Hilariante

«Até agora, todo o argumento que tenta estabelecer uma distinção moral entre animais não humanos e humanos falhou».

Esta semana fomos brindados no Esquerda-net com um artigo da autoria da investigadora em engenharia biomédia, Luísa Bastos. O artigo é hilariante e não pode ser explicado só pelo papel de uma sociedade individualista que elegeu os animais, baratinhos e obedientes, à categoria de filhos, capazes de exercitar todo o nosso narcisismo, sem os custos materiais e morais associados à imensa responsabilidade de educar filhos (humanos!). O delírio tem que ter causas mais profundas.

Eu não sou investigadora biomédica mas sou historiadora e nestas alturas lembro-me com carinho de A Ideologia Alemã,  e do radicalismo de Marx «Só existe uma ciência, a da história». Desconhece Luísa Bastos que sim, somos humanos não somos macacos e que pelo trabalho passámos de macacos a homens (recomendo a obra de Engels, O Papel do Trabalho na Transformação do Macaco em Homem). Por isto, pelo trabalho, o homem colocou uma cadela no espaço e não o inverso.

Não se ensina na engenharia biomédica mas fica aqui uma nota modesta: direitos não existem, nem para homens nem para macacos, nem qualquer «lei natural e universal», são historicamente determinados, pela evolução da luta de classes. O que abre a possibilidade perigosa de, a multiplicaram-me as Luísas Bastos deste mundo, ou seja, a ciência sem história, de um dia destes termos que comer lado a lado com um cão, numa bacia e lamber o chão.

 

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46 respostas a Hilariante

  1. Rivera diz:

    Mas tem algum problema com animais, sei lá, algum cão mordeu-a ou um gato arranhou-a? É que não é normal este tipo de reações! Bom, para escrever um comentário como o que escreveu eu não iria buscar as referências que foi buscar (isso é que foi misturar alhos com bugalhos), mas pronto, há dias que são piores que os outros, não é?

    • Raquel Varela diz:

      Compreendi tudo o que escreveu, o que pensa do artigo em causa, prós e contras, quem são os alhos e os bugalhos, bons argumentos, está num dia bom, imagino.

  2. imbondeiro diz:

    Aqui há uns anos ouvi a um senhor, que, por sinal, está nos antípodas das minhas convicções político-sociais, uma afirmação lapidar: toda a sociedade que entra numa deriva de antropomorfização dos animais acaba por zoomorfizar o ser humano. Por essas e por outras, há quem chore lágrimas de sangue pelo touros lidados na arena, mas ignore olimpicamente o seu irmão que ao seu lado morre à fome. Chamam a isto “progresso”.

    • Raquel Varela diz:

      Pois. Mas quem alimenta isto?

      • imbondeiro diz:

        Cara Raquel Varela:
        Quem alimenta isto ( melhor, o que alimenta isto) é o estado de completa irracionalidade egocêntrica geral que entre nós ( e não só) grassa. Se eu sair à rua pavoneando-me com uma carabina de caça grossa nas mãos, sou ( e muito bem) detido e a arma é-me imediatamente apreendida. Só assim poderia ser. No entanto, se me apetecer passear um bichinho que, e aqui é que bate o ponto, foi premeditadamente criado para ser o mais agressivo e letal possível na via pública, amedrontando toda a gente à volta, eu sou, apenas, um senhor sensível que tem o bom gosto de apreciar os animais. Um guião kafkiano, só pode ser.

    • Daniel diz:

      Não consigo entender essa idéia feita de que ao elevar os animais a criaturas dignas de respeito e consideração pelo seu bem estar, estaremos obrigatóriamente a despromover o ser humano ou a colocá-lo ao mesmo nível dos animais.
      Mas que medo ou paranóia é essa?

