Unir os que estão contra a troika ou dividir a favor dela

A extrema-esquerda em Portugal sempre foi uma máquina de fabricar derrotas. Não tem a ambição, nem o desejo, de derrotar a troika. Divide-se toda em bandeirinhas e ocupa-se em reafirmar, em reuniões intermináveis, a pureza do seu grupúsculo em relação à óbvia traição do vizinho do lado. Derrotar a ofensiva do capitalismo financeiro contra os trabalhadores e o povo (palavras em desuso, porque nos venderam que não são modernas) exige mobilizar a maioria das pessoas. Nesta maioria social têm que estar gente de muitos sítios. Só não pode haver transigência no objectivo: ele é claramente derrotar a troika, a sua política e os governos que a servem. Quem passa o tempo em guerrinhas serve objectivamente a política do Memorando. São os aliados úteis que funcionam como uma espécie de polícia de costumes dos militantes anti-troika e que não fazem mais que provocar a impotência e a inacção. Não há revolta que resista a reuniões intermináveis de confronto de egos e proto-lideranças que não lideram nada, nem mesmo eles próprios. Não há revolta que ganhe sem derrotar os divisionistas. Espero sinceramente que, a 15 de Setembro, como a 1 de Outubro e todas as datas que vão suceder-se, os divisionistas barafustem e as lutas se façam da forma mais forte possível. Somos todos e todas poucos para derrotar este aparelho de destruição de pessoas e conquistas sociais que é a troika e os seus serviçais.

Sobre Nuno Ramos de Almeida

TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
Este artigo foi publicado em cinco dias. Bookmark o permalink.

13 Responses to Unir os que estão contra a troika ou dividir a favor dela

  1. Pingback: Quem divide contra a troika, a extrema-esquerda ou a social-democracia? | cinco dias

  2. Pingback: Ballet “regressa” à Gulbenkian |

Os comentários estão fechados.