O jogo da laranjinha

Eu, que sei tanto de sindicalismo sul africano como do jogo da laranjinha (assim mesmo, para deixar dúvidas sobre os meus conhecimentos de laranjinha), acho perfeitamente lógico e óbvio que o comentário do PCP se baseie nas informações que lhe são prestadas pelas organizações locais com as quais tem relações de solidariedade e camaradagem.
Aliás, também não me parece absurdo este post do Renato, na sequência das suas expectativas goradas, deduzindo entrelinhas não escritas.

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11 Responses to O jogo da laranjinha

  1. Augusto diz:

    A REPRESSÂO policial, o assassinato de dezenas de mineiros, os muitos mais feridos, as prisões ARBITRÀRIAS, tudo isso devia fazer soar as campainhas, de qualquer cidadão de esquerda.

    Aliás não é segredo para ninguém, nem é precisa muita informação, para se saber as condições em que muitos desses mineiros trabalham , e os baixissimos salários que recebem.

    Muitos anti-colonialistas portugueses sabiam dos negócios de Marcelo e Salazar com os sul africanos, mandavam trabalhadores moçambicanos para as minas da Africa do Sul a troco de bons rendimentos, era uma forma encapotada de escravatura.

    O ultimatum dos donos da mina de platina feito aos trabalhadores, ou regressam ao trabalho ou são todos despedidos, faz lembrar outros tempos.

    Afinal parece que como dizia o Leopardo…

    É preciso que algo mude para que tudo continue na mesma…..

    Na Africa do Sul parece que sò mudou a fachada….

    Joe Slovo…Steve Biko..andaram a lutar para quê….

    • Zuruspa diz:

      É para que aprendam que näo há pretos nem brancos, nem portugueses e alemäes. Há quem trabalha e quem explora. Ponto final.

      Eu sempre gostava de saber é porque é que os mineiros näo se despedem daquela trabalho esclavagista. Pelo salário miserável näo é, também näo acredito que seja por terem medo de perder 2 ou 3 meses de subsídio de desemprego… que essas coisas de subsídios de desemprego só existem nos países “socialistas”. Ganha-se mais numa mina que a amanhar a terra?

      Isto é como tudo: o pessoal do campo tem um quinhäo de terra para criar os seus vegetais é “pobre por näo ter dinheiro”; vai para a cidade, sujeita-se, é explorado, e depois näo se pode livrar disso por que passa a ser “pobre de pedir”. Näo é melhor voltar para o campo–näo me venham com tretas, que estas pessoas näo têm instruçäo nenhuma, näo säo trabalhadores qualificados. Esses é normal que näo queiram voltar para o campo, que näo têm lá oportunidades de usar as suas qualificaçöes.

  2. Rocha diz:

    O que eu me pergunto é como é que tipos tão alucinados como o Renato Teixeira alguma vez sonharam em rivalizar com a CGTP a partir dos seus movimentos socais.

    Numa conjuntura de bancarrota e depressão na Europa e em Portugal, o importante para o Renato Teixeira é uma obscura greve, um conflito entre sindicatos (que nenhum de nós realmente conhece), num país capitalista subdesenvolvido no outro lado do mundo.

    A exasperação do Renato mete dó. Imagino que ele está a pensar neste momento que ficou mais uma vez provado o carácter…. estalinista (na falta de melhor insulto) do PCP e da CGTP.

    Mas seria realmente necessário salivar tanto em tanta gritaria para chegar a semelhante conclusão?

    • kropotkine diz:

      ó Rocha,

      com o seu comentário não é o só o estalinismo no PCP e da CGTP que ficam mais do que provados e esclarecidos. É também a bestialidade boçal, o racismo, o nacionalismo socialista, o eurocentrismo, e a ignorância inexplicável e incompreensível de grande parte dos seus militantes.

      Gente como você, nós os fodidos deste mundo, sabemos que mais cedo ou mais tarde iremos encontrar do outro lado de uma espingarda. Até agora sempre com o cano virado para cá.

      Um abraço

      • Rocha diz:

        Você é sul-africano? É mineiro? Esteve no local dos acontecimentos? Conhece imprensa alternativa sul-africana (anti-capitalista ou operária)? Conhece de longa data sindicalistas sul-africanos?

        Conhece ao menos a história do ANC, do SACP da COTASU e dos movimentos sindical, guerrilheiro, pan-africano e outros que se bateram contra o Apartheid durante décadas?

        Eurocentrismo e racismo (você não faz a coisa por menos) é querer dar lições aos sul-africanos de quem tem razão num conflito entre sindicatos.

        Eu sei ao menos que o sindicato NUM (ligado à COTASU) é de inspiração marxista – basta ler os seus comunicados. E o outro sindicato, o AMCU, o que sabe você dele?

        A polícia massacrou os grevistas de qual sindicato? Os grevistas massacrados não estavam de catanas em riste? É normal haver piquetes de greve armados? É normal haver sindicalistas de um sindicato armados a atacar outros sindicalistas segundo foi denunciado pela NUM?

        Como vê eu tenho muitas dúvidas. Você tem as certezas todas. Quem é que é eurocentrico e racista?

        Bla, bla, bla, você é muito mau, reaccionário, estalinista, bla, bla, bla.

        Olhe que as suas certezas são balões de encher, não tem substância nenhuma.

        • KROPOTKINE diz:

          Rocha,

          As suas dúvidas são firmes que nem o aço.

          Não nos proporcione mais momentos de diversão e vergonha alheia. atire-se de um penhasco ou vá passar férias à coreia do norte.

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  4. Renato Teixeira diz:

    Entrelinhas não escritas?!? Também tu a preferir a discutir a semiótica à realidade dos factos? Que raio de argumento é esse que justifica uma posição política por esta ter sido tomada por uma congénere política ou sindical?

    • André Carapinha diz:

      Não é um argumento, mas é a prática da generalidade dos militantes do PCP, com poucas e honrosas excepções, uma delas por acaso até considero ser o Tiago Mota Saraiva. A ideia de que existe um partido que representa a classe trabalhadora só pode desembocar nisto: o interesse do partido é o interesse da classe trabalhadora, e não o oposto. Daí, se o partido diz ou faz, ou o partido irmão diz ou faz, mesmo que seja mandar disparar contra grevistas ou justificar esse tipo de acções, isso está justificado a priori. Se um partido irmão assassina trabalhadores em luta, ou pactua com esse facto, então isso é do interesse, em última análise, dos próprios trabalhadores assassinados. Este tipo de esquizofrenia política é recorrente no PCP, e exemplos não faltam. O que me espanta é que o Renato e a sua corrente ainda considerem possível ou útil construir pontes com quem age constantemente deste modo. Mas enfim, da corrente do Renato também não virá absolutamente nada de relevante para a luta que realmente interessa.

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  6. Vasco diz:

    Mas o que é que o PCP tem a ver com a África do Sul?… Porra que é demais tanto anticomunismo… De «esquerda», claro…

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