PAULA REGO sente-se incomodada (com razão, naturalmente: o que há a esperar deste asco de [gover]nação?), e espero que feche a porta (do museu) no, digamos, “alçado frontal” do abjecto Vítor Gaspar

Aqui.

Em relação a este “governo” é estúpido argumentar. O problema deve e tem de ser resolvido de outro modo.

PAULA FIGUEIROA REGO – “Salazar a Vomitar a Pátria”. 1960.

(Este post é dedicado ao Assistente Estagiário Rui Ramos,

 

 

 

com muito carinho. Sim, é um “negacionista” claro e não assumido que, algures na sua “história” e a partir de uma recensão, sublinha ter o Estado Novo morto 41 pessoas no meio de inúmeros muitos sucessos, e eu não sei se o Assistente Estagiário está a contar com os 5 mortos pela PIDE a 25 de Abril, 1974; se está, ó Assistente Estagiário, retire lá esses 5 mortos porque no último dia a coisa já não devia para si contar; o Estado Novo já tinha acabado – por isso…. foram apenas 30 e poucos mortos por repressão! E porquê falar no sinistro Rui Ramos neste post? Porque Ramos, Salazar a vomitar a pátria e este “governo” é um pouco do mesmo – diria mesmo, tudo é pior que tudo, Ramos é pior que Salazar, Salazar é pior que Ramos, a PIDE é pior que Ramos e vice-versa…. Por isso a dedicatória inicial – e que Ramos subtraia os mortos um a um até ZERO, a coisa bem contextualizada assim o permitirá, para vermos o sr. JMFernandes acabar o dia a chorar feliz, como na humanitária invasão iraquiana. Ah, esquecia-me: em vários países o “negacionismo” pode ser premiado com cadeia. Aqui, não. Sortes.)

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80 respostas a PAULA REGO sente-se incomodada (com razão, naturalmente: o que há a esperar deste asco de [gover]nação?), e espero que feche a porta (do museu) no, digamos, “alçado frontal” do abjecto Vítor Gaspar

  1. JgMenos diz:

    Um vómito!
    Do princípio ao fim!

    • Carlos Vidal diz:

      Obrigado.

      E porquê pá?

      (E ainda: porque é que esta malta de extrema direita anda aqui por esta casa?)

  2. De diz:

    O “conteúdo estomacal” a que alguns dão o nome de rui ramos (essa do “conteúdo estomacal” foi trazida à colação por outrém mas é perfeitamente adequada para caracterizar o tal fulano) gosta de focar a colaboração entre os fascistas portugueses e os espanhóis pelo lado característico das colunas mundanas dos fazedores de opinião “His Master’s Voice”.
    Como resultado coisas assim obliteram a colaboração “inter pares”de assassinos que sabiam o que faziam e que faziam o que sabiam.

    “Em resultado da cooperação Franco/Salazar, há a assinalar o facto dos membros do CC do PCE, Isidoro Diéguez Duenas, secretário do Comité Provincial de Madrid durante a guerra, emigrado do México destacado para participar na reorganização do PCE, e Jesus Larranaga Churruca, basco, fundador do PC de Euskadi, Comissário do Exército do Norte, emigrado em Portugal terminada a guerra, também destacado para participar na organização, terem sido presos em 1941 pela PVDE e entregues à polícia franquista, que os fuzilou em 1942, engrossando o número de espanhóis entregues por Salazar a Franco durante a guerra (415, segundo números oficiais).”

    O estagiário de serviço, o tal pequeno grotesco referenciado acima, tem destas coisas.Foge-lhe a caneta para a negação tal como outro grotesco conhecido como servo entusiasta e rastejante do “império benigno”
    Ambos são o que são.De conteúdo estomacal passam céleres a conteúdo intestinal.

    Muito mais haveria a dizer. Fiquemo-nos agora por aqui

    Bem (re)vindo, sempre, caríssimo Carlos Vidal

    • Carlos Vidal diz:

      Grato, caro De.

      Convém esclarecer que Rui Ramos, de quem Manuel Loff apenas comentou parte, e deverá continuar pois a personagem é poço sem fundo, na carreira docente ficou-se por Assistente Estagiário. Hoje parece-me que é professor convidado, vá lá saber-se por quê, e vá lá saber-se aquilo que ensina: por exemplo, deve ensinar o “viver habitualmente”.

      Escaparam-lhe listas como esta:

