DISPERSÃO? Mas que tipo de dispersão, Renato? Podes ser mais claro, ou não podes?

(Nós, na Jangada do Medusa: recordemo-nos que Passos e Gaspar foram os comandantes do navio: já agora, identifiquem os tipos do CDS-PP e os do PS na imagem)

1. Confesso que tenho alguma simpatia e concordância com o post do Renato, em baixo deste meu curto e sintético. O benefício da dúvida ao reformismo (PS, algum BE, Syriza e companhia) é um erro que se pode pagar caro. Quer dizer, eu não sei (sei) o que quer o PS nesta sua espiral gradual/imperceptível, mas cínica e hipócrita, de devagar, devagar ir preparando tudo e todos para votar contra o Orçamento de 2013 (ultrapassando a ridícula “abstenção violenta”, conceito que fica para a história da estupidez geral), votar contra o OE e cavalgar o imparável descontentamento relatado à insuportabilidade da vida e do fascismo económico do PSD/CDS (com o apoio inicial do PS, inicial e actual).

2. Entretanto, há um facto novo nisto (ou previsível): o CDS-PP quer, a todo o transe e à primeira oportunidade, saltar do barco da delinquência económica e da corrupção galáctica do PSD e seus muchachos. Quer dizer, o CDS, no fundo no fundo, quer que o governo não cumpra a legislatura (porque o fascismo económico do PSD não pode sobreviver muitos mais meses), quer saltar já, se possível, do barco infernal desta crise cavada pela troika da troika (PS,PSD,CDS, UE, BCE; FMI). E quer saltar porque quer, provavelmente, ser bengala do PS num governo a breve prazo.

Ou seja, o PS já viu que pode ser governo a breve e curto prazo: Coelho, Passos, é um incompetente absoluto: fascista económico e estratego nulo e obtuso. Queda certa e talvez antes do fim do ano. A humilhação das massas (desde 25 de Novembro de 1975) não lhes permite outra ideia que não seja voltar a votar PS, que aplicará o programa de Passos (o círculo da morte ou poço da morte, como nas feiras).

3. Daqui não se sai, evidentemente, por via eleitoral, burguesa, representativa. O PSD está perdido (Gaspar e todos os outros comandados por Gaspar são a catástrofe absoluta e seriam o fim da nossa vida colectiva se não fossem já travados), o CDS, claro, quer saltar do barco logo que possível para não se danificar grandemente (julga mal), o PS, socraticamente, quer ser governo já, pois o PSD esboroa-se com o esboroar da sociedade e economia portuguesa. Tudo isto é evidente. Só não percebo o elogio do Renato à dispersão das lutas. Esta ideia do Renato é incongruente:

“A luta política espartilhou-se, multiplicou-se por vários movimentos e diferentes tipos de resistência, e não encontro razões para isso não ser positivo.”

4. A ser assim, Renato, nesse espartilho cabem também logicamente os movimentos que o PS decidir patrocinar e promover (porque são, sem dúvida, “diferentes tipos de resistência”). E tudo isso para o Renato deve ser e tem de ser positivo (é o que está escrito). Mas não é, no fundo, mesmo para o Renato. Logo, a frase está mal escrita. Não sei o que o Renato quer dizer: o que é, caríssimo? O que é para ti “dispersão dispersão dispersão”. Clarifica, vamos. E, já agora, qual é a vantagem dessa dispersão ou atomização??

Isto não faz sentido nenhum.

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5 respostas a DISPERSÃO? Mas que tipo de dispersão, Renato? Podes ser mais claro, ou não podes?

  1. Renato Teixeira diz:

    Não falei em dispersão Carlos. Por tudo o que escreves antes é fácil de concluir que percebeste bem o que eu quis dizer.

    • Carlos Vidal diz:

      Já percebi, já percebi.
      Então, para ti, “espartilhar” é diferente de “dispersar”.
      Por acaso até acho que é bem pior.

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  3. Mário Estevam diz:

    O Carlos Vidal esquece-se do Bloco Central: PS+PSD+Cavaco Silva. É uma hipótese que ninguém pode descurar…

  4. Rocha diz:

    É fácil, na imagem o PS e o CDS são aqules dois tipos a acenar “votem em nós, votem em nós nós não temos nada a ver com esta patifaria”. Ou “o barco está a afundar salvem nos a nós primeiro”.

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