Hilariante

«Até agora, todo o argumento que tenta estabelecer uma distinção moral entre animais não humanos e humanos falhou».

Esta semana fomos brindados no Esquerda-net com um artigo da autoria da investigadora em engenharia biomédia, Luísa Bastos. O artigo é hilariante e não pode ser explicado só pelo papel de uma sociedade individualista que elegeu os animais, baratinhos e obedientes, à categoria de filhos, capazes de exercitar todo o nosso narcisismo, sem os custos materiais e morais associados à imensa responsabilidade de educar filhos (humanos!). O delírio tem que ter causas mais profundas.

Eu não sou investigadora biomédica mas sou historiadora e nestas alturas lembro-me com carinho de A Ideologia Alemã,  e do radicalismo de Marx «Só existe uma ciência, a da história». Desconhece Luísa Bastos que sim, somos humanos não somos macacos e que pelo trabalho passámos de macacos a homens (recomendo a obra de Engels, O Papel do Trabalho na Transformação do Macaco em Homem). Por isto, pelo trabalho, o homem colocou uma cadela no espaço e não o inverso.

Não se ensina na engenharia biomédica mas fica aqui uma nota modesta: direitos não existem, nem para homens nem para macacos, nem qualquer «lei natural e universal», são historicamente determinados, pela evolução da luta de classes. O que abre a possibilidade perigosa de, a multiplicaram-me as Luísas Bastos deste mundo, ou seja, a ciência sem história, de um dia destes termos que comer lado a lado com um cão, numa bacia e lamber o chão.

 

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