      1931, o estudante Branco é morto pela PSP, durante uma manifestação no Porto;
      1932, Armando Ramos, jovem, é morto em consequência de espancamentos; Aurélio Dias, fragateiro, é morto após 30 dias de tortura; Alfredo Ruas, é assassinado a tiro durante uma manifestação em Lisboa;
      1934, Américo Gomes, operário, morre em Peniche após dois meses de tortura; Manuel Vieira Tomé, sindicalista ferroviário morre durante a tortura em consequência da repressão da greve de 18 de Janeiro; Júlio Pinto, operário vidreiro, morto à pancada durante a repressão da greve de 18 de Janeiro; a PSP mata um operário conserveiro durante a repressão de uma greve em Setúbal
      1935, Ferreira de Abreu, dirigente da organização juvenil do PCP, morre no hospital após ter sido espancado na sede da PIDE (então PVDE);
      1936, Francisco Cruz, operário da Marinha Grande, morre na Fortaleza de Angra do Heroísmo, vítima de maus tratos, é deportado do 18 de Janeiro; Manuel Pestana Garcez, trabalhador, é morto durante a tortura;
      1937, Ernesto Faustino, operário; José Lopes, operário anarquista, morre durante a tortura, sendo um dos presos da onda de repressão que se seguiu ao atentado a Salazar; Manuel Salgueiro Valente, tenente-coronel, morre em condições suspeitas no forte de Caxias; Augusto Costa, operário da Marinha Grande, Rafael Tobias Pinto da Silva, de Lisboa, Francisco Domingues Quintas, de Gaia, Francisco Manuel Pereira, marinheiro de Lisboa, Pedro Matos Filipe, de Almada e Cândido Alves Barja, marinheiro, de Castro Verde, morrem no espaço de quatro dias no Tarrafal, vítimas das febres e dos maus tratos; Augusto Almeida Martins, operário, é assassinado na sede da PIDE (PVDE) durante a tortura ; Abílio Augusto Belchior, operário do Porto, morre no Tarrafal, vítima das febres e dos maus tratos;
      1938, António Mano Fernandes, estudante de Coimbra, morre no Forte de Peniche, por lhe ter sido recusada assistência médica, sofria de doença cardíaca; Rui Ricardo da Silva, operário do Arsenal, morre no Aljube, devido a tuberculose contraída em consequência de espancamento perpetrado por seis agentes da Pide durante oito horas; Arnaldo Simões Januário, dirigente anarco-sindicalista, morre no campo do Tarrafal, vítima de maus tratos; Francisco Esteves, operário torneiro de Lisboa, morre na tortura na sede da PIDE; Alfredo Caldeira, pintor, dirigente do PCP, morre no Tarrafal após lenta agonia sem assistência médica;
      1939, Fernando Alcobia, morre no Tarrafal, vítima de doença e de maus tratos;
      1940, Jaime Fonseca de Sousa, morre no Tarrafal, vítima de maus tratos; Albino Coelho, morre também no Tarrafal; Mário Castelhano, dirigente anarco-sindicalista, morre sem assistência médica no Tarrafal;
      1941, Jacinto Faria Vilaça, Casimiro Ferreira; Albino de Carvalho; António Guedes Oliveira e Silva; Ernesto José Ribeiro, operário, e José Lopes Dinis morrem no Tarrafal;
      1942, Henrique Domingues Fernandes morre no Tarrafal; Carlos Ferreira Soares, médico, é assassinado no seu consultório com rajadas de metralhadora, os agentes assassinos alegam legítima defesa (?!); Bento António Gonçalves, secretário-geral do P. C. P. Morre no Tarrafal; Damásio Martins Pereira, fragateiro, morre no Tarrafal; Fernando Óscar Gaspar, morre tuberculoso no regresso da deportação; António de Jesus Branco morre no Tarrafal;
      1943, Rosa Morgado, camponesa do Ameal (Águeda), e os seus filhos, António, Júlio e Constantina, são mortos a tiro pela GNR; Paulo José Dias morre tuberculoso no Tarrafal; Joaquim Montes morre no Tarrafal com febre biliosa; José Manuel Alves dos Reis morre no Tarrafal; Américo Lourenço Nunes, operário, morre em consequência de espancamento perpetrado durante a repressão da greve de Agosto na região de Lisboa; Francisco do Nascimento Gomes, do Porto, morre no Tarrafal; Francisco dos Reis Gomes, operário da Carris do Porto, é morto durante a tortura;
      1944, general José Garcia Godinho morre no Forte da Trafaria, por lhe ser recusado internamento hospitalar; Francisco Ferreira Marques, de Lisboa, militante do PCP, em consequência de espancamento e após mês e meio de incomunicabilidade; Edmundo Gonçalves morre tuberculoso no Tarrafal; assassinados a tiro de metralhadora uma mulher e uma criança, durante a repressão da GNR sobre os camponeses rendeiros da herdade da Goucha (Benavente), mais 40 camponeses são feridos a tiro.
      1945, Manuel Augusto da Costa morre no Tarrafal; Germano Vidigal, operário, assassinado com esmagamento dos testículos, depois de três dias de tortura no posto da GNR de Montemor-o-Novo; Alfredo Dinis (Alex), operário e dirigente do PCP, é assassinado a tiro na estrada de Bucelas; José António Companheiro, operário, de Borba, morre de tuberculose em consequência dos maus tratos na prisão;
      1946, Manuel Simões Júnior, operário corticeiro, morre de tuberculose após doze anos de prisão e de deportação; Joaquim Correia, operário litógrafo do Porto, é morto por espancamento após quinze meses de prisão;
      1947, José Patuleia, assalariado rural de Vila Viçosa, morre durante a tortura na sede da PIDE;
      1948, António Lopes de Almeida, operário da Marinha Grande, é morto durante a tortura; Artur de Oliveira morre no Tarrafal; Joaquim Marreiros, marinheiro da Armada, morre no Tarrafal após doze anos de deportação; António Guerra, operário da Marinha Grande, preso desde 18 de Janeiro de 1934, morre quase cego e após doença prolongada;
      1950, Militão Bessa Ribeiro, operário e dirigente do PCP, morre na Penitenciária de Lisboa, durante uma greve de fome e após nove meses de incomunicabilidade; José Moreira, operário, assassinado na tortura na sede da PIDE, dois dias após a prisão, o corpo é lançado por uma janela do quarto andar para simular suicídio; Venceslau Ferreira morre em Lisboa após tortura; Alfredo Dias Lima, assalariado rural, é assassinado a tiro pela GNR durante uma manifestação em Alpiarça;
      1951, Gervásio da Costa, operário de Fafe, morre vítima de maus tratos na prisão;
      1954, Catarina Eufémia, assalariada rural, assassinada a tiro em Baleizão, durante uma greve, grávida e com uma filha nos braços;
      1957, Joaquim Lemos Oliveira, barbeiro de Fafe, morre na sede da PIDE no Porto após quinze dias de tortura; Manuel da Silva Júnior, de Viana do Castelo, é morto durante a tortura na sede da PIDE no Porto, sendo o corpo, irreconhecível, enterrado às escondidas num cemitério do Porto; José Centeio, assalariado rural de Alpiarça, é assassinado pela PIDE;
      1958, José Adelino dos Santos, assalariado rural, é assassinado a tiro pela GNR, durante uma manifestação em Montemor-o-Novo, vários outros trabalhadores são feridos a tiro; Raul Alves, operário da Póvoa de Santa Iria, após quinze dias de tortura, é lançado por uma janela do quarto andar da sede da PIDE, à sua morte assiste a esposa do embaixador do Brasil;
      1961, Cândido Martins Capilé, operário corticeiro, é assassinado a tiro pela GNR durante uma manifestação em Almada; José Dias Coelho, escultor e militante do PCP, é assassinado à queima-roupa numa rua de Lisboa;
      1962, António Graciano Adângio e Francisco Madeira, mineiros em Aljustrel, são assassinados a tiro pela GNR; Estêvão Giro, operário de Alcochete, é assassinado a tiro pela PSP durante a manifestação do 1º de Maio em Lisboa;
      1963, Agostinho Fineza, operário tipógrafo do Funchal, é assassinado pela PSP, sob a indicação da PIDE, durante uma manifestação em Lisboa;
      1964, Francisco Brito, desertor da guerra colonial, é assassinado em Loulé pela GNR; David Almeida Reis, trabalhador, é assassinado por agentes da PIDE durante uma manifestação em Lisboa;
      1965, general Humberto Delgado e a sua secretária Arajaryr Campos são assassinados a tiro em Vila Nueva del Fresno (Espanha), os assassinos são o inspector da PIDE Rosa Casaco e o subinspector Agostinho Tienza e o agente Casimiro Monteiro;
      1967, Manuel Agostinho Góis, trabalhador agrícola de Cuba, more vítima de tortura na PIDE;
      1968, Luís António Firmino, trabalhador de Montemor, morre em Caxias, vítima de maus tratos; Herculano Augusto, trabalhador rural, é morto à pancada no posto da PSP de Lamego por condenar publicamente a guerra colonial; Daniel Teixeira, estudante, morre no Forte de Caxias, em situação de incomunicabilidade, depois de agonizar durante uma noite sem assistência;
      1969, Eduardo Mondlane, dirigente da Frelimo, é assassinado através de um atentado organizado pela PIDE;
      1972, José António Leitão Ribeiro Santos, estudante de Direito em Lisboa e militante do MRPP, é assassinado a tiro durante uma reunião de apoio à luta do povo vietnamita e contra a repressão, o seu assassino, o agente da PIDE Coelha da Rocha, viria a escapar-se na “fuga-libertação” de Alcoentre, em Junho de 1975;
      1973, Amilcar Cabral, dirigente da luta de libertação da Guiné e Cabo Verde, é assassinado por um bando mercenário a soldo da PIDE, chefiado por Alpoim Galvão;
      1974, (dia 25 de Abril), Fernando Carvalho Gesteira, de Montalegre, José James Barneto, de Vendas Novas, Fernando Barreiros dos Reis, soldado de Lisboa, e José Guilherme Rego Arruda, estudante dos Açores, são assassinados a tiro pelos pides acoitados na sua sede na Rua António Maria Cardoso, são ainda feridas duas dezenas de pessoas.

      A PIDE acaba como começou, assassinando. Aqui não ficam contabilizadas as inúmeras vítimas anónimas da PIDE, GNR e PSP em outros locais de repressão. Mas ainda podemos referir, duas centenas de homens, mulheres e crianças massacradas a tiro de canhão durante o bombardeamento da cidade do Porto, ordenada pelo coronel Passos e Sousa, na repressão da revolta de 3 de Fevereiro de 1927. Dezenas de mortos na repressão da revolta de 7 de Fevereiro de 1927 em Lisboa, vários deles assassinados por um pelotão de fuzilamento, à ordens do capitão Jorge Botelho Moniz, no Jardim Zoológico. Dezenas de mortos na repressão da revolta da Madeira, em Abril de 1931, ou outras tantas dezenas na repressão da revolta de 26 de Agosto de 1931. Um número indeterminado de mortos na deportação na Guiné, Timor, Angra e no Cunene. Um número indeterminado de mortos devido à intervenção da força fascista dos “Viriatos” na guerra civil de Espanha e a entrega de fugitivos aos pelotões de fuzilamento franquistas. Dezenas de mortos em São Tomé, na repressão ordenada pelo governador Carlos Gorgulho sobre os trabalhadores que recusaram o trabalho forçado, em Fevereiro de 1953. Muitos milhares de mortos durante as guerras coloniais, vítimas do Exército, da PIDE, da OPVDC, dos “Flechas”, etc.

      Não sei se dá 30 ou 40. Ramos que conte.
      Entretanto, tudo conta:
      a destruição da RTP
      a destruição da Fundação Paula Rego
      e recusa de dar cidadania portuguesa a Arpad Szenes, o que levou Vieira da Silva a optar pela nacionalidade francesa, etc.

      Ramos que conte.

      • De diz:

        Na mouche!!!