      • imbondeiro diz:

        O cerne do pensamento que expus roda à volta da dicotomia “antropomorfização”/ “zoomorfização”. É uma questão não despicienda e não uma “paranóia”. Que acha o senhor de um Mundo onde se promovem hóteis de luxo, comidinha enlatada de luxo e brinquedos de luxo para béu-béus e miaus, ao mesmo tempo que crianças, mulheres e homens vivem na rua, passam fome e são eles mesmos os brinquedos dos beneméritos que, por caridade autocongratulatória, lhes atiram uns cêntimos aos pés? Que acha o senhor dos telejornais que nos enchem a pantalha de guerras e de massacres debitados de forma insensível como se a morte cruenta do nosso semelhante fosse tão natural como o nascer e o ocaso do Sol, para terminarem, invariavelmente, com uma centelha alumiadora de um futuro risonho para a Humanidade: nasceu mais um bonito e saudável panda num zoológico lá para um “cu de judas” qualquer? E todos nós vamos para a caminha e temos um soninho descansado, intimamente reconciliados com a nossa intrínseca humanidade. Ou será com a nossa atávica animalidade?
        O quê que é humano? Tratar animais como se pessoas fossem e negar aos humanos os direitos que humanos atribuem aos animais?

        • Daniel diz:

          Toda a revolta que o revela o seu texto perante a insensibilidade com que é tratada e exposta a condição humana, é perfeitamente legítima e essencial, mas mais uma vez acho que está a misturar tudo e não foi ao “cerne” da minha questão. Primeiro, usar o exemplo da forma como a comunicação social trata qualquer assunto não serve, pois ambos sabemos claramente o quanto as noções éticas presentes nesta estão condicionadas por factores políticos e económicos. Agora a forma como nós devemos trabalhar a nossa própria ética, já é um trabalho de casa, um caminho individual que cada um tem que percorrer , deverá incluir todos os aspectos da nossa forma de estar em relação ao mundo que nos rodeia, os animais estão incluídos nesse mundo não? A consciência de que não estamos acima de nada mas somos apenas parte integrante de um equilíbrio delicado e complexo, deverá ser adquirida analisando todos os aspectos do nosso comportamento e postura perante todas as formas de vida, incluindo a humana claro, mas é um processo que envolve tudo ao mesmo tempo. Penso que não restam dúvidas do quanto hoje em dia já se valoriza de modo mais ou menos geral a vida humana, mais do que no passado concerteza, e claro que existem falhas, e gravíssimas, mas é um caminho longo a percorrer. O mesmo se passa com respeito pelo ambiente e para com a vida animal.
          Por se valorizar mais um não tem que necessáriamente negligenciar outro. Era só aqui que queria chegar.

          • imbondeiro diz:

            E eu concordo plenamente com o seu raciocínio e ainda mais com o seu parágrafo final. Mas convirá que o respeito pelo ambiente e pela vida animal nasce da nossa consciência e cultura de seres humanos e materializa-se nas nossas acções enquanto tais. Entendamo-nos: eu penso essencial o respeito efectivo pela Natureza que é a nossa Mãe. Pura e simplesmente, não confundo esse respeito activo com os histéricos modismos que apoucam as opiniões dos outros esmagando-as sob o politicamente correcto e todo poderoso rolo compressor dos “direitos” dos animais. E, pelo que acabei de ler, o senhor também não confunde. Saudações cordiais.

    • Onde é que estao essas pessoas que choram “lágrimas de sangue pelo touros lidados na arena, mas ignore olimpicamente o seu irmão que ao seu lado morre à fome”??

      Mostre-me uma, que eu calo-me já!

      O tuga gosta muito de discutir com si mesmo, portanto o melhor é sempre inventar uns estereótipos que só existem nos cornos (toma lá antropomorfismo) de alguns macacos.

      • imbondeiro diz:

        Para começar, o senhor, com o seu comentário, só mostra que não sabe o que é “antropomorfismo”. Para além disso, o seu comentário, tão desinteligentemente e grosseiramente irritado, só vem mostrar à saciedade que aquilo que eu escrevi não nasce de qualquer pensamento estereotipado, mas sim de um olhar , e com olhos de ver, sobre a sociedade em que vivemos. Mostro-lhe uma dessas pessoas? Se o senhor não quisesse viver em cegueira auto-imposta, veria muitíssimas. Seria excusado eu servir-lhe de cicerone.
        Exemplos de gente amicíssima dos bichinhos e da “Natureza”, mas que têm um profundo desprezo pelo seu semelhante nunca faltaram nem faltarão. Mas, para sua ilustração, deixo-lhe um exemplo de uns senhores que mostraram, no seu tempo, um respeito profundamente pioneiro pelo entorno natural: os nazis. Surpreendido? Não fique: foram eles os primeiros que, na Europa, criaram de forma sistemática parques naturais. Claro que abater ilegalmente um veado de um desses parques saíria bem mais caro ao autor da façanha do que executar a sangue-frio um judeu ou um comunista. Ele há escalas de importância ditadas pelas nossas afinidades electivas, não é?

