A extrema-esquerda em Portugal sempre foi uma máquina de fabricar derrotas. Não tem a ambição, nem o desejo, de derrotar a troika. Divide-se toda em bandeirinhas e ocupa-se em reafirmar, em reuniões intermináveis, a pureza do seu grupúsculo em relação à óbvia traição do vizinho do lado. Derrotar a ofensiva do capitalismo financeiro contra os trabalhadores e o povo (palavras em desuso, porque nos venderam que não são modernas) exige mobilizar a maioria das pessoas. Nesta maioria social têm que estar gente de muitos sítios. Só não pode haver transigência no objectivo: ele é claramente derrotar a troika, a sua política e os governos que a servem. Quem passa o tempo em guerrinhas serve objectivamente a política do Memorando. São os aliados úteis que funcionam como uma espécie de polícia de costumes dos militantes anti-troika e que não fazem mais que provocar a impotência e a inacção. Não há revolta que resista a reuniões intermináveis de confronto de egos e proto-lideranças que não lideram nada, nem mesmo eles próprios. Não há revolta que ganhe sem derrotar os divisionistas. Espero sinceramente que, a 15 de Setembro, como a 1 de Outubro e todas as datas que vão suceder-se, os divisionistas barafustem e as lutas se façam da forma mais forte possível. Somos todos e todas poucos para derrotar este aparelho de destruição de pessoas e conquistas sociais que é a troika e os seus serviçais.





Tenho vindo a sugerir, como ponto de partida, a criação de uma confederação ou congresso permanente de movimentos sociais que, permitindo que cada um preserve as suas idiossincracias e projectos próprios, permitisse também tomadas de medidas mais abrangentes que pudessem dar resposta adequada às questões com que todos nos defrontamos. Até agora o silêncio tem sido ensurdecedor…
“Só não pode haver transigência no objectivo: ele é claramente derrotar a troika, a sua política e os governos que a servem.”
De acordo. Mas então é necessário lembrar que a propósito de colaboradores da troika “os governos que a servem” e “os seus serviçais” incluem o PS.
Toda esta argumentação é perfeitamente válida, palavra por palavra, para demonstrar que unir com colaboradores da troika como o PS só é capaz de provocar “impotência e inacção”, derrotas e mais derrotas para o povo e a classe trabalhadora e afundar-nos mais no buraco em que estamos, até mesmo além dos limites do imaginável.
Mas já agora proponho um outro mote, para reforçar o deste post:
Unir os que são agredidos pela troika ou dividir os protagonismos do protesto com os colaboradores dela?
A propósito de protagonismos (numa linha contínua desde congressos de alternativas, petições e 15 de Setembro): será que o PS precisa de mais esta ajuda que lhe estão a dar para voltar ao poder e aprofundar a já ruinosa e corrupta política troikista do Sócrates?
Unir, unir, unir. Sem dúvida é também a minha bandeira. Unir as palavras aos actos.
Não há protagonistas de protesto nenhum. Ninguém representa as pessoas que se manifestarem a 15 ou a 1 ou em outra data qualquer. Só elas se representam em acção. É tão legítimo convocarem pessoas manifs, como plataformas ou organizações. Eu quero que gente do PS rompa com a troika. Não quero que sejam empurrados por sectários para as mãos da direcção colaboracionista. Fingir que se quer unir para continuar a fazer a prática da divisão das más e boas manifestações, dos bons e maus tipos contra a troika, é apenas perpetuar o discurso sectário, que objectivamente serve para manter este governo, esta política e a troika.
Duvido que o PS vá «romper» com a Troika um acordo que foi celebrado pelo próprio PS. Já vi muitas inconsistências políticas dentro do PS, mas essa seria a suprema ironia, e muito pouco plausível.
Os gajos estão feitos com o sistema. Não f_dem nem deixam f_der. Cada um é mais puro que o outro e entretanto o povinho, esse tão amado povinho que se troiKe.
apoiado! as pessoas são pessoas e não números em listas de partidos. as revoluções não se fazem com os militantes só, fazem-se com as pessoas anónimas que se reconhecem nas razões da luta. até agora o que os partidos ditos de esquerda fizeram foi degladiarem-se entre si, como comadres invejosas. basta de tanta converseta da treta. e que ao menos não inviabilizem as plataformas de cidadãos com os seus comentários teóricos. estou farta dos políticos profissionais ditos de esquerda!na verdade não diferem muito dos outros, com a sua incapacidade de lutar realmente contribuem enormemente para o estado das coisas.
Já que se insiste neste ponto, vou responder conjuntamente à Marta e ao Nuno.
As pessoas que não deixam os cargos, com todas as mordomias e privilégios que isso implica, num partido do arco do poder como PS (do arco da cumplicidade com a Troika também) NÃO estão de boa fé em nenhum protesto.
