Razões ExtraOrdinári@s

“Acredito em alternativas às medidas de austeridade repetitivas e empobrecedoras, mas aqueles que, na oposição, nos representam, conhecem-nas e parecem paralisados. Semeiam palavras gastas, numa semeadura desencontrada, sem rega nem colheita. Demos, então, a voz a grupos de cidadãos. (…) É preciso fazer qualquer coisa contra a submissão e a resignação, contra o afunilamento das ideias, contra a morte da vontade colectiva. Fui permeável a estas vozes ao alto, no papel. Sem hesitar – porque confio nesta gente, num seu desalinho alinhado – vou com eles, na tarde de 15 de Setembro.” Helena Pato.

“Saio porque a democracia é um organismo vivo que precisa de mim para reagir às estocadas violentas e sucessivas que tem recebido desta União Europeia e destes governos que estranhamente continuamos a eleger. Saio porque a democracia é muito mais que um boletim de voto e umas meras formalidades. (…) Saio por mim.” Joana Manuel

“Na foto final ficam sempre os mesmos rostos alinhados num sorriso cínico de tanta impunidade. e pior não poderiam ser estes dias porque são igualmente maus e sombrios por onde quer que o olhar se alinhe, tornando o planeta num lugar sem brilho, sem vida, sem sentido. (…) é por isso que é preciso fazer algo de extraordinário. algo que tem de ser feito porque não é possível estar mais tempo neste inferno de cadáveres adiados. e algo de extraordinário passa por conseguirmos sair das nossas feridas temporárias, das nossas rixas domésticas, das nossas fraturas vicinais e acertarmos o passo na caminhada que se impõe fazer sem demora. urgente é a vida. e urgente são as coisas extraordinárias quando os dias correm mal. e essa urgência não é a de voltarmos atrás, sob a ilusão de que antes estavamos bem, mas antes a de avançarmos para uma outra coisa. essa coisa extraordinária que é a repartição justa da riqueza, a partilha do comum, a garantia da igualdade e da equidade e garantia da liberdade. por isso me junto aos que sentem que é preciso dar um sinal firme, um sinal de indignação, um sinal de criação de dias diferentes. (…) é urgente tomar conta dos dias, que são afinal nossos, sempre foram, apenas nos temos esquecido disso embalados pelo canto da sereia que são os mercados, os ratings, os memorandos, as medidas expecionais, as golpadas palacianas. (…) Não temos nada para nos arrepender, a não ser termos sido complacentes com a nossa própria condenação. E por isso, dia 15 de Setembro estarei nas ruas para fazer coisas extraordinárias com todos aqueles que desejam que os dias sejam diferentes. Extraordinariamente diferentes.” Paulo Raposo

“Reaparecem-nos desejos antigos adormecidos que lentamente foram sendo amaldiçoados, roubados, achincalhados: o desejo de colectivo, de irmandade, de semelhança, como se saíssemos de um longo sono embalado na tranquilidade de uma vida feita à medida. (…) Aguçaram-nos o engenho de “descubra a diferença em 10 segundos”: diferença de cheiros, comidas e paladares, diferença da opção sexual, da música, da fala e a diferença passou a coisa estranha e o que é estranho é inimigo. E assim fomos ficando sozinhos, olhos abertos iluminados, não por aquela luz que vem de dentro e que atravessa as coisas e a história de trás para a frente, mas uma luz fria azulada que vem de fora e nos empalidece o corpo todo, a luz fria dos écrans da TV, do computador e uma única parte do corpo a desenvolver-se, ágil e cumpridora, o dedo indicador dos “like like like”. Escravos do século XXI sem direito a cama e a comida. Sem direito sequer a deitarmo-nos no chão sobre a terra porque gente como deve ser tem de ter cama e é preciso uma cama e aquela do Ikea, viste? E o colchão? Tem de ser ortopédico… mas deixam pagar a prestações… eu usei o cartão de crédito… Escravos do século XXI sem direito a uma malga de arroz e couves arrancadas da terra porque nem terra já temos e é preciso a rúcula… e as fibras? Esse iogurte é grego? (…) E oiço-te dizer: já não acredito em manifestações, não dá em nada. E eu quero dizer-te: tenho saudades de estar contigo e quero saber o teu nome. Esta multidão não é um punhado de gente, cada um, cada uma tem um nome. Esta multidão é um somatório de braços e mãos e vozes que pode realmente transformar quando todos e todas percebermos e declararmos com a fúria da razão que é nossa: as ruas, a terra, os rios são nossos. (…) É uma coisa tremenda o que está a acontecer e precisamos urgentemente de fazer qualquer coisa de extraordinário.” Ana Gonçalves

“Esta manifestação é uma forte crítica à falta de controlo que temos internamente sobre a nossa economia e sobretudo sobre a nossa gestão. Como filho e neto de metalúrgicos da seriedade, de mestres de obra de humildade, de professores e professoras da liberdade, como humano em constante missão humanitária.. contribuo quotidianamente para tentar garantir que temos mais justiça neste mundo.. e foi por isso que em poucos segundos assinei este manifesto e fiquei lado a lado com todos os portugueses e portuguesas que exigem uma vida mais digna, um presente mais humano e um futuro mais sustentável. (…) Dia 15 de Setembro só podemos ter o que quisermos ser. Somos cidadãos e cidadãs humanamente dispostos a lutar pela justiça, a lutar pela igualdade e a defender os interesses de todo este Portugal.” Bruno M.G. Neto

“O que é que há de extraordinário em querer o mínimo? Nada. Podemos perder horas infindáveis a discutir que mínimo é esse, mas o mais extraordinário é que não hesitamos em dizer, ou teclar, nos nossos circuitos mais íntimos, fechados e casuais, que há um mínimo dos mínimos que nos foge todos os dias (…) Quero a minha vida, uma entre tantas. No mínimo, exijo que saibam que destruírem-nos não é alternativa que eu esteja disposta a aceitar. Quero estar na rua com gente que pensa e age por muitas alternativas, diferentes e não necessariamente compatíveis, mas unida por uma vontade comum: a de não ser cúmplice neste processo extraordinariamente violento em que nos vão roubando a capacidade de querer muito mais do que o mínimo dos mínimos: as nossas vidas.” Mariana Avelãs

Destaques e excertos da minha responsabilidade.

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3 respostas a Razões ExtraOrdinári@s

  1. Graza diz:

    Pois claro Renato! Boas escolhas. Bons sublinhados.

  2. kur diz:

    Eu gostava de mandar o ‘1º’,para c**** da mãe dele acerca do aumento de Impostos,ou seja,o bandido vai mais uma vez aaumentar o IVA! A PQP!!!!Que lhe façam o mesmo que fizeram a Khadaffi,aliás,uma medida democrática apoiada pelos EUA e a UE!!!!!Depois não se queixem…….O fuzilamento é algo humanitário para vendedores da Pátria!!!!

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