O Brother Where Art Thou?

Começa a não colar este constante lamuriar do Daniel Oliveira. O mesmo Daniel Oliveira que, há pouco mais de um ano, escolheu não participar na Convenção do Bloco de Esquerda. O mesmo Daniel que veio, expedito, pedir a demissão de uma direcção eleita um mês antes. O mesmo Daniel que escreve isto:

Estou disponível para debater as grandes opções políticas do Bloco, em relação às quais tenho tido discordâncias públicas (e assinadas) com a direcção do partido. Para isto não estou.

Se está disponível para discutir política que o faça. Mas que não tente atirar areia para os olhos de quem sabe muito bem que o Daniel sabe muito bem tudo o que se passa em cada reunião da Comissão Política do BE. Por vezes até o saberá em primeiríssima mão! Ou não saberemos todos que está nesta mesma Comissão Política um dos principais aliados do Daniel Oliveira nesta cruzada social-democratizante de um partido que tem inscrito na sua génese (que foi fruto da colaboração activa do próprio ) um projecto de democracia para o socialismo?

Deixo para o final a pergunta a que, obviamente, importa que Daniel Oliveira responda: para quando o sair da sombra confortável que o papel de opinador lhe oferece e o assumir do projecto que tem em mente? Já agora que diga se o quer concretizar com o seu compagnon de route Rui Tavares para, assim, tentar garantir a manutenção dum lugar português no grupo europeu para onde Rui Tavares levou o terço dos votos que o BE obteve nas eleições europeias de 2009.

É tempo do Daniel Oliveira deixar claro o projecto que tem para o BE e/ou para as lutas que estão em curso. É tempo de se apresentar como uma alternativa de liderança dentro do BE! Que pegue nestas palavras – «Estou disponível para debater as grandes opções políticas do Bloco, em relação às quais tenho tido discordâncias públicas (e assinadas) com a direcção do partido. Para isto não estou.» – e que dê a cara de uma vez por todas!

[Post-scriptum: numa coisa estaremos de acordo – eu e o Daniel – esta coisa da liderança bicéla não tem ponta por onde se lhe pegue. E a intromissão, democraticamente centralista, do Francisco Louçã não é, para mim, aceitável. Se quer sair, que saia. Sei reconhecer o papel imprescindível que teve até aqui e que, certamente, irá continuar a ter, mas não consigo aceitar a nomeação de sucessor(es). Este condicionamento em nada ajuda a que nos centremos no que é, a meu ver, essencial: a luta e a forma com o BE e os seus militantes podem ajudar a salvar este país da ruína.]

Este artigo foi publicado em cinco dias and tagged . Bookmark the permalink.

12 respostas a O Brother Where Art Thou?

  1. Zuruspa diz:

    A liderança bicéfala tem a ver com igualdade de oportunidades entre géneros e blablabla. Muito pós-moderno.

  2. Oui,m'a non plus diz:

    BE:reformista ou revolucionário???

  3. “O mesmo Daniel Oliveira que, há pouco mais de um ano, escolheu não participar na Convenção do Bloco de Esquerda. O mesmo Daniel que veio, expedito, pedir a demissão de uma direcção eleita um mês antes. ”

    Uma escolha difícil: ir dizer tudo o que tinha a dizer a um mês das mais difícil opções que o Bloco tinha de fazer. Porque, incompreensivelmente, a direcção do Bloco preferiu que fosse um comício e não um congresso. Se tivesse ido, opção absolutamente justificável, teria sido acusado de prejudicar o partido. É que o que pedi foi, como é evidente, um mês depois, e não um mês antes. Já depois das eleições. Seria bom corrigir esse “pormenor” que muda tudo.

    “Mas que não tente atirar areia para os olhos de quem sabe muito bem que o Daniel sabe muito bem tudo o que se passa em cada reunião da Comissão Política do BE. Por vezes até o saberá em primeiríssima mão!”

    Ou esta frase não quer dizer nada ou está a repetir a acusação que desmenti. Contra isso, nada posso fazer. Que gosta da calúnia não se convence com desmentidos. Mas tem aqui a quem perguntar.

    Por fim, sou militante do Bloco de Esquerda. Com todo o direito em dar a minha opinião. E isso não me obriga a candidatar-me a nada. Imagino que, com o que aqui escreve, tenciona colocar-se à disposição de liderar um futuro governo deste País. Que raio de argumento.

    • iktomi diz:

      O que pensaria um homem como o Che ao ver o Daniel?
      Quando vejo este Daniel (a sua foto), penso em Che Guevara e penso que este Daniel não vale a pena.

  4. Rui F diz:

    tchiii…tanto comentário

  5. Rascunho diz:

    nem sei porquê perder tempo com dois se, presentemente, o que mais há são dois em um(a)

  6. Carlos Carapeto diz:

    A festa parece estar a começar, já soam os primeiros petardos. Ou será a preparação para o funeral de Alexandre?

  7. Sou apenas um turista que por aqui passou. Mas, atendendo a que este lugar é público, e atendendo à quantidade inumerável e já bastante enervante de artigos, entrevistas e declarações sobre essa tal da coordenação do BE (sobre o qual, devo esclarecer, não possuo acções nem cartões nem amores nem ódios de estimação), e atendendo a que tudo isso tem sido uma conversa críptica com muitíssimo ar de conversa de cama para quem vai passando, alguém me pode esclarecer umas coisinhas?
    Um é melhor que dois? Ou dois é melhor que um? E três? Seria mais ou menos giro?
    A paridade é uma coisa estatística? A identidade é da ordem da aritmética?
    E no meio de tanto artigo e conversa de cama, não há um raio duma linha de texto que esclareça os ignorantes turistas passantes se um dos dois é boa escolha? Ou os dois? Ou metade de cada um?
    Visto de fora, não vejo onde está o ridículo de um ou dois ou três a que o Renato T. se refere mais adiante. Alguém me pode explicar em que algarismo se situa a fronteira do ridículo?
    É que, na ausência de uma explicação que não seja mera conversa de cama, cheira aqui a conservadorismo que tresanda, como é costume em matéria de comportamento e cultura num vasto sector da esquerda que fica sempre completamente desorientado quando obrigado a usar da própria cabecinha em matérias sobre as quais o Marx não fez a fineza de deixar uma cábula.

    • Carlos Guedes diz:

      Pela parte que me toca (e pela do Daniel também, pois nisso estamos de acordo) já aqui deixei claro o que penso sobre o João Semedo. Creio não ter deixado margem para dúvidas, mas como diz que não é ‘cliente’ habitual do tasco é compreensível que não tenha levado isso em conta. De qualquer forma agradeço o seu comentário. E tenho uma opinião formada sobre lideranças bicéfalas, tricéfalas e afins. São propícias a gerar lideranças acéfalas e, no actual momento, apenas demonstram fraquezas em gente que se quer forte e determinada. Da forma mais marxista que conheço.

Os comentários estão fechados.