Quem pode negar que ser dirigente do PS (já não falo em militante) é um passaporte para todo o tipo de tachos, cargos e nepotismos.
Enquanto estudante da Universidade do Porto eu assisti a várias levas de dirigentes da JS e JSD, quando na oposição a um governo, a juntarem-se aos comunistas no movimento estudantil, a agitarem as àguas com manifs estudantis de grandes multidões, com reivindicações plenamente ao nível das reivindicações mais radicais de esquerda dos comunistas, conseguindo o protagonismo, conseguindo a queda do governo efectiva ou nas sondagens. E passado uns meses dos seus 15 minutos de fama “pseudo-revolucionária” a assinarem o seu contrato de acessores ou adjuntos de secretários de estado.
O movimento estudantil, tradicional trampolim de protagonismos para boys da JS e da JSD, está praticamente desactivado com a destruição estrutural que se fez das nossas Universidades privatizadas em fundações. Agora utilizam outros forums e outros movimentos, já na Geração à Rasca a JSD esteve presente para instrumentalizar o protesto. Os métodos continuam a ser os mesmos.
Não estou familiarizado com todo o percurso politico de todos os organizadores da manif de dia 15, por isso não me pronunciarei pela bondade e generosidade (que reconheço em ti e noutros) dos mesmos. No que toca aos outros momentos, eu, sinceramente, creio que nestas coisas da união ou da unidade, como diz a Marta Harnecker, há esquerdas que somadas se amplificam e há esquerdas que somadas se diminuem. A mim faz-me muita confusão ver pessoas em que reconheço o espirito combativo de uma esquerda séria olharem para o congresso das alternativas, por ex, como um principio de unidade. Não por na sua comissão organizadora estarem destacados membros do PS e deputados, muito menos pela presença de muitos dirigentes nacionais do BE. A unidade, a fazer-se, será sempre com muitos socialistas, bloquistas e comunistas. O que me mete impressão neste congresso, é que na sua comissão organizadora estão aqueles que recentemente tiveram oportunidade de realmente romper com a troika: os deputados do PS que na Assembleia se abstiveram no OE 2012, nas alterações do código do trabalho e na moção de censura.
Através do seu silêncio recusaram, no plano parlamentar, assumir uma posição, contribuindo para o discurso nacional e internacional que existe uma maioria esmagadora de apoio ao memorando de entendimento. E está por ver como se comportarão estes deputados quando a já anunciada redução do valor das indemnizações por despedimento para 8 dias por ano trabalhado for levada a plenário.
E eu, olhando apenas para a minha situação pessoal, pondo-me na pele de quem trabalha e sem fazer leituras de macro-politica, pergunto-me como se perguntarão muitos: que esquerda é esta que no momento de votar contra aquilo que se opõe ficam calados? E os meus direitos, ninguém luta por eles?
Rafael,
Não há nenhuma unidade com o PS. Há uma pessoa que é dirigente da JS e que assina, como todos, a título individual que se pronunciou frontalmente contra a troika. Só isso. Não contei o número de votantes do BE e do PC. Mas creio que há vários. Fazer uma campanha contra a manifestação parece-me pouco inteligente. Menos mal que, pelos vistos, acabaram por apoiar esta tão horrível manifestação.
Não tenho paciência para determinadas teorias da conspiração e guerrinhas que certa extrema-esquerda é pródiga.
Sou suficientemente velho ( fiz anteontem 69 anos ) para saber de experiência feita que ” A extrema-esquerda em Portugal sempre foi uma máquina de fabricar derrotas. ” O retorno ao passado só deve servir-nos para ganhar experiência para o presente e o futuro. Quão aguerridos e numerosos eram eles para minar um governo como o de Vasco Gonçalves! O melhor governo que tivemos desde ( passe o exagero ) a fundação da nacionalidade! O único até agora em que os governantes estavam do mesmo lado da maioria dos governados! Quando a direita, por mão do PS/ Mário Soares se instalou e, paulatinamente fui dando cabo de todas as conquista desse breve mas admirável período, foi ver a debandada de uns e instalação de muitos outros ( sabemos-lhes os nomes e conhecemos-lhes os rostos … ) nas delícias de altos cargos propiciados pelo mesmo poder que antes diziam combater. Tão esquerdistas que eles eram !
Dito isto , claro que não posso estar mais de acordo que tudo devemos fazer para que ” que gente do PS rompa com a troika”. Na base, entre os apoiantes e votantes do PS. Porque com a direção, já sabemos que é impossível. http://www.odiario.info/?p=2593
Belo artigo, Nuno. Na forma e no conteúdo.
Também estou nos 60, mas muitos jotinhas dizem-me que o que eu sabia aos 20, e mais o que acrescentei até hoje, não vale nada !Eles lidam bem com a merda, que hoje têm, e mal com o ano bestial, que foi 1975 !!!
Viva aquele velho e glorioso Partido que não trai !
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