  3. Responde Carapeto diz:

    Muito bem, é preciso desencorajar as tendências animalistas na esquerda.

  4. miguel serras pereira diz:

    Por uma vez – e esquecendo as questões não propriamente menores que nos dividem – inteiramente de acordo: com efeito, a “deriva de antropomorfização dos animais acaba por zoomorfizar o ser humano”.

    msp

    • Antónimo diz:

      Porque raios é que a “deriva de antropomorfização dos animais acaba por zoomorfizar o ser humano”

      • imbondeiro diz:

        Eu, modestamente, tento responder-lhe. Aqui há uns anos, uma colega minha, tentando atender à doença simultânea dos seus dois filhos, pediu à sua entidade empregadora ( o Estado português) uns dias de licença. Como resposta ouviu: ” – Eu também tenho os cães doentes e não é por causa disso que falto ao serviço!”. O grave não é a resposta dada por uma besta quadrada ( com desculpa às verdadeiras bestas). O que é gravíssimo é tais analogias serem aceites, como efectivamente foram, sem mais, na nossa sociedade. Estou equivocado?

  5. oberon diz:

    o problema é que nós pretendemos ser (também) homo ethicus ao contrario dos outros que se comportam muito naturalmente amoralmente

    • Antónimo diz:

      Nos nomes científicos, o género (neste caso Homo) vem sempre em maiúsculas. Apenas a espécie (aqui ethicus) vem em minúscula. Mesmo nos casos em que não se trata exactamente de uma classificação biológica.

  6. Nuno Cardoso da Silva diz:

    O nosso relacionamento com os animais não humanos só precisa de estar condicionado pela ética e pela ecologia. Tudo o resto são delírios ideológicos. De certa maneira os budistas e S. Francisco podem ter encontrado a fórmula adequada…

  7. EB diz:

    Só mesmo esta personagem para me fazer (quase) estar de acordo com um artigo do Esquerda…

    Deixo o seguinte link..pq já que se mistura a evolução do homem através do trabalho (afinal a Raquel sempre é Marxista?), também posso misturar “distinções morais” com consciência.

    (tendo em conta que este comentário nada tem de ofensivo agradecia que fosse publicado…ao contrário de tantos outros que ficam pelo caminho nos posts da Raquel)

  8. Diogo Duarte diz:

    Gostava que me explicassem, por favor, porque é que defender os direitos dos animais leva necessariamente à antropomorfização dos mesmos, como se essa tivesse de ser uma condição para lhes reconhecer direitos. Se isso é alguma lei da história que eu desconheço, peço-vos que me esclareçam. Suponho que segundo esse tipo de raciocínio maniqueísta, quem disser que o ser humano é um animal está a defender que podemos começar a comê-lo certo? Uma acusação que poderá aliás ser atribuída a Marx…

    Gostava, também, que me explicassem o que é que contribui para uma discussão sobre os direitos dos animais um argumento como: “há quem chore lágrimas de sangue pelo touros lidados na arena, mas ignore olimpicamente o seu irmão que ao seu lado morre à fome”. Para além de ser um argumento que só pode dizer algo sobre as pessoas que ignoram o irmão que morre ao seu lado de fome, queria me dissessem se conheceram assim tanta gente que o fizesse e se isso diz mais sobre os direitos dos animais ou sobre, precisamente, o contexto social e económico em que se insere e sobre as desigualdades estruturantes que o compõem?
    Mais, porque é que defender os direitos dos animais implica a ignorância sobre tudo o resto que se passa à nossa volta? É uma coisa assim tão desgastante e envolvente que não deixa tempo para mais nada? Não me digam que um vegetariano, por exemplo, tem mais refeições que a maioria das pessoas e, como tal, passa o dia a cozinhar (quando não o faz estará, certamente, a pregar ou a cuidar do seu animal de estimação)?

