“É preciso fazer qualquer coisa de extraordinário”

Quando José Sócrates e Teixeira dos Santos decidiram entregar o país à troika, mesmo os mais pessimistas estariam longe de prever o ritmo de tudo o que se seguiu. O PSD vence as eleições querendo ir “mais além da troika”, embalado por um Medina Carreira que, em todas as televisões e jornais, repetia o seu sonho de abraçar os homens do fraque no aeroporto. Recebido o mandato, não foram precisos muitos meses para que o primeiro-ministro, de ar grave e compungido, viesse anunciar o corte dos subsídios de Natal – ideia que, durante a campanha, havia considerado um disparate. Rasgava-se o compromisso eleitoral. Obedecia-se à troika.
Os resultados são conhecidos. Menos produção, mais desemprego, menos receita fiscal, mais pobreza, menos Estado social, mais dívida externa… Sim, mais dívida externa! A operação a que o país está sujeito é tão idiota que implica que se contraia dívida para pagar dívida, aumentando os juros.
No final de Setembro saber-se-á aquilo que Passos Coelho, Portas e Seguro combinam para o Orçamento de 2013. Não é difícil de prever que Passos anuncie mais cortes nos salários, que Portas reivindique como suas as medidas que prejudicarem mais os trabalhadores do sector público do que os do privado e que Seguro apareça indignado com as medidas anunciadas, mantendo a velha tradição do PS, sempre que o seu voto não é necessário para afirmar políticas de direita.
É neste quadro que surge o apelo promovido por um diversificado grupo de cidadãos para uma manifestação urgente no dia 15 de Setembro. “É preciso fazer qualquer coisa de extraordinário”, é como começa o texto da convocatória. “Dividiram-nos para nos oprimir. Juntemo-nos para nos libertarmos!” é como termina.
Para construir no presente o futuro que nos teimam em adiar é preciso aliviar as fronteiras que nos distinguem. Isso será meio caminho para fazer algo de extraordinário.

Hoje no i

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