Maioria dos mineiros foram mortos pelas costas

A maioria dos mineiros de Marikana, massacrados pela polícia do governo do ANC foi morta pelas costas, declarou a autópsia. Alguns foram mortos por polícias que dispararam de helicóptero. A greve continua em muitas minas. Porque é que este massacre histórico não trouxe uma revolta para as ruas? Não terá nada a ver com o facto de a maioria dos trabalhadores da África do Sul ser dirigido pela Cosatu, cujos principais sindicatos condenaram os mineiros?!

Reproduzo também a declaração do SAMWU, um dos raros sindicatos da Cosatu, que condenou, sem condições, o massacre.

E ainda, neste continente, mineiros italianos barricam-se na mina, na Sardenha.

SAMWU says no more Marikana’s

SAMWU PRESS STATEMENT
23 August 2012
This Union has been watching the developments in Marikana after the killing of 37 mine workers last week, and believe it is important that we express a viewpoint about what has happened. While we support the call for the various enquiries that are scheduled, and hope that they uncover the whole truth, we cannot remain silent. The killing of 37 workers, regardless of which Union they belong to, or their demands, or the way that they have conducted their dispute is still a shocking attack on the working class, and especially organised workers. Our Federation COSATU was built on the slogan of An Injury To One is An Injury To All. There are a number of reasons why we must not flinch from commenting on what has happened.

Our most pressing concern is the continuing arrogance of the mine owners. In almost the same breath that they expressed their condolences, they threatened all those who refused to go back to work with dismissals. This is unacceptable behaviour. The whole community is traumatised and to expect them to behave as if it was business as usual is an indication of how the profit motive is paramount for mine owners. In other words they don’t give a damn about the workers, or the communities where they live. The report from the Benchmarks Project that was written just before the massacre exposes their callous disregard for workers and their communities. It was left up to no less than the Presidency to inform the company that a period of Seven Days of Mourning had been declared and that threats of dismissals were therefore inappropriate.

Our second concern is the very worrying role of the police in industrial disputes. We have still to hear a convincing argument why vast numbers of police personnel were supplied with automatic weapons and live ammunition. What was the strategy that they were following? Was this considered a war situation? Why was there not a fall-back position in place? What were the police hoping to achieve? We hope that the various inquiries will also explain why so many of the dead and wounded were shot in the back while retreating, and why there has been a thorough police clean-up of possible evidence in the killing fields of Marikana.

As a Union we are no strangers to the police opening fire on our members, including with live ammunition as the killing of one of our local leaders Comrade Petros Msiza indicates in Tshwane in February 2011. An arrest for this killing is still to be made. We hope that the whole of the trade union movement and civil society will join with us and demand that armed battalions of the police have no role to play in settling industrial disputes. This is not befitting the democratic society we claim to be. Is it any wonder that people all over the world are shocked at what has happened in the rainbow nation?

Finally, we hope that the trade union movement will regard this tragic situation as a wakeup call to strengthen our democratic structures, to ensure that our leaders and our members are united and act together, including in the communities where they live, and that we do not make the mistake of putting short term interests in front of what is needed for the working class as a whole.

Our sincere condolences go out to all of the families and communities who have lost loved ones, and also to those who are recovering from injuries. We hope that out of this massacre, important lessons are learned for all concerned, and that we can say with confidence, Never Ever Again.

Issued by;

Tahir Sema.
South African Municipal Workers’ Union of COSATU
National Media and Publicity Officer
tahir.sema@nullsamwu.org.za
Office: 011-492 2835.
Fax: 0866186479.
Cell: 0829403403.

Este artigo foi publicado em cinco dias. Bookmark o permalink.

6 respostas a Maioria dos mineiros foram mortos pelas costas

  1. Leo diz:

    A Comissão para apurar o que se passou acabou de ser nomeada e está agora a iniciar os seus trabalhos. Calculo que tão bombásticas afirmações tenham sido publicadas em onlines londrinos, nenhum media sul-africano sequer falou disto, muito menos de resultados de autópsias…

    • Raquel Varela diz:

      O jornal que cito é sul africano. As afirmações são a autópsia aos mineiros, que felizmente ainda não está dependente de uma comissão. A notícia está em todos os jornais e televisões sul africanas. Já não estamos em 1936.
      Já agora, essa comissão é nomeada por quem? Por quem os matou?

      • Leo diz:

        “O jornal que cito é sul africano.” ???? Pois se fosse ao google ficava a saber que o Business Report é um online norte-americano e até ficava a conhecer onde se situa:

        “Physical address:
        Business Report
        9029 Jefferson Hwy.
        Baton Rouge LA 70809
        We are located near I-12 next to the Digestive Health Center of Louisiana”

        E sobre as autópsias na própria notícia se lê: “Independent Police Investigative Directorate (IPID) spokesman Moses Dlamini would neither confirm nor deny the contents of the post-mortem reports.”

        Como vê a mentira tem a perna curta.

        • Raquel Varela diz:

          Não percebeu que o BR é linkado num jornal sul africano, onde é publicada a notícia.
          http://www.iol.co.za
          A polícia não confirma nem desmente? Ficamos mais descansados.
          O que está a fazer aqui é arranjar um argumentário para defender o assassinato de trabalhadores? Escusa de publicar mais comentários.

          • Nuno Rodrigues diz:

            Ya, Raquel. Sobre a Colômbia é mais dificil falar? E quase que dizia “a polícia do ANC”, daqui a pouco, é a polícia de Mandela.

            E não, não concordo nada com aquilo. Foi horrivel.

  2. Niet diz:

    O calendário das Presidenciais ” envenena ” já as relações entre a central sindical mineira COSATU e o ANC, onde Zuma perde autoridade dia-a-dia e se arrisca a ser afastado da recandidatura a PR. O comportamento do actual PR sul-africano degrada-se em proporções alarmantes : corrupção galopante, servilismo perante o ” poder branco ” económico e falta de autoridade de Estado.Como alternativa a Zuma, ganha vulto a candidatura de um sindicalista, Motlanthe, que pode vir a roubar grande parte dos 1,8 milhões de votantes do COSATU indispensáveis à reeleição de Zuma. A tragédia de Marikana revela o desnorte que envolve a élite política do ANC, onde a direcção do actual PR é responsabilizada por conivência e laxismo insuportáveis para com os ultra-liberais que tiram partido da inoperância crassa de Zuma e seus fiéis dentro e fora do Governo. Salut! Niet

Os comentários estão fechados.