      • Edgar diz:

        É uma parte da história da ditadura fascista que Álvaro Cunhal definiu como o “governo terrorista dos monopólios e latifundiários”.
        (http://www.marxists.org/portugues/cunhal/1994/02/abril.htm)

      • ribas diz:

        Esses sacrificados, já não contam para a história, mas os que cá estão, ainda têm as suas histórias. A PIDE, nunca me bateu à porta, fui um sortudo. Se calhar, portava-me bem ou então não dinheiro para sair à rua e manifestar-me. Mas hoje a minha história é outra. É o medo de ser assaltado na rua e ser anavalhado a custo zero. É ver a PSP a entrar-me casa dentro porque escrevera umas verdades. Ou mesmo ser punido e proibido de trabalhar porque detestei trabalhar com incompetentes. Mas aqui até o Tribunal achou ser de menor importância, os incompetentes gerirem mal os dinheiros públicos e então me tomou com um criminoso, não, não me bateram, mas riram-se na minha cara de que em 2006 e pelo que escrevera, ainda era crime. Se Salazar foi ou não um criminoso, alguém lhe deu rédeas curtas. Se os Governos atuais, aqueles que continuam a rir na cara dos portugueses e estes ainda vão às urnas, mas eu não, continuamos empobrecidos e burros, porque baixamos as calças e somos comidos por lorpas. Foi assim que eu resisti. Foi assim que eu ainda hoje luto e digo, que o que Salazar fez ou deixou de fazer, hoje temos outros parasitas a fazer, não digo melhor ou pior, mas pergunto de há 40 anos a esta parte quantos morreram na estrada, nos assaltos, nos assassinatos aqueles que sossegadamente estão em casa, no Minho ou no Algarve? 150 dias de multa a 10€ foi quanto eu paguei em Tribunal por ter escrito um mail e dizer que não trabalhava mais com certa escumalha. A casa foi-me assaltada pela PSP em 2007, porque escrevera que a justiça em Portugal, não funcionava. Aqui os Tribunais já atuaram. Então não me venham contar estórias do passado, porque é hoje que quero viver, mas se calhar e ao fim de 40 anos de trabalho, não terei direito a uma reforma digna, enquanto uns tubarões que nada fazem nem sabem ou deixam fazer, gozam os milhões, explorados ao povo

      • JgMenos diz:

        Historiador reputado, Carlos Vidal, quase enchia uma página A4 com os crimes de sangue do fascismo português. E para lá chegar teve que inventar o assassínio de Amilcar Cabral, ir desentocar os ‘Viriatos’ e imaginar a PIDE a encomendar tiros à PSP!
        Aguarda-se a publicação dos detalhes de tão séria investigação, com um mapa comparativo com a mortandade provocada pelos regimes libertadores do proletariado.

        • De diz:

          Já se sabia.De antemão.As coisas não podem ser aceites desta forma por coisas como JgMenos.
          O que faz este?
          Muda de estratégia.E engole agora o seu prévio comentário em que revelava o seu vómito (!), para embarcar por outros rumos.

          Alguns pontos:
          – “Historiador reputado” diz Menos naquele seu tom de tentar arrumar as coisas de acordo com os misteres das pessoas.Nunca ninguém disse ao Menos que as fontes, a sua interpretação ou ainda mais a opinião sobre aquelas, não são pertença nem de académicos nem, como no caso presente, de revisionistas da História? Se fossemos seguir tal metodologia um honesto cidadão não poderia adjectivar Borges ou Passos Coelho de bandalhos por não ser ele próprio um bandalho.

          -A morte de Amílcar Cabral continua envolta em polémica,alimentada pelas próprias rivalidades internas dentro do seu partido.Mas parece que não há dúvida do envolvimento da PIDE no processo.É o próprio departamento de estado norte americano que afirma “haver sinais de envolvimento português” apenas um mês depois da morte do histórico dirigente envolvimento português com a colaboração de agentes do partido de Cabral.Lá voltaremos se necessário

          -Compreende-se o desconforto que Menos tem perante a invocação dos “viriatos”.O nome genérico dos fascistas, que combateram sob as ordens de outro fascista, que montou um golpe fascista contra a ordem constitucional espanhola, é para dizer baixinho a fim de escamotear a corja de fascistas que tínhamos por aqui.Ah ,falta acrescentar que tais fascistas tiveram o apoio claro do governo de Salazar.E as mãos prenhes de sangue, como é hábito entre os desta igualha.

          -Parece que em Portugal ,segundo JgMenos,a PSP é que dava ordens à PIDE?
          Os factos aí estão em toda a sua crueza,por mais que Menos os tente dissimular.A 1 de Maio de 1963 cai vítima do poder fascista, o operário tipógrafo Agostinho Fineza.A pretensa ironia com que Menos tenta apagar o facto revela um pouco mais o que é o sujeito JgMenos

          -Mas há algo mais,que é fundamental, que revela ainda melhor a forma de agir desta gente.
          “a mortandade provocada pelos regimes libertadores de…”diz o fulano.
          Já se sabia.Tinha apostado que, face ao desmascarar do “historiador” RR, face aos inúmeros dados que mostram que ele afinal é uma fraude científica e humana, mais não restasse do que a fuga para a frente dos putativos defensores do dito cujo. Claro que antes Menos tentou daquela forma pindérica, colocar em causa uma enorme lista de crimes ( com o resultado já visto).Mas perante as evidências cai por terra o histérico “vómito” com que Menos inicia o debate, cai por terra a defesa directa de RR e assistimos à saída rápida para a tentativa de outro “debate.

          “Sorry Menos,mas isso é para outra discussão.Por agora tomamos nota que desmascarar figurinhas do género RR vale a pena.E que nem o seus seguidores já têm artes para o defender. Os crimes aí estão em toda a sua nudez.E a lista só peca por defeito,pesem os esforços de.
          O homenzinho (RR) é mesmo uma fraude!

  3. José Jardim diz:

    Carlos Vidal, já fazias cá falta. És uma lufada de ar fresco. Já não podia visitar o 5 e estar a levar sempre com raqueis e teixeiras.

    • Carlos Vidal diz:

      Tem toda a razão e obrigado.
      De qualquer modo, o Renato Teixeira, apesar das inúmeras discordâncias entre nós, é um companheiro sólido porque voluntarioso e impetuoso, e é genuinamente anticapitalista.

      A Raquel Varela é diferente. Não é companheira (em sentido lato: nem de amizade nem luta) de ninguém aqui nesta casa, e é autora dos piores, inenarráveis e mais primários posts que aqui li.

      Só isso é razão suficiente para eu cá ficar mais uns tempos. Abraço.

      • Dezperado diz:

        Que seja a ultima vez que alguem poe em duvida a capacidade do Renato Teixeira, afinal de contas…ele é “genuinamente anticapitalista”. Isso dará direito a estátua???

        • Carlos Vidal diz:

          Caríssimo,
          Disse eu não concordar politicamente com o Renato, ou concordar mais no conteúdo que na táctica (aí estamos em campos diferentes).
          De qualquer modo, digo do Renato o que não diria da sua colega de colectivo (“Rubra”): a esta não lhe reconheço nenhuma competência ou apetência anticapitalista (anticomunista, sim, reconheço-lhe). Nem solidária. Quanto a R. Varela algo neste aspecto (solidariedade) haveria a dizer, mas abstenho-me de detalhes.

  4. JM diz:

    Em nome do meu Pai e do vizinho da minha mãe que enlouqueceu à terceira vez na prisão em Peniche (a partir daí não foi necessário prendê-lo mais vez nenhuma) e dos outros todos a quem aconteceu o mesmo, gostava muito, mas mesmo muito de um dia encontrar frente a frente esse Ramos para poder espetar-lhe um punho naqueles cornos!

    • Carlos Vidal diz:

      Espero e desejo que o encontre. É da mais elementar justiça.

    • henrique pereira dos santos diz:

      Antes ou depois de ler o que ele escreveu?
      henrique pereira dos santos

      • Carlos Vidal diz:

        Já sintetizei o que ele escreveu. A coisa nem passava no nível licenciatura. Uma capítulo inteiro sobre uma personagem polémica (para dizer o mínimo) escrito com consulta de textos de antigos colaboradores e apoiantes da personagem……
        Qualquer familiar tem o direito de agir depois disto dito.
        E repetido.
        Espero pelo próximo texto de Loff.
        O meu território é outro, o meu tempo está canalizado para outras coisas, mas se tiver que aqui voltar, aquela bajulice de trabalho é derretida logo à partida, quer dizer metodologicamente. Nem é preciso muita discussão sobre o conteúdo fascista.

        • henrique pereira dos santos diz:

          Nunca se esqueça de contar com o facto de que há outras pessoas que também lêem o que terá lido. Sempre escusa de fazer esta figura que tem estado a fazer (aqui e noutras caixas de comentários) de pretender usar argumentos de autoridade (como o do assistente estagiário) para diminuir intelectualmente o Rui Ramos. Pode discordar dele, discutir o que ele faz, contestar a historiografia dele, mas dizer o que diz dele define-o mais a si que ao Rui Ramos.
          henrique pereira dos santos

          • Carlos Vidal diz:

            Não percebo o comentário nem aonde quer chegar.
            Não sou, mas já fui Assistente Estagiário.
            O que eu disse foi que RRamos, na carreira, hoje “Convidado”, ficou, como o próprio assume Assistente Estagiário, o que está bem para a “história” que escreveu que, como eu também disse, é um trabalho para uma disciplina de nível licenciatura (mesmo assim muito discutível).
            Estive há pouco na Católica (onde julgo que RRamos foi Professor Convidado, ou é) a arguir uma tese sobre um artista marcante para as neovanguardas dos anos 60 (até hoje); além de artista é um excelente teórico – responda mas é à minha objecção, e não me devolva adjectivos ou outros considerandos. Nessa tese sobre um artista teórico, eu acharia inaceitável que a hoje já mestre recorresse somente a textos ou livros do citado autor/artista. Como escrever um capítulo sobre Salazar quase exclusivamente preenchido de Notas de ex-colaboradores muito próximos e admiradores de sempre. Se não responde a isto, nada a fazer.

