, discretamente, a lucidez brilhante dos resistentes à longa noite ditatorial… (…perante isto tudo, até aos traidores parece ser justo o esgar de nojo, o desnorte da presunção de uma qualquer inocência, de tão medonho e bizarro que é este «espetáculo»…)…os tubarões agradecem os despojos saborosos deste naufrágio lento… …primeiro a proa porque antes orgulhosa, e, lentamente, o deslizar de tudo até à ultima bandeira da popa… …poucas borbulhas… …só se ouvem os tubarões a banquetear-se… …podem limpar as mãos à parede pelo lindo serviço prestado…

  3. Augusto diz:

    O problema de fundo , não é que mil manifestações floresçam, mas sim que elas sejam EFICAZES.

    Mobilizar por mobilizar , e desfilar como quem vai á manifestação no intervalo de ir á mercearia , e regressa todo contente para casa, enquanto o O Portas e o Coelho nos vão alegremente ROUBANDO, não conduz a lado nenhum.

    O que a esquerda TODA ELA, deve definir é para onde quer ir, como se propõe derrotar o governo da Troika.

    Quando eu leio hoje num jornal, que o Crato afirma como todo o desplante que não vai haver contestação nas ruas, isso é a melhor prova que este governo se sente seguro, e porque será?

  4. Luis Ferreira diz:

    Ainda há pouco tempo, a 12 de Março de 2011, o PSD fez o seu número de aproveitamento político do incipiente movimento social com alguns resultados a seu favor. Com a alternância política é a vez do PS fazer o mesmo. Como é evidente não há descontentes dentro do PS, não há opositores à troika. Portanto, o que se pretende com esta cooperação com o tripartido PS, PSD, CDS? O que ganhamos com isso? Ter muita gente na rua não será a resposta, pelo exemplo que tivemos a 12 de Março. O que é então?

  5. Pingback: Novas medidas de austeridade |

  6. AtroiKado diz:

    Eh pá, já sei qual é o problema da pureza esquerdoide, é que cada um tem um povo diferente, um condicionalismo próprio para a condição de povo, mas espera aì não é isso que a direita faz sob as balizas economicas do capitalismo.
    Ah, ok, já percebi, cada um quer o seu povo, pelos vistos o povo é sempre o mesmo.

  7. Fernando Gomes diz:

    É pá, para… para !!! Não digas e não escrevasmais disparates, sff !! Estás cego a caminhar nos erros que tu, uma pessoa culta, devias saber até mais não da porcaria que se fez em atitudes voluntaristas mas intempestivas em situações como estas. Então não te entra pelos olhos dentro que movimentações destas sem objectivos concretos e políticas concretas vão dar resultado em , nada !! ?? Mas tu por muito que vás a manifestações (e olha o resultado porra !!! das manifestações em Espanha e na Grécia no que deram), por mais que acredites e te faças auto-acreditar na bondade e eficiência de manifs destas, tens a experiência da história aí por todo o lado. Então mas agora as manifs contrapoder fazem-se em Portugal porque “não devemos estar quietos … e porque os Espanhóis e Gregos se mexem e nós não …” , isto agora é assim. De facto, a estupidez – desculpa mas até pareces mesmo um idiota, que não és de todo mesmo – de fazer crer às pessoas que as organizações de esquerda são sectárias (mas isto são frases pequeno-burguesas mesmo, dos que vão às reunião dos partidos de esquerda e que se a minha vontade não prevalecer em relação à maioria, eu amuo e prontos vou-me embora porque existe sectarismo) … As coisas na crueza da vida e das lutas sociais não são assim tal como pensas, as coisas não vão lá com milhares de manifestações. As coisas vão lá, SIM !!! , mas om organização e poder assumido e a conquistar por sectores da sociedade, mas em organizações pensadas, estruturadas e actuantes com objectivos e políticas, e programas concretos … que já vos andaram a colocar à frente dos olhos, hoje inclusive revisitados e hipócritamente badalados mesmo pelos causadores da desgraça (os ratos também falam, afinal …), e que vocês fizeram ? … que forma de actuação tiveram ? … descamba nisto de cheiro a anarquistas (no pior dos casos antes fosse) … ou mesmo e melhor em parvoíce completa … e ainda por último o que é deveras pior enquadrados por já badalados princípios tão caros ao capital que detêm o poder e manipula os medias e através deles milhares de pequeno-buegueses da classe média agora a sentirem-se ameaçados: a divisão das pessoas, e a tentativa a todo o custo de distanciar as massas revoltadas de quem sempre esteve do lado deles e contra a podridão que assistimos hoje. Quemnão vê, não quer ver e ouvir. É vê-los em retorcidas e múltiplos comentários de depreciação do que apregoavam, é vê-los a encostarem-se a posições como as vossas. É tão claro, o intuito, mas é tão históricamente clara a forma similar como eles se posicionam se olharmos para a história, e nem precisamos de a ver por aí, basta olhar para os diversos acontecimentos desde o 25 Abril nesta canto da Europa. Ou este engjamento e procura a todo o custo de acompanhamento da embalagem do descontentamento popular por parte de responsáveis com “sangue nas mãos” de cromos do PS deste país, em que procuram a todo o custo conseguir um assento no comboio do descontentamento, é por demais vergonhoso, em resumo, que não percebas que balões de oxigéneo a estes “gajos” estão vocês a dar, a dividir, ou então se quiseres a dissiminar o descontentamento, a dispersá-lo, quando o perigo real para os poderosos do capitalismo selvagem que temos aí à frente dos nossos olhos era dar força real as organizações de esquerda (veja-se o desnorte da Europa com as eleições na Grécia, e atarentados que estavamcom a eventualidade da esquerda ganahr na Grécia); isso sim, isso era o perigo real para eles, isso era o rastilhos para o sul da Europa mudar, não o Euro ou partirmos em Jangadas de Pedra, mas para mudar os dirigentes dos países, e pressupostamente mudar a configuração política na Europa, encostando e empurrando a Alemanha para a porta de saída, e que vá fazer guerra para a o pu..q.a.pa. Parem, pensem, e com boa vontade que têm, assumam que fizeram merda com todo o vosso altruísmo. Abraço.

Os comentários estão fechados.