    Suponho que vos faça confusão que eu que nunca tive um animal de estimação – e, aliás, pode-se dizer que não suporto animais no geral, muito menos animais de estimação – seja vegetariano ou defenda dos direitos dos animais; ou que acho abominável precisamente o tratamento de luxo que é concedido a animais nesses tais hotéis que referem – como se esse tratamento devesse alguma coisa a uma discussão sobre direitos dos animais e não, precisamente, à luta de classes que invocam e parecem não estar interessados em ler na sua complexidade (porque os nazis protegiam a natureza, segundo um quadro social e cultural muito específico e só entendido se historicamente contextualizável, todos os que se preocupam com a natureza são nazis, também, não? só falta virem com a parvoíce de que o Hitler era vegetariano ou algo do género…).

    Quanto à frase, mais uma vez apresentada como espécie de lei, de que “é evidente que as pessoas que fazem dos direitos dos animais uma militância têm um desequilíbrio com os humanos”, nem comento, tal não é o absurdo… mas se me quiser explicar, oiço com toda a humildade, pois pode ter-me escapado algo.

  9. Diogo Duarte diz:

    Já agora, considerando que a maior parte das pessoas que eu conheço, ou com que me cruzei, e que suponho serem capazes de ignorar “olimpicamente o seu irmão que ao seu lado morre à fome” se estão muito provavelmente a borrifar para os direitos dos animais – e que, por outro lado, a maior parte das pessoas que eu conheço como militantes dos direitos dos animais seriam incapazes de o fazer -, talvez devesse, segundo a vossa lógica, tirar daí uma lei qualquer, não? Do género: quem não se preocupa com os direitos dos animais é, consequentemente, um potencial sanguinário e um frio assassino. É o equivalente ao vosso tipo de raciocínio. Espero que percebam o absurdo dos argumentos que por aí escreveram e, talvez, não fosse mal pensado respeitar mais a importância da luta de classes e perceber porque é que esta pode ter tanta importância explicativa e interpretativa.
    Coitado do Marx…

    • imbondeiro diz:

      Caro Diogo Duarte:
      Vai, certamente, permitir-me que lhe dirija umas palavrinhas, já que por várias vezes citou o que escrevi no seu comentário.
      Perdoar-me-á a sinceridade, mas o senhor cai exactamente, dizendo que o não faz, nas generalizações que critica tão veementemente.
      Nunca afirmei que quem se preocupa com os “direitos” dos animais é um sociopata. O que eu disse é que alguns que levam ao extremo essa preocupação o são. Não é admissível que alguém, baseando-se nos “direitos” dos animais, decepe os direitos, liberdades e garantias de outros seres humanos, ou a eles seja indiferente. Concretizemos.
      Há uns anos já, vi uma excelente reportagem sobre o boicote de grupos ecologistas à construção de um lago de barragem na Índia. Argumentavam esses grupos que a concretização da obra colocaria irremediavelmente em causa uma comunidade de macacos que na região vivia. E tantos cordelinhos puxaram, que o Banco Mundial cancelou a verba atribuida ao projecto. De nada valeram os protestos do Governo Indiano e a sua promessa, fundamentada em rigorosos estudos, de recolocar a comunidade símia em outro habitat em tudo semelhante ao original. Resultado disto tudo? Milhóes de pessoas sem electricidade e sem água canalizada e potável. É a isto que eu me refiro: Direitos Humanos espezinhados com a argumentação da defesa dos “direitos” dos animais. E isto a que me refiro chama-se “ecofascismo”. O resto são divagações à volta de uma muito em voga teoria filosófica: o “Confusionismo”.