          • De diz:

            “diminuir intelectualmente o Rui Ramos”?
            Mas que tontice é esta?
            Rui Ramos não necessita destes escritos para tal.Rui Ramos mostra-se em todo o seu esplendor,incluindo o seu nível intelectual, pelo que escreve e pelo que manipula.
            Claro que se percebe que os factos incomodam alguns, e quando falo em factos não me refiro como é óbvio à versão estórica do Ramos.O raio da questão é que o tal Ramos vem embrulhado nas vestes da autoridade conferida pelos elogios ditirâmbicos da direita salazarenta e tendo por baixo a assinatura do expresso (cito a afirmação sobre aquele “trabalho” do jornal do Balsemão “hoje reconhecido como um dos melhores livros sobre a História de Portugal”)
            Rui Ramos sabe ao que vem e sabe o que faz.E a distribuição gratuita da sua história também não é de todo inocente.Tal como o comentário de henrique pereira dos santos,”ofendido” com o facto do sacrilégio cometido pela designação de “assistente estagiário”. O rabo escondido com o rabo de fora.Mas que se há-de fazer?É mesmo isso, por mais que o henrique queira ou não que o seja.
            Porque a questão apontada pelo henrique é tão somente um derivativo em busca de algo a que se agarrar em defesa de.
            (O “assistente estagiário” que o é, não deve ser referido como tal, porque assim pode-se começar a duvidar da forma como o dito cujo é apresentado?)

            Acima disse que Ramos sabe o que faz e sabe ao que vem.Citemos Loff:”(Rui Ramos) reivindica “o prazer da provocação intelectual e reconhece um aguçado espírito de contradição, sobretudo quando o alvo é a esquerda” (Ler, janeiro 2010). Para percebermos o que RR entende por “provocação”, e em resposta a quem acha — como eu — que o seu trabalho é puro revisionismo historiográfico política e ideologicamente motivado, ele entende que “toda a História é revisionista” e nela “é necessário afirmar originalidade” (PÚBLICO, 31.5.2010).”
            Rui Ramos em todo o seu esplendor.O que o move está aí à vista de todos.

  5. Um governo (e essa espécie de secretário de estado da cultura) que trata assim a generosidade, a Obra, o nome Paula Rego, causa-me náuseas. E a indiferença…atenta.

    • Carlos Vidal diz:

      Caríssimo, ele é um ignoto puto (termo simpático até, para a coisa), discípulo, provavelmente, do Gaspar e do Relvas; é o estilo daquela gentalha, o mesmo estilo – e a exigência de resposta da fundação “trinta dias”, aquilo é todo um programa de quem se calhar estagiou no Chile pinochetista, de onde Gaspar foi buscar os “resultados” económicos do seu ídolo Friedman.
      Atreveram-se a pôr a Gulbenkian, Serralves (a cultura portuguesa, em suma) abaixo da Fundação PSD Madeira. Não deverão ter muito mais tempo de vida (política). Isto até pode acabar num governo de Salvação Nacional, depois destes monstros da indiferença… Sairão ilesos?

  6. CausasPerdidas diz:

    Na universidade do Relvas também havia cursos de história? Talvez a única forma de um PNR mental conseguir ter um canudo.

    • Carlos Vidal diz:

      O PNR não assumido que escreveu um capítulo de uma história de Portugal no século XX consta que não cursou a universidade do Relvas (mas suponho-o sem dificuldades amigo do Relvas). De qualquer modo, posso voltar à “obra” de Ramos quando eu quiser: por exemplo, as fontes pelo senhor utilizadas para escrever o dito capítulo – 90% dos livros e documentos são de ex-colaboradores de Salazar. A “obra” de Ramos nem para trabalho de licenciatura serve.

  7. Carlos Vidal,
    Que esta estrumeira está a necessitar dum tratamento de choque, não duvido. Provavelmente com, ou como consequência de chapada da grossa. Antevejo que mãos novinhas serão as principais e primeiras protagonistas…
    Estes (e os anteriores, infelizmente também futuros) governantes não sabem que o rastilho já está montado também pela juventude. Hoje muito mais culta, orgulhosamente inteligente, descomplexadamente comunicativa, estrategicamente activa, do que os Coelhos, os Relvas, os Viegas, os Motas, os Sócrates ou os Seguros foram enquanto “jovens” cultural e sociologicamente certinhos, sem mijarem fora dos penicos partidários.
    Sem surpresa, os “avaliadores” das fundações que “puniram” Serralves, Gulbenkian ou Paula Rego, continuam em funções. E o governo (até se aceitava, na circunstância, um comunicado assinado pelo contabilista-da-cultura) não repõe a verdade, não pede desculpa, não enaltece as fundações visadas, não estimula a necessidade de os cidadãos “olharem” a Cultura como um Bem e não como “coisa”.
    Mau e perigoso “destino” deste país, quando a História, o Património, a Cultura e os criadores são “governados” entre-apetites secretaria ou ministério e por aprendizes Pires Limas, José-surpreendido-Ribeiro, ténias Viegas, entre outros.
    Esta maltosa mais a rapaziada agradada nos ministérios, sairá fisica e profisisonalmente ilesa. Sociologicamente alegretes. Eticamente indiferentes. Moralmente vegetativos.

    • Carlos Vidal diz:

      Exactamente, de choque e não de “diálogo” nem “debate”. Foda-se, essa seria a última coisa que eu faria com todos esses nomes que desprezo (desprezamos).

      Esta gente vai sair ilesa, vai sim. Os culpados da crise de 2008 estão hoje como seria de esperar, nos EUA, com os melhores dos empregos: veja por cá o incompetente Borges (acabei de almoçar e estou a pronunciar este nome!) – corrido do Lehman e do FMI, cá abraçado pelo Coelho.

  8. Certos “líderes” necessitam de ter sempre por perto os seus Borges, Silvas Pereiras, Relvas, Augustos, Coelhos, Zorrinhos, Monterrosos & tais.
    São estes que diariamente lhes fornecem a papinha morninha. Nunca divergem de opiniões, limpam a sujidade possível, estendem a passadeira.
    Quando acaba a manjedoura, outras, à escolha, os esperam, seja nos EUA ou em Paris, em Bruxelas ou Luanda — será interessante verificar quem após término deste governo inicia ou mantém e como e com quem, negócios e negociatas com angolanos e angolanas… Ou, quem vai viver para Luanda…

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  10. Reacionário diz:

    Tenho que ir imediatamente à procura dos livros desse tal de RUI RAMOS.

    Mas que não me desiluda porque a fasquia parece que está bem alta!

    A ver vamos.

    • Carlos Vidal diz:

      Gastar dinheiro para o boneco.
      O homem já vendeu tudo: é o Rodrigues dos Santos da História de Portugal!

  11. Amigo Vidal,

    Também a mim este blog começa a enervar-me, a Raquel o Teixeira e o anarquismo sempre pronto a invectivar outras linhas políticas querendo-se fazer passar por intelectualidade da santidade ideológica pela pureza evangélica da teoria e não menos da prática; mas valha-nos outros que de vez em quando trazem uma lufada de ar fresco.
    Quanto às ditas “classificações” fico a meditar nesse secretário da Cultura que em tempos fazia programas culturais na televisão, como pode um ser “cultural” ao fim e ao cabo ser conivente com estas políticas, este desastre, este choque emocional que é sentirmos toda a nossa identidade e consequentemente a nossa dignidade enquanto país ser assim aviltada!
    Com estes senhores sentimo-nos vacilar, quase perturbados se nos deixarmos ficar indiferentes e não reagirmos de punhos fechados, todo um molho de infrahomens lambendo cifrões na mente deixando um vazio qual ventre de mulher que em vez de gerar vida gera-se morte.
    Quando o capital está em crise a cultura é a primeira coisa a ser atirada pele janela fora, sabe-se; nesta crise não será diferente, a prova está aí à vista; o capital é uma ideologia agregada à necessidade do sistema de trocas , as suas contradições podem ser já evidentes mas não é fácil ideologicamente superá-las, por isso não podemos estranhar no fundo que isto aconteça: é mais fácil um camelo passar pelo buraco duma agulha do que transformar o capital em cultura. Há que não desfalecer.
    abraço
    Adão C

    • Carlos Vidal diz:

      Caríssimo amigo
      Quando alguém se diz amante da cultura, ou seja, de um certo tipo de protagonismo “cultural” ou “Kultural” (encapotado, como diria o França, que chamava à escultura do Estado Novo de “eskultura”), isso fica bem na televisão, nos jornais, na escrita sobre viagens, sobre culinária internacional, etc., vi FJViegas a fazer isso tudo. Há muitos candidatos a hemingways por aí, até aquele caçador de patos no Alentejo que também opina na TVI (ainda há pouco) se julgou Hemingway, o pior foi o segundo romance que foi um fiasco!…………….
      O problema é quando não se tem muito a ver com cultura, mas mais com protagonismo. (Ou, de outro modo, tem-se tudo a ver com cultura e quase nada a ver com arte.)
      Alcançado o protagonismo, está o sonho satisfeito: o financeiro de serviço manda cortar, o culto corta e diz que faz o que pode.
      Quanto ao blogue, só esteve tão mau no tempo dos JUGULENTOS…….
      Grande abraço
      cv

      • esse tal dos “patos” é um tal Tavares? não sabia que o 2º tinha sido um fiasco; o homem pensava que escrever era o mesmo que ladainhar e vai daí palavreado para cima do papel e já está – sou o Hemingway cá do sítio!
        Essa distinção entre cultura e arte é interessante, quase posso concluir: a arte é sempre cultura mas nem sempre a cultura é arte!

