Desemprego e Acumulação de Capital

Da crise saíram já os capitalistas. Na crise estão agora os trabalhadores.

Radiografia da recuperação da acumulação de capital e do aumento de desemprego, nos últimos boletins do economista marxista José Martins, em acesso livre, aqui, no site da Revista Rubra.

«Nem todos os consumidores de bens duráveis podem ser encontrados passeando e comprando pelos Shoppings Centers do mundo nem, muito menos, nas filas de desempregados que não param de crescer nas portas das fábricas destes mesmos bens duráveis»

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9 respostas a Desemprego e Acumulação de Capital

  1. «Da crise saíram já os capitalistas»???
    Olhe que não Raquel, olhe que não.
    Pelo menos não é isso que Marx e Lénine (e Engels) ensinam. E a realidade demonstra.
    Estamos, segundo todos os indicadores, perante uma crise de sobreprodução absoluta de capital (Marx, O Capital, Livro III). O capital ainda não destruiu, nem «adormeceu», todo o capital constante que precisa. Longe, muito longe, disso.
    Os factos se encarregarão de a desmentir e não vai ser preciso chegar ao fim do ano. Registe.

    • Raquel Varela diz:

      Caro António
      Creio que o que estes boletins discutem é que justamente da crise saiu a burguesia. Parte-se do seguinte critério: análise na economia reguladora do sistema mundial (EUA) do nível dos bens duráveis (capital constante), aumentou mais do que no ciclo anterior, aumento das exportações e comércio externo e taxa de lucro.
      Nem todos os países têm os mesmos ritmos mas são as variáveis que não põem em causa o modelo.
      Na UE não há já crise de acumulação desde 2009, há crise do crédito público – as duas podem conviver.
      Em Portugal parece que o problema não está ao nível do capital constante mas do custo unitário do trabalho, que continua a ser alto, de acordo com os critérios da Troika (ver a este respeito o CUT do INE)
      Saudações

      • Cara Raquel,
        A crise, que aparece como restrita ao plano financeiro é, na sua essência, uma crise económica de sobreprodução e de excesso de capital na posse da oligarquia financeira.
        A menos que estejamos a falar de coisas diferentes, continua a haver no conjunto do sistema, e em particular na Tríade EUA, Japão, UE, um excesso de mercadorias para a procura solvente. Quando, por exemplo, se refere que a indústria automóvel tem uma capacidade instalada a nível planetário 30% superior à procura, é disso que estamos a falar.
        Por outro lado, a massa monetária em circulação é, segundo os últimos dados, mais de 100 vezes superior ao Produto Mundial.
        Se isto não é sobreprodução absoluta de capital, não sei o que seja…

        • Raquel Varela diz:

          Concordo que o que vemos no plano financeiro é a febre não a pneumonia.
          Há algumas notas que gostaria de deixar, soltas, porque não tenho nada certo neste momento.
          O último ciclo depressivo (2007-2008) estava já em plena recuperação em 2009. Os ciclos são cada vez mais curtos – dos 10 anos do tempo de Marx aproximamos-nos de 5 anos em média agora. Não é inesperado – e já se fala nisso – que justamente estejamos já numa fase de queda a caminho da crise de um ciclo que teria o seu ponto mais baixo em 2013, justamente tendo como ponto nevrálgico a indústria automóvel. Mas isso não quer dizer que não tenha havido acumulação, e grande, e maior do que no ciclo anterior, em final de 2009, 2010, 2011 e 2012.
          Haver produção superior à procura não é um problema para os capitalistas – creio. Se concordamos que a crise é de superprodução de capital (e não de superprodução de mercadorias como defendem os subconsumistas).