    • imbondeiro diz:

      Quanto ao vegetarianismo de Hitler, ele, para a nossa discussão, é irrelevante. Já o seu amor assolapado pelos béu-béus pode ser relevante para ela: é que ele mostra-nos que, ao contrário do que não pouca gente crê, o respeito pelos animais não é directamente proporcional ao incremento do respeito pelas pessoas. Só isso.
      Mas fiquemos, cronológica e geograficamente, mais perto de casa. Esse corifeu da democracia ocidental e de todos os seus valores (incluindo os ecológicos) que dá pelo nome de Tony Blair ao mesmo tempo que proibia a horrenda caça a cavalo das raposas (tadinhas das raposinhas…!), mandava os mancebos britânicos para o Iraque caçar… iraquianos. Antropomorfização das britânicas raposas? Zoomorfização dos iraquianos?

  10. Martelo diz:

    Cara Raquel, eu sei bem onde militar mas isso não faz com que não me preocupe com os direitos dos animais. não misturar uma pessoa com preocupações pelos animais e que participa na defesa destes, com os militantes do PAN.

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  12. Rodrigo diz:

    As pessoas têm direitos.

  13. João. diz:

    O que eu vejo no texto não é propriamente a defesa de uma equivalência de dignidade entre o animal e o homem, mas, antes, uma proposta de conferir ao animal alguma dignidade, quer dizer, alguns direitos. A Raquel comete o erro de não dialectizar o post que critica, quer dizer, de não entender o que implicitamente o post sugere; e o que sugere é o pensamento sobre a dignidade a conferir aos animais. É isto que interessa a todos, quer dizer, é-se ou não a favor de estabelecer alguma mediação legal para a lide particular com os animais? Pessoalmente defendo por princípio que o arbítrio sobre os animais não seja absolutamente particularizado, quer dizer, que haja uma mediação por um direito objectivo. O que me interessa é a diferenciação desta mediação.

  14. Pedro Almeida diz:

    E.O Wilson dizia algo como: “Se todos os insectos de repente desaparecessem, a vida na Terra acabaria em 3 meses. Se toda a humanidade de repente desaparecesse, a vida na Terra floresceria”. Isto diz muito da importância desmesurada que uma certa espécie atribui a si própria.

    Lamento que actualmente aquilo que alguns fazem da dignidade do marxismo não é mais do que uma religião secular muito requentada. Ao menos Marx teve a lucidez de nunca se considerar marxista (e suspeito que actualmente ainda manteria a mesma postura).

  15. Diana Tomás diz:

    Eu estive aqui.

  16. Nuno André Patrício diz:

    Não posso acreditar que no momento em que estamos, esta seja a discussão onde gastamos energias…

    Esta discussão parte da premissa de que estamos numa viagem no nosso carrito num qualquer IC e no meio do breu da noite nos deparamos com uma velhinha e uma vaca ( sem querer ofender ninguém ) e temos de escolher onde enfiar o nosso carrito , ou na velhinha ou na vaca. Será que isto acontece assim tantas vezes. Será que não posso enfiar o carrito na árvore mais próxima? Ai !! mas e a arvore, ser vivo que também não merece , xiça pá!!

    Talvez o melhor seja ir de comboio na próxima vez.

    • imbondeiro diz:

      Pois é, meu amigo, neste e noutros momentos dramáticos aprende-se mais com os pormenores do que com os grandes discursos acerca da panorâmica geral. É que o Diabo esconde-se por detrás de cada pormenor. E a melhor maneira de estar de bem com Deus e com o Diabo é dizer que tudo equivale a tudo, que o mesmo será dizer: venha o que vier, eu estou sempre “na boa”.

      • Nuno André Patrício diz:

        E a melhor maneira de não chegar a lugar nenhum é perder-se em discussões de pormenores. Como nunca vi nem Diabo nem Deus não me preocupo onde pode estar escondido, parece-me que a estratégia do medo da existência do papão que não se vê mas que está escondido ( seja nos pormaiores seja nos pormenores ) é uma óptima forma de controlo da sua trincheira e óptima desculpa para não sair da mesma.