        Protagonismo: no futuro “toda a pessoa tem pelo menos quinze minutos dele” , há aqueles que sonham com dezasseis !…

        • Carlos Vidal diz:

          A ideia é do Godard: a cultura é a regra, a arte é a excepção e faz parte da regra querer abafar a excepção. É mais ou menos isto. Foi mais ou menos isto que o Godard disse e é mais ou menos isto que se passa no nosso sombrio dia-a-dia.
          Quanto ao Hemingway do Alentejo (é mais de Lisboa do que do Alentejo, pois o sul ainda é, para mim, algo de imaculado: mãe de Silves, etc.), verá meu caro amigo que já não vai haver terceiro “romance”.

  12. Justiniano diz:

    Caríssimo Vidal, sem querer acudir à polémica, tanto que não li nem um nem o outro para além de pequenos excertos que por aqui e por ali se podem ler, permita-me o seguinte comentário.
    Compreendo que Loff possa compreender Salazar ou De Gaulle como fascistas!! Compreendo que o nacionalismo neo mercantilista cheire a qualquer coisa!!
    Compreendo muito bem o desabafo irónico no comentário do caro J. Gonçalves “Alguém se atreve a ter a menor dúvida que Salazar não pode ser referenciado pela história sob outra forma a não ser por aquela que manda o lugar-comum e a superficialidade analítica…”
    Eu, no essencial, sobre a coisa, tenho, até hoje, esta ideia que deixei num comentário ao caro JVA que aqui repito, se me permitir – Não tenho o fascismo por aquela ideologia mesquinha (mesquinha naquele sentido de mundividencia ligeira, leve, simples, asténica), antiga (antiga no sentido que repete história e os mecanismos da estrutura económica e social de um feudalismo abastardado e retardado) e pragmática, mas sim como ideologia total, histriónica, esténica, moderna, não proclamatória e, sobretudo, revolucionária!!-
    De que se tratou de uma ditadura, é evidente!!

    • Carlos Vidal diz:

      Compreendo e concordo com o que diz em determinados pontos (Marinetti e Mussolini estão longe do “viver habitualmente” de Salazar). Mas há dados importantes que nos levam a aproximar-nos da possibilidade de nomear Salazar e o regime como fascistas, plenamente fascistas. Por exemplo, um ministro de Salazar, de nome António de Castro Fernandes aproximou o corporativismo do fascismo logo no título do seu estudo realizado em Itália, por cá publicado em 1938 na Editorial Império, “O Corporativismo Fascista”. O senhor viveu e trabalhou, ou melhor, aprendeu tudo o que havia a aprender em Itália, e manteve-se fiel ao regime até aos anos 60, e não o vi citado em Notas ou Bibliografias por RRamos (mas verificarei melhor, assim tenha tempo). Ou seja, é mais importante estudar as semelhanças entre Portugal e Itália do que enfatizar as suas diferenças. Se ficarmos por aqui, pela enfatização das diferenças, a coisa cheira a “justificação”, e uma alongada “justificação” (um Capítulo de uma História de Portugal) não é História. É, digamos, ter medo, mas de quê?? RRamos fascina-se por Salazar e quer tirá-lo da que acha “zona perigosa”. E isso não é História. História não deixa de ser romancear (como diz Paul Veyne), mas nunca é apenas “justificar”.
      Quanto ao fascismo e a Itália, li Marinetti e é natural que Salazar nada gostasse de nada ali teorizado. Aqui, certo. Mas há mais do que isso. Os fascismos têm especificidades, não são apenas revoluções modernas e industriais, senão Álvaro de Campos e sua fascinação maquínica era fascista, ou as vanguardas que queriam usar a Gioconda como tábua de engomar também! A aproximação Portugal e Itália faz-se por outras vias. Se apenas quisermos, em vez de começarmos por estudar, provar uma tese já feita (preconceito), então nada resulta de válido. Por isso, o texto de RRamos não é válido.

      Já agora, como a nossa conversa de um outro post (“Plano Inclinado”, de há dias) sobre o “insulto e o trágico” ficou interrompida porque o meu comentário em diálogo com o meu caro não saiu ainda apesar de estar em “espera”, aqui fica o meu comentário (porque não “espero”):

      «Meu caro, eu não posso esperar que a nova gentalha que por aqui pulula (não manda nada, mas pulula e estraga a página de modo a paralisar-me a mão que escreve!) conheça Schelling ou Solger, o fulgor e a paixão da obscuridade dos hinos à noite daquele jovem genial que não preciso de nomear. Não espero e lido aqui com massa (humana, escribas) não própria para estas coisas: o trágico e o pensamento.
      O trágico, observa o meu caríssimo muito bem, o trágico. O que advém do conflito de ideia consigo mesma quando ela se confronta com a perecibilidade do real. E a ideia está do lado do absoluto, da liberdade total, que é de ser gratuito e insultuoso. E onde cabe aqui o trágico? Simples, cabe no olhar para o insulto, deixá-lo passar e não lhe responder, no mutismo perante o insulto que, dionisiacamente, faz o seu caminho. Quem o ouve (mesmo que para si) e o supera conhece o trágico.
      Evidentemente. Quem não sabe defrontar o trágico policia o dionisíaco com a polícia do apolíneo, teme ser insultado. Por isso não debate nem insulta, queda-se apenas na individuação, só se vê a si mesmo. Assim proliferam os medíocres, meu caro Justiniano. Deixemo-los viverem.»

      (Isto vem de 22 de Agosto!!! Chatice de blogue este!!!)

      • Justiniano diz:

        Pleno, como sempre, meu caro Vidal!!
        Assim colocada a coisa, compreendo-o muito bem!! Há questões e a questão não será linear!!

        Aquele texto da Raquel Varela acerca daquele trágico episódio do cão que matou a criança só me pôde inspirar a dizer isto – Quando testemunhamos uma tragédia temos de saber viver à altura daquela, enaltece-la com espanto e silencio, ou então espezinhá-la com gritos e desmistificá-la como sendo nada trágica!!- Mas que aquela nem uma coisa nem outra! (verdadeiramente, cultura apolínea como bem explica o caríssimo Vidal). Ainda assim, nada tenho contra a Raquel Varela! Isto não é nada, nem chega a ser nada de especial!!
        Vem isto a propósito da actual discussão em torno da RTP e do serviço público de televisão.
        Aquele, serviço público, deve, tendencialmente, subordinar-se à “arte”. A arte como projecção cultural, como instrumento cujo principal “trabalho” é o de inspirar o indivíduo a compreender e a saber sentir a tragédia, o amor, o ódio e o grande friso da vida, para quando aí se encontrar saber estar à altura, não lhe passar ao lado!!
        Devemos apenas reconhecer que há ainda muito serviço público por fazer, e muita gente a quem se deve ensinar a entender os ruídos do mundo!!

        (Por fim, e dando maior enfase às mitopoéticas, porque foi o jovem Cioran seduzido por aquele universo fascista!?)

        • Carlos Vidal diz:

          Ah, esse excepcional romeno que não era nem romeno nem francês por não se sentir (nem bem nem mal) pertença de nada nem de nenhum lugar!…. Era um vitalista, ao contrário do que parece, e um poço de contradições festivas: por um lado dizia ser o mundo o pior dos mundos, e aí admirava-se que alguém o quisesse mudar, por outro lado, abominando a utopia, dizia ser esta de louvar por ter sonhado em eliminar a propriedade burguesa. Mais do que ao fascismo, creio que Cioran aderiu, desejou a loucura: “A resistência dos alemães não conhece limites; e até mesmo na loucura: Nietzsche suportou a sua onze anos, Hölderlin quarenta”. Cioran é um pensador, um antifilósofo, que ainda está por analisar e compreender – a sua refutação da utopia era a consciência da inevitabilidade da utopia. E tudo o resto – pessimismo, desistência, suicídio, pesadelo, insónias, amargura, desespero…. – tudo isso nele eram caminhos para a liberdade total, um estranho niilismo activo que não podemos alcançar.