          • JT diz:

            no tempo de Marx era de 5 anos, não 10. ele especulava se tal poderia estar relacionado com os periodos de rotação do capital fixo, mas o António Vilarigues, que chegou ao Volume III, que se pronuncie, visto que eu ainda vou a meio do II. parece-me que estamos na presença de flutuações, não de ciclos económicos propriamente ditos. mesmo a grande depressão conheceu as suas. desde as polémicas de há 100 anos atrás, no âmbito da «questão da realização» (Rosa Luxemburgo, Bukharine, Grossman, etc) que se sabe que a ampliação da produção implica o aumento dos salários reais, caso contrário… vamos ter ali uma porção de mercadorias que ninguém compra! ora temos dois circuitos globais de défice, centrados na Alemanha e na China, a impedirem justamente isso. a produção explodiu, mas sem um aumento dos salários reais. era a Europa do Sul e os EUA (a tal «consumer-driven economy») que consumia a produção…a crédito. um belo dia de 2008, a Federal Reserve aumentou as taxas de juro…e acabou-se o crédito! agora: a superprodução de capital exprime-se sempre sob a forma de subconsumo…aparente. A leitura da Paul Mattick e a sua Teoria das Crises é útil a esse respeito. Fica o link para não me alongar mais: http://www.marxists.org/archive/mattick-paul/1974/crisis/index.htm

    • JT diz:

      Concordo plenamente. A crise não acabou. De facto, até podemos dizer que mal começou. Nenhum dos desequilibrios estruturais que lhe deu origem foi solucionado.

  2. Sem paternalismos sugiro-lhe o estudo do Livro III do Capital, Tomo I (agora editado em português) capítulos da Lei da queda tendencial da taxa de lucro, onde Marx analisa o conceito teórico (porque não verificado até à altura) de sobreprodução absoluta de capital.
    A 1ª crise com essas características iria conduzir à I Guerra (1914-1918) e marcaria a entrada na fase do Imperialismo, analisado por Lénine.
    A crise actual é uma crise de sobreprodução de mercadorias (como todas as crises analisadas desde Marx) e é também uma crise de sobreprodução ABSOLUTA de capital.
    Duma forma simplista, neste ano de 2012 o grande capital procura mercados para escoar as suas mercadorias (incluindo a mercadoria dinheiro) e não os encontra.
    O capital tem necessidade absoluta de destruir a capacidade instalada. E, até hoje, só o conseguiu fazer pela guerra…
    Mas isso, passe a publicidade, está para sair em mais detalhe num semanário da nossa praça perto de si, lá para 20 de Setembro.
    Mantenha-se atenta, se o tema a interessa, e depois pudemos regressar à discussão.

    • JT diz:

      Posso estar a confundir as coisas, mas a superprodução absoluta de capital não se produz na situação de não haver mais mão-de-obra disponível para valorizá-lo?

      A guerra é um meio de destruição de capital (fixo e variável) como qualquer outro, a questão é que se trata do expediente mais perigoso a que a burguesia pode recorrer. Da primeira vez que foi tentado, despedaçou o czarismo russo; da segunda, sucedeu o mesmo na China e, no pós-guerra a burguesia viu-se na obrigação de fazer cedências incríveis ao proletariado. Ou seja, ela enfraquece a burguesia e os ciclos de desenvolvimento que ela suscita também têm pernas curtas. 30 anos, e acabou-se tudo.

    • JT diz:

      Outra coisa: a destruição da capacidade instalada só tem interesse para o capitalismo na medida em que significa, como em qualquer outra crise, a aniquilação da sua parte mais fraca e o reajuste do valor contido nas mercadorias em consonância com o novo tempo de trabalho socialmente necessário para a sua produção. O poder de compra contido nos salários aumenta e, consequentemente, a mercadoria pode ser escoada. A reconstrução da capacidade produtiva é muito rápida, especialmente tendo em conta que se vai usar maquinaria mais productiva do que antes. O capitalismo ascendente do pós-guerra não possuia, de modo algum, menos capacidade instalada que o dos anos que precederam a depressão.

  3. Conforme prometido aqui fica o meu artigo (de ontem): «O capitalismo não é reformável» in http://ocastendo.blogs.sapo.pt/1448049.html.
    Em papel no jornal »Avante!», edição de 27 de Setembro.

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