        • imbondeiro diz:

          Meu caro Nuno André Patrício:
          Se não houvesse pormenor não existiria Cultura nem, tão pouco, Arte, as quais, de certeza absoluta, o meu amigo tanto preza. “Diabo” e “Deus” são metáforas que não precisam de ser enxergadas para sabermos o que significam e como se materializam. Essas metáforas não as vemos todos os dias ( nem as poderíamos ver), mas acredite que, quotidianamente, claramente discernimos as suas materializações ( e as consequências dos actos dessas materializações). Elas são só um outro nome para o “Bem” e para o “Mal”.
          Quanto a “papões”, não os tenho. E é precisamente por os não ter que vou contra o “politicamente correcto” tão em voga em certos círculos da “esquerda” portuguesa. E, já agora, eu sou humano, e nada do que é humano me é alheio: “pormenores” e “pormaiores” por igual. Saudações cordiais.

    • João. diz:

      Nuno, lidar apenas com o imediatamente urgente é comum a um homem e a um cão, cada um em sua dimensão, o que difere o homem, o seu especismo, para usar um termo em causa no post, é a obsessão com detalhes que aparentemente não são urgentes. Talvez algo que o PC Soviético, por exemplo, não considerou suficientemente, quer dizer, que tem que haver espaço e tempo para o que não é urgente mesmo em tempos de emergência – até na guerra há espaço e tempo para outras coisas que não a revisão constante da prontidão de suas armas. Isto não quer dizer que se desconsidere os problemas que se vive em Portugal. Quer dizer apenas que, no contexto actual, é menos que isso…mas que, sendo menos que isso, é porém menos [ou mais] que nada.

  17. Ana diz:

    Cara Raquel,
    Se a afirmação «Até agora, todo o argumento que tenta estabelecer uma distinção moral entre animais não humanos e humanos falhou» da Luísa Bastos é questionável, ou hilariante, como preferir, do ponto de vista da Ética Animal e das suas distintas abordagens filosóficas, afirmações da Raquel como (i) “somos humanos não somos macacos e que pelo trabalho passámos de macacos a homens (recomendo a obra de Engels, O Papel do Trabalho na Transformação do Macaco em Homem). Por isto, pelo trabalho, o homem colocou uma cadela no espaço e não o inverso.” ou (ii) “direitos não existem, nem para homens nem para macacos, nem qualquer «lei natural e universal», são historicamente determinados, pela evolução da luta de classes.” são arrepiantes. Da primeira afirmação imana o facto de que somente pelo trabalho o Homem existe e a segunda ou compara a sociedade humana com a de outros animais, ou os animais são “per se” uma classe na sociedade humana (confesso que não percebi o alcance). Já agora, não foi o trabalho que colocou uma cadela e um homem na Lua, mas a inteligência. Sem ela, por mais trabalho que houvesse, ainda andaríamos a tentar fazer lume. Engels é do final do século XIX – o contexto histórico, científico, técnico e ético, das várias sociedades humana, nestes mais de 100 anos de história desde a sua morte, como é óbvio não é o mesmo. Aliás, seria interessante saber como terá reagido à teoria de Darwin.

    • imbondeiro diz:

      Pois…., mas o fazer lume foi, ele próprio, o primordial acto de inteligência, ou não foi? Já agora o trabalho ( no sentido de um esforço inteligentemente planificado e persistentemente continuado com o intuito de atingir um objectivo pré-determinado) é, ele próprio, um produto da inteligência, ou não? Qualquer trabalho requer, “sine qua non”, inteligência, não lhe parece?

  18. laika_da_lua diz:

    Se é pelo trabalho que o homem se distingue dos bichos, então porque razão as bestas de carga não se tornaram inteligentes? (Pode dar-se também a hipótese de a tese de Engels ser completamente idiota)

    • João. diz:

      As bestas não trabalham. Não façamos confusões. Tal como uma besta que está parada a olhar para a frente não está a contemplar a beleza da paisagem ou as agruras do dia.

  19. Gil Henriques diz:

    Não compreendo porque não foi o meu comentário publicado. Oponho-me por princípio à censura, mas compreendo relutantemente que alguém possa sentir a necessidade de moderar as caixas de comentários, para evitar que se transformem no tipo de pocilgas verbais e intelectuais em que geralmente se tornam. Como, a meu ver, o meu comentário foi formalmente adequado e perfeitamente relevante para a discussão em decurso, e como não quero crer que a Raquel Varela tome uma atitude censória meramente porque um comentário critica aquilo que ela diz (até porque tantos outros aqui já o fizeram) só posso concluir que houve algum erro…

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