          • Justiniano diz:

            Sim, caríssimo Vidal!!
            Desejou ansiosa e insistentemente, algo!!! Resistiu ao vazio, vivia com horror ao vazio!!
            Viu, talvez, naquele espectáculo histriónico o preenchimento que pretendia constante, potente e regenerador!!
            Depois, desistiu!! Abjurou a utopia!! Tremenda e extraordinariamente perdeu a esperança (em si, em tudo e todos)!! Escreveu em Francês pois pensava em Francês, até se lembrar novamente de pensar em Romeno!! De seduzido a insedutível!!

        • Carlos Vidal diz:

          Desistiu do fascismo de juventude, mas não da libertação pelo caminho impossível. Mesmo quando dizia “acredito na vinda do cianeto”, aquilo era o impossível tornado felicidade.

  13. Rascunho diz:

    merda é merda, ainda que haja quem a queira a cheirar bem…

    bom texto Vidal (e intervenções)

    http://rascunho.org/2012/08/28/catarse/

    • Carlos Vidal diz:

      Ora, ora, deste rolo qualquer coisa, que nunca ouvi falar, que põe no frontispício ou como epígrafe da sua “página” uma citação de uma tal senhora Sacadura Cabral como quem cita alguém que pensa, o que seria de esperar?

    • De diz:

      Um link para ir ver o que um travestido de jornalista faz?
      Que começa por ser “uma maria vai com as outras” (segundo o próprio escriba) para em seguida se retratar e auto-flagelar,endeusando a pequena coisa que é o RR?
      Com o rabinho entre as pernas ( o que já é habitual no Pedro Rolo Duarte, a coragem nunca foi o seu forte,já desde os tempos da adolescência…) e após as “duras críticas” de alguns comparsas a quem PRD venera e obedece, como essa coisa execrável do JMF?
      Ó Alvaro Sousa mas vossemecê crê que os cobardolas pusilânimes (passe o pleonasmo,é para não ser mais agressivo) têm voz audível quando se põem a nu as pulhices dos camaféus do regime?

      • Carlos Vidal diz:

        Já agora eu também vou pedir muitas muitas muitas desculpas ao “historiador” e “investigador” dos “41 mortos” do fascismo, o sr RR. Até lhe dediquei este post com carinho sincero.

        E vou, com esse tal JMF (convidando o “rolo enrolado”, claro), chorar muito muito: por duas coisas: em primeiro lugar, por RR; em segundo lugar, pela libertação do Iraque.

  14. Álvaro Sousa diz:

    Ok, vamos passar do tal travestido de jornalista (este país tem mesmo um problema qualquer com os travesti(dos)) e vamos para pessoas cuja a autoridade na matéria é – espero – inquestionável: http://ipsilon.publico.pt/livros/critica.aspx?id=252385 .

    • Carlos Vidal diz:

      Claro que sobre a polémica (e favorável/desculpável) caracterização do Estado Novo e da sua Política de Espírito, Mattoso nada diz. Protege o seu discípulo e considera-o uma pessoa irreverente. Assassinato subtil e inconsciente.
      Depois, ainda no texto de Mattoso, lemos isto:

      “De um ponto de vista historiográfico, queria sublinhar três novidades importantes, até agora ausentes das sínteses anteriores: a incidência da diferença regional sobre o decurso dos acontecimentos nacionais; a inserção da história portuguesa na história europeia e, sempre que foi possível, isto é quando existem informações fiáveis, a utilização de dados quantitativos globais, como os dados demográficos, o valor das importações e exportações, o PIB, e outros indicadores objectivos.”

      Gostava apenas de saber se Mattoso considera a cifra de 41 mortos pelo fascismo em Portugal como “dado fiável” oriundo de documentos e arquivos maduramente sopesados. Faço-me entender??

      • Álvaro Sousa diz:

        Não sei como se podem contabilizar os mortos de um determinado regime. Se nas prisões e “na rua” do Estado Novo morreram mais de x pessoas creio que será algo fácil de demonstrar. Falta é alguém que faça essa demonstração…

        Para lhe ser franco também tenho a ideia que morreram mais de 41 pessoas nas prisões e “na rua” durante o Estado Novo, mas, da mesma forma que tenho essa sensação, também posso dizer que durante a I República ainda morreram mais pessoas.
        Quanto às”contabilidades” de mortos (detesto usar esta expressão neste caso) temos dois casos :
        1 – a dos mortos na prisão e assassinados por ordem das polícias políticas
        2- a das pessoas que podem ter morrido devido às condições das prisões, etc.
        Creio que a primeira é muito mais objectiva do que a segunda e espero que Rui Ramos tenha usado a primeira.
        O que choca muito boa gente é o facto de se perceber que no Estado Novo há uma continuidade (e pérfido aperfeiçoamento) dos métodos repressivos usados na I República…E que mesmo assim o regime foi mais brando do que outros, de direita ou de esquerda, no resto da Europa.
        Hoje olhamos para regimes como o de Marrocos (pré 2011) ou como Cuba com alguma condescendência (e não deixam de ser ditaduras!) quanto a outros, pelas atrocidades que cometem…

        • Carlos Vidal diz:

          A questão não é o número, mas o método. Ou seja, que documentos, que arquivos, que investigação este indivíduo fez para nos apresentar os seus resultados?

          • Rascunho diz:

            os da PIDE não foram, com certeza

          • Álvaro Sousa diz:

            Há na História de Rui Ramos notas de rodapé que remetem para as fontes consultadas. Por exemplo para os 41 mortos nota rodapé 91 (que remete para o seguinte texto da Análise Social que vou citar): “Durante a República também morreram muitos portugueses nas ruas em confrontos com as forças de ordem pública. Numa razão quantitativa, na minha base de dados estão 98 vítimas da repressão policial e militar sobre manifestações, greves e motins pela subsistência entre 1911 e 1926 no Portugal metropolitano. Num período mais alargado, que corresponde ao do Estado Novo, a base de dados inclui 41 vítimas nas mesmas circunstância” – Diego Palacios Cerzeales – http://www.scielo.gpeari.mctes.pt/scielo.php?pid=S0003-25732007000400010&script=sci_arttext

          • De diz:

            Ah afinal Alvaro de Sousa vem sublinhar que na República morreram mais …
            E volta a falar em números (para mais abaixo falar que RR falava de mais uns tantos.)
            Fala de facto Sousa.
            Compara uma democracia burguesa, como a Republica, com um estado ditatorial fascista.”Esquece-se” que a tal república burguesa o é e de facto perseguiu a classe operária e causou vítimas. E inúmeras vítimas sobretudo entre os explorados. Mas que a distância que separa a República do fascismo é abissal.
            As reescritas da história continuam.Ainda ouviremos algumas luminárias dizer que na monarquia é que era bom
            O branqueamento do fascismo segue em frente

            Ah os mortos provocados pelas guerras coloniais terão sido vítimas das más condições higiénicas que grassavam nas colónias?

        • De diz:

          Choca sobretudo a contabilidade dos contadores de mortos.Lá isso choca.
          Mais os “mortos” ocorridos pelas más condições nas prisões.Esses não morreram.Foram apenas “acidentes”.
          Vislumbra-se o perfil.

          Quanto ao “hoje olhamos para Marrocos e para Cuba”…
          Olhamos?Olha o caro Álvaro de Sousa fala no plural majestático porquê? E tenta fazer entrar na discussão, uma outra discussão.Já há pouco o tentou,aproveitou malabaristicamente o texto para falar de Cuba.Agora arremete de novo.
          Ora bem.O contabilista que defende a contabilidade do fascismo português e a sua brandura peculiar,fala em atrocidades de Cuba.Desiste das portuguesas?Já se sabia.Agora que desista de todas as outras atrocidades contemporâneas das de Cuba( para nos situarmos no mesmo nível argumentativo de Sousa) é que é pateticamente revelador.
          “Hoje olhamos para”…uma frase que resume bem a tentativa de fazer passar a mensagem da ideologia dominante, própria dos que querem escrever a história à sua maneira
          Sorry mas não passa.

