Podia ser um conto de Kafka…

…mas é simplesmente a luta de classes a rodar. Porque a solidariedade perante o horror do massacre foi escassa e porque quem os devia defender – Cosatu, PC sul africano – ainda pediu a sua cabeça, o Ministério Público sul africano decidiu acusar os mineiros pelo homicídio cometido pela polícia. Leram mal? Não! É exactamente isso.

Há uma possibilidade séria de a mais importante lição da burguesia nesta crise ter sido dada com um massacre histórico – cujo alcance será infinitamente mais marcante do ponto de vista da história que qualquer Assange ou Pussy Riot – e a que nem a esquerda sul africana nem a esquerda mundial deram uma resposta. Estaremos cá para ver o resultado desta lufada de ar fresco para a burguesia, de todo o mundo, que com este massacre aumentou todo o seu poder, real e simbólico, sobre a classe trabalhadora. Imagino a felicidade da burguesia israelita, grega, chilena, a ler os jornais sul africanos hoje…

Mineiros sul-africanos vão ser acusados de homicídio

O Ministério Público da África do Sul vai acusar os 270 trabalhadores detidos na semana violenta na mina da Lonmin pela morte de 34 dos seus colegas, mortos a tiro pela polícia, segundo a emissora britânica BBC.

«Nenhum polícia foi acusado porque uma comissão de inquérito está a estudar as acções dos agentes. Segundo os relatórios das autópsias revelados por um jornal sul-africano, a maioria dos mortos a 16 de Agosto foram atingidos por tiros nas costas, o que contraria a defesa oficial da polícia: de que os agentes dispararam para se defender.

Os detidos vão ser acusados no âmbito de uma provisão legal que estabelece que todos os envolvidos num crime são responsabilizados pelos resultados desse acto criminal. Os detidos confrontaram a polícia, que disparou sobre os manifestantes, e estão assim a ser legalmente responsabilizados»

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