      • Justiniano diz:

        Sim, meu caro Vidal, mas quem, no ensejo, carrega o ónus é o Loff, refiro-me “caracterização do Estado Novo e da sua Política de Espírito, Mattoso nada diz”. Parece-me que o ilustríssimo Mattoso não tinha, nem tem, que interceder nesta disputa – A bem da verdade a discussão caiu nesta discussão abstraindo, quase em absoluto, da obra em referencia ou do autor Rui Ramos, estou em crer!! E para esta discussão, estou em crer, dispensamos o Rui Ramos, o Loff e o ilustríssimo Mattoso!! Bastamo-nos com os documentos da Republica, estou em crer!!

        Este comentário, à laia de desabafo, é interessantíssimo, e bem a propósito de Mattoso, sobre a história da Igreja “A verdade, porém, é que este sector da nossa História não dispõe ainda de estudos essenciais. Dos anos 80 até hoje, apareceram muitas monografias de mosteiros, e algumas obras sobre ordens religiosas e dioceses; vieram alargar um pouco os dados recolhidos com um espírito positivista e apologético por Fortunato de Almeida e por três ou quatro autores do mesmo género que se ocuparam de dioceses e de uma ordem (os Jesuítas), mas o espírito que os informa pouco difere do que, a respeito da Igreja, existia antes do 25 de Abril.” A excepção que refere, os jesuítas, é-o porque se confunde com a História de Portugal, mais das vezes sem se confundir com a história da Igreja!!
        Um cordial abraço,

        • Carlos Vidal diz:

          Suponho que há gente capaz de fazer essa História. Embora venha da filosofia, talvez (veio-me à mente, súbito) um Pinharanda Gomes…..

    • De diz:

      Alvaro de Sousa faz bem em abandonar o seu querido travesti e apresentar agora alguém com mais substância
      Um pouco tarde convenhamos, já que evitava assim a exposição mediática do referido troca-tintas.

      • Álvaro Sousa diz:

        Só quis dar o PRD como exemplo de alguém que sem ler a História de RR se fiou só nos artigos de Manuel Loff…Quanto a travestis e afins não tenho problemas nenhuns com eles, só acho é piada (o clássico rir para não chorar) ao preconceitozinho e à insinuaçãozeca (também ao remoquezinho sobre a vida das pessoas -ao que o PRD fazia na adolescência – cousa de grande relevo!) que se fazem por sistema em Portugal…Nisto ainda não nos livramos de uma certa mentalidade que herdamos do Estado Novo.

        • De diz:

          Há um provérbio que fala nos amigos com quem se anda…
          Já percebemos porque falou em Pedro Rolo Duarte.Agora aguente com tal facto.

          Quanto aos travestis não tenho qualquer problema com eles.Com os de carne e osso.Com os travestis ideológicos ou de carácter é que sim.Como parece que é evidente nas minhas palavras e como parece que falha completamente à compreensão do dito Sousa.
          Paciência.Agora pode ir rir ou chorar.

          Quanto ao que RPD fazia ou não na sua adolescência de facto não interessa muito.Haveria mais a dizer, mas não me apetece.Porque acho que não é digno e porque não me quero distrair por outros lados.
          Porque mais revelador é essa incapacidade patente no revisor histórico Álvaro Sousa.É que se mantém com aquela caracterização do fascismo à moda dos exemplares burgueses que nos governam:O Estado Novo,escreve e reescreve.
          Mais uma vez revelador não só o que se diz…como o que não se diz

          • Álvaro Sousa diz:

            Caro De,

            As minhas desculpas pelo “olhamos”, faça o favor de substituir por “olho” e mantenha o resto. Como já referi – e como qualquer pessoa pode ler -não falei só de Cuba, mas se insiste em bater nessa tecla o problema é seu. Também falei do Chile, não se esqueça! Já agora lembre-se que eu disse que abomino TODOS os regimes referidos e as suas práticas.
            Quem falou dos 41 mortos do “fascismo” não fui só eu…Fui dar uma vista de olhos ao livro e verifiquei que há outros que são mencionados e faltavam. Dizer que eu me “esqueci” que as vítimas da República foram operários? Que eu saiba falei de um número não referi as profissões ou a ideologia das vítimas: foram na sua esmagadora maioria operários e, em menor número, monárquicos. Para quem se indignou tanto com o meu plural magestático – que não passa de uma simples “força de expressão” – estar a tirar conclusões sobre os meus “esquecimentos”, quando não qualifiquei a República enquanto regime, parece-me grave.

            Se para si o Estado Novo foi fascista então tem que se entender com os historiadores já aqui citados por Carlos Vidal, pois nenhum deles hoje considera que o Estado Novo foi fascista. Foi um regime autoritário (ditatorial, para que não se façam confusões) de direita.

            Olhe eu citei, é verdade, um artigo de PRD, que não conheço pessoalmente. Fico com as opiniões partilhadas em artigos com muito gosto, é sinal que os leio. Quanto a si fique lá com os episódios da adolescência de PRD e com o que deixa no ar e depois acha que “não é digno” concretizar. Problema seu. “Aguente com tal facto”

          • De diz:

            Eu respeito o finito.
            Mas a questão é esta.O desmentido de algo que configura uma mentira deve ser feito:

            Uma citação apenas de Fernando Rosas.
            “”Nos países periféricos ′contaminados′ pela vaga autoritária e fascistizante, a premência da substituição dos velhos mecanismos de governação e legitimação liberais por processos novos e radicais de autoritarismo, de organização do Estado e de intervenção econômica e social, há de relacionar-se com a debilidade e a dependência estruturais ou conjunturais dos seus setores dominantes e das economias tornadas quase insustentáveis pela crise do sistema, agravada no pós-guerra, conduzindo obviamente à filosofia da ′ordem′, do corporativismo, do Estado total, isto é, do fascismo, quaisquer que tenham sido as suas nuances nacionais.”

            Há mais.Muito mais

  15. Álvaro Sousa diz:

    queria dizer cuja autoridade e não “cuja a” como escrevi por lapso.

    PS: Aproveito para dizer que não considero a obra de Rui Ramos perfeita. Tem falhas por exemplo no que diz respeito à Guerra Colonial, na questão da continuidade/ruptura da Monarquia Constitucional/República/Estado Novo? ou 74?, etc. A questão que leva a toda a esta excitação está, em grande parte, relacionada com a quantificação da repressão existente durante o Estado Novo que, como já se sabia, era inferior a grande parte das ditaduras (de direita e de esquerda) que então existiam na Europa e no Mundo. A repressão, as prisões, as torturas, o retirar da liberdade de expressão, etc são gestos deploráveis e absolutamente inadmissíveis em qualquer circunstância. Seja no Estado Novo, seja no Chile de Pinochet, seja na Cuba de Fidel, na Itália de Mussolini ou na Coreia do Norte. Creio contudo que não é crime avaliar a escala e o grau com que a repressão foi praticada em cada um dos regimes. É isso que Rui Ramos faz (para alguns regimes europeus contemporâneos do E. Novo), sem nunca se esquecer de dizer que considera tais práticas abjectas.

    • De diz:

      Após o abandono de Pedro Rolo Duarte e a apresentação de uma credencial mais fidedigna, Álvaro Sousa não resiste e completa o seu pensamento.
      Passemos de lado que nada nem ninguém está isento de críticas.Nem o referenciado Mattoso, ele próprio bem ciente disso.
      Para além do pequeno entorse de alargar a Cuba os estudos de RR (característico.lol…ah,já sei, Sousa falava em tese), vamos ao credo pessoal do Alvaro de Sousa.Crê ele que não é crime a avaliação do grau e da escala.
      O credo particular tem destas coisas.
      É que a quantificação postulada pelo Ramos é uma fraude.Tal como o Ramos. Pospegue-lhe os adjectivos à Mattoso que quiser.
      A criatividade historiográfica do Ramos tem destas coisas.E finge que sabe matemática.

      • Álvaro Sousa diz:

        Tem que falar dos problemas matemáticos de Diego Palacios Cerzeales que é quem Rui Ramos cita…Se há estudos noutro sentido estou certo que, dado o interesse desta discussão, vão aparecer.

        Referi a Cuba de Fidel ao Chile de Pinochet e a Marrocos (pré 2011) como regimes autoritários. Há algum problema? Discorda?

  16. Rascunho diz:

    o problema dos historiadores é nem saberem o que é ou como pegar (contar) no presente. a partir daqui, que credibilidade conferir ao que pretendem ter acontecido (sido) no passado?

    sempre observei a História como uma tanga. cada um a contou/a à sua maneira… não acredito na imparcialidade histórica dos historiadores. cada um dormirá sempre para o lado que lhe der mais jeito… claro que existem alguns factos, mas até que ponto foram amplificados ou deminuídos? quem é que esteve lá para confirmá-los? e, talvez mais interessante, para quê contar uma história que já foi (mal)contada?

  17. Álvaro Sousa diz:

    Peguei no livro e cada vez mais a análise de Loff me parece disparatada. Ramos afirma que para além dos 41 referidos morreram mais 31 entre 1932 e 1935 e 34 no Tarrafal…

    • Carlos Vidal diz:

      As críticas de Loff são partilhadas pela comunidade historiográfica portuguesa, com nomes desde Rosas, Costa Pinto, Pimentel, Lucena…..
      Ramos é hoje um solitário aflito e V. socorre-se de um especialista em história medieval para o salvar, conhecendo-se as relações pessoais entre eles.
      Está tudo dito. Não mande muito mais lixo para aqui, estou a modos que cansado.

      O número de Ramos para contrapor à I República são os 41, como eu digo no post, obtidos numa recensão a um livro.
      Desde quando é que uma recensão é uma fonte documental????

      • Álvaro Sousa diz:

        São os 41 em manifestações de rua e repressão a greves, isso é dito claramente por Rui Ramos.
        A recensão remete para uma base de dados construída pelo autor da recensão (está nas nr do artigo). É o tal trabalho de arquivo de que me falava há pouco…Não me parece que seja errado recorrer a uma recensão que remete para uma base de dados (feita de raiz) sobre o assunto.
        É verdade que me socorri de José Mattoso mas também podia referir o artigo de Vasco Pulido Valente publicado no “Público” a 5.06.2010 onde traça rasgados elogios à História de Rui Ramos.

        Sabe que Rui Ramos gerou muita polémica quando analisou a I República com base em elementos que até então poucos historiadores referiam. Dou-lhe exemplos: a existência de repressão em massa (mais do que na Monarquia pós Maria da Fonte e Patuleia), a criação de uma Polícia Política (a Polícia de Prevenção, antepassada da PIDE…), o aplicar de Censura Prévia (até então não existia – e como sabe a Censura Prévia é algo muito diferente da apreensão de livros ou jornais – o Estado Novo levou-a ao ponto de calar a sociedade civil!), o incluir dos portugueses na I Guerra Mundial (em grande parte para legitimar o regime e unir um país dividido), resultado: 7000 mortos, 6000 desaparecidos (provavelmente mortos) e 9000 incapazes, 7600 feridos!!
        Se vir bem poucos são os historiadores que apresentam a I República como um regime mais repressivo e com menos liberdades do que a Monarquia Constitucional. É natural que muitos deles se sintam melindrados com algumas afirmações que Rui Ramos faz (algumas até exageradas, admito sem problemas). Se folhear alguns trabalhos ditos de referência sobre a I República não encontra uma linha sobre censura, repressão, colonialismo, etc… E tudo isso existia. Daí que algumas críticas apareçam de certos sectores e que por regra essas críticas sejam feitas à forma e não ao conteúdo (ninguém até agora desmentiu os dados concretos apresentados por Rui Ramos).

        • Carlos Vidal diz:

          Rui Ramos, pago e com ordenado de INVESTIGADOR (????) socorre-se de uma base de dados pessoal, de uma outra pessoa, só de uma pessoa. Muito bem. Eu também tenho a minha base de dados. Quer comprar?
          Mesmo sendo uma base de dados de um historiador, é dele, e não sei a sua valia estatística, institucional, metodológica, contextual, etc. Percebe????

          • Álvaro Sousa diz:

            Então posso dizer-lhe em primeira mão que todos os investigadores (historiadores) que fazem trabalhos de fundo cometem o mesmo erro…O acha que era possível o Rui Ramos fazer bases de dados ou investigação de fundo em todos os temas que aborda numa História de Portugal?
            Dê uma vista de olhos à História da I Republica Portuguesa de Fernando Rosas e Maria F. Rollo e veja as notas de rodapé e para que é que remetem. Depois procure lá explicações sobre a valia estatística, metodológica, etc das fontes citadas (não se dê ao trabalho porque não vai encontrar – terá que recorrer directamente à obra/fonte/base/citada e com um bocadinho de azar -p ex. para a metodologia – poderá ter que falar com o autor.
            Há pouco pediu-me para não lhe enviar mais lixo. Não percebi se falava do artigo ou dos meus comentários…Se for a segunda hipótese não o incomodarei mais, contudo pedia-lhe o favor de continuar a publicar as respostas a alguns comentários que estou a deixar na sua casa.

        • De diz:

          Mais uma vez gato escondido com o rabo de fora.
          Então agora os mortos da primeira guerra mundial são contabilizados?E os da guerra colonial são escamoteados?
          A tentativa de branqueamento do fascismo tem destas coisas. Quanto à pretensa visão idílica da primeira república só mesmo na cabeça de alguns.Só mesmo para cotejar com uma pretensa visão cor-de-rosa da monarquia.
          Infelizmente para alguns há numerosos trabalhos sobre a República.E não,não me socorro dos tais ditos trabalhos de referência. ( referência?o que é isso? Mais generalizações para depois espantar os demais com criatividades históricas?)

          Quanto a dados concretos…quais dados?
          Outro que não sabe que os dados têm várias faces.

          • Álvaro Sousa diz:

            Os mortos da I Guerra Mundial foram referidos num contexto de comentário ao que Rui Ramos escreveu sobre o assunto. Tenha menos preocupações com o plural majestático e procure não tirar as afirmações do referido contexto sff.

            “Tem falhas por exemplo no que diz respeito à Guerra Colonial” – sim, fui eu que disse isto há bocado em relação à obra de Rui Ramos
            Guerra Colonial : 13000 mortos Rui Ramos

          • De diz:

            Tinha muito mais a dizer.Mas respeito as balizas do debate.

        • Carlos Vidal diz:

          Há historiadores e colaboradores de Salazar, uns citados por RRamos outros não, que consideram o estado como fascista. Uns até se formaram em Itália. E, além disso, sobre a formação da PVDE Ramos não dá detalhes: diz ter sido vagamente de inspiração inglesa, italiana e alemã.
          Para si é suficiente?
          Bom proveito.
          Citar números é sempre necessário, e há muitas fontes, pessoais e institucionais a que podemos recorrer.
          Agora citar um só número para caracterizar todo um regime e quase cinco décadas de história é obra.
          Que obra!
          Quanto ao resto que pretende, digo-lhe que já respondi a tudo. Finito.

          • Carlos Vidal diz:

            “Finito” quer dizer: não vou brincar mais.

          • Álvaro Sousa diz:

            Não, não é suficiente.

            E não é por 3 razões que passo a expor:

            1º – Não falei sobre o que Rui Ramos disse sobre formação da PVDE na sua última obra. Foi certamente um erro meu não ter sido claro quanto à data quando afirmei “que Rui Ramos gerou muita polémica quando analisou a I República com base em elementos que até então poucos historiadores referiam. “. Referia-me às suas primeiras publicações sobre o assunto em revistas académicas há 10 ou 15 anos atrás onde fala no assunto.

            2º- A PVDE nasce da Polícia Civil da qual fazia parte a Polícia de Prevenção que era uma polícia política. Pode encontrar esta informação em vários artigos sobre o assunto (e até em introduções a estudos sobre a PVDE/PIDE).

            3º – Quanto aos historiadores, como me parece evidente, refiro-me aos actuais. De Fernando Rosas até Rui Ramos tenho sérias dúvidas que algum deles caracterize o Estado Novo como um regime fascista. Melhor dizendo não tenho dúvidas nenhumas porque nenhum o faz.

            4º – De facto seria obra reduzir a I e a II República a um número. Felizmente isso não é feito na obra de Rui Ramos, apesar dos muitos defeitos que tem.

          • De diz:

            Percebem-se as ausências de dúvidas…
            Outros também as têm, as ditas ausências.E estão agora no topo da governação.
            🙂

            (Quanto à historiografia sobre a República e à sua caracterização como aquilo que foi…
            Será apenas o pendor esfuziante em torno de RR ou tão somente ignorância?
            10 – 15 anos remontam as revelações do Ramos?
            Vá então procurar que encontra pano para mangas.Vai encontrar muitas linhas de censura.Oh se vai.
            Mais uma forma de manipulaçãozita.Depois queixe-se do plural majestático)

  18. Álvaro Sousa diz:

    PS: não são 3 são 4… Ah e por incrível que pareça sei o que quer dizer finito!

  19. Carlos Vidal diz:

    Exactamente, não deixa de ser interessante que todo os defensores de Rui Ramos aqui venham ressalver sempre que a obra do homem “de facto, não é perfeita”. Não há obras perfeitas, nem a “Santa Ana, a Virgem e o Menino” (Leonardo), mas desta ninguém necessita de dizer “não é perfeita”. Se o Homem não é perfeito, se a obra de um homem como RRamos “não é perfeita” (para os defensores), só pode ser porque ela é duplamente imperfeita. Ou seja, água no bico, duplas intenções, cinismo…… fascismo??

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